Ouça agora este podcast!“063 Como funciona o mercado de ações – parte 3”

No podcast anterior do Investidor Inteligente, nós continuamos nos aprofundando sobre como funciona o mercado de ações, falando sobre Governança Corporativa, a importância do mercado de ações no Brasil e sobre o processo de Abertura de Capital. Se você não escutou os dois últimos podcasts, recomendo que você os confira. No podcast de hoje vamos abordar as formas de negociação de ações, a remuneração dos acionistas e os eventos que podem acontecer com as ações ao longo do tempo.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para te ajudar a usar bem o seu dinheiro de modo que ele possa ser direcionado para que você alcance seus objetivos e que tenha mais qualidade de vida a partir de um desenvolvimento financeiro saudável, transformando-se em um investidor inteligente.

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Então vamos lá!!

 

Formas de negociação de ações

Basicamente existem duas formas de nós negociarmos ações: ou a partir do Mercado Primário ou a partir do Mercado Secundário. Vamos entender o que se trata cada um.

No mercado primário, se dá o lançamento de novas ações. Quem vende as ações é a empresa, captando recursos para se financiar. Ocorre a canalização direta dos recursos monetários superavitários, disponíveis aos poupadores, para o financiamento da empresa, por meio da venda inicial de títulos emitidos. Traduzindo: o dinheiro sai do seu bolso e vai para o caixa da empresa. No mercado primário as empresas buscam os recursos necessários para o seu crescimento, promovendo a partir do lançamento de novas ações, a implementação de projetos de investimento e o consequente incremento da riqueza nacional.

Na segunda parte do episódio anterior eu falei sobre o processo de Abertura de Capital. É um processo que demanda readequação e adaptação interna das empresas em uma série de coisas, além dos procedimentos externos com os órgãos reguladores e que dão permissão para se usar os diferentes instrumentos de captação de recursos no mercado de capitais.

Ao final do episódio falei muito brevemente sobre IPO (Initial Public Offering, ou oferta pública inicial). O IPO é a primeira oferta de ações de uma empresa ao público. Portanto a negociação de ações no mercado primário pode ser IPO e pode ser uma nova oferta realizada, com novas ações, por uma empresa que já tem ações em negociação em bolsa de valores.

Já no mercado secundário não ocorre o lançamento de um novo ativo, mas a renegociação de ativos existentes. No mercado secundário são estabelecidas as renegociações entre os agentes econômicos dos títulos adquiridos no mercado primário. Os recursos provenientes das negociações realizadas nesse mercado não são transferidos para ao financiamento das empresas, sendo identificados como simples transferência entre os investidores. A função essencial do mercado secundário é promover a liquidez ao mercado primário, viabilizando o lançamento de ativos financeiros. É nesse mercado que a maioria dos investidores compram e vendem suas ações nos pregões da bolsa, salvo em situação de lançamento conforme já descrevi.

A existência do mercado secundário é fundamental para o mercado primário, pois a demanda pelas ações recém-adquiridas das empresas seria menor se não houvesse a opção de vende-las no futuro em um mercado organizado. Em suma, no mercado primário quem vende as ações é a empresa, captando recursos para se financiar; no mercado secundário quem vende as ações é o próprio investidor que se desfaz das ações para reaver o seu dinheiro.

A essa altura da construção dos nossos conhecimentos, já fica claro que ao se investir em alguma empresa na bolsa de valores você se torna sócio dessa companhia, correndo risco como qualquer empresário, mas também tendo direito à participação nos lucros como qualquer acionista, correto? Diante disso, vou detalhar para você quais são e como ocorrem as remunerações dos acionistas.

 

Remunerações dos acionistas

A primeira forma de ganho passivo no mercado de ações (ou seja, você não precisa trabalhar ativamente para produzir o ganho) chama-se dividendos. Dividendo é a parcela do lucro apurado pela empresa que é distribuída aos acionistas por ocasião do encerramento do exercício social, o balanço. Pela lei das Sociedades Anônimas, deverá ser distribuído um dividendo de, no mínimo, o equivalente a 25% do lucro líquido apurado sempre em dinheiro, em moeda corrente. Os dividendos podem ser distribuídos em periodicidades diversas: mensalmente, trimestralmente, semestralmente, anualmente, desde que conste no estatuto da empresa o período definido.

