No podcast anterior começamos a estruturar algumas ideias, principalmente sobre o porquê de não termos uma vida financeira saudável.

Fomos entendendo que muitas das disfunções que observamos na vida financeira tem origem no cérebro: dependendo da maneira que o seu cérebro está programado para se reequilibrar, ele pode escolher comportamentos que podem trazer consequências ruins para sua vida financeira. E o principal sinalizador de que alguma coisa vai acontecer de forma impulsiva é através do estresse (raiva, tristeza, apatia, angústia, vergonha, medo, ansiedade e outras emoções e sentimentos mais sutis).

Mas quais tipos de problemas ou distúrbios o estresse pode desencadear?

O podcast do Investidor Inteligente é apresentado todas as semanas com o propósito de ajudar em seu desenvolvimento financeiro trazendo informações claras e relevantes, orientações e estratégias valiosas para solucionar seus desafios financeiros, te ajudando a ampliar sua visão sobre dinheiro e refinar seu ponto de vista de modo que você possa realizar seus sonhos e construir com bases bem firmes seus resultados.

Eu sou Phillip Souza, terapeuta financeiro especialista em inteligência financeira, treinador e palestrante, consultor e educador financeiro, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr.

Tenho propósito ousado de te ajudar a destravar a sua mentalidade e entender que a prosperidade também é para sua vida, provocando desconstrução, reconstrução e transformação da sua mentalidade para que você possa aprender a evoluir e se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

Esse e os outros podcasts do Dicas Curtas são gratuitos. Portanto, você pode acompanhar e assinar agora o Investidor Inteligente nas diferentes plataformas de podcast seja através do seu dispositivo Apple ou Android, sendo que você também pode encontrar o Investidor Inteligente pelos apps Spotify ou Deezer. Siga agora para não perder nenhuma dica, ficar por dentro com todas as informações e acompanhar todas as semanas os novos episódios para poder aproveitar bem o seu presente e sempre cuidar do seu futuro!

Sendo assim, vamos abordar os seguintes pontos:

  • Distúrbios de rejeição ao dinheiro
    • Negação financeira
    • Rejeição financeira
    • Contenção excessiva de gastos
    • Aversão excessiva ao risco

Ouça agora este podcast!

Ouça “176 Distúrbios de rejeição ao dinheiro” no Spreaker.

Você é uma pessoa que cresceu, passou por diversos desafios durante sua infância e adolescência (que talvez hoje você os encare de uma forma mais fácil, pois, apesar de terem sido difíceis na situação específica, se acontecessem hoje você lidaria de forma mais sofisticada do que naquela época) e se tornou um adulto maduro que amadurece mais e mais. Porém, a sua vida financeira não flui; não desencanta; não desabrocha.

Muitos dos nossos aprendizados, principalmente na primeira infância (até uns 7, 8 anos) são marcantes e não necessariamente são traumas. Para muita gente pode ser trauma e para outros não: tiveram uma infância/adolescência tranquila, mas ainda assim a vida financeira é uma trava.

Contudo, nessa fase tão jovem tendemos a absorver ensinamentos ditos e não-ditos de forma muito profunda, que se tornam para nós as nossas verdades – e o que é mais potente: as nossas verdades inconscientes. Essas verdades são crenças profundas ou preceitos que permeiam toda nossa vida: a maneira como você encara e usa o seu tempo, como você cuida ou deixa de cuidar da sua saúde, a maneira que você encara os estudos, sua profissão, o dinheiro, riquezas e investimentos, seus relacionamentos familiares, sociais e amorosos, a maneira como você reage à sua cosmovisão – tudo isso foi, em grande parte, aprendido lá, nos seus primeiros anos nessa vida.

É muita coisa para rever, são muitas áreas, muitos detalhes, muitas experiências – muitas delas nem lembramos ou até reprimimos – mas estão lá, reverberando em nossa mente inconsciente e reproduzindo nossas reações diante de tudo o que fazemos e deixamos de fazer nessa vida.

Tratando-se especificamente de finanças, que é nosso foco aqui, existem distúrbios, ou seja, coisas que fazemos com nossa vida financeira e que são prejudiciais, que foram erigidos nessa época e firmados, sedimentados nos anos seguintes, pouco a pouco, até se tornarem nossas verdades não tão boas de se reagir.

Isso porque esses preceitos distorcidos podem estar nos atrapalhando hoje, mas como não sabemos ou não temos noção do que pode estar acontecendo, simplesmente reagimos e achamos que é isso mesmo e que o mundo se adapte a quem eu sou – pois se eu sou assim eu não vou mudar. Bom, se essa já é sua mentalidade você vai ter dificuldades, pois todos podemos mudar, desde que nós nos permitamos a mexer em feridas possivelmente abertas ou mal resolvidas no passado.

