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“157 Abordagens Top-Down e Bottom-Up: O que são e como funcionam?”

No episódio anterior do podcast do Investidor Inteligente, tratamos um pouco sobre os 3 pilares de análise para se fazer uma boa análise fundamentalista. Basicamente você precisa entender o que está acontecendo no cenário macro, no cenário setorial e no cenário individual para tomar suas decisões de investimento. Para mais detalhes, escute o episódio #156: Como avaliar os melhores investimentos no mercado financeiro.

De forma geral, a análise fundamentalista foca nos aspectos econômicos e financeiros da empresa para verificar seu potencial de valorização: vai olhar a capacidade da empresa gerar lucro, avaliar o mercado em que ela está inserida (levando em conta concorrentes), os investimentos a serem realizados e capacidade de gerar caixa.

Existem duas abordagens diferentes para se fazer isso: a análise Top-Down e análise Bottom-Up.

Vamos tratar disso no episódio de hoje!


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Investidor Inteligente é o podcast sobre Finanças e Investimentos apresentado todas as semanas com um propósito muito especial: te ajudar a desenvolver uma visão mais elaborada em relação às suas finanças e te oferecer informações relevantes de qualidade sobre dinheiro, além de orientações e estratégias valorosas que podem te dar o clique necessário para você usar bem seus recursos financeiros seja para solucionar seus desafios, seja alcançar seus mais ambiciosos objetivos.


Eu sou Phillip Souza, palestrante, consultor e educador financeiro especialista em inteligência financeira, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Meu propósito é destravar a sua mentalidade e entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! Assim você poderá aprender a evoluir e se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Você já entendeu que precisa tomar contato com o mundo econômico para poder pensar que rumo dar para seus recursos poupados. Já compreendeu que é importante ter uma noção do cenário macro e se for investir em ativos de renda variável, como ações ou fundos imobiliários, tem que entender um pouco melhor do setor que deseja investir e da empresa ou negócio que deseja se tornar sócio.

Daí na análise fundamentalista temos duas abordagens: a análise Top-Down e a análise Bottom-Up.

Qual a melhor estratégia de análise fundamentalista?

 

O que é e como funciona a análise Top-Down

Vou traduzir livremente a expressão Top-Down, pois assim facilitará nosso entendimento. Top-Down, em tradução livre, pode ser entendido algo como “de cima para baixo”. Assim, a abordagem Top-Down começa olhando o macro em direção ao micro. A visão começa de longe vai se aproximando até colocar uma lupa sobre a empresa analisada.

Então, a ideia do “macro” aqui significa o cenário econômico mesmo, o aspecto macroeconômico do país como o crescimento do PIB ou do setor que a empresa está inserida, a inflação, às taxas de juros, o valor do câmbio, a taxa de desemprego e assim por diante. A partir de então, começa-se a olhar para o micro que seria simplesmente a empresa.

Para a abordagem Top-Down, saber mais sobre como está a economia como um todo influenciará mais na análise do que as condições da própria empresa. É claro que quanto mais saudável a economia estiver, melhor para todas empresas. Mas em relação ao aspecto econômico do país alguns setores específicos podem ter um desempenho melhor que outros.

Por exemplo, em um ambiente de juros elevados, empresas que tenham muitas dívidas tendem a ter uma performance pior. Por outro lado, bancos podem ter uma boa performance, já que o seu negócio principal é emprestar dinheiro. Ao mesmo tempo, um dólar alto beneficia empresas exportadoras, mas prejudica empresas importadoras. As condições macroeconômicas afetam os setores de forma diferente e ainda mais as empresas de forma particular.

Além disso, podemos descrever o ciclo de negócios de cada empresa para realizar essa análise. Isso se divide em 4 etapas:

 

  • Expansão: momento de maior tração da atividade. A produtividade aumenta, produção e vendas se elevam e temos aumento da demanda dos consumidores e, consequentemente, crescimento do PIB;
  • Pico: é exatamente o ponto de maior atividade que a economia pode atingir;
  • Contração: após atingir o pico, é natural que a atividade passe a arrefecer, a esfriar. A economia é caracterizada por expansões cíclicas, então, nessa fase, os consumidores reduzem sua demanda e a produção cai;
  • Ponto de virada: como a economia é cíclica, após a fase de depressão ocorre a virada de ciclo e começa-se a fase de expansão novamente.

 

E esse processo de expansão, pico, contração e ponto de virada vai acontecendo, em maior ou menor velocidade. Você pode notar que o grande segredo dessa abordagem é descobrir o ponto de virada. Assim, se o investidor conseguir, poderá aproveitar toda a fase de expansão na qual as ações tenderão a se valorizar.

Depois dessa análise de cenário (macro e até setorial) é que a estratégia Top-Down começa a considerar as peculiaridades financeiras de cada empresa, entrando na Análise Individual.

O que é e como funciona a análise Bottom-Up

Em tradução livre, Bottom-Up pode ser entendido algo como “de baixo para cima”. Como já é de se supor, essa abordagem é justamente o oposto da estratégia anterior.

O ponto é que esse tipo de estratégia parte do micro para o macro. O micro trata da empresa em si e o macro da economia de forma geral. A estratégia Bottom-Up deverá focar primeiro nos aspectos financeiros específicos de cada empresa. Só depois é que vamos analisar o estado macroeconômico do local em que a empresa está inserida.

