Ouça agora este podcast!“075 As fases do luto aplicadas às finanças pessoais”

Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação: você provavelmente já deve ter ouvido falar que existem cinco estágios para a experiência do luto. A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross conseguiu identificar a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou as cinco fases do luto. Nesse podcast vamos falar dessas fases e procurar relacioná-las com reflexões sobre nossa vida financeira e econômica.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas, informações e orientações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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O luto é um processo necessário e fundamental para preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa. Muitas vezes associamos facilmente à morte de um ente querido, mas também o luto pode se relacionar a algo importante, tais como: objetos, viagens, empregos, ideias. Mas isso também pode se aplicar ao mundo das finanças pessoais, investimentos e negócios.

 

As cinco fases do luto são:

 

A fase 1 é a fase da Negação. Quando alguma perda nos acontece, em um primeiro momento não acreditamos que aquilo pode ser fato. Negamos que aquela perda possa ter acontecido de verdade em nossas vidas. De imediato recusamos essa possibilidade. Afinal, uma alteração brusca em nossas vidas representa mudanças bruscas e isso provoca um desconforto muito grande em relação ao nosso status que – geralmente o ser humano não gosta muito de mudanças. Mesmo aquelas pessoas que dizem viver em ambientes de mudança constante e gostam disso, uma mudança para essa pessoa seria viver em um ambiente de rotina repetitiva: de uma forma ou de outra isso representa uma mudança.

A fase da negação é considerada uma defesa psíquica que faz com que o indivíduo acabe negando o problema; tenta encontrar algum jeito de não entrar em contato com a realidade seja da morte de um ente querido, seja da perda de emprego, seja de uma traição (na vida amorosa ou nos negócios), seja aquele belo prejuízo que teve que ser assumido em algum negócio, em alguma compra ou mesmo em algum trade. Simplesmente dói.

Esse momento é marcado pela dificuldade em acreditar que o fato realmente aconteceu. A dor é intensa e existe uma grande dificuldade para lidar com a perspectiva de um futuro sem aquilo que foi perdido. É muito comum a pessoa também não querer falar sobre o assunto.

 

A fase 2 é a fase da Raiva. Mais cedo ou mais tarde, temos que admitir que de fato aconteceu a perda. Ao perceber que o fato realmente aconteceu e não existe nada que possa ser feito a respeito, é comum sentir uma revolta muito grande. Nesse período, a pessoa percebe que não é possível reverter a situação, e a tendência é que a dificuldade em se conformar seja canalizada em raiva.

Quando entendemos que não podemos fazer nada por esse ser amado ou relacionamento que perdemos, ou objeto, ou ideia, ou dinheiro perdido e que a perda é irrecuperável, é bem provável que sintamos raiva e frustração. A emoção da raiva dá força, produz agressividade. E, também por isso, tendemos desabafar toda a nossa frustração com aqueles que não têm nada a ver com a situação, mas que terminam “pagando o pato”.

Nessa fase o indivíduo se revolta com o mundo, se sente injustiçado pela perda ocorrida e não se conforma por estar passando por isso.

 

A fase 3 é a fase da Barganha ou Negociação. Nesta fase a pessoa tenta aliviar sua dor e começa a fazer algumas ponderações, imaginando possíveis soluções e fazendo “acordos” internos.

Vou ser uma pessoa melhor, serei mais gentil e simpático com as pessoas, irei ter uma vida saudável; nunca mais eu vou usar cartão de crédito; nunca mais empresto meu nome para terceiros; nunca mais entro na bolsa de valores; vou ser mais prudente com minha vida financeira; vou fazer negócios apenas com pessoas que eu conheça bem e que saibam o que estão fazendo”.

O indivíduo começa a negociar, começando com si mesmo, acaba querendo dizer que será uma pessoa melhor se sair daquela situação, e, muitas vezes, é voltada para questões religiosas fazendo promessas a Deus.