Para fins didáticos, vamos dividir esse assunto sobre distúrbios financeiros, em três partes: distúrbios relacionados à rejeição ao dinheiro, distúrbios relacionados à adoração ao dinheiro e distúrbios financeiros relacionais.

Se você quiser se aprofundar em alguns episódios que vão tratar de forma mais detalhada sobre a estrutura das crenças e até sobre como enfraquece-las ou fortalece-las, recomendo escutar com bastante atenção os episódios 129 (falei de crenças financeiras especificamente), e 170 e 171 (falei sobre os níveis neurológicos da mudança, do aprendizado e da liderança, que também trata de crenças).

Distúrbios de rejeição ao dinheiro

Quando estamos tratando dos distúrbios de rejeição ao dinheiro, temos que manter em mente que eles envolvem uma sistemática de fuga ou rejeição ao dinheiro. Essas atitudes nascem de uma ideia, de alguns preceitos, que equiparam o dinheiro a emoções negativas ou acontecimentos dolorosos e, claro, diante disso, à crença de dinheiro é algo ruim. Se alguma coisa ruim, naturalmente eu não quero que isso fique próximo de mim, concorda?

Quando o dinheiro se torna fonte de dor ou de ansiedade ele se torna o vilão da nossa criança interior. Fazendo uma analogia com os contos de fadas, o dinheiro se torna a bruxa que quer oferecer a maçã envenenada, a rainha sinistra e maldosa que quer matar sua rival, o lobo mau que quer comer a heroína no jantar… ele se torna uma representação de algo maléfico, ruim, desprezível… e se nós fossemos um personagens dos contos de fadas, o que faríamos? Nós fugiríamos. E é por aí que nossa mente inconsciente, que é como se fosse uma criança de 7 anos, reage sob estresse.

E quais são os preceitos financeiros comuns, ou seja, as crenças mais comuns em casos de rejeição ao dinheiro?

Escute com atenção:

  • Se eu estiver no lugar certo, fazendo o que é certo, pelas razões certas, então o assunto dinheiro vai tomar conta de si mesmo;
  • É errado ter mais dinheiro do que outras pessoas da família;
  • O dinheiro que não ganhei não é realmente meu;
  • Deus cuida dos pardais: se eles não precisam se preocupar, por que eu deveria?
  • Há virtude em viver com menos dinheiro;
  • A maioria dos ricos não merece o dinheiro que tem;
  • Ter dinheiro te separa das pessoas que estima;
  • Eu não mereço ter dinheiro;
  • Desfrutar de uma herança ou seguro é o mesmo que dizer que estou feliz pela morte de alguém;
  • O dinheiro corrompe as pessoas;
  • O dinheiro vai me transformar e me tornar o tipo de pessoa que desprezo;
  • Pessoas não deveriam se importar com o dinheiro;
  • Não é bom ter mais do que você precisa;
  • Ter dinheiro ou se esforçar conscientemente para tê-lo “contamina” o trabalho de uma pessoa;
  • As pessoas ficam ricas tirando proveito de outras;
  • O dinheiro é a raiz de todos os males;
  • Você pode ter amor ou dinheiro, mas não pode ter os dois;
  • É extravagância gastar consigo mesmo;
  • Você nunca deveria confiar seu dinheiro a alguém.

Esses são os preceitos mais comuns, mas já dá para ter uma direção sobre o que pensar. Inclusive recomendo você leia esses preceitos na transcrição no blog do Dicas Curtas (para refletir melhor sobre eles) ou reescutar esse trechinho mais vezes.

O mais interessante é que as pessoas que sofrem de distúrbios de rejeição ao dinheiro estão confusas dentro de si: não é incomum encontrar pessoas que indicam evitar o acúmulo de fortuna, que são pagos menos do que merecem e se sentem culpados por serem pagos pelo trabalho que fazem, geralmente trazendo dentro de si preceitos financeiros contraditórios, tais como: “meu valor como pessoa é igual ao meu valor financeiro” ou “as coisas seriam melhores se eu tivesse mais dinheiro”.

Para ser bem sincero eu tinha algumas dessas ideias em minha mente e no meu coração. Tenho muita coisa que precisa revisar em mim mesmo, como todos nós temos, mas essa do “meu valor como pessoa é igual ao meu valor financeiro” reverberava dentro de mim – não na minha cabeça, mas no meu coração. Por mais que eu soubesse conscientemente que não era assim, eu sentia (ou seja, emocionalmente) que aquilo que eu recebia era minha medida de valor como pessoa. Isso é muito sério, porque, se por algum motivo você não consegue produzir mais dinheiro ou não consegue acumular mais fortuna, você se sente menor e desprezível; provoca angústia, ansiedade, tristeza: o dinheiro vira fonte de estresse e, de alguma forma, pode gerar distúrbios.

