Ouça agora este podcast!“064 Como funciona o mercado de ações – parte 4”

A estrutura do Mercado de Capitais é composta por diversos participantes e instituições, entre eles: CVM, Bolsa de Valores, Clearing Houses, Corretoras e Distribuidoras de Valores Mobiliários, Bancos de Investimento, Empresas Listadas (capital aberto), Auditores, Gestores, Consultores, Agentes de Investimento e Investidores.

No podcast anterior do Investidor inteligente, nós falamos sobre como o acionista pode ser remunerado, tanto através de dividendos quanto através dos juros sobre capital próprio – inclusive qual a diferença de uma coisa e outra. E também abordamos os principais eventos que podem acontecer ao longo da história de uma empresa que melhora sua liquidez, sua visibilidade e também pode trazer benefícios ao acionista. Bateu a curiosidade? Se você não escutou os três últimos podcasts, recomendo que você os confira. No podcast de hoje vamos fechar esse assunto falando sobre os participantes do mercado na bolsa de valores.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para te ajudar a usar bem o seu dinheiro de modo que ele possa ser direcionado para que você alcance seus objetivos e que tenha mais qualidade de vida a partir de um desenvolvimento financeiro saudável, transformando-se em um investidor inteligente.

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Então, vamos ao que interessa.

 

Não sei se ainda é assim hoje, mas quando trabalhava como agente autônomo de investimentos, algumas pessoas que estavam iniciando o mundo nos investimentos me perguntavam se tinham que ir presencialmente à bolsa de valores, em São Paulo, para negociar ações. Como disse em outro momento, isso é fruto do que os filmes mostram, especialmente quando contam histórias, mas hoje no Brasil é tudo feito de forma eletrônica e à distância. O investidor pequeno não acessa diretamente o mercado financeiro. É necessário um intermediário, que são as corretoras e distribuidoras de valores mobiliários.

 

Corretoras

As corretoras de valores são instituições financeiras credenciadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e são fiscalizadas pela bolsa, pela B3. Sua principal função é promover, de forma eficiente, a aproximação entre compradores e vendedores de títulos e valores mobiliários, dando a estes a negociabilidade adequada através de operações realizadas em recinto próprio (que é o pregão da bolsa de valores). Dessa forma, as sociedades corretoras exercem o papel de unificadoras do mercado, dando segurança ao sistema e liquidez aos títulos negociados.

Suas principais atividades são as seguintes:

  1. Operar com exclusividade na bolsa de valores da qual é membro, com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada – ou seja, falando para você, investidor inteligente, a operação direta em bolsa de valores ocorre somente através de uma corretora;
  2. Comprar, vender e distribuir títulos e valores mobiliários por conta de terceiros; efetuar lançamentos públicos de ações (underwriting); operar com a conta “margem” que é uma norma de negociação de ações que possibilita ao investidor obter, em uma sociedade corretora, financiamento para a compra dos títulos e/ou empréstimo dos papéis para venda. Essas operações são feitas no mercado à vista de bolsa. O custo e liquidação do financiamento, bem como a remuneração do empréstimo dos títulos e sua devolução são pactuados diretamente entre o investidor e a corretora;
  3. Administrar carteiras de valores e custodiar títulos e valores mobiliários; instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimentos; prestar serviços como transferência de títulos, desdobramento de cautelas, recebimento de juros, dividendos ou encarregar-se da subscrição de títulos e valores mobiliários, etc.;
  4. Intermediar a compra e a venda de moeda estrangeira nas atividades de importação e exportação, bem como no mercado flutuante de moeda estrangeira;
  5. Operar no mercado aberto (open market).

 

Talvez o contato mais importante e significativo que o investidor tenha é com sua corretora; mas daí também ficam algumas perguntas, dentre elas uma muito comum: quem garante que a corretora vá fazer tudo isso para o investidor, que não vai pegar o dinheiro e “sumir do mapa”? É para isso também que existem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também a B3 (Brasil Bolsa Balcão).

 

Comissão de Valores Mobiliários 

O principal órgão regulador do mercado de ações é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal subordinada ao Ministério da Fazenda, conhecida como “xerife” do mercado financeiro. Ela tem a responsabilidade de normatizar, fiscalizar e punir irregularidades, tanto das empresas abertas quanto dos agentes financeiros, corretoras, operadores e auditores independentes. A CVM foi criada em dezembro de 1976 pela lei nª 6.385, e cuida de todos os títulos emitidos pelas empresas com vistas a captar recursos destinados ao financiamento de suas atividades. Desde maio de 2002, a CVM responde também pelos derivativos negociados sobre outros ativos que não sejam considerados valores mobiliários pelo mercado futuro e por toda a indústria de fundos.

Sempre que um investidor compra ou vende uma ação na bolsa automaticamente é realizada uma custódia em seu nome. A B3 envia mensalmente um demonstrativo a todos os investidores com todas as negociações realizadas no período, ativos custodiados (que estão em posse do investidor) e proventos pagos. As corretoras de valores enviam aos clientes a “nota de corretagem” ao final do dia sempre que o cliente realiza uma compra ou venda de ativos.