Em nosso processo cognitivo essa fase é crucial, mas também é delicada, porque, em relação às finanças, podemos forjar crenças no forno das emoções que, em algum momento podem ser crenças limitantes que vão te impedir de seguir adiante naquilo que você se propôs em termos de sonhos e projetos – por mais que, nesse momento de dor, elas estejam sendo levantadas para te proteger emocionalmente. “Ser mais prudente com quem vou fazer alianças e parcerias” é diferente de “nunca mais vou ter sociedade ou fazer parceria alguma”.

Apesar de estarmos no fogo das emoções, é importante se questionar se não está acontecendo algum exagero. Pois é justamente no calor emocional que as novas conexões neurais são formadas ou desfeitas com mais facilidade.

 

A fase 4 é a fase da Depressão ou Tristeza. Essa costuma ser a fase mais longa do processo e é caracterizada por um sofrimento intenso. É marcada por uma sensação de impotência, melancolia, culpa e desesperança, sendo comum que a pessoa passe por um período de isolamento e apresente uma grande necessidade de introspecção. A pessoa volta-se para seu mundo interno geralmente com a necessidade de reorganizar a bagunça que aquela perda provocou.

A princípio, como está tudo muito bagunçado, ficamos cansados e paralisados por algum tempo (ou por muito tempo). Nesta fase da dor, experimentamos sentimentos muito fortes. É quando percebemos a magnitude da nossa perda: choro, sentimento de solidão, insônia e alterações do apetite são sinais frequentes de depressão ou tristeza.

Tem que se tomar cuidado aqui que quando se fala “depressão” não necessariamente está se referindo ao distúrbio psicológico “Depressão Maior” que tem que ser identificado e confirmado por uma equipe multidisciplinar de psiquiatras, psicólogos e neurologistas – somente aí se recomendaria algum medicamento para estabilização de humor ou não, além de terapia. A pessoa estar triste ou deprimida é diferente da pessoa estar depressiva (que é o caso clínico da Depressão Maior).

Nessa fase costumamos ficar remoendo a perda. É muito comum entrarmos em um processo de auto vitimização, em que colocamos a lente do argumento de que “a culpa é nossa”. Isso é perigoso, pois culpar a si mesmo ou culpar os outros simplesmente não leva a lugar algum: apenas nos paralisa. Dependendo da mentalidade da pessoa isso pode durar semanas e, em alguns casos meses ou anos. Se a perda é irrecuperável, por mais que tenhamos tido alguma oportunidade de evita-la, não tem muito o que fazer… ficar remoendo não ajuda, apesar que esse processo mais cedo ou mais tarde vai acontecer, até chegar a próxima e última fase.

 

A fase 5 é a fase da Aceitação. Todo mundo já deve ter ouvido a seguinte frase “aceita que dói menos”. A aceitação é o estágio em que o indivíduo não tem desespero e consegue enxergar a realidade de uma forma menos emocional, mais objetiva, ficando pronto para enfrentar a perda, o prejuízo, o desgosto, a traição ou a morte.

Durante essa fase a pessoa consegue ter uma visão mais realista e passa aceitar o fato. O desespero em relação a perda dá lugar para uma maior serenidade, e o indivíduo começa a enfrentar a saudade com mais consciência. A pessoa começa a assimilar a perda como aprendizado.

Esta é a fase do sofrimento a que todos devemos procurar chegar o mais rápido possível, para preservar nossa saúde física e mental e nosso bem-estar. Enfrentando a realidade de nossa perda, ajustando-nos a uma nova situação, curando velhas feridas emocionais. Mas é preciso ter paciência, pois é um processo que leva mais tempo do que outros.

E somente quando estamos nessa fase de aceitação é que podemos nos propor mudanças de fato: mudanças de postura com relação à nós mesmos, mudança de atitude em relação aos outros, revisar limites, revisar nossas regras e construir novos parâmetros sobre aquilo que foi perdido de modo irrecuperável. Não necessariamente corrige o passado, mas pode ajudar a viver melhor o presente e o futuro, inclusive na área financeira.

