Ouça agora este podcast!“074 Como investir sendo estagiário?”

Estagiário ganha pouco; poucos são aqueles que saem dessa realidade. Mas mesmo recebendo pouco, devemos, sim, pensar em investir, em acumular capital: quanto mais cedo melhor, pois a única moeda que é mais valiosa que qualquer coisa, inclusive dinheiro, é irrecuperável e misturada com juros compostos traz um grande poder de crescimento e acúmulo (não só financeiro) é o tempo.

Mas com renda pequena ou mesmo apertada: como investir sendo um estagiário?

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas, informações e orientações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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Então vamos ao que interessa.

 

Usando bem seu salário de estagiário

Dia de pagamento, o salário cai na conta e é o dia da alegria. Mas você é estagiário e, assim que vê o depósito da empresa, já vai logo tirando o sorrisão da cara.

Boa parte dos ingressantes no mercado de trabalho são estagiários. Não é segredo para ninguém que o salário de um estagiário, embora ajude muito o estudante com seus custos, não é lá grande coisa. A impressão que fica para esses jovens é que o mundo dos investimentos está muito distante de suas realidades: mas na verdade não é bem assim.

Mesmo com baixo valor a ser investido existem bons investimentos. É claro que o podcast de hoje não se limita apenas a quem é estagiário, mas também pode ajudar quem trabalha meio período ou apenas aos finais de semana e até mesmo o pequeno investidor.

Grana curta e as responsabilidades vão aumentando. Definitivamente, a vida de estagiário não é fácil! Falar em economizar grana, então, fica bem difícil, não é mesmo?

Apesar dos desafios é possível investir, mesmo com remuneração de estagiário. Mas antes de pensar em investir o foco deve ser em fazer o dinheiro render a partir do seu bom uso. E usar bem sua grana pode significar ajudar:

  • no pagamento da mensalidade da faculdade;
  • na matrícula em algum curso extracurricular;
  • na quitação de dívidas;
  • na poupança de dinheiro para o futuro.

 

Mas e aí, como que você como estagiário começa a pensar em investimento? Não existe fórmula secreta, fórmula mágica. Na verdade, o passo-a-passo é bem conhecido.

Primeiro passo: você tem que ter controle sobre suas contas. É claro que cada pessoa, cada vida tem suas características particulares. Tem estagiários que não tem despesa com praticamente nada, principalmente se viverem com os pais, que, geralmente, ainda bancam todas ou quase todas as despesas do seu filho estudante. Por outro lado, existem estagiários que têm que custear sua vida – e aí as margens para investir ficam mais limitadas. Cada caso é um caso e você tem que avaliar qual é o seu, da forma mais imparcial possível. O ponto é: sem controle das suas contas você não tem uma noção clara de quanto pode e se pode investir.

Além disso, principalmente com uma renda limitada é muito importante saber fazer boas escolhas. E escolher muitas vezes significa dizer ‘não’ ao consumismo e praticar o desapego. Fazendo o registro de suas contas, rastreando para onde seu dinheiro está indo, certamente você conseguirá identificar determinados padrões de consumo que, por mais prazerosos que sejam, estão consumindo o seu rico e suado dinheirinho – e te afastando de construir ou alcançar aquilo que você diz tanto querer como objetivo em sua vida.

Nesse momento, a tecnologia pode ser uma grande aliada no registro das informações. Existem diversos aplicativos que podem facilitar a tarefa de ter que registrar tudo. Alguns deles até fazem análise automática a partir da conexão com seu Internet Banking: particularmente eu não gosto muito disso, pois te deixa em uma posição passiva de registro e análise; quando você mesmo faz o controle de tudo o que entra e tudo o que sai e porquê, o seu nível de conscientização em relação ao uso do seu dinheiro é maior. Fazendo isso, você consegue ter uma noção bem próxima daquilo que você pode fazer em relação à sua capacidade de poupança. Sabendo para onde a grana vai, vamos para o próximo passo.

Sabemos que o salário de um estagiário é modesto. O segundo passo que costuma andar junto com o primeiro, tem a ver com as dívidas. Uma das coisas que você deve dar prioridade é se livrar das dívidas, caso você as tenha. Dívida definitivamente não combina com investimento. Uma maneira de evitar contrai-las ou mesmo acumulá-las é deixar de comprar de forma parcelada, é evitar a tão famigerada prestação. Fuja de financiamentos, de preferência. Tente se conter, se contentar com o que tem e economizar para comprar tudo à vista.

O terceiro passo nessa jornada é definir planos para chegar aonde você quer chegar. Lá no episódio 21 eu tratei disso, sobre definir seus objetivos antes de decidir por qual tipo de investimento que é melhor para você. Confere lá seja para escutar ou recordar.

Por que isso é importante? Imagine você saindo para uma viagem sem saber em qual lugar quer chegar. Você pode chegar até a cidade vizinha ou até a Austrália! Por isso, traçar objetivos é tão importante. Independentemente de quais sejam seus sonhos, eles vão precisar de dinheiro para sair do imaginário. O podcast 67 pode te ajudar a construir metas bem consistentes e inteligente, qualquer que seja a área, inclusive na área financeira.

Uma coisa muito importante e que muitas pessoas tendem ao exagero (seja da “vida loka” de gastar tudo ou da vida de privações, investindo tudo o que pode) é destinar parte da sua remuneração para algo que você goste e que queira gastar. A vida financeira não se trata só pensar no futuro: trata-se mais de uma relação de equilíbrio entre presente e futuro, de modo que você possa aproveitar o hoje sem se descuidar do possível amanhã. Uma orientação é reservar cerca de 10% daquilo que você recebe para gastar com o que quiser. Não resistiu ao ver o sapato da vitrine ou os óculos da moda? Então, pegue deste montante. Só evite a tentação de gastar além desse valor para não extrapolar as despesas e se embolar financeiramente. E, por favor, de preferência não use cartão de crédito: ele aumenta o seu poder de compra, mas não aumenta o seu poder de pagamento – e com uma renda limitada isso pode te complicar bastante se você perder o controle.

