Nos últimos podcasts, tratamos de duas categorias de distúrbios financeiros que moldam fortemente a maneira como lidamos com o dinheiro durante nossa vida adulta. Como se tratam de preceitos, ou melhor, por serem crenças, caso elas não sejam revistas e reescritas elas tendem a se perpetuar como se fosse um eco no nosso universo interior.

Isso é muito sutil e extremamente poderoso, pois podemos estar sendo conduzidos para lugares, situações e relacionamentos com pessoas dos quais não necessariamente queiramos: mas o inconsciente reproduz e nos leva para onde a voz que ecoa está mandando.

Os distúrbios relacionados à rejeição do dinheiro basicamente trazem a ideia de fuga ou repulsa ao dinheiro de maneiras diferentes; os distúrbios relacionados à adoração ao dinheiro colocam essa ferramenta com muito peso, muito destaque, muita importância em nossas vidas: e se manifesta de maneiras que muita gente nem imagina! Já os distúrbios financeiros relacionais, que vamos tratar mais especificamente nesse episódio, tem a característica especial de se misturar nos relacionamentos com os outros. Vamos entender melhor como isso funciona e quais são os distúrbios financeiros relacionais mais recorrentes.

Esse é o podcast do Investidor Inteligente que todas as semanas traz para você informações valiosas sobre sua vida financeira, respostas sobre como usar melhor o seu dinheiro de maneira mais harmônica, procurando te ajudar na importante tarefa de se tornar mais sensível à sua vida financeira para cuidar bem do seu dinheiro.

Eu sou Phillip Souza, terapeuta financeiro especialista em inteligência financeira, treinador e palestrante, consultor e educador financeiro, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr.

Tenho o nobre e ousado objetivo de te ajudar a destravar a sua mentalidade e entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! E, dessa forma, poderá se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Sendo assim, vamos abordar os seguintes pontos:

  • Infidelidade financeira
  • Incesto financeiro
  • Facilitação financeira
  • Dependência financeira

Ouça agora este podcast!

Ouça “178 Distúrbios Financeiros Relacionais” no Spreaker.

Os distúrbios financeiros relacionais estão muito atrelados aos relacionamentos com os outros e às emoções conectadas a esses relacionamentos. Isso faz com que eles sejam muito sutis e muito profundos, pois assim como a água é absorvida na terra seca, os preceitos relacionados a esse distúrbio são absorvidos pelo nosso inconsciente. Por ter essa característica especial nos relacionamentos com os outros e as emoções desses relacionamentos, esse tipo de distúrbio tem o enorme poder de fazer vítimas.

Trazendo para a nossa analogia de contos, esse é o tipo de distúrbio que é comparado à “sala secreta”: ninguém pode saber o que tem naquele lugar obscuro, pois é perigoso (ou pelo menos nos convenceram que é perigoso). Todas as pessoas têm seus segredos perigosos ou vergonhosos, coisas que é melhor que as outras pessoas à nossa volta não saibam: portanto, é melhor que essas coisas fiquem bem guardadas e escondidas.

Os dois últimos distúrbios que vamos tratar incorporam o elemento do príncipe encantado, pois as pessoas atribuem ao dinheiro o poder transformador de controle ou resgate de si mesmo ou dos outros. A ideia geral dos distúrbios relacionais está de um lado relacionada a segredo e vergonha (afinal, ninguém precisa saber dos podres que acontecem ou aconteceram) e relacionada a controle dos outros (o que facilmente faz com que o dinheiro se transforme em instrumento de abuso das pessoas).

E quais são os preceitos financeiros comuns, ou seja, as crenças mais comuns em casos de distúrbio financeiro relacional?

Escute com atenção:

  • Cuide de seus filhos agora e eles cuidarão de você mais tarde;
  • Você pode saber quando uma pessoa o ama quando ela gasta com você;
  • Se você considera uma pessoa financeiramente responsável, ela o rejeitará;
  • Gastar com os outros dá sentido à minha vida;
  • Uma das maneiras de ter amigos e familiares por perto é lhes dar presentes e emprestar dinheiro a eles;
  • Sempre haverá a quem procurar se precisar de dinheiro;
  • Não sou bom o suficiente competente para cuidar de mim mesmo financeiramente;
  • Não preciso aprender a lidar com o dinheiro;
  • É meu dever cuidar dos membros da família que são menos afortunados.