A Assembleia Geral Ordinária é quem determina a parcela a ser distribuída como dividendo, de acordo com os interesses da empresa, através da manifestação dos seus acionistas, respeitando o mínimo exigido por lei (os 25%). O montante a ser distribuído deverá ser dividido pelo número de ações emitidas pela empresa de forma proporcional. Se um investidor tem 100 ações de uma empresa, ele vai receber os dividendos proporcionais às suas 100 ações; se um outro acionista da mesma empresa detiver 50.000 ações, ele vai receber o valor proporcional às 50.000 ações que ele detém.

Algumas empresas têm lucros muito interessantes ou têm a política de distribuir mais do que o mínimo exigido, os 25%, como forma de atrair investidores. Os analistas ficam de olho nisso, e podem montar carteiras de empresas que sejam boas pagadoras de dividendos. Esse é um dinheiro que vai para a conta do investidor. É escolha dele reaplicar os dividendos, comprando novas ações ou, se quiser, sacar o dinheiro ou aplicar em qualquer outro produto financeiro.

Vamos fazer um exercício matemático simples, só para ilustrar essa distribuição. Digamos que uma empresa teve um lucro líquido no ano de R$ 10 milhões; por lei, ela é obrigada a distribuir no mínimo 25% do seu lucro líquido a todos os seus acionistas e digamos que ela distribua somente esse percentual, nada mais: ou seja, ela vai distribuir R$ 2,5 milhões. Essa distribuição de 25% ou mais é chamada de Pay Out. Essa empresa tem, por exemplo, 2,5 milhões de ações no mercado. Basta fazer a divisão e encontraremos o valor de R$ 1,00 de dividendo por ação nesse ano. Se, por exemplo, você tiver adquirido as ações dessa empresa no valor de R$ 50,00, então você teve um lucro, um retorno do seu investimento de 2% (R$ 1,00 / R$ 50,00) que é chamado de Dividend Yield. Isso sem considerar qualquer valorização que só é concretizada no momento da venda da ação.

Uma outra maneira de remuneração passiva, que funciona praticamente da mesma forma que os dividendos é o chamado Juro Sobre Capital Próprio (JCP ou JCSP). Porém, contabilmente falando, diferentemente dos dividendos, este provento é visto uma despesa para a companhia, pois o mesmo é considerado antes do seu lucro líquido. Consequentemente, por ser entendido pela contabilidade como uma despesa, os JCP afetam diretamente os lucros de uma companhia, da mesma forma que outras despesas como despesas comerciais e administrativas também diminuem. Dessa forma, como resultado da redução dos lucros, a empresa então paga menos Imposto de Renda – que geralmente é em torno de 25% – sobre seus resultados.

Então, quando os JCP são pagos aos acionistas, estes ainda não foram tributados pela companhia, o que faz com que os mesmos tenham seu imposto de renda – alíquota de 15% – devidamente descontados do acionista no ato do pagamento. Os dividendos, por outro lado, são creditados líquidos de imposto de renda.

 

E para deixar mais claro vamos à duas considerações:

  • Consideração I

Não é estranho de se ler e ouvir de investidores, principalmente os iniciantes, que uma boa estratégia seria comprar uma ação pouco tempo antes das datas dos pagamentos dos proventos e vendê-las logo após a bonificação ser feita. Na teoria essa estratégia pode fazer sentido, visto que o investidor se tornaria sócio temporariamente da empresa e receberia a sua participação nos lucros – o que é seu direito – antes de se desassociar ao empreendimento.

Porém, na prática, essa estratégia pode não ser tão viável, visto que, no dia conhecido como “data ex”, a referida ação tem, no seu preço, logo na abertura no mercado, um desconto proporcional ao valor dos proventos anunciados pela empresa de sua representação. Por exemplo, se no dia anterior ao da “data ex” o preço de uma ação é cotado a R$ 10,00, e essa empresa anuncia o pagamento de R$ 0,10 por ação como dividendos, isso significa que exatamente na “data ex” anunciada por essa empresa a sua ação deverá abrir no mercado ao preço de R$ 9,90. Isso acontece porque esse dividendo de R$ 0,10 por ação pago pela companhia está saindo do seu caixa, e, portanto, deve ser devidamente descontado, visto que, inevitavelmente, a empresa vale menos após a diminuição de seu capital.

