Ouça agora este podcast!“056 Como funcionam as criptomoedas?”

Ainda cercadas de muita polêmica, promessas de ganhos maiores que os do Mercado Futuro Bovespa e sem regulamentação estatal, as criptomoedas chamam a atenção de pessoas em todo o mundo. E apesar da constante insistência em dizer que elas não são um investimento, elas permanecem nos radares de muitos investidores.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente.

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Então vamos às moedas digitais!

Antes de começarmos a falar sobre possibilidades de ganho, exposição do investimento e perfil de investidor adequado para aplicar em criptomoedas, que tal entendermos como funcionam e o que são essas moedas virtuais?

As moedas virtuais, moedas digitais ou criptomoedas nada mais são do que criptografias resolvidas por meio da utilização de dezenas de computadores. Para tal, é utilizado o modelo de rede peer-to-peer, ou seja, os computadores envolvidos são, ao mesmo tempo, responsáveis por descriptografar e por fazer a criptografia existir. Quando essa operação é bem-sucedida, criptomoedas são geradas. A esse processo é dado o nome de “mineração” — provavelmente você já ouviu falar sobre mineração de Bitcoins… então… é disso que se trata!

Cada moeda que esse processo gera é única, tem um número de identificação específico e só pode ser transferida por meio do famoso peer-to-peer. Dessa forma, apenas quem tem a moeda pode transferi-la, e isso acontece sem intermediários (nada de bancos, governo ou agências).

Isso até pode parecer complicado, mas a ideia é bem simples: as criptomoedas são um conjunto de códigos de programação, compilados de uma forma específica e registrados dentro de um banco de dados global e não centralizado (cada um dos computadores conectados serve como um banco de dados, ou seja, o banco, em si, não pertence a ninguém). As moedas têm valor monetário, mas não tem cédula, governo ou economia nacional para regularizá-las.

Sabe o que isso significa? Significa que caso você adquira uma criptomoeda, ela terá um número de identificação único. Esse número é o que permite dizer que você possui, ou não, a moeda. Ele também é o que possibilita a venda de frações de uma moeda (a venda de parte do código), ou transações por meio de uma carteira eletrônica, sem contar a utilização delas para investir ou pagar contas.

Para simplificar, vamos usar uma analogia: imagine que você tem uma carteira, mas que ela é virtual. Nessa carteira, você só pode colocar moedas virtuais, ou seja, nela é possível ter Bitcoins, Ripple, Ethereum, etc. Para conseguir essas moedas, você precisa trabalhar, esse trabalho é a mineração de criptomoedas.

Para completar, cada uma dessas moedas é única. Isso significa que o Bitcoin que existe na sua carteira, só existe nela. O Bitcoin de outras pessoas é semelhante ao seu, mas tem um número de identificação diferente (é como se fosse a numeração que temos em nosso papel-moeda, mas no formato digital).

E assim como uma carteira comum, você pode usar esse dinheiro para pagar qualquer coisa, desde que aceitem criptomoedas como pagamento. A FIAP, por exemplo, foi a primeira faculdade brasileira a aceitar o pagamento de mensalidades por meio de Bitcoins.

 

Qual é a proposta das criptomoedas?

As criptomoedas foram criadas com um propósito: oferecer ao mundo uma moeda que não é regulamentada e controlada por um governo. Dessa forma, os idealizadores do projeto queriam uma forma de descentralizar a economia, permitindo que a própria economia controlasse as oscilações desse produto.

Orientados, em sua maioria, por uma perspectiva anarcocapitalista, essas pessoas acreditam que o estado não deve intervir em questões individuais, e que a própria economia é capaz de organizar as sociedades.

Sendo assim, a primeira medida que podia ser feita em direção a esse pensamento é a criação de moedas descentralizadas e não regulamentadas, logo, “livres e reguladas pela economia”. E foi isso que eles fizeram!

 

De onde surgiram as criptomoedas?

As criptomoedas foram o produto que surgiu de uma lista de e-mails de pessoas interessadas em criptografia. Os integrantes da lista trocavam ideias sobre perspectivas tecnológicas, econômicas e políticas, como se fossem um grande grupo de debates e estudos.

Depois de algum tempo nessas discussões, uma pessoa com o pseudônimo de “Satoshi Nakamoto” elaborou e publicou, em 2008, o que seria o conceito base das criptomoedas. Em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto colocou esse conceito em prática, colocou o código em open-source (fonte livre de direitos autorais) e garimpou, ele mesmo, as primeiras 50 moedas.

A esse primeiro código, e as moedas originadas dele, foi dado o nome de Bitcoin. Depois de algum tempo, outras criptomoedas surgiram no mercado e elas tem crescido a cada dia mais.

 

Por que as criptomoedas cresceram tanto?

Diferente do que pode parecer, os Bitcoins não começaram valendo muito. Na verdade, cada moeda valia exatamente US$ 0,00 em seu primeiro ano de existência. Apenas em 2010, em seu segundo ano de existência, é que ela começou a ser oferecida em casas de câmbio, mas ao valor máximo de US$ 0,39.