Esses são os preceitos mais comuns, mas já dá para ter uma direção sobre o que pensar. Inclusive recomendo você ler esses preceitos na transcrição no blog do Dicas Curtas (para refletir melhor sobre eles) ou reescutar esse trechinho mais vezes.

E quais são os distúrbios financeiros relacionais mais comuns? Infidelidade financeira (você já deve ter escutado sobre esse conceito algumas vezes), incesto financeiro (esse eu duvido que tenha escutado e é pesado…), facilitação financeira e dependência financeira.

Infidelidade financeira

Quando o sigilo ou a desonestidade a respeito do dinheiro persistem em um relacionamento, eles podem se transformar nesse distúrbio tão doloroso que é a infidelidade financeira: manter segredos de seu cônjuge a respeito dos gastos ou das finanças de forma intencional e dissimulada.

Isso transmite a ideia de traição. A traição machuca. Pense em uma situação que você ou alguém próximo tenha sido traído por alguém em algum momento na vida. Descobrir que seu parceiro ou sua parceira é infiel é um dos momentos mais difíceis da vida. As emoções que surgem após a descoberta da infidelidade podem causar estragos no emocional de quem foi traído e de quem traiu também!

É mais ou menos por aí que acontece no caso de infidelidade financeira: quando ela é descoberta, ela abala as bases do relacionamento, minando quaisquer resquícios de confiança. Aquela liberdade ou aquela vontade de tratar das coisas de peito aberto fica reprimida. O traído se sente como se tivesse sido apunhalado pelas costas por aquele que deveria defender a retaguarda.

E acredite: essa situação de infidelidade financeira é assustadoramente comum. Eu já tive casos em que a mulher comprava sapatos novos e, logo após adquiri-los, arranhava as solas para que, caso o marido perguntasse, ela tivesse o argumento de dizer que eram sapatos que já tinha e que ele é que não reparava nela; outro caso em que um homem mentiu para sua noiva sobre a sua situação financeira desastrosa até que estivessem casados; e também já tive casos em que o marido disfarçava determinadas despesas porque ele literalmente pulava a cerca com outra (pra mim ele teve que revelar, pois o volume não era pequeno e não passou despercebido aos meus olhos).

Esse distúrbio tem raízes lá atrás, na infância, geralmente com problemas relacionados à confiança. Já tive clientes que tinham contas secretas, que o companheiro nem sonhava que existia porque, quando criança, a mãe era extremamente sigilosa e pouco confiável e como resultado o cliente tinha profunda dificuldade de confiar nas pessoas próximas a ele. Em uma outra situação o comportamento de infidelidade foi resultado da falta de habilidade de comunicação, uma história de traição na vida adulta ou o desejo de evitar conflito. Quase metade das pessoas que admitem ser desonestas sobre gastos afirmam que fazem isso para evitar conflitos, a desaprovação ou o sermão do parceiro.

Muitas vezes os traidores financeiros sentem essa necessidade de mentir ou esconder despesas porque são casados com intimidadores financeiros – alguém que usa o dinheiro para controlar e intimidar seu parceiro ou sua parceira. Por um lado, o traidor deve assumir a sua falta de integridade, mas por outro lado o intimidador deve assumir a responsabilidade no sentido de ajudar a criar um ambiente que estimule isso. Existe co-responsabilidade nesses casos.

E o que fazer, já que esse é um distúrbio tão delicado?