Inclusive, antes de explorarmos um pouco dos distúrbios de rejeição ao dinheiro, eu queria te dar uma dica valiosa, principalmente para aqueles que se dizem extremamente racionais (que na verdade usam de processos racionais, mas essa é outra conversa): não despreze o que você sente. O seu cérebro é o órgão que tem a maior quantidade de neurônios concentrados, mas existem neurônios espalhados por todo seu corpo. Na verdade, cada órgão é como se fosse um cérebro semi-independente: não pensa e não estrutura pensamentos dos quais você possa entender com linguagem, por exemplo, mas tem uma comunicação específica, neuronal.

Por que digo isso? O seu coração é como se fosse o seu cérebro emocional: quando você sente uma felicidade real ou uma angústia avassaladora algo acontece no meio do peito (ou você nunca sentiu aquele aperto no coração?). Acontece uma sensação ou um conjunto de sensações específicas pelo corpo, mas percebemos melhor no coração: e isso é uma das formas que o seu corpo, através do coração, por exemplo, está comunicando uma emoção e isso pode ser importante no processo de autoidentificação de distúrbios financeiros.

E quais são os distúrbios de rejeição ao dinheiro mais comuns? Negação financeira, rejeição financeira, contenção excessiva de gastos e aversão excessiva ao risco.

Vale atentar que todo distúrbio é uma manifestação a partir da compreensão distorcida ou limitada do que foi o dinheiro em algum ponto de sua vida; sim, principalmente na sua primeira infância. Isso não significa que nós não continuemos moldando nossa mente, nossas crenças e comportamentos quando ficamos mais velhos. Mas os preceitos, as crenças mais antigas tendem a moldar as nossas reações, caso não tomemos consciência deles (ou seja, identifiquemos sua origem) e não façamos um esforço consciente para reforjar as antigas ideias que hoje podem estar atrapalhando.

Negação financeira

A negação financeira é uma das formas de defesa psicológica mais clássica, projetada para reduzir a ansiedade e a vergonha em relação aos nossos problemas. A negação financeira, que é uma das manifestações dos distúrbios relacionados à rejeição ao dinheiro, leva as pessoas a racionalizarem o comportamento de rejeição ao dinheiro, fazendo com que a pessoa continue a evitar ou a negar os sintomas em vez de tentar curá-los.

Quais sintomas? Podem ser vários e bem variados, mas quem vive a angústia da negação financeira geralmente não examina os extratos bancários ou as faturas do cartão de crédito; não negociam aumento de salário; não conversam com seus parceiros sobre dinheiro (tanto nos momentos em que estão com dinheiro sobrando ou em momentos de dificuldade); evitam acumular fortuna; procuram não pensar em dinheiro de maneira alguma. Lembre-se: fuga ou rejeição são os comportamentos-base nesse tipo de distúrbio.

O problema é que esses comportamentos tendem a se agravar com o tempo e a gerar um problema significativamente maior do que simplesmente não querer contato com dinheiro. Ao se agravarem, a pessoa é obrigada a ter que lidar com essas questões, pois o problema pode vir a crescer a tal ponto de não poder mais ser ignorado.

Muitas vezes a negação financeira está enraizada na confusão ou na falta de compreensão em relação ao dinheiro, resultado de qualquer experiência no passado ao receber mensagens confusas sobre dinheiro, ou ouvir que assuntos financeiros não são da nossa conta, ou ter vergonha quando fazemos algo que envolva finanças.

Não é incomum me deparar com casos de clientes em que os pais, na infância, enviavam mensagens ambíguas em relação ao dinheiro: em um momento estavam com muito medo, ansiosos e estressados por sua situação financeira e em seguida estavam bem relaxados e despreocupados com o dinheiro. Ora gastavam muito e até esbanjavam, mas por não cuidarem bem das finanças no momento seguinte passavam apertos severos porque ficam sem dinheiro e isso gerava um certo pânico ou aflição. E isso sempre se repetindo, todos os meses. É difícil para uma criança entender qual o padrão que ela deve espelhar: e essa confusão, essa falta de compreensão, tende a levar a pessoa a negar os assuntos financeiros, pois na dúvida “fique parado, evite e não faça nada senão estraga” (isso diria seu cérebro emocional, inconsciente, reagindo à confusão).

