Apesar de eu não falar muito sobre isso e vez ou outra ter citado no podcast, não sei se você sabe, mas eu também sou especialista em Neurociências. E na área neurobiológica os assuntos se cruzam: uma descoberta que tem determinado foco acaba gerando pistas e novos caminhos para áreas completamente diferentes que, à princípio, poderiam não ter nada a ver.

Uma coisa que eu aprendi na Neuro: tratando-se de cérebro, praticamente tudo é multifatorial – hormônios, estrutura física, grau de estresse, alimentação, emoções, estrutura psicológica ou mental… tudo isso e muito mais contribui para que algum padrão neural se estabeleça ou não. Cada caso tem que ser estudado de forma particular, apesar de se tentar estabelecer padrões para, pelo menos, se ter um ponto inicial de investigação da causa-sintoma. E um assunto muito controverso, pelo menos até então, tem a ver com o ato de dar, de ser generoso. E hoje vamos tratar um pouco sobre a neurociência da generosidade.

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Esse é o podcast do Investidor Inteligente que todas as semanas traz para você informações valiosas sobre sua vida financeira, respostas sobre como usar melhor o seu dinheiro de maneira mais harmônica, procurando te ajudar na importante tarefa de se tornar mais sensível à sua vida financeira para cuidar bem do seu dinheiro.

Eu sou Phillip Souza, terapeuta financeiro especialista em inteligência financeira, treinador e palestrante, consultor e educador financeiro, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr.

Tenho o nobre e ousado objetivo de te ajudar a destravar a sua mentalidade e entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! E, dessa forma, poderá se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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O que inspira os seres humanos a praticarem atos de generosidade? Economistas, psicólogos e filósofos refletem sobre esta questão há milênios. Se motivado principalmente pelo interesse pessoal, parece ilógico sacrificar voluntariamente os próprios recursos pelos outros.

A interação entre as áreas do cérebro responsáveis pela generosidade e a felicidade explicaria porque uma pessoa é altruísta até mesmo quando isso envolve um custo pessoal, revelou uma pesquisa da Universidade de Lübeck, na Alemanha, publicada na revista científica Nature.

Todas as sociedades e culturas valorizam o comportamento generoso, mas a teoria econômica sempre fracassou quando o assunto era explicar a generosidade envolvendo investir os próprios recursos em benefício do outro – porque convenhamos, colocando o aspecto emocional de lado, entre se ajudar e ajudar o outro, financeiramente é mais vantajoso se ajudar, visando a própria sobrevivência ou o próprio desenvolvimento. O outro ficaria para depois, concorda?

Por outro lado, a psicologia já tinha sugerido que o motivo para o comportamento altruísta é o aumento que a felicidade provoca. No entanto, não oferecia um entendimento do mecanismo dos processos neurais que os vinculam – ou seja, ainda não se tinha descoberto base neurobiológica.

Na tentativa de resolver esse paradoxo, alguns especialistas formularam a teoria de que doar ou presentear satisfaz o desejo de elevar a posição do indivíduo em um grupo. Outros sugeriram que o ato promove a cooperação tribal e a coesão: um elemento-chave na sobrevivência de mamíferos. Outra explicação é que doamos apenas porque esperamos receber algo em troca. Outro estudo sugere que a resposta pode ser muito mais simples: doar nos deixa feliz.

Os cientistas realizaram um experimento em um laboratório em Zurique com 50 pessoas que relataram seus próprios níveis de felicidade após atos de generosidade. Consistentemente, eles indicaram que doar era uma experiência de bem-estar.

Ao mesmo tempo, os exames de ressonância magnética revelaram que uma área do cérebro ligada à generosidade desencadeou uma resposta em outra parte relacionada à felicidade. O estudo, portanto, fornece evidências comportamentais e neurais que apoiam a ligação entre generosidade e felicidade.

Para investigar esses processos do cérebro a professora Soyoung Park, do Departamento de Psicologia da Universidade de Lübeck, junto com outros pesquisadores, conduziu um estudo que analisou a atividade cerebral de 50 participantes. Os voluntários receberam uma quantidade de dinheiro (25 francos suíços) durante quatro semanas: metade das pessoas foram instruídas a gastar em benefício próprio e a outra metade foi orientada a gastar com outra pessoa.

Depois de se comprometerem com os gastos, os participantes responderam às perguntas enquanto seus cérebros estavam sendo examinados. As perguntas evocaram cenários que opunham os próprios interesses dos participantes contra os interesses dos beneficiários da sua generosidade experimental.

