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“084 Como funcionam os CRIs e os CRAs?”

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa conhecidos por fazerem parte dos investimentos que têm isenção de Imposto de Renda para pessoa física, assim como a Caderneta de Poupança e outros investimentos semelhantes como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Mas como funcionam esses certificados de recebíveis? É sobre isso que vamos tratar nesse podcast!

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento nesse podcast, várias dicas, informações e orientações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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Como funcionam os Certificados de Recebíveis?

Para entender o que é CRI e o que é CRA, primeiro você precisa compreender o que são Certificados de Recebíveis. Certificados de Recebíveis são títulos de renda fixa que têm a seguinte função: representar a promessa de um pagamento futuro em dinheiro. Ou seja, é uma forma de o emissor ter maior liquidez, ou seja, ter maior facilidade do emissor resgatar dinheiro em um tempo mais curto.

Quem investe em Certificados de Recebíveis Imobiliários ou em Certificados de Recebíveis do Agronegócio está ajudando a financiar o mercado imobiliário ou o mercado do agronegócio por meio da antecipação de créditos do setor. Vamos exemplificar com um CRI para entender melhor como funciona: geralmente uma construtora que tem um empreendimento imobiliário, como um condomínio, vende as unidades que ainda estão em construção. Essa empresa, em vez de esperar o pagamento dessas parcelas em sua totalidade, se antecipa e contrata uma securitizadora, que é companhia responsável por transformar essas dívidas em títulos de crédito (especializada em “empacotar” esses créditos na forma de títulos de renda fixa), nos quais os investidores podem aplicar.

A securitizadora então emite o título, transmitindo aos investidores que os adquirirem o direito de receber daqueles mutuários. A empresa que concedeu o crédito inicialmente, por sua vez, recebe à vista, sem ter que esperar as parcelas serem pagas.

Mas onde os investidores ganham?

Assim como outros títulos de renda fixa, eles recebem em troca uma rentabilidade do valor investido em um determinado período de tempo, seja ele no vencimento da aplicação ou periodicamente (depende da especificação do título).

Quem investe em um desses papéis está adquirindo, na verdade, o fluxo de rendimentos de créditos concedidos para financiar projetos imobiliários ou do agronegócio.

Em outras palavras, está comprando o direito a receber, os pagamentos de financiamentos nesses setores. Assim, terá direito a receber uma remuneração do emissor do título junto com o valor investido, periodicamente ou na data de vencimento do papel.

O que é CRI?

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários estão previstos na Lei 9514/1997. O CRI é um instrumento usado para a captação de recursos para financiar transações do mercado imobiliário. É, portanto, lastreado em créditos imobiliários, como financiamentos residenciais, comerciais ou para construções, contratos de aluguel de longo prazo, contratos de financiamentos, locação, arrendamento ou qualquer outro tipo de operação que tenha o imóvel como garantia de pagamento.

O que é CRA?

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio estão previstos na Lei 11.076/2004. Os CRA são lastreados em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais (ou suas cooperativas) e terceiros, abrangendo financiamentos ou empréstimos relacionados à produção, à comercialização, ao beneficiamento ou à industrialização de produtos, insumos agropecuários ou máquinas e implementos utilizados na produção agropecuária.

Qual é a rentabilidade de CRI e CRA?

O Certificado de Recebíveis Imobiliários e também do Agronegócio são investimentos de renda fixa. As formas mais comuns de remuneração do Certificado de Recebíveis do Agronegócio e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários são:

  • Percentual do CDI (taxa pós-fixada): preferível em tendência de aumento dos juros;
  • CDI + taxa prefixada: preferível em tendência de queda dos juros;
  • Índices de preços ou inflação + taxa prefixada (ex: IGP-M, IPCA): preferível para investidores de longo prazo que buscam preservação de patrimônio;
  • Taxa prefixada: preferível após ciclo de alta de juros.

É importante considerar ainda que, por serem investimentos isentos de imposto de renda, é preciso ter um pouco mais de atenção na hora de comparar a rentabilidade de um CRI ou CRA com a de um CDB ou fundo de investimento, por exemplo.

Veja: considerando investimentos pós-fixados no CDI, um CDB pode pagar um percentual bruto maior que o CRI ou CRA, mas do CDB ainda será descontada a alíquota de IR, o que afeta totalmente a comparação entre os produtos.

CRI e CRA tem proteção do Fundo Garantidor de Crédito?

CRI e CRA são dois investimentos isentos da tributação de IR e também de IOF. São produtos com características similares às LCI e LCA.

Porém, diferente das LCI e LCA, uma desvantagem do Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio é que não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Por sua vez, os CRI e CRA possuem a garantia de um empreendimento, seja ele imobiliário (no caso da CRI) ou do agronegócio (no caso da CRA).

Quais são as vantagens e desvantagens de um CRI e CRA?

O investimento nos certificados de recebíveis imobiliários ou certificados de recebíveis do agronegócio podem ser bastante lucrativos, principalmente porque permitem investimentos a partir de R$1.000 e as pessoas físicas são isentas de declarar o investimento no imposto de renda.

Mas, assim como todo o tipo de investimento, existem riscos — mesmo que pequenos — e a liquidez pode ser inferior ao valor desejado.