Os aspectos micro vão desde o estado financeiro da empresa, análise de seus concorrentes, qualidade da administração a outros detalhes como a satisfação de seus clientes. Somente depois dessa análise micro é que se passa a olhar o estado da economia.

Além disso, olhar o setor que a empresa está inserida é muito importante. Existem basicamente três tipos de setores que as empresas se inserem nessa abordagem:

 

  • Empresas defensivas: são empresas menos reativas ao ciclo econômico. São também chamadas de anticíclicas. Bens de consumo não duráveis são exemplos desse tipo de indústria, afinal, mesmo em períodos de “vacas magras” ninguém deixa de consumir o básico para sobrevivência. Da mesma forma, essas empresas também não “surfam” tanto quanto outras nas fases de expansão.
  • Empresas cíclicas: são empresas muito sensíveis a ciclos econômicos. Como exemplos temos o setor de automóveis e construção civil. Essas indústrias são afetadas pelo grau de expansão da atividade, ou seja, se valorizam mais quando o PIB está crescendo, porém caem mais quando a economia decresce.
  • Empresas em crescimento: por fim, podemos citar as empresas que aproveitam novas oportunidades e crescem independente do ciclo econômico como as empresas de biotecnologia. Essas empresas tendem a investir pesado em pesquisa e desenvolvimento, operando com caixa negativo por um tempo e com tendência a distribuir poucos lucros.

 

Grandes investidores como Warren Buffett, Philip Fisher, Benjamin Graham, adotam (ou adotavam) essa estratégia Bottom-Up (inclusive, você pode saber um pouco mais da história e estratégia desses investidores nos episódios #135 e #136

Aproveitando, deixa te explicar qual a diferença dos setores de consumo cíclico e não-cíclico.

Muitas vezes, conceitos aparentemente simples podem gerar grande confusão na mente dos investidores. Os setores de consumo, apesar de serem facilmente interpretados, trazem informações que vão muito além do seu conceito acadêmico.

 

Setor Cíclico

O setor de consumo cíclico é composto por empresas que dependem de um determinado ciclo da economia para obterem ganhos mais expressivos e é composto por companhias do setor de comércio/varejo, hotéis, tecidos, calçados, lazer etc.

Na prática: em uma época de crise, quando o dinheiro está curto, podemos (e até devemos) adiar aquelas férias tão desejadas ou acabamos comprando somente o necessário, sem esbanjar. Já quando estamos em um período de prosperidade econômica as pessoas facilmente podem decidir por comprar mais de um par de sapatos ou mesmo comprar roupas mais caras.

São exemplos deste setor: Lojas Renner, Hering, Lojas Americanas, Arezzo, Saraiva, Whirlpool, dentre outras.

 

Setor Não-Cíclico

O setor de consumo não-cíclico é composto por empresas do setor alimentar, fumo, bebidas, saúde etc. Estas empresas são assim denominadas pois nas épocas de crise seus resultados são menos afetados quando comparados com as empresas de consumo cíclico. Pense comigo: em uma recessão econômica nós não deixamos de comer, para quem bebe, tomar aquela cervejinha ou, para quem fuma, comprar um cigarro. Isso não quer dizer que estas empresas passam ilesas pelas crises: muito pelo contrário, elas podem ser afetadas, mas geralmente são em um nível bem menor.

Na prática: as empresas de consumo não-cíclico tendem a apresentar uma menor variação tanto de receitas, como de lucros em épocas de recessão e/ou crises, podendo ser consideradas defensivas e entrar em uma carteira de investimentos para diversificar e contra-balancear o investimento nas empresas de consumo cíclico.

São exemplos deste setor: Ambev, BRFoods e Souza Cruz, dentre várias outras.

Mas é aí:

 

Qual a melhor estratégia de análise fundamentalista?

Essa pergunta é muito subjetiva, mas vamos aos principais pontos. Eu, particularmente, prefiro analisar ações de forma assertiva fazendo mais sentido para mim olhar casos específicos. Nesse caso a estratégia que adoto é a Bottom-Up.

Mas também não posso desconsiderar o cenário econômico, afinal é necessário enxergar a árvore mas também a floresta: o cenário macro afetará as empresas como um todo. Mas, na minha visão, descobrir assimetrias entre empresas, faz mais sentido na análise de ativos renda variável.

Além disso, grandes investidores que respeito muito, como os que apresentei nos episódios #135 e #136 sobre as Personalidades da Análise Fundamentalista, também utilizam esse tipo de abordagem reforçando mais essa minha preferência.

Mas no final de tudo é uma questão de como o investidor ou analista prefere tomar suas decisões, escolhendo de acordo com sua familiaridade e gosto com cada abordagem.

 

Resumindo: a análise Top-Down começa pela análise macro e depois leva em conta peculiaridades, enquanto a análise Bottom-Up começa analisando cada empresa, para depois expandir para o cenário macro.

Não existe certo nem errado, nem melhor nem pior: cada investidor tem a sua forma própria de realizar sua análise e construir suas premissas de investimento para embasar suas decisões de investimento.

Experimente um raciocínio, experimente o outro e veja qual é mais interessante para o seu estilo pessoal de analisar!

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Pense sobre o que tratamos aqui e coloque em ação o que você aprendeu. Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças! Que Deus te abençoe!


Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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