Ouça agora este podcast! “028 Como investir no Tesouro Direto”

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site dicascurtas.com.br. Meu objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Semanalmente estarei aqui com vocês compartilhando dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos e à independência financeira. Para ter acesso à essas dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

No final de 2017 a caderneta de poupança, o investimento mais tradicional que o brasileiro realiza, chegou ao volume de captação líquida de 724,6 bilhões de reais. Isso demonstra que o brasileiro ainda tem que aprender a gerir melhor seus investimentos, pois pode estar preso ao ultraconservadorismo da metade da década de 1990. Hoje nós vamos conversar sobre o Tesouro Direto.

 

Uma das alternativas mais famosas e potencialmente mais rentáveis em relação à caderneta de poupança é o Tesouro Direto. Só que antes de nós conversarmos sobre Tesouro eu quero enfatizar duas coisas:

1)      Antes de realizar qualquer investimento é importante fazer o dever de casa: realizar seu controle financeiro, fazer um planejamento das suas finanças, e se tiver dívidas, eliminá-las. Dívida e investimento não combinam.

2)      É necessário definir um objetivo para seu investimento: pois ele é que vai nortear quais são os tipos de ativos escolher, quais prazos respeitar e qual tipo de risco se submeter, mesmo que você seja um investidor conservador.

Dito isso podemos continuar nossa conversa. Antes de mais nada, precisamos partir do básico. De cara já quero deixar um ponto bastante claro: O Tesouro Direto não é um ativo financeiro. O Tesouro Direto é uma plataforma de negociação, foi um programa criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (ex-BM&FBovespa) para negociação de títulos públicos do Governo Federal com as pessoas físicas. Foi criado em 2002 para facilitar o acesso aos títulos públicos para a população brasileira já que, antes disso, era realmente difícil de uma pessoa física investir em títulos públicos: ou a pessoa realizava um Investimento através de fundos de investimento, que é a forma indireta; ou através do mercado secundário, que necessitava de um grande volume financeiro para negociar esses ativos – ou seja, somente para investidores qualificados.

 

Por que investir no Tesouro Direto?

Primeiro Acessibilidade. Atualmente você consegue adquirir qualquer título disponível ao mínimo equivalente a 1% do preço total. Por exemplo: se a unidade de um título é R$ 3.000,00, você consegue adquirir a fração mínima por R$ 30,00. Vale a pena dar uma olhada no site do Tesouro Direto para conferir os tipos diferentes de títulos existentes. Nós vamos falar um pouco deles mais adiante.

Outro ponto é o Baixo Custo. Existe uma taxa de custódia cobrada pela B3 no montante de 0,3% ao ano (ela é provisionada no sistema e recolhida semestralmente); costuma ter a Taxa Operacional (de compra ou de venda) que é da corretora; e algumas corretoras cobram Taxa de Administração, mas hoje a maioria das corretoras tem taxa 0% (vale a pena também conferir a lista das corretoras no site do Tesouro Direto). Vale lembrar que qualquer título do Tesouro tem a incidência de Imposto de Renda que, no caso, a Caderneta de Poupança não tem IR. De forma simplificada, incide sobre os rendimentos a alíquota de 22,5% caso exista resgate em até 180 dias; 20% de IR em resgates efetuados de 181 dias a 360 dias (um ano); a alíquota de 17,5% de IR em resgates efetuados entre 361 e 720 dias; alcançando a alíquota mínima de 15% em resgates efetuados acima de 720 dias (praticamente 2 anos). Por isso que é fundamental ter um objetivo bem estabelecido antes de investir em Tesouro Direto.

Outro ponto é Diversificação. Dentro do programa do Tesouro Direto existem 3 tipos de títulos diferentes para investimento: Tesouro Selic, Tesouro Pré e Tesouro IPCA – falaremos sobre eles daqui a pouco.