 

Clearing Houses

Aqui no Brasil nós temos o que é chamado de Clearing Houses. Clearing Houses são Sistemas e Câmaras de Liquidação e Compensação, e foram estruturadas de modo que pudessem viabilizar o Sistema de Pagamentos Brasileiro. Nesse contexto, o seu principal objetivo é reduzir ao máximo os riscos de liquidação das operações financeiras, ou seja, garantir que os ganhos provenientes aos investidores sejam recebidos e que as operações de compra e venda sejam devidamente liquidadas nas condições e prazos estabelecidos. Portanto, as Clearing Houses devem registrar, custodiar e também liquidar títulos e valores mobiliários, de modo que esses, por sua vez, sejam devidamente transacionados pelos operadores do mercado financeiro, ou seja, os investidores. Dessa forma, o seu propósito também é garantir segurança, velocidade e transparência para as operações, tudo isso mediante a um sistema de compensação eletrônico que chama para si a responsabilidade pela liquidação dos negócios.

Após a fusão que ocorreu entre a Bovespa e a BM&F em 2008, a nova bolsa, que em 2017 mudou seu nome para B3, é responsável pela administração de quatro câmaras de liquidação, entre elas a câmara de ações:

  • Câmara de Ações: A câmara de ações é a antiga CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia). A CBLC foi criada em 1998 a partir de uma reestruturação patrimonial da Bolsa de Valores de São Paulo, e antes de seu funcionamento a liquidação dos negócios à vista realizados em bolsa de valores era realizada pela própria Bovespa. A Câmara de Ações realiza o registro, a compensação, a liquidação e o gerenciamento de risco de operações com ações, derivativos de ações e títulos de dívida corporativa.
  • Câmara de Derivativos: A câmara de derivativos é a responsável pela liquidação dos negócios realizados em mercados futuros e de commodities (petróleo, alimentos, etc).
  • Câmara de Câmbio: A câmara de câmbio atua no mercado brasileiro interbancário de dólar à vista.
  • Câmara de Ativos: câmara de ativos atua em títulos públicos federais emitidos pelo governo brasileiro.

 

Bolsa de valores

No passado, o Brasil chegou a ter nove bolsas de valores, mas atualmente todas as negociações, tanto no mercado à vista, quanto em futuros são realizadas pela B3 que é a maior bolsa de valores da América Latina e uma das maiores do mundo. Nela são negociadas ações das companhias abertas e títulos privados de renda fixa, entre outros valores mobiliários. Também se destaca entre as maiores bolsas de mercadorias e futuros do mundo com a negociação de contratos derivativos agropecuários (commodities) e derivativos financeiros.

Em 1890, um grupo de agentes liderado por Emílio Rangel Pestana inaugura a Bolsa Livre, que seria a semente da Bolsa de Valores de São Paulo. A Bolsa Livre é fechada já em 1891, em decorrência da política do Encilhamento, mas em 1895 é fundada a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, dando continuidade à evolução do mercado de capitais brasileiro. Nessa época, as negociações de títulos públicos e de ações de bancos e de empresas eram registradas em enormes quadros negros de pedra, para que todos pudessem acompanhar. Devido a isso, esse período inicial da história da Bolsa ficou conhecido como “Idade da Pedra”.

A Bolsa se desenvolve e, em 1934, se instala no Palácio do Café. No ano seguinte, ganha o nome de Bolsa Oficial de Valores de São Paulo. As negociações nesse período eram feitas em um enorme balcão central em torno do qual se reuniam os corretores. Os negócios eram realizados em ordem alfabética: o diretor do pregão anunciava o nome de cada empresa e a negociação tinha um tempo determinado para acontecer. Na década de 1960, com as reformas sofridas pelo sistema financeiro nacional, a Bolsa passa a assumir a característica institucional, deixando de ser subordinada ao Secretário da Fazenda do Estado, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial. Em 1967, passa a se chamar Bolsa de Valores de São Paulo. Também em 1967, o cargo de Corretor Oficial deixa de existir e são formadas as Sociedades Corretoras, constituídas por ex-Corretores Oficiais e por Corretores autorizados pelo Banco Central. É nesse momento que surge a figura do operador de pregão, pessoas que realizavam os negócios, sob as ordens das Sociedades Corretoras, por meio de gritos e gestuais que se tornariam a marca da Bolsa de Valores. Na década de 1970, os boletos que eram utilizados para realizar as negociações são substituídos por cartões perfurados e os negócios passam ser registrados de forma eletrônica. Em 1972, A BOVESPA é a primeira bolsa brasileira a implementar o pregão automatizado, com a disseminação de informações on-line e em tempo real, através de uma ampla rede de terminais de computador.

