Ouça agora este podcast!“065 Como identificar o melhor título do Tesouro Direto para investimento”

Você já escutou em outros podcasts sobre o Tesouro Direto, algumas alternativas sendo citadas, especialmente quanto ao uso desse produto financeiro para a formação de reserva de emergência. Contudo, muitas pessoas quando abrem a plataforma da corretora ou acessam o sistema do Tesouro Direto se deparam com vários produtos diferentes, com prazos e nomenclaturas diferentes. E daí é fácil imaginar que ocorre uma confusão mental, talvez até um desânimo por não saber o que fazer, além do desespero causado pela frustração da expectativa de sair de investimentos lugar-comum, como a Caderneta de Poupança. No podcast de hoje vamos abordar sobre os diferentes tipos de títulos disponíveis no Tesouro Direto, bem como distinguir aquele tanto de títulos (que nem são muitos assim) e pensar sobre possíveis objetivos e utilidades do uso desses produtos.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para te ajudar a usar bem o seu dinheiro de modo que ele possa ser direcionado para que você alcance seus objetivos e que tenha mais qualidade de vida a partir de um desenvolvimento financeiro saudável, transformando-se em um investidor inteligente.

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Sendo bastante prático desde o início: se você não entende o mínimo de Tesouro Direto, recomendo que ouça pelo menos os episódios 10 e 28 ou outros da playlist do Investidor Inteligente para se familiarizar um pouco mais, ok?

Quando você abre a plataforma do Tesouro Direto, seja no site do Tesouro ou através de sua corretora, você percebe que tem vários tipos de títulos disponíveis. Primeiro ponto é definir, antes de investir, qual é o seu objetivo: lá no episódio 21 você pode refletir melhor sobre essa questão. E se você não sabe o que está fazendo, se não tem noção de como distinguir os diferentes títulos, pode ser que realize a operação errada ou inadequada de acordo com seus objetivos.

 

Tipos e subtipos de títulos do Tesouro

Diferentemente de alguns anos atrás, a identificação dos títulos do Tesouro ficou bem mais fácil com a alteração da sua nomenclatura – antes era uma sopa de letrinhas, o que dificultava o entendimento do investidor. Basicamente, existem 3 tipos de títulos: o Tesouro Selic, que, como o próprio nome diz, está vinculado à variação da Taxa Selic – é um título pós-fixado, você não sabe qual vai ser o seu retorno; o Tesouro Pré-Fixado, que já traz a ideia de que a taxa pactuada é pré-fixada – ou seja, você sabe no momento da compra qual será sua remuneração; e o Tesouro IPCA, que tem a ideia de ser vinculado à inflação medida pelo IPCA – é um título misto, com taxa fixa no momento da compra mais a variação da inflação que é a parte pós-fixada. Só com essa distinção, metade dos seus problemas de identificação se dissipam. Porém, além destes 3 existem 2 subtipos: o Tesouro Pré-Fixado com Juros Semestrais e o Tesouro IPCA com Juros Semestrais. Os três primeiros que citei têm a característica de remunerar o investidor no vencimento (ou seja, quando compulsoriamente a aplicação deixar de existir) ou quando o investidor realizar algum resgate antes do vencimento, lembrando que, nesse caso, a remuneração máxima pactuada não é garantida. Os outros dois que possuem Juros Semestrais remuneram o investidor a cada 6 meses: ou seja, a cada semestre (em uma data específica) cai na sua conta na corretora a remuneração, o valor em dinheiro, correspondente aos juros daquele semestre. Você pode escolher resgatá-lo ou, como a maioria dos investidores em processo de formação patrimonial fazem, você pode reinvestir esses recursos, seja no mesmo título ou em outro ativo de sua preferência.

As datas que aparecem na plataforma na frente do nome dos títulos são as datas de vencimento, ou seja, a data que o título vai deixar de existir e, se você for investidor até aquele momento, o Tesouro Direto venderá compulsoriamente seus títulos realizando o depósito dos recursos mais os juros e atualizações monetárias pactuados no momento da compra. De forma bastante simples, é como se o Governo te devolvesse o que foi investido mais o rendimento corrigido. Então existem títulos para mais curto prazo, dois anos ou um pouco mais; assim como existem títulos de longuíssimo prazo, para algumas décadas adiante. E como decidir qual prazo é o melhor? Mais uma vez: depende do que você quer alcançar com aquele recurso investido – depende dos seus objetivos.

Você pode investir em qualquer um dos títulos disponíveis, tendo como valor mínimo R$ 30,00 que é uma fração do valor cheio, do valor unitário do título. Mas, na prática, qual título escolher? O que vou dizer agora é somente para ilustrar o raciocínio de como utilizar os 3 tipos de títulos diferentes; isso não se configura como recomendação de investimento, apesar que você pode usar essas ideias para estruturar seus pensamentos e sua própria estratégia de investimento.