Nesse contexto todo, também lembro de um cliente que estava em negação financeira, que ele recebia mensagens confusas: uma hora seus pais diziam “você precisa ter exatamente o que deseja”; e em outro momento seus pais também diziam “você não pode ter tudo o que deseja” – e nenhuma dessas afirmações condizia com o que se experimentava de realidade financeira. Esse vai e vem emocional e linguístico leva muitas pessoas a se anestesiarem financeiramente evitando todo e qualquer tipo de assunto relacionado a finanças, sendo difícil de definir um orçamento ou de traçar planos. Quer congelar a mente? Basta perguntar ou tentar definir qual é o plano, qual é o orçamento, qual é a estratégia.

É uma sensação boa não ter que se preocupar com dinheiro, ficar desligado do que pode ou não pode fazer, do que dá ou não dá para fazer. Mas como adultos, todas as ações que fazemos ou deixamos de fazer geram como frutos consequências: não adianta ficar apontando um culpado, porque não tem utilidade nenhuma – apenas colheremos consequências, e ponto!

A negação produz um alívio imediato, mas gera consequências severas no médio-longo prazo. Outra forma de manifestação desse distúrbio financeiro é quando um parceiro presta pouca ou nenhuma atenção às finanças da família enquanto o outro cuida de tudo relacionado a dinheiro. Qual o problema em uma situação dessas? Caso o parceiro que não se envolve com as finanças fica só (seja por separação, divórcio ou morte) a ignorância financeira tende a ser desastrosa, pois, infelizmente, existe muita gente que é manipuladora ou que é ludibriada em processos desse tipo.

Portanto, estar presente é fundamental para tomar decisões financeiras saudáveis e para a boa saúde mental.

Rejeição financeira

Embora nós queiramos dinheiro para fazer as coisas que precisamos ou desejamos, muitos de nós parecemos estar programados a nos sentir culpados por ter dinheiro; geralmente pessoas cuja autoestima foi afetada estão mais inclinadas a manifestação desse tipo de distúrbio: elas se sentem indignas e não merecedoras de possuir qualquer coisa boa na vida, inclusive dinheiro. O dinheiro tende a ser associado com assuntos emocionais dolorosos ou não resolvidos: geralmente assuntos que têm a ver os pais e que houve uma associação negativa com o dinheiro.

Esses assuntos não resolvidos tendem a se manifestar como gastos exagerados de uma quantia que se recebeu repentinamente (uma herança, um seguro, um prêmio de loteria); ou relaciona-se a fazer um voto de pobreza inconsciente e evitar a aquisição ou manutenção de riqueza; ou evitar buscar e até mesmo recusar novas oportunidades para promoção e crescimento financeiro (fazendo com que a pessoa fique em empregos mal remunerados) ou se acontece de ter um progresso nesse sentido, se autossabotarem e perderem a oportunidade; ou escolher não usar seus talentos ao máximo porque sentem medo do sucesso e dos ganhos monetários que podem acompanha-lo. Esse preceito está enraizado na ideia de que “dinheiro é ruim”.

Certa vez um cliente estava em situação bastante delicada e estava com dívidas. A princípio tivemos que fazer vários ajustes e alinhar sua vida financeira à condição que ele possuía para começar a colocar as coisas nos trilhos. Mas aquela situação tinha sido provocada por algo bem profundo: ele tinha se endividado porque tinha gastado mais dinheiro do que podia – ele tinha torrado quase meio milhão de reais há dez anos durante 5 anos: ou seja, nos primeiros 5 anos torrou 500 mil reais e nos últimos 5 anos estava se endividando. Investigando um pouco mais, fomos na origem: seus pais sempre brigavam sobre dinheiro e isso foi provocando nele a sensação de que ele não queria aquilo para a vida dele: não queria ter desavenças, ainda mais aquelas que envolviam dinheiro.

Alguns anos mais tarde seus pais morreram de forma trágica em um acidente e eles haviam feito um seguro, que resultava em R$500 mil para cada filho. De repente o cliente e o irmão tinham muito dinheiro disponível. O cliente sabia que dinheiro podia destruir relacionamentos e amizades, poderia brigar com alguém por conta de dinheiro e ele temia a possibilidade de se tornar aquelas pessoas ricas e malvadas. Inconscientemente, ao longo dos 5 anos seguintes, foi se desfazendo de R$500 mil. Ele me contou que o irmão guardou e investiu o dinheiro; e eles não se falavam desde a morte dos pais. Apesar de ser estudado (tinha doutorado), até aquele momento não possuía nada; além disso, trabalhava em um emprego que recebia menos do que aquilo que acreditava que merecia e sentia-se culpado por lucrar com a morte trágica dos pais. O sentimento de culpa (não resolvido ou ressignificado) levou o cliente a rejeitar o dinheiro que havia recebido.

