Ouça agora este podcast!“061 Como funciona o mercado de ações – parte 1”

Começamos nesse podcast a conhecer de forma mais detalhada como funciona o mercado de ações, com o propósito de construir os conceitos essenciais e, na medida em que formos evoluindo, apresentar e explicar a linguagem que se usa nesse mercado, para deixar nossa conversa mais fluida.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para te ajudar a usar bem o seu dinheiro de modo que ele possa ser direcionado para que você alcance seus objetivos e que tenha mais qualidade de vida a partir de um desenvolvimento financeiro saudável, transformando-se em um investidor inteligente.

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Panorama do mercado de ações

Quando falamos de mercado de ações, de bolsa de valores, o brasileiro médio associa bolsa de valores à ideia de casa de apostas ou cassino. Muita gente ainda carrega a ilusão que na bolsa os grandes, os milionários arriscam seu dinheiro de forma destemida, ultra arrojada como se as empresas fossem cavalos de corrida e que só ganha na bolsa aqueles investidores que recebem dicas quentes, quase ocultas e exclusivas, que a maioria dos investidores não tem e nem podem ter acesso. E, que isso tudo, não passa de um local onde os grandes ganham dinheiro e os pequenos perdem mais dinheiro. Essa ideia, essa imagem é uma distorção, muitas vezes provocada por recortes da realidade no cinema, e nunca esse cenário esteve tão distante da realidade.

As ações negociadas em bolsa de valores são nada mais, nada menos que pequenos pedaços do capital de uma empresa. Quem adquire ações na bolsa de valores está se tornando sócio daquela empresa e, portanto, tem a expectativa que o negócio cresça, se desenvolva e que possa obter um bom retorno com esse investimento, tanto na valorização do investimento (das ações) quanto no lucro obtido ao longo do tempo (dividendos, por exemplo); da mesma forma, no momento em que uma pessoa vender todas as ações ela deixa de ser sócia daquele negócio em específico ou, se ela quiser, pode diminuir sua participação societária reduzindo seu potencial de risco e retorno com aqueles ativos. Então, a grosso modo, investir em ações é investir em negócios.

Da mesma forma que você pode entrar como sócio em um negócio (uma loja, por exemplo) junto com um familiar ou amigo ou colega e ter uma participação nos lucros do negócio, assumindo também os custos e prejuízos, da mesma forma você participa das empresas listadas na bolsa, com diferenças marcantes: você se torna sócio de grandes empresas ou mesmo de empresas gigantescas; você não precisa administrar o negócio (existem profissionais altamente gabaritados para fazer isso por você); você não precisa ser o especialista que realiza a operação do negócio, apenas precisa entender o suficiente sobre como ele funciona e, a partir de sua avaliação e da construção de sua opinião a partir da opinião e análise de outras pessoas (se for o caso), decidir se deve ou não investir ou se deve ou não manter o investimento.

As empresas que abrem capital buscam obter recursos para investir, seja contratando pessoas, seja investindo em equipamento, em pesquisa e desenvolvimento, dentre outras possibilidades de investimento. Ao invés de solicitar capital emprestado aos bancos, buscam capital de novos sócios através da bolsa para que possam aperfeiçoar seus produtos e serviços, ampliando e desenvolvendo seus negócios, com a finalidade de obter mais lucro. Esse lucro é devolvido na forma de dividendos que são distribuídos regularmente e também na forma de valorização das ações, pois as empresas que crescem, se desenvolvem e, portanto, lucram mais, valem mais.

Essencialmente a bolsa de valores exerce o papel de intermediar a poupança e o investimento na economia. A partir de 1994 com o Plano Real, a economia começou a se estabilizar e o Brasil pode atrair grandes somas de recursos na forma de investimento estrangeiro direto (IED) e, até 2005, pouco capital estrangeiro estava direcionado para a bolsa de valores.

Ao longo do tempo, o mercado foi evoluindo, assim como a legislação: as leis das Sociedades Anônimas e da Comissão de Valores Mobiliários foram reformadas dando à CVM melhores condições de exercer seu papel protetor aos acionistas minoritários; os investidores institucionais começaram a ter uma atitude mais ativa na gestão das empresas e a Bolsa de Valores de São Paulo criou nesse caminho o Novo Mercado, que é uma listagem especial que identifica as empresas que obedecem a critérios rigorosos de governança corporativa.