A equipe examinou a atividade em três áreas do cérebro: uma ligada ao altruísmo e ao comportamento social, uma segunda área relacionada à felicidade e uma terceira área envolvida na tomada de decisões.

Os pesquisadores descobriram que os participantes que usaram o seu dinheiro com os outros também se mostraram mais generosos na hora de realizar tarefas independentes e que seus cérebros mostraram mais atividade em uma área vinculada ao sentimento de felicidade.

Através de imagens de ressonância magnética foi possível descobrir que as decisões generosas envolviam mais a área cerebral conhecida como junção têmporo-parietal (sem ser técnico demais, é uma região um pouco atrás e acima de sua orelha) e modulavam a conectividade entre essa região e o núcleo estriado relacionado com a mudança na felicidade.

A equipe descobriu que o grupo que se comprometeu a doar o dinheiro relatou estar mais feliz do que os que iam gastar a quantia com eles próprios.

De fato, algumas lesões no núcleo estriado (que já é mais interno, no meio do cérebro) foram associadas a casos de “generosidade patológica” e falência pessoal, sugerindo que essa área estaria encarregada de inclinar a balança para o interesse próprio em situações em que o altruísmo demanda um custo pessoal.

Ser generoso implica em custar alguma coisa para você. Mas a troco de quê? Geralmente a sensação de felicidade, de se fazer bem ao outro – o que geralmente entendemos como altruísmo.

Como eu disse antes, a neurociência produz resultados multifatoriais, e as conclusões do estudo poderiam ter importantes implicações não só na neurociência, mas na educação, na política, na economia e na saúde, já que, atualmente, de acordo com os pesquisadores, a sociedade subestima os benefícios sociais e individuais do comportamento generoso e superestima o efeito dos motivos egoístas para alcançar a felicidade.

Conforme foi dito, os cientistas identificaram que as pessoas que demostraram generosidade para com os outros mostraram atividade nas áreas do cérebro associadas à felicidade e ao sentimento de recompensa. Por outro lado, aqueles que ficaram com todo o dinheiro para si mostraram significativamente menos atividade neural nessas áreas do cérebro e não emitiram um brilho quente (que geralmente mostra atividade no cérebro).

E é aí que reside uma evidência interessante: um dos aspectos mais surpreendentes deste estudo é que a quantidade de generosidade não se correlacionou diretamente com o grau de felicidade ou contentamento de alguém. Pequenas quantidades de comportamento generoso podem provocar o brilho caloroso de se sentir feliz (ou seja, ativar o seu cérebro para a felicidade). Ou seja: você não precisa se tornar um mártir abnegado para se sentir mais feliz. Apenas ser um pouco mais generoso será suficiente.

Curiosamente, os pesquisadores também descobriram que simplesmente fazer um compromisso verbal de se comportar de forma mais generosa no futuro ativou áreas altruístas do cérebro e intensificou o brilho quente dentro de áreas cerebrais associadas a emoções positivas. Um dos pesquisadores comentou que é notável que a intenção por si só gera uma mudança neural antes que a ação seja realmente implementada. A promessa de se comportar generosamente poderia ser usada, por um lado, como uma estratégia para reforçar o comportamento desejado e, por outro lado, para se sentir mais feliz.

Sem dúvida, a maioria de nós sabe por experiência própria que fazer algo de coração ou algo generoso para outra pessoa dá a você uma sensação “calorosa” que os pesquisadores observaram usando imagens de ressonância magnética funcional de alta tecnologia. No entanto, é bom ter evidências empíricas que nos lembram de que mesmo quantidades minúsculas de generosidade do dia-a-dia podem desencadear mudanças neurobiológicas em seu cérebro que comprovadamente aumentam a felicidade e o contentamento. Pequenos atos de generosidade criam as melhores situações de ganha-ganha, tornando o dia de outra pessoa um pouco mais brilhante e também dando ao seu cérebro um brilho caloroso.

Certamente já devem ter estudos em desenvolvimento e com certeza ao longo do tempo vamos descobrindo mais sobre como o cérebro funciona quando se trata desse e de outros assuntos. Mas onde eu quero chegar com isso tudo?

Não é incomum perceber que as pessoas mais prósperas, não só financeiramente, são as que têm um coração generoso. A pessoa generosa sempre prosperará; ela receberá de volta todo o bem que fez aos outros. Às vezes o bem que você pode fazer é de reservar parte do seu dinheiro para dízimos, doações, ofertas – e não necessariamente você vai receber dinheiro de volta, mas pode ser que sim através de novas ideias, novas oportunidades, novos negócios que acabam brotando de onde menos se espera e, mais cedo ou mais tarde, acabamos podendo fazer ou até mesmo tendo a capacidade para receber mais dinheiro em nossas vidas.