  • Primeiro, falem a sua verdade. O primeiro passo para garantir a segurança financeira no relacionamento é sentar-se com o parceiro e conversar abertamente sobre dinheiro. Não é fácil principalmente se vocês não têm esse hábito e ainda não se deram abertura para fazer isso: mas é totalmente necessário. Falar sobre experiências anteriores com o dinheiro, sua maneira preferida de gastar e economizar, seus alvos financeiros. Abrir o jogo. Se é parceria é um para ajudar o outro.
  • Segundo, aceitem o plano. Muitos casos de infidelidade acontecem porque não existe uma estratégia e alvos previamente definidos. Um orçamento, um plano de despesas definido antes do transcorrer do dia-a-dia faz com que haja clareza do que foi definido pelos dois. É importante ter transparência e é benéfico que haja concordância na quantia em que cada um pode gastar em uma única compra ou uma compra repetitiva (como supermercado) sem precisar consultar ao outro. Agora, quando o valor da compra potencial for além daquilo que foi estabelecido, é importante um conversar com o outro e avaliar se aquela é a melhor decisão. Mais uma vez: é parceria – não se trata de “mim”, se trata de “nós”.
  • Terceiro, sigam o acordo. É meio óbvio, mas essa costuma ser a etapa mais difícil, porque geralmente quem não está acostumado a ser transparente com dinheiro tem que ser e tem que seguir um novo modelo para o casal. Afinal, o acordo só é válido se ambos tiverem realmente o compromisso de honrá-lo. É interessante o casal definir um momento de revisão do acordo e, nesse caso, falar abertamente sobre o que está dando certo e sobre o que não está dando certo e pensarem juntos sobre como podem aperfeiçoar o plano. Depois de ajustar, voltar a seguir o plano aperfeiçoado e também definir nova data de revisão. Isso é saudável demais, porque gera o compromisso de fazer um plano que funcione para os dois e melhorar até que funcione e flua bem.
  • Quarto, estabeleçam um plano de emergência. Se o casal percebe que não consegue lidar com dinheiro sem brigar, sem acusar um ao outro dos erros e deslizes, se não consegue chegar a um acordo ou manter o acordo que estabeleceu em conjunto, as dificuldades podem estar além da dificuldade financeira. Esse plano deve determinar com antecedência o que o casal fará se ambos chegarem a um impasse ou não chegarem a um plano ou não conseguirem segui-lo. Isso pode significar pedir ajuda: para um psicólogo, um conselheiro, um terapeuta.

São passos simples para aumentar a confiança, a transparência, a compreensão, ajudar o outro com seus desafios e multiplicar forças com a união de suas qualidades. Mas se houver muito empecilho nesse processo, é importante pedir ajuda: e saiba que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de muita, mas muita força!

Incesto financeiro

É, o termo é pesado. E é para ser. Para quem não sabe, incesto é a atividade sexual entre membros de uma família ou entre parentes que possuem uma relação de consanguinidade (relações de sangue).

No nosso contexto, contudo, o incesto financeiro é fazer uso do dinheiro para controlar ou manipular uma criança para satisfazer alguma necessidade de um adulto. Embora esse distúrbio não seja sexual nem físico, ele é psicologicamente abusivo e pode ser extremamente prejudicial e pode deixar marcas bem profundas em uma criança.

Tive um cliente que em sua infância ele queria muito um videogame. O pai trabalhava muito, chegava tarde em casa e via mais seu filho aos finais de semana, quando podia. Ele já havia pedido ao pai o presente, mas o pai sempre negou, pois achava que aquilo era uma bobagem, uma perda de tempo e de dinheiro – ainda mais na época que estavam. Era preferível investir na educação do que comprar jogos e mais jogos. Mas a mãe, secretamente, deu o presente para a criança e o fez jurar que esconderia o videogame do seu pai e que não contaria para ele que foi ela quem havia dado.

Ele raramente jantava à mesa com seus pais, principalmente porque o pai mal o via durante a semana. Mas certa vez o pai teve folga e eles estavam tendo a oportunidade de jantar juntos. Quando ele terminou de jantar perguntou à mãe se podia jogar um pouco de videogame. Ele esqueceu que não era para falar do jogo; isso gerou a maior confusão, o pai se exaltou, a mãe se exaltou e ainda meu cliente lembra de receber olhares furiosos e de profunda desaprovação principalmente da mãe, que o fez jurar que seu pai jamais deveria descobrir sobre o videogame.

Esse foi um dos exemplos que são os mais clássicos em relação a incesto financeiro: a mãe de meu cliente o envolveu em uma conspiração para comprar algo que ele queria a troco de que ele não falasse nada para o pai (é claro, eventualmente isso viria à tona, mas o que foi construído foi bem mais do que uma omissão). De maneira muito inapropriada a mãe do meu cliente o envolveu em uma situação financeira e emocional que deveria ser discutida entre dois adultos.