Risco. Basicamente são 3 tipos de risco principais que temos que observar em qualquer investimento: Risco de Mercado, Risco de Liquidez e Risco de Crédito. O Risco de Mercado está relacionado à possibilidade de perda no investimento devido à volatilidade, a oscilação do preço do ativo. Com exceção do Tesouro Selic, o Tesouro Pré e o Tesouro IPCA podem provocar prejuízo, mesmo que pouquinho. Se houver necessidade de resgate antecipado em um momento inadequado o preço no momento da venda pode ser menor que o preço que você adquiriu. É raro, mas pode acontecer. Significa que são títulos ruins? Não. Significa que você deve saber quais são seus objetivos para poder investir ou não neles – ou seja: realizar o investimento adequado. O Risco de Liquidez não existe, pois você consegue resgatar, vender seus títulos públicos em qualquer dia da semana, em qualquer momento (inclusive de forma antecipada) já que a garantia de liquidez é dada pelo Governo Federal – você pode realizar vendas em qualquer montante e a compras ficam limitadas ao montante de R$ 1 milhão por CPF por mês; o Risco de Crédito está relacionado ao risco do país: já que os títulos públicos são títulos soberanos e considerados os títulos de menor risco em uma economia, a possibilidade de ter um imenso risco de mercado é se o Brasil estiver com sua economia extremamente desestabilizada a ponto de chegar ao que quase aconteceu com os EUA na crise de 2008. Hoje esse cenário é praticamente descartado.

 

Você já fez seu planejamento, sabe quanto pode investir, sabe qual é seu objetivo. Agora é a hora de escolher o título. Como disse, existem 3 tipos de títulos. Alguns deles podem ter pagamento de juros semestrais (ou seja, a cada 6 meses cai um dinheirinho na conta da corretora; inclusive você pode já deixar programado para reaplicação automática desse recurso) e tem outros que o pagamento é realizado apenas no vencimento, quando o título deixa de existir e o Tesouro realiza a venda compulsória dos títulos, depositando os recursos corrigidos pelas taxas acordadas em sua conta na corretora. Os títulos são:

  • Tesouro Selic, que é o título que acompanha a variação da taxa Selic, ou seja: se a taxa Selic subir você é melhor remunerado, se ela diminuir, você também é remunerado, mas com menor intensidade – esse tipo de título é ideal para a formação da reserva de emergência ou para objetivos de mais curto prazo, como uma viagem ou casamento, por exemplo;
  • Tesouro Pré-fixado, em que você adquire o título com uma taxa definida e, se levar o investimento até o final, você ganha aquela remuneração pré-acordada; poucas pessoas recomendam a aplicação dos recursos nesse título, visto que ele não tem proteção inflacionária e pode perder poder de compra caso ocorra uma oscilação prejudicial às aplicações pré-fixadas – uma das ideias para a aplicação em Tesouro Pré é se você tem uma dívida futura a ser paga com data definida e com valor definido, por exemplo.
  • e Tesouro IPCA, que é um título misto: tem a parte pré-fixada e a parte pós-fixada, definida pela inflação: esse tipo de título tem o que chamamos de proteção inflacionária, visto que durante o investimento, a aplicação também é remunerada pela inflação além da taxa pré-fixada; esse é o tipo de título preferido entre os investidores do Tesouro Direto. Objetivos de médio e longo prazo podem se alinhar muito bem à proposta desse título, como reserva para faculdade dos filhos ou mesmo aposentadoria.

Você definiu qual tipo de título e o vencimento de acordo com seu objetivo. E agora?

É realizar a parte operacional:

1)      Abrir conta em uma corretora de sua preferência: basta ter CPF, identidade e comprovante de endereço em mãos e, na maioria das corretoras, realizar um cadastro online gratuito (em média 48h para criação e liberação da sua conta);

2)      Transferir os recursos da sua conta bancária para a conta na corretora: uma dica valiosa é você ter uma conta digital que não tenha custos para transferências entre bancos. Por que isso é importante? Digamos que você é um investidor pequeno e pode investir R$ 100,00 por mês em Tesouro Direto. Se uma transferência tem o valor de R$ 9,00 você já perdeu 9% da sua aplicação. Contas digitais, apesar de terem limites no volume de transação, geralmente te permitem não ter esse tipo de custo que pode ser significativo;

3)      Realizar a compra. Já realizou alguma compra online alguma vez? Muito provavelmente sim. É basicamente a mesma coisa. Você entra pelo site do Tesouro Direto, escolhe o título que quer investir e escolhe por qual corretora realizar a operação, se você tem cadastro em mais uma. É importante observar duas coisas: nos campos da plataforma do Tesouro Direto, você pode escolher pelo valor a ser investido (daí a plataforma calcula automaticamente a quantidade de títulos a serem comprados) ou pela quantidade de títulos a comprar (daí a plataforma calcula o valor). Fique atento para não ultrapassar o valor que você tem disponível na corretora, ok!? Feito isso é realizar a compra.

Pronto, você acabou de investir em um título público do Tesouro Direto.

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