Ouça agora este podcast!“058 Como devo usar o 13º salário?”

Nessa época do ano, especialmente para você que trabalha com carteira assinada ou recebe algum benefício governamental, sabe que vem a remuneração do 13º salário. Contudo, quais as melhores formas de usar esse recurso extra?

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente.

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E hoje vamos falar sobre o 13º salário!

 

Origem 13º salário

Antes de começarmos a abordar diferentes cenários que cabem diferentes estratégias, vamos conhecer um pouco sobre a origem e a finalidade da criação dessa remuneração extra, o 13º salário.

A origem do décimo terceiro salário remonta aos países majoritariamente cristãos, em antigas relações trabalhistas, em que os patrões eram, na grande maioria das empresas, parentes ou pessoas próximas dos empregados. No lugar da gratificação em dinheiro para os trabalhadores, esses recebiam uma cesta de alimentos típica natalina. Ao longo do tempo, a cesta de natal foi progressivamente substituída por valores monetários. E com as lutas dos trabalhadores os valores foram incorporados às legislações trabalhistas.

No Brasil, o 13º salário, por pressão do empresariado, não constou na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) de 1943, promulgada por Getúlio Vargas. Até 1962, essa gratificação era um costume não regulamentado. Ou seja: o patrão pagava ou não conforme seu critério. Depois das reinvindicações do movimento sindical, o governo de João Goulart, por meio da Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, instituiu o 13º salário no Brasil, tendo como referência o salário mensal de cada trabalhador. Entretanto, a lei abrangia apenas os trabalhadores da iniciativa privada, excluindo assim o trabalhador do campo e servidores públicos. Para os servidores públicos, a obrigatoriedade do 13º salário veio com a Constituição de 1988. Mas nada impedia desta gratificação constar em outro estatuto de servidor, como, por exemplo, em Curitiba este benefício consta desde 1958.

No Brasil o 13º salário é também chamado de “gratificação natalina” e o empregador recolhe o valor correspondente a um doze avos (1/12) da remuneração para cada mês trabalhado por seu funcionário e esse valor deve ser pago ao empregado em duas parcelas até o fim do ano. O pagamento deve ser feito como referência ao mês de dezembro. Existem vários detalhes legais sobre o décimo terceiro salário dos quais não vou me aprofundar nesse podcast.

 

Desmistificando 

Muita gente acha, porém, que o pagamento do décimo terceiro salário é uma bonificação. Acabamos considerando assim porque, ainda hoje, o mercado brasileiro tem a prática de remunerar os trabalhadores mensalmente. Você já deve ter escutado que nos Estados Unidos, por exemplo, não existe 13º salário: lá o trabalhador recebe por hora trabalhada, podendo receber por dia ou por semana, dependendo do que for combinado com o empregador.

Mas me acompanha em um raciocínio rápido, só para desmitificar essa ideia de bônus, de gratificação: digamos que você receba um salário de R$ 1.000. Se você trabalha durante 1 ano, o seu salário anual é de 12 mil reais e você tem a remuneração de mais R$ 1.000 do 13º salário, totalizando então, 13 mil reais no ano, correto?

Continue acompanhando: considerando um mês de 4 semanas, o trabalhador recebe então, R$ 250,00 por semana. Um ano tem 52 semanas. Contudo, existem meses que tem 5 semanas, enquanto a maioria dos meses possuem 4 semanas. Se nós multiplicarmos R$ 250,00 (que é o valor pago por semana, nesse raciocínio) por 52 encontramos o valor de 13 mil reais. Ou seja: 13º salário não é bonificação, muito menos gratificação. É dinheiro que deveria ser pago a você ao longo do ano, mas devido a legislação brasileira e à prática no mercado brasileiro de remuneração mensal acabamos não recebendo e muito menos percebendo que deveríamos ter esse recurso disponível ao longo do ano.

Só reforçando: 13ª salário não é pago porque o mercado foi bonzinho com você, ou, se você é empregador, que você está sendo bonzinho com seu funcionário – o décimo terceiro salário é pago porque é devido ao trabalhador. Hoje sabemos que a legislação trabalhista mudou, então é provável que essa dinâmica se altere para algumas pessoas ou empresas.

Como sabemos, no final de ano, na época de Natal e Ano Novo, as despesas das famílias costumam aumentar. São gastos com presentes para familiares e parentes, com as ceias de Natal e Réveillon e ainda com possíveis viagens, ou mesmo para quitar dívidas acumuladas durante o ano. Parte ou todos esses gastos costumam ser cobertos com o 13º salário.