Quer ver outras formas de incesto financeiro mais sutis? Quando os pais usam os filhos como escudo humano quando cobradores ligam ou batem à porta, seja pedindo para eles atenderem ao telefone ou atenderem à porta com mentiras sobre onde eles estão. Quem nunca ouviu “fala que eu não estou, eu saí; pede pra ligar outra hora!”. Ou quando os pais usam as crianças como mensageiras para negociar situações financeiras. Uma cliente, na sua infância queria fazer aulas de balé. Seus pais eram separados e ela morava com a mãe. Porém quando ela pedia à mãe, a mãe dizia “peça ao seu pai; a pensão que ele paga não é suficiente para que você tenha esse tipo de atividade extra”. Ela pedia para o pai e ele dizia: “diga à sua mãe que ela teria dinheiro para pagar pelas suas aulas de balé se não gastasse com roupas novas para ela mesma”.

O incesto financeiro é desencadeado quando um adulto tem seus assuntos mal resolvidos principalmente quando não foram estabelecidos limites claros no relacionamento entre pais e filhos durante sua infância. Esse distúrbio também pode se manifestar quando um dos pais não sente uma conexão adulta satisfatória com seu parceiro e faz com que seu filho ou filha seja confidente, meio que forçando a criança a assumir o papel de um adulto.

Isso tudo traz consequências graves e dolorosas, sendo que as principais são o profundo sentimento de inadequação, a sensação de nunca ser capaz de fazer o suficiente o que significa que você nunca será suficiente.

Se você já cometeu o incesto financeiro, e eu prefiro acreditar que foi sem querer, é muito provável que você tenha questões mal resolvidas que precisam ser dissolvidas antes que você despeje em seus filhos. Leve suas preocupações, ansiedades, frustrações e estresse financeiro para um terapeuta financeiro, um psicólogo que saiba lidar com questões financeiras ou um conselheiro e evite envolver as crianças em assuntos que você mesmo não tenha resolvido. Se seus filhos já têm idade, a melhor coisa que você pode fazer é dizer a eles algo como: “eu te envolvi em meu assunto financeiro de uma maneira que não está certa e me desculpe por isso. Se você perceber que estou fazendo isso novamente, por favor, me diga”.

A melhor coisa que você pode fazer pelos seus filhos e para os outros é se ajudar e se cuidar primeiro. Isso te liberta de problemas e te liberta de transferir problemas a quem não tem nada a ver com suas questões.

Facilitação financeira

A facilitação financeira envolve uma necessidade irracional de dar dinheiro aos outros, quer você tenha condições de fazê-lo ou não; envolve também ter dificuldades em dizer ‘não’ a solicitações de dinheiro podendo até vir a sacrificar seu próprio bem-estar financeiro pelo bem dos outros.

Esse é um dos distúrbios que constroem preceitos que igualam dinheiro ao amor. E aqui acontece muita, mas muita confusão de ordem financeira e, claro, de ordem emocional. Os facilitadores financeiros usam o dinheiro para amenizar a culpa dos seus erros e deslizes com o propósito de se sentirem mais próximos às pessoas, de se sentirem mais importantes e úteis a elas. Pode usar o dinheiro para manter as pessoas queridas próximas para, muitas vezes, mantê-las em dívida para que eles mesmos continuem no controle.

Sua mente já deve estar fervilhando de pessoas que podem estar praticando facilitação financeira e nem sabem que isso é um distúrbio – e se você pensou em algumas pessoas, envie esse podcast para elas: você pode estar ajudando a se libertarem de problemas que nem sabiam que existem. Talvez até você mesmo faça isso achando que é normal. O ponto é que um facilitador financeiro nunca dança sozinho: o seu par é o dependente financeiro, que vamos tratar daqui a pouco.

Quando crianças nós tendemos a ser protegidos por nossos pais, inclusive financeiramente. Então sim, eles são nossos facilitadores e nós dependentes financeiros. Até aqui é normal. Porém, quando essa dinâmica persiste na fase adulta, ou seja, quando um adulto é sustentado financeiramente por seus pais, mais difícil é para ele desenvolver sua própria estratégia de enfrentamento, podendo continuar infantil tanto financeira quanto emocionalmente.

Muitos facilitadores financeiros cresceram na pobreza e prometeram a si mesmos que seus filhos jamais passariam por aquilo que eles passaram. Outros facilitadores financeiros foram filhos mimados: aprenderam com os pais que dinheiro é igual a amor e não sabem expressar amor aos próprios filhos se não for os comprando. Provavelmente seus pais os protegeram tanto de problemas financeiros que construíram uma percepção de que sempre teriam alguém que os protegeria ou cuidaria deles.