Acontece um fluxo invisível, uma interação externa (a partir de algum observador, com seu ato de generosidade) e uma interação interna (já entendemos que ser generoso muda nossa forma de perceber e reagir ao mundo) que acaba nos direcionando para situações financeiramente auspiciosas e situações que podem nos proporcionar ainda mais felicidade.

Dinheiro não é bom ou ruim: é apenas instrumento. Mas ele nos proporciona poder, expandindo aquilo que nós já somos. Se você já é generoso no pouco, na medida em que progredir com sua vida, será generoso no muito. Porque não é a quantidade de dinheiro que determina quem você é ou deixa de ser: é o seu caráter e só você e, com certeza, Deus sabe onde que é bonito e onde que não é tão bonito assim na sua personalidade.

E o que você pode fazer com essa informação?

Talvez você esteja endividado e pode falar assim para mim: “mas Phillip, eu não tenho dinheiro para doar, não tenho dinheiro para ajudar ninguém”. Dinheiro é só uma das formas de doação. A generosidade pode partir da doação do seu tempo, da sua energia. Procura na sua cidade e experimenta ajudar às pessoas que estão em situação de fragilidade. Não é muito difícil encontrar grupos que trabalham com distribuição gratuita de comida para pessoas.

Dentro dos protocolos sanitários, experimenta se envolver e visitar pessoas que estão em hospitais, casa de repouso ou lugares relacionados. O nosso recurso mais valioso, que é o tempo, pode ser doado. Experimenta, dentro da sua profissão, oferecer um dia off, para ajudar quem precisa com aquilo que você já faz e até é especialista. Apesar de gerar essa sensação de felicidade, não dá para ficar o tempo todo fazendo isso (a menos que você já seja independente financeiramente e hoje possa viver como filantropo), mas reserva um tempo, um dia no mês, por exemplo.

Mesmo assim, doando seu tempo, seu conhecimento, eu te incentivo, tanto para aqueles que estão endividados quanto para aqueles que já são poupadores e investidores, a reservar parte daquilo que você recebe para doações, dízimos ou ofertas. Tradicionalmente, por um princípio bíblico, o dízimo trata-se da décima parte de tudo o que se recebe; doações e ofertas não têm um valor de referência – fica a critério de quem vai realizar tal atitude.

E qual o princípio prático disso? Muito simples: você manda uma mensagem forte, muito poderosa para sua mente inconsciente que, além de gerar recursos para a sua própria sobrevivência, para resolver seus desafios financeiros ou construir seus sonhos, você comunica para seu inconsciente que você é rico, abundante o suficiente para ajudar outras pessoas que ainda estão em situações de fragilidade financeira.

Você acha que com esse tipo de atitude está ajudando apenas o outro, mas você está se ajudando muito mais, de uma forma gigantesca, que você não tem noção… você começa a perceber prosperidade na sua vida e no mundo ao seu redor.

Você começa a quebrar padrões internos e construir novos padrões de sentimento, de comunicação (conversa interna e conversa externa), a perceber beleza e riqueza ao seu redor, coisas que antes muito provavelmente não se via… pois, talvez, você estivesse apenas olhando para o seu próprio umbigo.

E se você tem me acompanhado nos últimos podcasts, principalmente a partir do episódio 160, se você mudar a sua percepção de mundo, se você mudar os seus sentimentos e emoções, além da sua comunicação interna e externa em relação à riqueza, prosperidade, abundância, pessoas de sucesso, o seu inconsciente vai começar a te direcionar para situações e pessoas que têm o potencial de gerar mais riqueza e, principalmente, prosperidade em sua vida – aquilo que tem preço, nós compramos; aquilo que tem valor, nós conquistamos: ou seja, mudar a sua percepção e se tornar uma pessoa verdadeiramente próspera não tem preço.

O que você achou desse podcast mais “neurocientífico”? Me fala nas redes sociais se você quer mais abordagens desse estilo, beleza? Basta me mandar uma mensagem através do Facebook ou do Instagram: você me encontra através do @phillipsouzabr

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Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios (inclusive o link do artigo que citei ao longo desse episódio)

Aproveite para escutar ou reescutar outros episódios que sejam importantes para você nesse momento.

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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