Depois de 2002, após a superação da crise de confiança, a bolsa de valores experimentou uma valorização expressiva, chegando até 2008 quando o mundo se deparou com a crise financeira global. 2009 foi um ano de recuperação vertiginosa e a partir de 2010 até meados de 2017 a bolsa ficou praticamente ziguezagueando de forma lateral, não rompendo seu topo histórico por volta dos 71 mil pontos – algumas vezes tendo quedas bem expressivas, próximas aos 40 mil pontos e outras voltando a testar o topo histórico estabelecido.

Nesse ano de 2018, conforme podemos observar, o que era topo histórico foi rompido e, agora com a mudança de governo e com a expectativa de melhoria no cenário político que afeta intimamente o cenário econômico do Brasil, as expectativas são de buscar, a princípio, os 100 mil pontos e, dependendo do que for feito em termos de reformas políticas, talvez em 2019 buscar os 125 mil pontos. São possibilidades bastante interessantes e promissoras para a bolsa de valores e, claro, para os investidores.

Não há crescimento econômico sem crescimento das empresas. Diante disso, já passou da hora do cidadão brasileiro médio abandonar preconceitos criados pela mídia, pela falta de entendimento, por distorções ou generalizações impróprias sobre a bolsa de valores e, primeiro, procurar se educar e entender como funciona o mercado de ações, a bolsa de valores e, segundo, entender como ele favorece o crescimento da economia e o seu próprio desenvolvimento financeiro como investidor.

Vamos conversar agora sobre como funciona o mercado de ações. Lá no podcast 30 eu apresentei alguns conceitos sobre bolsa de valores, quando falei dos primeiros passos para que você possa investir no mercado de ações. Confere lá, se tiver curiosidade.

 

E o primeiro conceito que temos que entender é: o que são ações?

Ações são pequenos pedaços de uma empresa, são títulos nominativos (ou seja: títulos em que é identificado o nome de seu proprietário, o qual é registrado no Livro de Registro de Ações Nominativas da empresa), títulos negociáveis que representam a fração do capital de uma empresa. Vamos pensar assim: uma empresa na bolsa foi dividida em 1.000.000 de pedacinhos; cada pedacinho, uma ação. E você pode comprar um ou mais pedaços dela. Ao se tornar dono de um pedaço da empresa, você também se torna sócio dela. Sendo sócio você tem direito aos lucros que ela distribuir e, em alguns casos, direito a voto nas assembleias, e, como todo empresário, também corre riscos – sendo que o principal risco é a perda do capital investido.

Quem compra uma ação de uma empresa na bolsa de valores está levando uma pequena parte de uma empresa de terceiros, passando ser chamado de acionista minoritário. Existem algumas vantagens burocráticas ao se tornar sócio de uma empresa listada em bolsa: para entrar ou sair da sociedade é necessário que você compre ou venda as ações em sua posse tudo de forma eletrônica com poucos cliques, enquanto esse processo em uma empresa limitada ou de capital fechado requer um processo burocrático de alterações nos contratos sociais, sendo muito mais custoso tanto financeiramente quanto em termo de tempo. Isso é interessante porque essa liquidez permite ao investidor sair de um negócio e migrar para outro que esteja ou seja mais atraente sem dificuldade.

Uma das melhores formas de se conseguir bons retornos nos investimentos em ações é adquirir títulos que sejam de empresas bem geridas, que apresentem lucros sólidos e crescentes ao longo dos anos para que não se tenha pressa em vende-las. Vale lembrar que não existe garantia que a lucratividade passada se repita no futuro, mas se isso tem se repetido, os números têm se mostrado consistentes e confiáveis, é provável que continue a acontecer no futuro, ou da mesma forma ou até melhor – vai depender do que for acontecendo com a empresa, com as decisões de seus gestores e também com a situação do mercado.

Cada investidor deve adotar critérios de avaliação de empresas para analisar seus fundamentos e não se preocupar com as oscilações de curto prazo das cotações das suas ações, que é a volatilidade – uma medida de risco (inclusive, falei sobre risco no podcast nº 51, confere lá). A oscilação de curto prazo é normal, especialmente em mercados de alta liquidez, mas pensando no longo prazo, os bons fundamentos da economia e das empresas costumam prevalecer e a valorização acaba acontecendo.  Uma empresa que já tem um histórico de crescimento contínuo, mesmo diante de intempéries do mercado e da economia, acaba tendo grande demanda por suas ações e, naturalmente, isso faz com que suas ações sejam negociadas em grandes quantidades e a preços crescentes. Identificar essas ações é o trabalho e desafio do investidor.