E o quarto passo? Se você conseguiu avaliar sua vida financeira e tem capacidade de poupança, o quarto passo é investir.

Quando pensamos em investimentos, temos que avaliar o seu perfil como investidor. Em um perfil de investimento são avaliados, principalmente, três pontos: sua tolerância, sua capacidade e sua necessidade de correr riscos. Essas respostas, aliado aos seus objetivos em relação ao valor poupado (curto, médio ou longo prazo), vão determinar o seu perfil atual como investidor.

A tolerância de correr riscos é uma avaliação pessoal que vai dizer o quanto você fica confortável ao ver seu investimento oscilar em busca de melhor rentabilidade ao longo do tempo. Ver o preço variar bruscamente para cima é muito bom e todo mundo gosta, mas você deve pensar como se sentiria com a volatilidade negativa dos preços, para entender se você prefere correr mais riscos para obter mais retorno ou se prefere ser mais conservador, mesmo se for para obter retornos menores. A capacidade de correr riscos está ligada ao seu momento de vida, se tem compromissos de curto prazo ou não, entre outros aspectos. Vamos considerar que um jovem de 22 anos, que é universitário e faz estágio, que mora os seus pais e tenha poucas despesas e obrigações. A princípio, a capacidade de um perfil como esse é de poder correr mais riscos.

A necessidade de correr riscos tem a ver com o quanto você precisa buscar de retorno no seu investimento para conquistar seus objetivos (lembrando que o retorno está sempre ligado ao risco). Começando a poupar cedo é fácil presumir que você não tem necessidade de assumir riscos, porque você tem o tempo como seu aliado. Além disso, será fácil tornar isso um hábito e você já estará no caminho de acumular um bom patrimônio ao longo de sua vida!

Na prática, quais investimentos você como estagiário ou jovem profissional deve pensar: a prioridade é a formação da reserva de emergência. Na verdade, essa deveria ser a prioridade de investimento de qualquer pessoa que não tenha uma reserva para imprevistos. E porquê deve ser prioridade? A reserva de emergência te traz segurança financeira, conforto e tranquilidade emocional, especialmente em momentos em que surgem necessidades inesperadas que dependam de dinheiro: desemprego, compra de remédios por problema de saúde inesperado, consulta médica, perda ou roubo de celular e computadores. São basicamente qualquer gasto emergencial ou inesperado que possa comprometer seu orçamento mensal.

Gosto sempre de frisar que a reserva de emergência não é para ser usada em lazer ou compras por impulso, pois foge totalmente do seu propósito, do seu objetivo final, que é dar uma segurança financeira em meio a imprevisibilidade do nosso cotidiano. Portanto, uma boa reserva de emergência deve possuir liquidez diária: você pode colocar seu recurso poupado em Tesouro Selic e em um bom CDB de liquidez diária. Esses tipos de produtos de investimento têm como principais características: liquidez diária, segurança e taxa pós-fixada – tudo o que uma boa reserva de emergência precisa.

Depois de construída sua reserva, aí sim você deve investir com base em seus objetivos.

Se seus objetivos forem de curto prazo, você deve buscar investimentos pouco voláteis, que oscilem pouco e que estarão disponíveis na hora em que você precisar. Neste caso, você pode aplicar nos mesmos produtos da sua reserva para emergências.

Contudo, se os objetivos para o valor poupado forem de longo prazo, você pode começar investindo em títulos públicos como o Tesouro IPCA. Mas bastante atenção: escolha uma data de vencimento (ou seja, que o título vai deixar de existir e você vai receber tudo corrigido pelas taxas e ajustes monetários) que se encaixe em seus objetivos, para não correr o risco de ter que vende-los antes do vencimento e amargar algum eventual prejuízo. Alinhe o horizonte de maturação do investimento com o seu horizonte, de investidor.

Enquanto você continua estudando e se aprofundando, entendendo melhor como funciona o mundo dos investimentos, você também pode pensar em ser mais ousado e ir para a renda variável, de acordo com sua tolerância à volatilidade. Boas opções são os fundos multimercados ou os fundos de ações ativos (em que o gestor escolhe aonde vai investir) ou os fundos de índice (os chamados ETFs: que são cotas de fundos que representam algum índice negociado em bolsa, como se fossem ações. Vale a pena frisar que, independe de qual modalidade de fundo você escolher, é fundamental ter muito cuidado com os custos envolvidos, tais como taxas de administração, taxa de carregamento, transferência ou custódia, corretagem, dentre outros, que podem comprometer sua rentabilidade.

Eu sei que diante de tantos estímulos, diante de tantas ofertas de consumo, nem sempre é fácil seguir os planos à risca. Mas a chance de você chegar ao final da faculdade com um bom montante é bem grande e, com esse recurso, você pode abrir um negócio, viajar, pagar outro curso ou mesmo dar continuidade aos estudos em uma especialização ou pós-graduação, entre outros planos. Lembre-se: a moeda mais valiosa que você tem é o tempo –use-o bem e trate-o como seu aliado. Então não deixe para começar depois: organize-se, avalie, planeje-se e comece agora!

Esse podcast termina por aqui.

 

Espero que essas ideias, essas informações, possam dar um norte especialmente a quem é estagiário. Se você não é estagiário, mas conhece alguém que seja, indica esse podcast para ele, pois pode fazer muita diferença na vida financeira dessa pessoa.

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Agradeço a oportunidade em contribuir para sua vida e aguardo sua participação!

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

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