 

  • Consideração II

Também é muito comum as pessoas concluírem que o pagamento de JCP beneficie somente a empresa pelo fato de o Imposto de Renda ser descontado do investidor e não dela. Porém, é importante salientar que, mesmo que o investidor pague, de fato, o IR sobre o JCP, este valor pago por ele (15%) é menor do que o IR que é descontado antes dos dividendos pela empresa – como dito anteriormente, em torno de 25%. Como o investidor é, na prática, um dos sócios da empresa, então, por consequência, os impostos cobrados antes dos dividendos também são pagos por ele, na posição de acionista daquele empreendimento. Na teoria, seria mais vantajoso para o investidor e para a companhia se os proventos fossem pagos como JCP em sua totalidade, porém isso não é possível porque toda empresa só pode pagar JCP até o limite da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) sobre o seu Capital Social (parcela do Patrimônio Líquido). O detalhe é que a TJLP é definida pelo Governo, o que, diretamente, limita o pagamento de JCP até determinado valor. Portanto, muitas vezes, dependendo da situação, o recebimento de JCP pelos acionistas pode ser mais vantajoso que o dividendo em si, porém é importante destacar que cada caso merece a atenção e análise individual, pois, dependendo do setor de atuação da empresa, a alíquota de IR pode ser menor que 25%.

 

Eventos

Para fecharmos esse podcast, vamos falar sobre os Eventos que podem ocorrer ao longo da existência de uma empresa no mercado de ações. Dependendo da estratégia da empresa pode-se ocorrer:

  • Desdobramento, também chamado de Split: que é quando a empresa aumenta a quantidade de ações em circulação, sem alterar o capital social da empresa, reduzindo o valor unitário para aumentar a liquidez da ação no mercado. Por exemplo: digamos que uma ação está sendo negociada ao valor de R$ 200,00 e a empresa decide fazer um Split de 1:10, ou seja, dividir a ação em 10 pedaços, cada um no valor de R$ 20,00. É mais fácil negociar uma ação a R$ 200,00 ou a R$ 20,00? Obviamente é mais fácil com um valor menor. E o que isso muda para o investidor que tem a ação a R$ 200,00? Só uma coisa: ele fica com 10 ações de R$ 20,00 cada ao invés de 1 ação de R$ 200,00. Isso é Split.
  • Grupamento, também chamado de Inplit: é o processo contrário do Split. É a redução da quantidade de ações em circulação, sem alterar o capital social da empresa, elevando o valor unitário da ação. Geralmente inplits são feitos quando as ações têm um preço muito baixo, próximos à R$ 1,00 ou um pouco mais, o que passa uma impressão ruim ao mercado, além da possibilidade, dependendo da situação, de serem vistas como penny stocks.
  • Bonificação: é a distribuição gratuita, aos acionistas, de novas ações decorrentes de aumento de capital por incorporação de reservas, lucros em suspenso ou reavaliação do ativo. É um direito que não prescreve, não vence.
  • Subscrição: é o direito que o acionista tem de adquirir novas ações por aumento de capital com preço e prazo pré-determinados. Geralmente o direito de adquirir esses novos ativos é com um preço mais baixo daquele que está sendo negociado em mercado. Lá no podcast 60 eu falei dos códigos que encontramos quando estamos negociando ativos na bolsa: o código 1 dá direito a subscrição (compra) de uma ação ordinária; o código 2 dá direito a subscrição de uma ação preferencial; o código 9 refere-se ao recibo de subscrição sobre ações ordinárias (ou seja, a compra, aquisição foi efetuada de fato); o código 10 refere-se ao recibo de subscrição sobre ações preferenciais.

 

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

Deu para perceber que dá para construir seus rendimentos passivos na bolsa, através de dividendos e juros sobre capital próprio, além de também poder ganhar com a valorização das ações e, claro, ser premiado com oportunidades ao longo da história da companhia, especialmente com as bonificações e subscrições.

Então fique atento ao próximo podcast, que vamos continuar a construir esse conhecimento aprofundado sobre como funciona o mercado de ações!

É natural que você tenha dúvidas; se tem algum ponto que gostaria que eu aprofundasse ou explicasse melhor e só me procurar lá no grupo do Investidor Inteligente no Facebook. Estarei à disposição para esclarecer todos seus questionamentos e produzir outros episódios, com novos temas, direcionados ao que você precisa e quer aprender mais: é sempre importante contar com sua participação para tratar dos assuntos que mais te interessam!

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Continuamos semana que vem com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

 

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