Ouça agora este podcast! “024 Como identificar e solucionar os gastos impulsivos”

É muito recorrente entre os clientes que atendo a reclamação em relação aos gastos impulsivos, pelo menos antes de começarmos a trabalhar juntos ou mesmo no início do trabalho. Isso não se resume apenas às mulheres, alvos do estereótipo do consumo exacerbado: os homens também consomem sem critério ou sem reflexão prévia. Mas como fazer com esses gastos impulsivos? Será que tem jeito de resolver?

 Antes de qualquer coisa eu quero fazer algumas considerações. Não sou psicólogo, porém a programação neurolinguística é considerada um tipo de terapia. Dentro da PNL existem modelos funcionais e em um deles é possível ser trabalhado as principais necessidades emocionais humanas, que vou falar ao longo desse episódio.

Todos os gastos, ou melhor, todo uso de dinheiro tem um motivo emocional em essência. Você pode pensar que, por exemplo, pagar a conta de eletricidade não tem motivo emocional algum, mas tem: o que você sente quando está de noite e pode acender a luz, coisa que séculos atrás era impossível? Segurança, conforto? O que você sente quando abre a sua geladeira e lá seus alimentos conservados? Ou o que você sente quando vai para o banheiro, abre a torneira do chuveiro e pode desfrutar daquele banho quentinho, gostoso, relaxante? No fundo, no fundo, todo e qualquer gasto é emocional, afinal, o dinheiro é um MEIO de troca por algum tipo de valor.

Estabelecido esse ponto, é possível compreender que os gastos impulsivos são emocionais. Muitas das vezes por conta de emoções não compreendidas. E, por si só, o ato de realiza-los é um comportamento (mesmo que seja um comportamento inadequado). Aquele dinheiro que foi gasto desnecessariamente, impulsivamente, poderia ser poupado ou mesmo direcionado para outros gastos mais importantes: seu bem-estar e sua manutenção de vida, não é?! Aquele novo celular que você comprou na semana passada só porque o seu “não é mais da moda” ou aqueles três pares de sapatos que são tão lindos que combinariam com aquela bolsa verde-limão que você nunca usa e está no fundo de seu armário seriam P-E-R-F-E-I-T-O-S! E aquela camisa que você comprou que vai ficar junto com outras cinco ainda com etiquetas que, no final das contas, você nem vai usar mesmo. E aquele lazer desenfreado que, chega sábado à noite, você e sua namorada não planejaram direito o final de semana e vão para a rua comer, gastando muito dinheiro toda semana em restaurantes. Tem algo muito mais profundo acontecendo: tem um fator emocional não atendido que está gritando e está se expressando em consumo impulsivo.

Fator Emocional

É errado comprar? Não, não é. Como disse, o dinheiro é um meio de troca. Se não vai ser trocado para consumir hoje, em algum momento no futuro (caso seja poupado e posteriormente investido) será consumido. É inadequado gastar dinheiro à toa (na verdade desperdiça-lo) e gastar muito mais do que suas finanças comportam. É fundamental respeitar o dinheiro, pois, como diz o ditado, “dinheiro não aceita desaforo” – e para respeitá-lo é essencial que você compreenda as suas motivações, as emoções por trás de suas vontades impulsivas.

Um dos princípios fundamentais da programação neurolinguística diz que “todo comportamento tem uma intenção positiva dentro do sistema interno da pessoa e de suas opções”. Isso significa que as pessoas fazem a melhor opção que podem dentro das escolhas EMOCIONAIS que dispõem em determinado momento. Além disso, todas essas ações têm um propósito maior, positivo. Se uma pessoa, dentro de sua história de vida, dos conceitos, crenças e valores que tem sobre dinheiro, consumo, investimentos, poupança (e, na verdade, sobre qualquer outra coisa) tem uma quantidade limitada de opções comportamentais, ela tende a REAGIR dentro daquele espectro de opções.

Por exemplo: um jovem rapaz tem gasto todo seu dinheiro, proveniente do seu trabalho, em festas e curtição, saindo todos os finais de semana e gastando tubos de dinheiro. Existem ocasiões que ele gasta metade de sua remuneração em uma só noite. Porém, ele percebe que esse comportamento está prejudicando, pois ele não forma reservas, não junta dinheiro, seja para fazer uma viagem bacana para o exterior ou mesmo para adquirir algum bem (um carro, por exemplo). Mas ele não consegue mudar. Tenta guardar dinheiro, mas, “sem perceber”, acaba torrando tudo aquilo que tinha guardado na expectativa de que depois ele vai ter mais e poderá guardar dinheiro, que se esforçará mais no próximo mês. Como que ele poderia sair dessa impulsividade toda?