Certo, mas como você pode usar melhor esse recurso? Depende do seu padrão de vida, da sua fase de vida e dos seus objetivos.

 

Fases Financeira

Se você está endividado, além de fazer um bom planejamento financeiro, apertar o cinto, segurar as pontas para liquidar as dívidas, o 13º pode ser um reforço para eliminar mais rápido essas dívidas, para parar de pagar o quanto antes juros e mais juros. Se você não tem dívidas, ótimo: outros caminhos são possíveis. Se você possui um veículo (carro ou moto, por exemplo) você sabe que logo em janeiro vem custos como Licenciamento, Seguro Obrigatório (DPVAT) e o IPVA; além disso, também tem a cobrança de IPTU, se você mora em uma cidade que cobre esse imposto; tem lista de material escolar para quem tem filhos. E, claro, você quer presentear pessoas importantes para você nas festas de final de ano, às vezes quer fazer uma viagem (se pode e se tem condição para isso), ou quer fazer uma ceia de Natal – todos queremos e devemos comemorar. Mas, como disse, isso vai depender do seu padrão de vida, da sua fase e de seus objetivos.

Para uma pessoa que tem a vida financeira sob controle e realiza poupanças ao longo do ano, o 13º salário pode servir para muitos propósitos. Pode servir para diversão, pode servir de provisão para os custos que mencionei, e pode servir para investimento.

Ao longo da minha caminhada profissional, acompanhando clientes com diferentes condições financeiras e patrimoniais, fui percebendo que aqueles que tinham ou que colocaram a vida financeira em ordem ou investiam parte em educação financeira ou mesmo em busca de orientação (como contratar um coach financeiro ou consultor financeiro para fazer o planejamento do ano que está se aproximando ou como usar o 13º para resolver dívidas de forma mais eficiente) ou, para aqueles que já tinham base, já tinham algum conhecimento ou mesmo alguma experiência, realizavam investimentos: alguns incrementando seus investimentos em renda fixa, outros (mais arrojados) investindo todo o 13º salário em ações diretamente ou fundos de ações ou fundos multimercado. Detalhe: além das economias mensais, às vezes esse era o único investimento de aporte substancial em todo o ano.

 

Fases da Vida

Aí você já tem uma ideia do que os juros compostos são capazes de fazer ao longo do tempo, especialmente em prazos longos (10 anos em diante, por exemplo): em uma posição de devedor você sente a destruição corrosiva provocada pelos juros; em uma posição de investidor você sente o patrimônio crescendo e ampliando, tanto em tamanho como em oportunidades.

E claro, você também pode adotar uma postura de não poupar, não investir. Porém, não sei se essa é uma boa estratégia, pois nesse caminho você está colocando o seu futuro financeiro nas mãos de outras pessoas ou mesmo na mão do Governo, especialmente quando estiver na fase sênior de sua vida. E isso é perigoso, pois nada garante que tenhamos pelo menos as mesmas condições de hoje em um futuro que pode ou não ser tão distante assim.

Se vier a aposentadoria do Governo lá no futuro quando você se aposentar, ótimo! Se não vier e você tiver feito o seu dever de casa, trabalhando, poupando, estudando, pedindo ajuda e orientação e investindo bem seu dinheiro, é provável que você nem dependa do Governo. Porém, existe o outro lado da moeda se você não se organizar, viver só de festa em festa, de comemoração em comemoração e não parar para se planejar e executar para valer os projetos que vão te levar a ter uma vida potencialmente mais estável e segura. Você pode ficar à mercê de outros, se sujeitando a situações desagradáveis e indesejáveis, pois não fez o que deveria ter feito quando era mais jovem, tinha energia e talvez tivesse mais recursos. E digo isso para considerar seriamente essa possibilidade na sua vida. Cenário apocalíptico? Se você não estiver fazendo nada por sua previdência, sim.

Concluindo: décimo terceiro salário não é bônus nem gratificação – é direito do trabalhador; se você tem dívidas, procure usar parte dele (ou todo o recurso, você quem vai ter que avaliar) para resolver as dívidas, ou pelo menos liquidar parte delas (se precisar de ajuda entre em contato comigo para fazer uma consulta pontual e traçarmos uma estratégia para você sair das dívidas, ok?); se você está livre de dívidas, invista parte do recurso ou ele todo de acordo com seus objetivos e aspirações. E lembre-se: planeje-se e considere os custos que vem no início do ano – pode ser que esse recurso dê uma aliviada nos primeiros meses do ano vindouro.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

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Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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