Essas moedas virtuais eram vistas como muito arriscadas, já que não havia nenhuma instituição por trás de seu controle e regulamentação. Isso tornava o investimento pouco atrativo em relação a aplicações no banco ou em títulos públicos.

 

E como foi que o preço do Bitcoin subiu?

Em 2013, essa situação mudou drasticamente. No começo do ano, os contribuintes da República do Chipre tiveram suas poupanças confiscadas, e nesse momento os bancos caíram em total descrédito com a população local, o que os levou a procurar uma alternativa para o tal problema.

Como você deve imaginar, essa alternativa foi o Bitcoin. Afinal de contas: se essa moeda não é controlada por um governo nem por um banco, não havia o risco de ela ser confiscada e deixar seus investidores na mão.

Como resultado dessa ação, o Bitcoin saiu de US$ 13,96, em janeiro de 2013, para US$ 946,74, em dezembro de 2013. Depois desse evento, o preço da moeda despencou, e ela começou a ser vista como uma bolha.

 

Mas… se o Bitcoin era uma bolha, porque ele continua famoso?

Essa percepção de que o Bitcoin era uma moda, uma bolha que se extinguiria em algum tempo, continuou até o ano de 2016, quando o mundo foi atingido por uma crise institucional e econômica que abalou as bases das instituições bancárias e governos.

Isso deixou a população mundial em alerta, gerando a busca por uma solução. E adivinha quem entrou, de novo, no radar dessas pessoas? Isso mesmo, o Bitcoin! Mas agora ele não estava sendo almejado apenas por moradores de um pequeno país: o mundo todo estava de olho nessa moeda.

Provavelmente, você já sabe o que aconteceu depois disso: cada Bitcoin que valia US$ 443,57, em janeiro de 2016, passou a valer US$ 19.364,20, em dezembro de 2017 (maior valor atingido pela moeda até hoje).

 

Como anda o Bitcoin, e as criptomoedas, nos dias de hoje?

Olhando pelo histórico do Bitcoin, era esperado que ele caísse, pelo menos, 50% depois desse crescimento absurdo que ele passou, correto? E foi exatamente isso que aconteceu: em abril de 2018 a moeda passou a valer US$ 6.960,02.

Ainda assim, ela continua sendo requisitada pelos investidores. E o motivo é muito simples: qual investimento poderia valorizar US$ 19.364,20 em sete anos? Isso dá, aproximadamente, uma valorização de R$ 65.000,00 por moeda adquirida. Imagine, por exemplo, a situação de quem comprou centenas dessas moedas em 2010 e as manteve até 2017.

Essa possibilidade de ganho tem sido tão atrativa para os investidores que o número de pessoas investindo em Bitcoin já é duas vezes maior que o total de investidores da bolsa – cerca de pouco mais de um milhão de investidores em Bitcoin.

E não para por aí: no Brasil existem mais pessoas comprando Bitcoins do que investindo em Tesouro Direto — vale lembrar que o Tesouro é o investimento mais popular no país e teve crescimento recorde nos últimos anos.

Essa pressão não tem acontecido apenas no Brasil. Grandes investidores de Wall Street estão pressionando o mercado para liberar a entrada de mais criptomoedas. E isso vem surtindo efeito: em 15 de outubro de 2017 as famosas, e polêmicas, moedas começaram a circular no Mercado Futuro dos Estados Unidos, na Chicago Board Options Exchange.

 

Além da rentabilidade, o que mais as criptomoedas podem proporcionar?

Por mais incrível que pareça, a possibilidade de ganhos das criptomoedas não são seu principal atrativo. A exposição que elas oferecem é, na verdade, o que motiva muitas pessoas a adquirirem essa moeda.

Veja bem: ao adquirir uma criptomoeda, você não só está comprando um produto com altas possibilidades de ganho, mas também está protegendo seu patrimônio contra ações estatais. Além disso, as criptomoedas sofrem oscilação em decorrência da economia mundial.

Dessa forma, quem tem criptomoedas não precisa investir em vários países para alcançar a internacionalização dos investimentos de forma eficiente. Basta investir em uma moeda e o investidor estará exposto a todos os países, aumentando as possibilidades de ganho significativamente, mas mantendo a segurança da aplicação.

 

Qual o perfil do investidor em criptomoedas?

Como podemos ver com o histórico do Bitcoin, as criptomoedas estão fadadas, ao menos pelos próximos anos, a sofrerem gigantescas oscilações de valor — a tendência é que isso reduza à medida que a mineração de moedas for acabando.

Em função disso, o perfil indicado para investir nesse tipo de aplicação é bem restrito. Afinal de contas, não é todo mundo que suporta ver seu patrimônio sofrendo reduções ou aumentos maiores do que 50% em menos de dois meses.

Por isso, existem dois perfis que provavelmente se darão bem lidando com as famigeradas criptomoedas: investidores mais agressivos e pessoas orientadas politicamente para perspectivas mais liberais.

