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“108 COE – Certificado de Operações Estruturadas” O COECertificado de Operações Estruturadas – é uma modalidade de investimento que mescla um pouco de renda fixa com renda variável e tem seu risco controlado. Apesar de ser popular há bastante tempo no restante do mundo e movimentar bilhões de dólares (lá fora é chamado de Notas Estruturadas), no Brasil, foi regulamentado em 2013 pela CETIP e vem se popularizando nos últimos anos. O COE não é um investimento padronizado, os bancos emissores montam uma estrutura que tenta conciliar renda fixa com renda variável com menor risco para o investidor, com o capital total ou parcialmente protegido contra perdas. É como se fosse um investimento com seguro.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento o Investidor Inteligente, o podcast que te traz informações relevantes, orientações valiosas que podem te ajudar a usar bem o seu dinheiro, seja para solucionar problemas ou potencializar sua vida financeira, de modo que você possa construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando bem o presente e sempre cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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O Certificado de Operações EstruturadasCOE – é uma mescla de ativos de renda fixa com renda variável. É um nível intermediário em termos de risco, já que tem um perfil moderado. O COE é um título assim como um CDB, LCI e LCA. No Brasil apenas os bancos estão autorizados a emitir um COE, mas assim como os outros títulos, podem ser comercializados através de bancos e corretoras.

Quais as vantagens de investir em um COE?

O COE possibilita o investidor ter acesso a ativos de qualquer coisa e em qualquer lugar do mundo que talvez não teria de outras formas, como, por exemplo, fundos para investidores qualificados, fundos e ações internacionais sem enviar o dinheiro para o exterior, etc. A rentabilidade do COE também pode ser muito interessante quando considerado o baixo risco e em comparação com a baixa rentabilidade da renda fixa em tempos de juros baixos. Permite um investimento fácil e mais seguro em renda variável para quem não tem conhecimento desse mercado além de não possuir taxas de administração, come-cotas ou qualquer outro tipo de taxa.

A estrutura complexa do COE é montada pelo banco emissor o que torna um investimento simples para o investidor, pois não precisa se preocupar com toda essa parte complexa de execução. A ideia desse podcast não é apresentar como funciona a estrutura que o banco emissor monta para executar o COE, até mesmo porque não tem padrão, cada gestor usa sua criatividade, os recursos e as possibilidades na hora de montar o COE. Aqui vou tratar das as principais informações que o investidor precisa estar atento para analisar um COE na hora de investir. Todas as informações sobre o COE que o investidor precisa analisar são encontradas em um documento chamado DIE (Documento de Informações Essenciais) que o banco ou a corretora disponibiliza.

Indicador ou ativo-referência

Cada COE está atrelado ao rendimento futuro de um ativo-referência. Este ativo pode ser qualquer coisa: um fundo, uma ação de qualquer empresa, algum índice como IPCA, IGP-M, Selic, um índice estrangeiro ou uma combinação de ativos.

Esta é uma das principais características que o investidor deve analisar, pois normalmente o sucesso de um ativo é o que determina o sucesso de um COE. Sendo assim, é importante analisar o potencial de valorização do ativo, volatilidade, situação financeira, classificação de risco e perspectivas dependendo do tipo do ativo.

Por exemplo, vamos supor que um banco emita um COE que seu ativo-referência sejam duas ações do setor de petróleo e que para o sucesso do COE as referidas ações precisam estar, daqui a 2 anos, com valor acima do valor que estava quando o COE iniciou ou outro banco emita um COE que seu ativo-referência seja um fundo estrangeiro de renda fixa e a rentabilidade do COE seja o rendimento do fundo multiplicado por 4.

Nestas duas situações o investidor precisa analisar o ativo-referência, se as ações do ramo de petróleo têm boas perspectivas nos próximos dois anos ou se o fundo do outro COE é bem gerido, se costuma ter boa rentabilidade, etc.

Cenários

Os cenários descrevem como será a rentabilidade do COE e em quais casos não haverá rentabilidade. Essa parte vai depender da estrutura que o banco montou, mas os casos mais comuns são de pagar rentabilidade X% em caso de duas ou mais ações ficarem acima do valor inicial, pagar a rentabilidade de um fundo + X% fixo ou pagar a rentabilidade de um fundo vezes X. Ainda tem COE que faz verificações periódicas dos ativos para encerrar o COE antes do vencimento caso seja atingido um objetivo (também chamados de autocallable).