Não tem jeito: ao longo da vida vamos errando e acertando, algumas vezes mais, outras menos – e com isso tem hora que ganhamos, tem muitas horas que perdemos. Mas como superar a perda e seguir em frente? Não sei qual é a sua dor, o seu luto, se é emocional, se é relacional, se é econômico, se é financeiro. Mas os pontos a seguir podem te ajudar:

 

1. Se você sentir necessidade, chore tudo o que você precisa chorar

É comum que na infância tenhamos sido ensinados a acreditar que “quem chora é fraco” ou “que homem não chora”. No entanto, chorar é uma das formas mais poderosas de aliviar todo o peso, toda a tensão da situação estressante; é uma maneira excelente de soltar, deixar ir uma profunda tristeza ou desabafar. No final, nosso corpo físico, mental e emocional nos agradecerá.

É claro que isso não significa ficar chorando o tempo inteiro e por um longo período, mas as lágrimas têm a capacidade de “nos purificar por dentro”, “limpar nossas almas”. É essencial nos dar a permissão de sentir dor e não ter vergonha no momento do choro – se você tiver essa necessidade, e não quiser se expor, chore sem que ninguém te veja. Em suma, chorar pode ser muito útil para a liberação do estresse proveniente da perda.

 

2.Respeite seu tempo e espaço

Como disse antes, o estágio de luto pode levar dias, semanas, meses e até anos. Tudo depende de vários fatores, como a nossa personalidade, o relacionamento que tivemos com a pessoa que perdemos, a situação que provocou a grande perda, a maneira como reagimos aos problemas ou o que fazemos para superar essa situação. Como tudo na vida, o luto também é multifatorial.

Mas, além de tudo isso, não devemos ser tão exigentes com nós mesmos. Lembre-se de que sim, de fato, devemos nos curar completamente, mas não devemos nos esforçar para alcançar isso rapidamente. Não se trata de uma corrida ou de quebrar um recorde. Quando perdemos alguém que amamos ou quando perdemos algo realmente significativo, é comum que a culpa e o peso na consciência tomem conta dos pensamentos. Isso porque a perda faz com que o indivíduo comece a pensar em tudo o que deixou de fazer e dizer – ou até mesmo nas ações e palavras que fez e que, em seu julgamento atual, não deveria ter sido dito ou feito.

Nesse momento, é importante ter em mente que o futuro é completamente imprevisível, por mais que façamos seguros, por mais que procuremos algum tipo de proteção ou blindagem, nenhuma relação é perfeita e por mais que planejemos, situações imprevistas de proporções colossais podem nos assolar mudando completamente o cenário que antes parecia promissor. É momento de compreender que o que foi feito e dito foi dentro daquilo que você entendeu ser possível diante de cada circunstância, procurando não se torturar pelo que não foi possível fazer.

 

3.Procure apoio

Se nos separarmos de nosso parceiro, é importante encontrar um ombro para chorar, seja um amigo, um irmão ou o de nossos pais. Se um parente morreu, podemos confiar em nossos filhos, nosso cônjuge ou nossos primos. Se tropeçamos ou mesmo levamos uma rasteira da vida e falimos, é importante procurar ajuda e conselho daqueles que são mais experientes, geralmente amigos e mentores. O importante é que procuremos alguém para nos ouvir, nos dar bons conselhos ou ficar ao nosso lado quando precisamos recobrar as forças.

Dependendo do grau de sofrimento, pode até ser interessante começar uma terapia com um profissional ou participar de um grupo de apoio. Muito provavelmente ficaremos admirados ao descobrir quantas pessoas estão em uma situação semelhante à nossa. Em alguns grupos de desenvolvimento financeiro que conduzi, pessoas com realidade financeiras diferentes compartilhavam suas dificuldades e os ouvintes se fortaleciam e até se animavam, pois, percebiam que a pessoa que se expressava passava pela mesma situação que ela e continuava lutando ou a pessoa que se expressava estava em uma situação ainda mais delicada financeira e emocionalmente falando. É um tipo de trabalho muito interessante que deve ser conduzido com profissionalismo e também com foco em ajudar as pessoas a enxergarem o caminho que leva à saída dessas situações, por mais complicadas que pareçam.