O principal risco desse tipo de investimento é o risco de crédito, ou seja, se as pessoas que compraram o imóvel tiverem dificuldades para pagar as parcelas esse fator afetará a rentabilidade do investimento.

Além desse fator, a rentabilidade média do investimento também está atrelada a um índice que pode ser o IGP-M, IPCA ou a TR. O resgate pode ser feito na data do vencimento do título ou, caso seja necessário antecipar o recebimento, você pode vender o título no mercado secundário.

Como são feitas as remunerações de CRI e CRA?

Um CRI ou CRA pode ser garantida por taxa prefixada, flutuante ou de acordo com o Índice de Preços. Como trata-se de recebíveis de médio e longo prazo há dois tipos de emissão: as baseadas em contratos performados e aquelas cuja origem é de contratos não-performados. Em outras palavras: os contratos performados correspondem aos imóveis entregues, e os contratos não-performados os imóveis ainda estão na planta. É muito importante prestar atenção ao seguinte: ao adquirir um CRI ou CRA, o investidor passa a assumir os riscos de crédito primário do emissor.

Por isso, pode ser muito importante escolher uma boa corretora de valores e buscar uma boa assessoria de investimentos para orientá-lo sobre as melhores formas de investir em CRI e CRA, além de contar a com a avaliação de um profissional sobre os riscos e prazos para concretizar o investimento, que poderá assessorar na escolha do melhor investimento de acordo com o seu perfil.

Investir em LCIs e LCAs ou CRIs e CRAs?

Com um cenário de crise econômica, os bancos passam a reduzir a emissão de LCIs e LCAs, se tornando mais escassas no mercado. Com isso, as CRIs e CRAs ganham mais espaço.

O nome similar não é por um acaso. As Letras de Crédito são emitidas por instituições financeiras para financiar os mercados imobiliário e agronegócio, respectivamente. Já os Certificados de Recebíveis possuem o mesmo fim, porém, são emitidos pelas próprias empresas por meio de securitizadoras, conforme já falamos. Ou seja: são instituições que intermediam a necessidade de uma empresa de obter crédito aos compradores dos títulos.

Em outras palavras, no caso de LCIs ou de LCAs, o banco repassa os recursos ao setor imobiliário e para o agronegócio. Já no caso das CRIs e CRAs, o responsável por essa intermediação entre os setores e o investidor é a securitizadora.

Como as empresas emitem estes títulos para autofinanciamento, elas podem reaver este investimento ao longo de anos. Por isso, elas demoram mais para pagar os investidores que cederam crédito. Na prática, isso significa que a liquidez dos CRIs e CRAs é menor do que LCIs e LCAs, podendo ir de 180 dias até mais de 13 anos.

Trata-se de um investimento de médio a longo prazo, então, deve-se aplicar o dinheiro pensando em um horizonte mais amplo.

Qual o investimento mínimo?

Os CRIs ou CRAs podem ser adquiridos diretamente do emissor por meio de ofertas públicas ou comprados de outros investidores no mercado secundário.

A maioria dos CRIs ou CRAs, geralmente, exigem investimento inicial robusto. Além disso, o investidor pode achar difícil escolher os melhores papéis para a sua carteira. Uma estratégia mais simples é procurar um bom fundo de investimento em Certificados de Recebíveis já que um gestor profissional fica responsável por escolher os melhores papéis. Além disso, o investimento inicial mínimo é muito mais acessível, não chegando à casa de dezenas de milhares de reais.

Algumas emissões podem ser restritas a investidores qualificados e de maior poder aquisitivo, mas já existem emissões de Certificados de Recebíveis abertas ao público em geral e com valores de investimento inicial acessíveis à pessoa física, a partir de R$ 1000, por exemplo.

Conclusão

Antigamente os Certificados de Recebíveis (CRI e CRA) eram restritos apenas a investidores qualificados; hoje, porém, são investimentos que estão cada vez mais acessíveis. O investidor consegue incluir estes ativos em sua carteira pelo intermédio de uma corretora de valores, que faz a distribuição sempre que possua alguma opção disponível.

Contudo, é sempre importante ressaltar que o investidor precisa estar atento às características destes ativos. Apesar de possuírem isenção de imposto de renda e IOF e serem ativos de renda fixa, nem sempre estarão alinhados para fazer parte da carteira de todos os investidores.

Alguns dos pontos principais que o investidor deve prestar atenção são: o prazo em que é preciso permanecer com o CRI ou CRA em carteira; e o fato do investidor estar emprestando dinheiro para uma empresa.

Algumas emissões são ótimas, outras nem tanto: por isso tome muito cuidado. Se for necessário recorra à ajuda especializada para ter uma opinião mais técnica sobre o produto para clarear aquilo que você não está percebendo ou mesmo não compreendeu.

Espero que tenha ficado claro como funcionam os Certificados de Recebíveis. Não são investimentos tão comumente falados, mas podem compor sua carteira de renda fixa dando uma turbinada, uma apimentada nos seus investimentos. Se ficou com alguma dúvida ou se teve algum ponto que deixei de abordar, fique à vontade para entrar em contato comigo através do grupo exclusivo do Investidor Inteligente no Facebook!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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