Prazos e liquidez

Cada COE tem as seguintes datas importantes:

  • Data de reserva: é a data limite que os investidores têm para informar a seu banco/corretora que deseja adquirir o título;
  • Data de valoração inicial e final: onde são definidos os valores de referência do ativo-referência;
  • Data de início: que é quando o COE tem início;
  • Data de vencimento: data que o COE será finalizado e liquidado, onde o investidor vai receber o valor investido junto com a rentabilidade. Os prazos de vencimentos mais comuns são 2, 3 e 5 anos.

Os COEs não possuem liquidez, portanto, o valor investido só pode ser retirado na data de vencimento. Então esteja seguro que não vai precisar do capital investido antes da data de vencimento.

 

Valor mínimo de investimento

Cada banco emissor define o valor mínimo de investimento no COE, costuma ser a partir de R$5 mil.

Tributação e taxas

O COE não possui nenhum tipo de taxa de administração, come-cotas ou qualquer tipo de taxas. A tributação é debitada automaticamente no resgate pela tabela regressiva do imposto de renda igual aos produtos de renda fixa que têm incidência de IR:

  • 22,5% inferior a 6 meses (180 dias);
  • 20,0% inferior a 12 meses (360 dias);
  • 17,5% inferior a 24 meses (720 dias);
  • 15,0% acima de 24 meses (721 dias).

Modalidades e riscos

Existem duas modalidades de COE:

  • Valor nominal protegido: todo valor investido é protegido, não há riscos de perdas em decorrência do ativo-referência. Nessa modalidade, caso o sucesso definido pelo banco emissor não seja atingido, você receberá todo valor investido sem perdas. Essa modalidade é a mais usada hoje em dia na maioria dos COE.
  • Valor nominal em risco: quando há possibilidade de perdas do capital investido. Essa possibilidade é informada.

O investimento em COE é considerado de risco baixo a moderado, dependendo da modalidade e do ativo-referência. Também possui riscos atrelados ao banco emissor. Outros riscos específicos são informados no DIE, o Documento de Informações Essenciais.

Vale a pena investir em COE?

Todo investimento tem suas características específicas como podemos entender a partir desse episódio. No caso do COE, um dos fatores de desvantagem é a falta de liquidez: seu recurso financeiro pode ficar indisponível por 2, 3 e até 5 anos, dependendo do COE.

Isso não é necessariamente ruim, uma das vantagens destacadas é que, por ser uma aplicação que visa entregar rentabilidade acima da renda fixa com a pitada da renda variável, em troca o emissor indisponibiliza a liquidez procurando alcançar essa finalidade. O que o investidor deve procurar fazer é gerenciar bem sua liquidez para não ter surpresas ou problemas. Portanto, se, por exemplo, você está formando sua reserva de emergência, nada de pensar em COE. Se você já formou sua reserva, vale a pena estudar um pouco mais, pesquisar sobre os COE que têm disponíveis em sua corretora, dar uma olhada em diferentes Documentos de Informações Essenciais para entender suas variações, aprender um pouco mais sobre a avaliação dos ativos-referência e dos indicadores (benchmarks) e aí, talvez, investir nesse tipo de produto.

Um outro ponto muito delicado, especialmente no Brasil, e que particularmente me desanima pelo menos nesse momento, é que a maioria dos COE que estão se apresentando ao mercado são apenas mecanismos de transferência de riqueza do investidor para as instituições financeiras. O problema é que a maioria dos COEs que estão sendo constituídos no mercado têm vindo com taxas embutidas que consomem o capital do investidor, o que é prejudicial ao desempenho da aplicação o que afeta a rentabilidade.

E não é uma aplicação tão simples de ser analisada, principalmente por sua não-padronização: cada COE pode ter características únicas o que aumenta em muito a dificuldade e complexidade no sentido de comparar o que é ou não melhor na hora de realizar o investimento.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje! O COE pode ser uma aplicação interessante para o investidor, principalmente para os mais conservadores, mas temos que levar em consideração o planejamento de liquidez bem como avaliar com muito cuidado e critério a aplicação dos recursos, devido sua não-padronização e variedade. Fique bastante atento a esses pontos e invista sabendo dos riscos e das possibilidades, ok?!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica!

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

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