Contenção excessiva de gastos

Outro distúrbio relacionado à rejeição ao dinheiro se dá quando as pessoas se contêm, ou seja, preferem não gastar o dinheiro. Sim, é importante gastar menos do que aquilo que se recebe e investir bem a diferença de acordo com nossos objetivos, mas a contenção excessiva dos gastos é tão prejudicial quanto o gasto descontrolado.

A economia excessiva é prejudicial porque ela é baseada em sentimentos subconscientes irracionais de medo ou ansiedade de um senso de culpa ou de não merecimento da boa sorte ou uma necessidade compulsiva de auto sacrifício.

Um cliente apresentou uma situação bem singular: ele cresceu em uma cidade pequena e sua família tinha uma empresa que era próspera; as pessoas da cidade sabiam que ele era filho do “Fulano de Tal da Firma Tal”. Muitas pessoas faziam comentários sobre o dinheiro que sua família possuía e, em essência, a mensagem era “você tem dinheiro; sua vida deve ser fácil”. Na perspectiva do meu cliente não era bem assim que ele se sentia.

Com o tempo ele entendeu que o dinheiro expõe as pessoas e que é necessário mantê-lo escondido. Nisso resultou vários comportamentos no sentido de evitar comprar objetos chamativos, ou comprar carros luxuosos, ou fazer viagens que podiam ostentar ou chamar atenção, construindo o sentimento dominante que ele se torna vulnerável e alvo de críticas ou de que o dinheiro será tomado dele – e que caso isso acontecesse ele não poderia culpar ninguém a não ser ele mesmo.

Os que gastam de menos são incapazes de usar os recursos para melhorarem suas próprias vidas ou a vida de outros. Não é incomum ouvir histórias de pessoas que vivem como miseráveis, mas que, na prática, são detentoras de um grande patrimônio financeiro e econômico – somente com o intuito de deixar bens no valor de milhões. Essas são as pessoas que gastam de menos.

Aversão excessiva ao risco

O distúrbio da aversão excessiva ao risco trata-se de uma relutância em assumir qualquer tipo de risco com o dinheiro. Uma pessoa que vive em negação financeira fica extremamente ansiosa quando vai abrir uma fatura de cartão de crédito; uma pessoa com aversão excessiva ao risco reage a qualquer risco com enorme ansiedade. Mesmo algo simples, como investir no Tesouro Direto, pode provocar uma enxurrada emocional que pode fazer a pessoa congelar. Nessa situação, as pessoas tendem a perder oportunidades porque temem perder o dinheiro que podem ter conquistado.

Aquele mesmo cliente que descrevi, que cresceu em uma cidade pequena e sua família tinha uma empresa próspera, relatou que seus pais conversavam sobre finanças e negócios na mesa de jantar. Falavam sobre aspectos legais, sobre as dificuldades da empresa e tudo que girava em torno do negócio. Era algo que o incomodava, mas como era pequeno e era impedido de interromper a conversa dos adultos, ele só escutava. Hoje, depois de ter assumido a direção da empresa familiar, ele tem a tendência a ser conservador, a evitar situações que possam apresentar riscos, evita cobrar um valor maior em seus negócios, pois se ele não cobrar muito as pessoas tendem a não esperar muito pelos seus serviços e diante disso não se expõe a um risco alto de ser processado.

Eu sei que você deve estar pensando que esses exemplos são extremos, mas acredite: são muito mais comuns do que imaginamos. E geralmente esses distúrbios tendem a estar associados com outros. É possível que você já tenha resolvido e superado muitas questões na sua vida, inclusive muitas daquelas que envolvem dinheiro. Mas se você percebeu algum padrão desses, pode ser que existam questões não resolvidas em seu inconsciente e que precisam ser resolvidas, caso queira progredir com mais qualidade em sua vida financeira. Contudo, eu disse que didaticamente dividiríamos os distúrbios financeiros em 3 partes: no podcast atual, tratamos dos distúrbios de rejeição ao dinheiro. No próximo podcast daremos continuidade falando dos distúrbios da adoração ao dinheiro; e no seguinte dos distúrbios financeiros relacionais.

O podcast do Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu! Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage do Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

E você pode entrar em contato direto comigo através do meu perfil do Instagram: você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr. Ou eu pessoalmente ou alguém da minha equipe vai atender sua demanda, ok?!

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Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Cuide bem da sua saúde, da sua família, de seus relacionamentos e de suas finanças!

Que Deus possa te abençoar imensamente! Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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