Tive um cliente que foi muito mimado em sua infância. Ele me contou que seus pais bancavam tudo o que ele queria, raramente recebia um ‘não’ (por mais que fosse para seu próprio bem) e seu estilo de vida até a fase adulta era bancado por seus pais. O que ele aprendeu, ele estava repetindo: quando ele e sua esposa se aposentaram, eles tinham um rendimento fixo e, em várias situações, intervinham na vida dos filhos. Pagaram boa parte de dois financiamentos imobiliários dos filhos; pagavam as escolas particulares dos 3 netos; ajudavam até com as despesas de casa, como gastos com supermercado.

Além disso, muitas vezes pagavam outras contas porque os filhos regularmente se encontravam desempregados, pois não encontravam um emprego que “servissem para eles”. O orçamento dele e da esposa não era só dele e da esposa: muitas vezes eram dezenas de milhares de reais porque incluía o orçamento dos filhos – isso quando um e outro não admitiam dar dinheiro aos filhos às escondidas.

O que isso geralmente ensina? Que em momentos de crise podemos contar com o Banco Pai S/A e o Banco Mãe S/A para resolver nossos desafios e problemas financeiros, recebendo empréstimos sem juros ou sem precisar de pagar o que foi tomado emprestado.

Isso costuma trazer resultados desastrosos porque papai e mamãe não são eternos. Além disso, os pais que fazem isso com os filhos costumam carregar culpa e vergonha por não serem pais melhores. O negócio é tão sério que até para se desculpar os facilitadores financeiros usam de dinheiro para “comprar perdão” com o intuito de reparar os erros cometidos.

Assim como pode acontecer com qualquer outro distúrbio financeiro que se associa a outro, a facilitação financeira comumente vem associada à infidelidade financeira, pois geralmente um dos parceiros mente ou engana o companheiro sobre a quantia que secretamente dão aos seus amigos ou filhos adultos.

É complicado dizer “não” para quem gostamos. Você já me ouviu falando disso em alguns episódios, principalmente dizer não para as crianças como forma de estabelecer limites. E é mais complicado ainda quando se tratam de adultos, pois damos continuidade à um ciclo delicado de facilitação/dependência que se perpetua, fazendo com que os adultos se mantenham infantilizados financeira e emocionalmente.

Isso significa que você vai deixar de pedir ajuda ou de ajudar a quem precisa? Não. Mas tem que estar claro a não existência de uma dinâmica de facilitação/dependência financeira, pois é um processo condicionante e vicioso. Tende a se repetir uma e outra vez.

Se você percebe que é um facilitador financeiro tem que entender que esse comportamento está te fazendo mais mal do que bem: se seus presentes em dinheiro fossem suficientes para estimular alguém ao crescimento, à inspiração e à independência, talvez isso já tivesse acontecido há tempos. Não é fácil dizer não para alguém querido, mas se ele for dito de forma gentil, você estará quebrando um ciclo vicioso e extremamente danoso de facilitação e dependência financeira.

Dependência financeira

Eu disse que facilitação financeira e dependência financeira são um par em uma dança. E o dependente financeiro fica esperando que o príncipe encantado apareça para resolver todos os seus problemas e leva-lo ao castelo para poderem dançar lindamente como se nenhum problema existisse mais em sua vida.

O príncipe encantado aqui podem ser os pais, pode ser o governo, pode ser o cônjuge, a loteria – qualquer coisa ou situação que sugira que será a salvação ou o salvador de todos os seus problemas financeiros. Afinal, o dependente financeiro acha que pode deixar seu destino financeiro nas mãos de outras pessoas, ou entidade ou nas mãos do destino – só que essa atitude costuma ser altamente desastrosa. As pessoas escolhem permanecer financeiramente dependentes de outras porque preferem impedir a si mesmas de assumir a própria educação, preparo e planejamento financeiro. É mais fácil deixar a sua vida ser resolvida pelo outro.

Esse distúrbio está associado a um maior conflito entre pais e filhos, pois ele exaure o sentimento de ambição, de crescimento, o senso de autonomia das pessoas e pode fazer com que se sintam sem esperança e perdidos no mundo.