 

4.Expresse suas emoções

Além de encontrar uma pessoa (ou várias) que nos faça sentir amados e protegidos, é muito importante que falemos sobre o que está acontecendo com a gente. Mas não é necessário que outra pessoa esteja nos ouvindo: muita gente começa um blog anônimo ou conversa sozinho com o espelho ou escreve um diário para expressar o que está sentindo.

Um ditado popular diz: “a dor compartilhada diminui pela metade”. Depois de expressar nossos sentimentos, nos sentiremos mais livres, com “menos peso” nas costas, e com uma ideia mais clara sobre os próximos passos a seguir. Não fique em silêncio, não mantenha as emoções dentro de si, porque elas podem se voltar contra você. Se expresse e, se quiser, fale – mesmo que seja sozinho.

 

5.Cuide do seu corpo

Enquanto atravessamos as fases do luto, muitas vezes não prestamos atenção às tarefas diárias, incluindo coisas rotineiras como nossa higiene pessoal. No entanto, devemos permanecer hidratados, nutridos e limpos. Caso contrário, não poderemos nos curar. Portanto, devemos primeiro assumir o controle do nosso corpo físico.

A sua fisiologia, o estado do seu corpo, tem um impacto tremendo sobre suas sensações e emoções e isso afeta diretamente a qualidade dos pensamentos e da linguagem, da conversa interna que você tem com você mesmo. Pode parecer que isso não resolve, mas tomar um banho mais demorado, pentear o cabelo, trocar de roupas, fazer um pouco de exercício, uma caminhada, procurar sair de casa, tomar ar fresco, comer de maneira saudável, tomar uma tigela de sopa caseira ou um chá – isso tudo e muito mais pode te ajudar a experimentar bem-estar, por mais que você ainda esteja sentindo dores emocionais.

No cérebro o centro de dor física é muito próximo do centro de dor emocional, o que faz com que nosso corpo sofra quando o luto deveria ser apenas psicológico. Portanto, mexer beneficamente com o corpo auxilia a mexer beneficamente com as emoções, aliviando as sensações de desconforto.

 

É importante esclarecer que não existe uma sequência dos estágios de luto, mas é comum que as pessoas que passam por esse processo apresentem pelo menos dois desses estágios. Em relação a dinheiro algumas fases podem ser bem mais intensas: alguns tendem a expressar mais raiva (ficam p* da vida com alguma perda econômica ou financeira); outros podem expressar mais intensamente a fase da depressão/tristeza (ficam remoendo que não deveriam ter feito aquilo…). Vale lembrar que não necessariamente as pessoas conseguem passar por esse processo completo: algumas ficam estagnadas em uma das fases citadas.

Se você se percebeu estagnado em alguma dessas fases ou se percebe alguém que esteja nesse processo sem fechar o ciclo, pode ser interessante um acompanhamento psicológico ou um trabalho terapêutico breve, como a programação neurolinguística ou a hipnoterapia ou a terapia cognitivo-comportamental. O ponto é que o profissional, o terapeuta, pode vir a ajudar a pensar junto com a pessoa sobre o estágio em que se encontra e caminhar para a resolução do estágio que exige a vivencia de sentimentos e pensamentos que o indivíduo evitava. A tarefa do terapeuta, muitas vezes, é ajudar a criar um ambiente em que a pessoa vivencie e passe pelo luto.

Nosso podcast de hoje fica por aqui. Esse é um assunto delicado que nos remete a emoções fortes. Mas tomar consciência dessas fases seja para nossos relacionamentos, seja para nossa vida financeira nos dá uma perspectiva de que tem um caminho para sair dessa espiral de dor e sofrimento. Você já experimentou algum luto financeiro ou econômico? Se você se sentir à vontade, pode compartilhar conosco lá no grupo exclusivo do Investidor inteligente do Facebook!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

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