No fim da década de 1970, a BOVESPA é ainda pioneira na introdução de operações com opções sobre ações no Brasil. Em 1990, são iniciadas as negociações através do Sistema de Negociação Eletrônica – CATS: Computer Assisted Trading System, que operava simultaneamente com o sistema tradicional de Pregão Viva Voz. Atualmente, a B3 realiza negócios apenas no sistema eletrônico. Em 1997 é implantado um novo sistema de negociação eletrônica em substituição ao CATS, o Mega Bolsa. Além de utilizar uma plataforma tecnológica altamente avançada, o Mega Bolsa amplia o volume de processamento de informações. No final da década de 1990, são lançados o Home Broker, que permite que o investidor, por meio do site das Corretoras, transmita sua ordem de compra ou de venda diretamente ao Sistema de Negociação da Bolsa e o After Market, outra inovação da BOVESPA, pioneira em termos mundiais, que oferece a sessão noturna de negociação eletrônica. Ambos os meios facilitam a participação do pequeno e médio investidor no mercado.

No ano 2000, é realizada a integração das bolsas de valores brasileiras, que uniu as Bolsas de Valores de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas-Espírito Santo-Brasília, do Extremo Sul, de Santos, da Bahia-Sergipe-Alagoas, de Pernambuco e da Paraíba. Em 2005, é incorporada a Bolsa do Paraná e em 2006, a Bolsa Regional, concluindo a integração. A BOVESPA passa, então, a concentrar todas as negociações de ações do Brasil. As bolsas regionais mantêm, por sua vez, as atividades de desenvolvimento do mercado e de prestação de serviços às praças locais.

Em 2006, a BOVESPA implanta uma nova infraestrutura de Tecnologia da Informação, desenvolvida em parceria com a HP, Intel e Microsoft. A solução propiciou, entre outros benefícios, redução de custos de manutenção, retorno de investimento e uma maior flexibilidade de adaptação ao aumento de volume de transações no mercado de capitais. Em 28 de agosto de 2007, em uma reestruturação societária, a BOVESPA deixou de ser uma instituição sem fins lucrativos e se tornou uma sociedade por ações (S/A). Nessa reestruturação societária foi criada a BOVESPA Holding, que tinha como subsidiárias integrais a Bolsa de Valores de São Paulo (BVSP) – responsável pelas operações dos mercados de bolsa e de balcão organizado – e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) que prestava serviços de liquidação, compensação e custódia. Em 2008 ocorre a fusão entre a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e a Bovespa. E a partir disso, cria-se uma das maiores Bolsas de mercado a vista e futuros do mundo, a BMF&BOVESPA. E em 2017, a BM&FBovespa muda seu nome para B3 – Brasil Bolsa Balcão.

Atualmente, a B3 é o único centro de negociação de ações do Brasil e o maior da América Latina. Hoje, as negociações realizadas na B3 são feitas exclusivamente por meio de seu sistema eletrônico, o que proporciona maior agilidade e segurança nas transações. A bolsa é dotada de uma base tecnológica comparável à dos mercados mais desenvolvidos do mundo e o Brasil, por sua vez, é hoje um centro de excelência em infraestrutura do mercado financeiro e de capitais, tornando-se referência mundial. A B3 mantém ainda um papel de destaque perante os mercados internacionais, atuando na World Federation of Exchanges (WFE), na Federação Ibero-americana de Bolsas (FIAB) e na International Organization of Securities Commission (IOSCO).

Para finalizarmos, vale lembrar que os mercados de capitais são mais eficientes em países onde existem bolsas de valores bem estruturadas, transparentes e líquidas. Para que elas desempenhem suas funções, o ambiente de negócios do país tem que ser livre e as regras claras. Nestes contextos, as bolsas podem beneficiar todos os indivíduos da sociedade e não somente aqueles que detêm ações de companhias abertas.

Conforme já deve ter ficado permeado nos podcasts anteriores, o desenvolvimento das bolsas de valores gera benefícios para a economia e a sociedade como um todo: levantando capital para negócios; mobilizando poupanças em investimentos; facilitando o crescimento de companhias; redistribuindo a renda; aprimorando a Governança Corporativa; criando oportunidades de investimento para os pequenos investidores; atuando como Termômetro da Economia; ajudando no financiamento de projetos sociais.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

 

Esses são os principais participantes do mercado de ações, lembrando que também existem Bancos de Investimento, Auditores, Gestores, Consultores, Agentes de Investimento que atuam no mercado. Com esses conhecimentos apresentados nesses podcasts você, agora, tem uma boa noção de como funciona o mercado de ações, mas não paramos por aí! Tem muito mais coisa para aprender e descobrir!

É natural que você tenha dúvidas; se tem algum ponto que gostaria que eu aprofundasse ou explicasse melhor e só me procurar lá no grupo do Investidor Inteligente no Facebook.

Estarei à disposição para esclarecer todos seus questionamentos e produzir outros episódios, com novos temas, direcionados ao que você precisa e quer aprender mais: é sempre importante contar com sua participação para tratar dos assuntos que mais te interessam!

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Continuamos semana que vem com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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