 

Vamos entender um pouco de cada tipo de investidor!

Investidores agressivos

Como não poderia ser diferente, o investimento em criptomoedas é absolutamente atrativo para investidores com perfil agressivo. Com as altas possibilidades de ganho, e o risco de perdas envolvido, esse investidor pode aproveitar do crescimento das moedas virtuais para expandir seu patrimônio (confira o Podcast 51 em que falo mais sobre Risco nos Investimentos).

E como disse, o Bitcoin foi apenas a primeira moeda criada. Isso significa que existem moedas menos famosas, mais arriscadas e com possibilidades de ganhos ainda maiores, mas que devem ser analisadas minuciosamente para não se tornarem um grande prejuízo.

Para quem gosta de apostar e não sofre com as oscilações do próprio capital, essa pode ser uma excelente alternativa para seguir aquela regrinha de investimentos que diz que “quanto mais arriscado é um investimento, maior é o seu potencial de retorno – positivo ou negativo”.

 

Pessoas com perspectiva política liberal

Agora, se você não se enquadra no perfil de investidor agressivo, pode ficar tranquilo. Talvez suas convicções econômicas e políticas sejam favoráveis ao investimento em criptomoedas, e isso valide o investimento. Quer ver?

Ao comprar criptomoedas você faz com que seu dinheiro seja controlado apenas por você. Isso significa que nem o governo e nem os bancos poderão cobrar taxas em cima do seu patrimônio.

Se você, assim como os idealizadores das moedas, não é favorável ao controle estatal e acredita que as pessoas deveriam regular a economia de maneira orgânica, as criptomoedas são uma forma de militar nesse sentido.

 

E quanto é preciso investir?

Além de ter um perfil adequado, a aplicação em criptomoedas pode ser classificada como um investimento para alta renda, ou seja, você precisa contar com uma renda razoável para se dar bem nesse negócio.

O que acontece é o seguinte: assim como o Bitcoin, existem várias criptomoedas que valem pouquíssimo hoje, mas podem valorizar dentro de alguns anos. Entretanto, para aproveitar desse “boom” de crescimento o investidor precisa alocar muitos recursos em várias moedas e só deverá recolher quando houver a valorização.

Caso essa estratégia não seja muito atrativa, e você prefira aplicar em criptomoedas mais “tradicionais”, cada unidade do Bitcoin custa hoje, em média, US$ 6.669,62. Logo, se quiser comprar algumas dezenas dessa moeda será preciso dispor de muitos recursos.

 

Como ter segurança neste tipo de investimento ?

Apesar de parecer que existem poucas criptomoedas circulando, na realidade existem, no momento da gravação desse podcast, 2049 criptomoedas diferentes. Qualquer pessoa pode ter acesso a todas elas, seus preços, oscilações e movimentações diárias por meio do site da Crypto Currency.

Como falamos, as transações em Bitcoin são feitas no modelo peer-to-peer, isso significa que não existem intermediários. Quem tem a moeda precisa vendê-la diretamente para quem quer comprar.

E apesar de nos dias de hoje algumas casas de câmbio aceitarem esse desafio e prestarem o serviço de troca de algumas criptomoedas (principalmente o Bitcoin), essa é uma oferta escassa. Na maior parte dos casos, ou compra-se do emissor, ou de alguém que já tem a moeda.

Isso torna o investimento muito arriscado, sendo necessário, inclusive, contar com a ajuda de alguém que já tem experiência nessa área para evitar maiores problemas (o principal risco enfrentado, portanto, é o risco de liquidez, conforme detalhei no Podcast 51.)

Somado a isso, não podemos nos esquecer, de maneira nenhuma, da volatilidade dessas moedas. Como elas sofrem pesadas oscilações diariamente é preciso escolher bem o produto para não comprar uma moeda em alta e vender em baixa.

Outro fator determinante quanto a segurança do investimento em criptomoedas é a quantidade de produtos disponíveis. É praticamente impossível analisar sozinho todos os produtos disponíveis e escolher o melhor.

Por isso, é essencial falarmos que investimentos personalizados são a melhor opção de segurança para adquirir criptomoedas. Veja bem: para comprar esse tipo de produto com segurança, você precisará estudar durante muitas horas para entender profundamente o mercado.

Mas… você tem todo esse tempo disponível? Provavelmente não! Nesse caso, é preferível contar com o auxílio de pessoas que dedicam seu tempo a entender e atuar nesse mercado, como é o caso de consultores de investimentos.

Assim você tem mais segurança na sua aplicação, protege seu capital, e ainda pode ganhar muito ao contratar o serviço de pessoas especializadas.

Mas uma coisa é certa: independentemente de como você queira investir, ou de que produtos chamam sua atenção, existe uma forte tendência de crescimento na economia digital para os próximos anos. Assim sendo, é esperado que as criptomoedas cada vez sejam mais usadas e mais valorizadas.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

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Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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