Teve um caso de uma cliente muito delicado que pude acompanhar em que ela viveu em uma dinâmica de facilitação/dependência financeira de forma bem intensa. Em sua adolescência, nas férias, boa parte de seus amigos de escola conseguiram alguns trabalhos para fazerem algum dinheiro para eles mesmos. Ela achava isso tudo muito legal, muito divertido. Seu pai disse para ela que nenhuma mulher em sua casa deveria trabalhar em troca de pagamento, mas não se opunha que ela fizesse trabalho voluntário. Ela conseguiu um trabalho voluntário na época e o pai fez daquilo “o” evento: em uma época que fotos eram reveladas, o pai tirou foto dela com as crianças que ela cuidava e fez questão de dar a cada criança uma foto revelada.

Alguns anos mais tarde ela se encontrava muito frustrada porque na faculdade ela não conseguia fechar as contas, fazer seu balanço financeiro. Era uma experiência nova para ela. Pediu ajuda ao pai e depois de algumas tentativas ele disse algo como: “você tem dinheiro suficiente na conta?”. Ela disse que sim e daí ele respondeu: “então não tem com o que se preocupar”. Ela nunca mais se esforçou ou tentou fazer um planejamento financeiro de sua própria vida.

Durante sua infância e adolescência ela aprendeu que as mulheres deveriam ser respeitadas e parte do significado disso é que deveriam ser cuidadas pelos homens. A gente nem imagina o que certos preceitos podem fazer até que nós os revisemos ou aconteça alguma coisa que mude as circunstâncias. Esse conceito aparentemente não traria problemas se seu pai fosse eterno: mas ele morreu aos 45 anos de um infarto fulminante, sem seguro e sem um planejamento para o futuro. Nessa época ela já era casada e impôs ao marido um padrão que sugeria que seu amor era medido por quanto ele podia prover para ela financeiramente. O ponto é que ele nunca conseguiu ganhar o suficiente para que ela se sentisse amada e brigavam o tempo todo a respeito de dinheiro.

Isso é um negócio tão sério porque, se pararmos para pensar, estatisticamente as mulheres têm mais tempo de vida que os homens: geralmente em casais que tenham a mesma idade, a esposa vive de 8 a 9 anos a mais que o marido. Ambos devem aprender a lidar com dinheiro, com investimentos, resolver suas questões emocionais, seus nós inconscientes que foram formados e que hoje atrapalham a vida emocional, familiar e financeira; mas ainda é muito comum que o assunto finanças esteja predominantemente com os homens e se as mulheres não souberem lidar com o dinheiro podem passar por situações delicadas em uma idade avançada e acabar sendo alvo de pessoas ruins ou mesmo fazendo más escolhas com o dinheiro que podem ter que administrar. Isso vem mudando, é verdade. Mas fica um alerta para se ter um olhar mais atento no desenvolvimento da área financeira que é tão crucial em nossas vidas.

A crença de que os outros cuidarão financeiramente de você tem um preço muito alto e, em geral, ela caminha de mãos dadas com um senso de total incapacidade de cuidar de si mesmo. E esse preceito é altamente desestimulante porque faz com que não nos arrisquemos a dar passos mais elaborados que podem nos proporcionar oportunidades maiores de aprendizado e de um verdadeiro desabrochar nas finanças e na vida.

Lembre-se: o príncipe encantado não está a caminho. Nunca esteve e nem vai estar. Você pode precisar de ajuda ao longo do caminho: pode precisar de orientação financeira, pode precisar que alguém te ensine e te aponte onde e como aprender sobre finanças e investimentos; pode precisar que alguém te ajude a passar no meio das suas confusões emocionais, que te ajude a colocar luz sobre aquilo que você acredita que são suas verdades fundamentais e que podem estar te atrapalhando; você pode precisar de ajuda para rever e reescrever isso tudo. Mas ainda assim, um conselheiro, um terapeuta financeiro, um psicólogo, ou um educador financeiro ou planejador financeiro não é seu bote salva-vidas. Desde que seja bem escolhido, desde que você sinta confiança, um profissional desse tipo (ou um que combine isso tudo) pode ser um mentor que te ajuda a dar com mais firmeza o seu próximo passo.

Eu não sei se você sabe, mas o podcast dO Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu! Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage dO Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

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Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Aproveite para escutar ou reescutar outros episódios que sejam importantes para você nesse momento. É muita informação e uma acaba se conectando a outras, fazendo uma mistura ainda melhor!

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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