 

Para finalizarmos, vamos falar sobre tipos de ações.

Todas as ações têm um código, composto por 4 letras e um número. As letras se referem à empresa em questão, enquanto os números se referem o tipo de ação ou evento relacionado.

No mercado brasileiro temos dois tipos de ações: as ações ordinárias nominativas (com o código ON) e as ações preferenciais nominativas (com o código PN). As ações ordinárias é o tipo de ação que concede ao investidor o direito de voto nas assembleias da companhia; é um tipo de ação que ou os donos ou os principais acionistas de determinada empresa detém, pois elas é que controlam boa parte, senão toda decisão estratégica da empresa. As ações preferenciais, por outro lado, não têm esse direito de voto – contudo, elas têm preferência no recebimento dos resultados (pagamento de dividendos e/ou juro sobre capital próprio) ou no reembolso do capital caso haja liquidação da companhia.

 

Composição dos códigos

As letras e os números podem mudar totalmente o significado dos códigos das ações. Cada um deles representa uma ação diferente e podem mudar, dependendo do tipo do mercado em que estão inseridos. No mercado à vista, as letras fazem referência as empresas emissoras da ação, como PETR4 (de Petrobras) ou BBDC4 (de Bradesco). Os números indicam o tipo de papel que ele representa, como ações ordinárias ou preferenciais e também os eventos relacionados àquele papel. Vamos lá!

O código 1direito a subscrição de uma ação ordinária (vou detalhar em um podcast futuro o que é subscrição de ações); portanto, por exemplo, o investidor pode comprar uma ação ordinária com prazo e preço predeterminados – e esse direito pode ser negociado no mercado secundário, caso o investidor não queira exercer seu direito de subscrição.

O código 2direito a subscrição de uma ação preferencial; portanto, o investidor pode comprar uma ação preferencial com prazo e preço predeterminados, podendo, também, negociar esse direito no mercado secundário, caso não queira exercê-lo.

O código 3 refere-se à Ação Ordinária, com direito à voto – PETR3, BBAS3, CSNA3, ITUB3, dentre várias outras.

O código 4 refere-se à Ação Preferencial, aquela que tem preferência no recebimento dos resultados – PETR4, ITUB4, CMIG4, BBDC4 e várias outras.

Os códigos 5, 6, 7 e 8 referem-se às Ações preferenciais de classes diferentes: classes A (PNA), B (PNB), C (PNC) e D, (PND), respectivamente. As diferenças entre as classes podem ter a influência de diversos fatores e, por isso, não é possível definir uma diferença clara entre elas.

O código 9 refere-se ao recibo de subscrição sobre ações ordinárias: ao obter o direito de subscrição de uma ação ordinária, o direito com código final 1, antes de entrar em sua carteira como uma ação ordinária, torna-se final 9, representando um recibo de subscrição, que indica que ela já pode ser negociada pelo preço predeterminado.

O código 10 refere-se ao recibo de subscrição sobre ações preferenciais: assim como os de código final 9, indicam o recibo de subscrição, mas de ações preferenciais.

O código 11 referem-se às BDRs e às Units: são certificados de depósitos de ações de companhias do exterior (BDRs) ou Units, que são pacotes de ações preferenciais e ordinárias negociadas em grupo.

Existem vários outros códigos relacionados a outros mercados, como o mercado futuro e de opções, mas não é o foco desse podcast. E, na prática, você como investidor em ações vai lidar basicamente com os códigos 3, 4 e, alguns casos, o 5, 6 e o 11. O restante refere-se à eventos específicos que também vou detalhar futuramente.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

Você deve ter percebido que tem muita coisa para ser tratada, muitos conceitos a serem esclarecidos e esmiuçados, correto? Então fique atento ao próximo podcast, que vamos continuar a construir esse conhecimento aprofundado sobre como funciona o mercado de ações!

É natural que você tenha dúvidas; se tem algum ponto que gostaria que eu aprofundasse ou explicasse melhor e só me procurar lá no grupo do Investidor Inteligente no Facebook. Estarei à disposição para esclarecer todos seus questionamentos e produzir outros episódios, com novos temas, direcionados ao que você precisa e quer aprender mais: é sempre importante contar com sua participação para tratar dos assuntos que mais te interessam!

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Continuamos semana que vem com mais uma dica do Investidor Inteligente!

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