Existem várias atitudes a serem tomadas. Uma das primeiras, conforme você já deve imaginar, é que, se ele ainda não tem, deve assumir o controle de suas finanças – ou você controla o seu dinheiro ou ele guia a sua vida. Com esse controle é mais fácil identificar padrões de consumo e é possível determinar orçamentos, estabelecendo limites para o gasto do dinheiro, direcionando-o. Mas só isso não freia o comportamento impulsivo, pois, mesmo com o controle, em algum estalo emocional, todo planejamento pode ser comprometido.

 

O que fazer?

Esse é um processo de autodescoberta fabuloso. Como foi dito: todo comportamento tem uma intenção positiva. No caso do jovem rapaz, ele usa seu dinheiro procurando alguma finalidade maior, positiva. De forma super simplificada, nossas intenções profundas se resumem a 6 necessidades humanas que podem ser traduzidas tanto em termos neutros, positivos e negativos dependendo do comportamento e do contexto.

 

Essas 6 necessidades humanas:

  • Necessidade de Certeza/Conforto: seres humanos, na maioria das vezes, procuram evitar a dor e procurar o prazer – isso que nos mantém vivos, inclusive. Essa necessidade pode ser traduzida em outras palavras: estabilidade, segurança, tranquilidade, sobrevivência e etc.
  • Necessidade de Incerteza/Variedade: nós gostamos das surpresas da vida. Ela se traduz em desafios, mudanças, estimulação e enfrentar o desconhecido. Essa necessidade se confronta com a primeira, criando um paradoxo necessário: se atendermos apenas a primeira, a vida se torna monótona, rotineira; é necessário ter um grau de imprevisibilidade para fazer com que a vida valha a pena ser vivida.
  • Necessidade de Significado/Importância: todo ser humano procura se sentir especial, importante, único, diferente, exclusivo, autêntico – seja para si ou mesmo para os outros.
  • Necessidade de Amor/Conexão: compartilhar sentimentos e emoções com as outras pessoas. Dar e receber atenção dos outros. Os seres humanos precisam de amor para sobreviver, desde o nascimento até a fase adulta. Isto porque somos animais gregários, ou seja, somos incapazes de viver bem sozinhos.

 

Essas 4 primeiras necessidades são básicas, fundamentais para qualquer ser humano. E existem as duas últimas necessidades, consideradas necessidades do espírito. Pode ser que atendamos as 4 primeiras e ainda fique aquele sentimento de incompletude. Por isso, pode ser importante atender também às outras duas:

 

  • Necessidade de Crescimento: progresso – em nossos relacionamentos, em nossas profissões, em nossos negócios, em nossa vida espiritual, em nossas finanças, em nosso corpo físico e em nossa saúde física e emocional.
  • Necessidade de Contribuição: doar, cuidar, ajudar, contribuir, ensinar o bem, são alguns dos meios de satisfazer esta necessidade tão nobre.

 

Voltemos ao jovem rapaz!

Quais necessidades podem estar sendo preenchidas de forma negativa com o comportamento impulsivo de gastar todo seu salário em festas e baladas?

Só a própria pessoa pode dizer. Só você pode dizer o motivo de SEU comportamento impulsivo. No caso dele, PROVAVELMENTE, tem a ver com a necessidade de Incerteza, Sentir-se Único e/ou mesmo sentir Conexão. Só quem pode avaliar é a própria pessoa. Mas é aí que entra o “pulo-do-gato”: descobrindo a intenção positiva profunda, qualquer que seja ela, você pode ESCOLHER algum NOVO COMPORTAMENTO POSITIVO que seja EMOCIONALMENTE TÃO BOM QUANTO OU MELHOR QUE AQUELE que você vem manifestando e quer mudar.

Parece racional demais? Acredite, não é. Você tem que SENTIR que aquilo que você definiu como alternativa para atender a intenção profunda é emocionalmente equiparável. Senão não funciona. Você só está decidindo deliberadamente o rumo de sua vida, direcionando melhor seus comportamentos de forma que se sinta satisfeito e de modo que possa alcançar seus objetivos. O jovem rapaz pode continuar a ir às festinhas e baladas, mas, provavelmente, será uma decisão pensada, não impulsiva.

Desenvolvida essa nova estratégia emocional, é importante durante o tempo que for necessário vigiar e ter foco. Não significa que eu escolhi um novo e melhor comportamento e que já está tudo resolvido. Não funciona assim. É necessário, por algum tempo, escolher deliberadamente, propositalmente, agir da maneira alternativa. Novas conexões neurais precisam ser formadas e aquelas que estão condicionadas precisam ser enfraquecidas. E isso leva tempo. Quanto tempo? Ninguém sabe, pois isso é totalmente pessoal, psicológica e biologicamente.

Com um esforço consciente de pouco em pouco você vai alcançando resultados. Existem vários caminhos, várias estratégias para alcançar seus resultados.

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