Se você estiver pensando em formar sua reserva de emergência, dentre os títulos disponíveis o mais adequado costuma ser o Tesouro Selic. Esse é considerado o título mais seguro da economia brasileira e está atrelado à uma taxa que, até hoje, nunca foi expressa em termos negativos. É um título pós-fixado (você só sabe do rendimento depois que a taxa é apresentada) e não traz retornos negativos. Portanto, pensando em termos de reserva de emergência (em que devemos ter nossos recursos líquidos, disponíveis para qualquer movimentação de emergência e, ao mesmo tempo, os recursos devem estar em ambiente seguro) esse é o título do Tesouro Direto mais indicado.

 

Para quê, por exemplo, poderia ser usado o Tesouro IPCA? O Tesouro IPCA é um tipo de título misto: no momento da compra desse ativo, o investidor pactua junto com o governo uma taxa fixa além do ajuste pela inflação medida pelo IPCA, enquanto o investidor mantiver a aplicação ou até o vencimento. Resumindo são títulos com proteção inflacionária. Vamos pensar em um cenário de inflação elevada: se a inflação por algum motivo disparar, os recursos nesse título do Tesouro estarão protegidos de seu efeito, pois eles têm ganho real garantido pela taxa fixa. Também por isso geralmente são títulos de mais longo prazo, pois, apesar de existirem cálculos para estimar a inflação futura, simplesmente não existe garantia de definir algo que ainda nem aconteceu e que possui inúmeras variáveis político, econômico e sociais que a influenciam. Muitas pessoas investem nesse produto com a finalidade de formação de patrimônio para a aposentadoria; alguns usam para a aquisição da casa própria, seja para a compra à vista ou mesmo uma reserva para uma entrada mais expressiva; outros usam para a formação de reserva educacional para os filhos, que podem querer acessar uma universidade ou curso que necessite de pagamento de mensalidades; outros usam para a formação de reserva para a viagem dos sonhos ou alguma comemoração significativa como bodas de prata ou bodas de ouro; e várias outras possibilidades, sonhos e desejos. O ponto é que o Tesouro IPCA tem a característica de proteger os recursos aplicados do efeito inflacionário e também são títulos com vencimentos mais longos, para planos de mais longo prazo.

E o Tesouro Pré? O Tesouro Pré-Fixado tem a seguinte característica: ao final da aplicação, no vencimento, o título terá o valor de R$ 1.000,00 a unidade; enquanto disponível para a compra, o título é vendido com deságio, em valor inferior ao de R$ 1.000,00. A estratégia com esse tipo de título, pensando em um investidor pequeno pessoa física, é puramente de conseguir melhor retorno. Porém, devemos atentar ao seguinte: é muito interessante realizar a aplicação em Tesouro Pré somente quando as taxas de juros estiverem altas e houver uma expectativa de queda das taxas ao longo dos próximos tempos, pois o investimento nesse ativo fixa, trava a remuneração (afinal, chama-se pré-fixado não é à toa). No momento da aplicação você já sabe quanto vai receber. Se você precisa de ter essa certeza em uma data definida no futuro, talvez esse título seja adequado à sua estratégia. Por outro lado, por exemplo, se as taxas de juros estão baixas esse título fica menos interessante, pois a expectativa pode ser tanto de manutenção da taxa de juros quanto pode também acontecer da elevação da taxa de juros, o que seria prejudicial em termos de melhor obtenção de resultados nesse tipo de investimento.

E os títulos com juros semestrais, onde entra nessa ideia de objetivos? Mais uma vez vai depender dos seus objetivos e da sua necessidade. Pensando em termos de independência financeira, para o investidor que está em processo de formação patrimonial, vale o reinvestimento. Porém, para o investidor que já chegou lá, que já está independente financeiramente, esses tipos de títulos (especialmente o Tesouro IPCA com Juros Semestrais) podem compor a parte dos recursos destinados à manutenção da vida do investidor, já que a cada seis meses o investidor tem acesso aos juros provenientes dessa aplicação, corrigidos pela inflação do período.

E você, investidor inteligente, conseguiu entender a ideia por trás da aplicação dos diferentes tipos de títulos do Tesouro disponíveis? Quais seriam os seus sonhos e objetivos e em qual tipo de aplicação eles se encaixariam? Vale lembrar que a aplicação dos seus recursos em qualquer título do Tesouro Direto tem incidência de imposto de renda sobre rendimentos com alíquota decrescente, chegando à alíquota mínima de 15% após 720 dias do momento da aplicação e, também, pode ser que existam outros produtos financeiros mais vantajosos que os títulos do Tesouro Direto; portanto, é necessário pesquisar, calcular e comparar se é interessante a aplicação em algum título do Tesouro ou se outro produto financeiro se mostra mais vantajoso, a partir do seu horizonte de tempo e seus objetivos.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

Os títulos do Tesouro são extremamente versáteis e costumam se adequar a diferentes objetivos: o que é muitíssimo interessante!

Pode ser que você tenha dúvidas: se tem algum ponto que gostaria que eu aprofundasse ou explicasse melhor e só me procurar lá no grupo do Investidor Inteligente no Facebook. Estarei à disposição para esclarecer todos seus questionamentos e produzir outros episódios, com novos temas, direcionados ao que você precisa e quer aprender mais: é sempre importante contar com sua participação para tratar dos assuntos que mais te interessam!

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Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!


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