Ouça agora este podcast “029 Entendendo de inflação”

Muita gente fala sobre inflação, mas muitas vezes não tem uma noção correta ou clara sobre o conceito e muito menos sobre o assunto. Vamos partir pelo básico: a definição clássica de inflação é “o aumento contínuo e generalizado dos preços da economia”.

O que é inflação e como isso afeta minha vida?

Como disse, a definição clássica de inflação é “o aumento contínuo e generalizado dos preços da economia”. Traduzindo: imagina que há 5 anos você foi à praia e o oceano chegava a uma determinada marca; recentemente, você voltou à essa mesma praia e percebe que o oceano avançou cobrindo uma parte da praia: parece que tem mais água. Esse efeito é provocado pelo aquecimento global e consequente elevação dos níveis dos oceanos. Essa mesma ideia se aplica ao conceito de inflação: ano após ano, na maioria das economias globais, acontece uma elevação generalizada dos preços, às vezes com maior intensidade, às vezes menor intensidade, dependendo do que acontecer dentro e fora da economia daquele país – ou seja: os preços (no caso, a água do mar) vão subir.

Todas as pessoas vão sentir o efeito inflacionário no longo prazo.

Os R$ 100 que compram alguma coisa hoje não serão suficientes para comprar essa mesma coisa daqui 1 ano, por exemplo. Isso vai afetar todo mundo. Se a inflação está controlada, baixa, o efeito da perda do poder de compra será menor. O problema é quando a inflação está alta: geralmente as pessoas que recebem salário (especialmente aquelas que têm uma remuneração menor) tendem a sentir mais fortemente o efeito inflacionário, visto que o aumento dos preços afeta diretamente o custo de sobrevivência dessas pessoas (especialmente transporte, alimentação e moradia).

E aqui podemos citar dois tipos de inflação: a inflação de custos e a inflação de demanda. A inflação de custos é quando custos básicos aumentam e isso é repassado, pelo menos em parte, para o consumidor final. Uma boa imagem para entendermos o conceito de inflação de custos é em relação à energia elétrica e combustível. Esse tipo de inflação pode ser diminuído com o aumento do desenvolvimento tecnológico e consequente diminuição dos custos de produção. Por outro lado, temos a inflação de demanda que tem origem no consumo e no investimento das empresas. A capacidade produtiva é definida pelo estoque de máquinas, fábricas, infraestrutura, força de trabalho, e isso é muito difícil de mudar no curto prazo, de uma hora para a outra. Quando a demanda por produtos e serviços cresce muito rápido e o crescimento da produção não acompanha gera-se a inflação de demanda. E como podemos imaginar: aumento dos preços.

Como que é calculada a inflação?

A inflação oficial do Brasil é calculada mensalmente pelo IBGE através de um índice chamado IPCA – Índice de Preço ao Consumidor Amplo – com o objetivo de informar a variação dos preços no comércio para o público final. São coletados 465 preços diferentes em várias categorias de produtos: alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário. A partir da coleta e do cálculo de todas essas variáveis encontra-se um índice. “Mas a cebola subiu 15% em um mês, como isso não apareceu no IPCA?”. Calma. Cada um desses itens tem uma variação de preços de um mês para o outro: podem ficar mais caros ou mais baratos. Além disso, cada item tem um peso devido à sua importância na vida das pessoas: bens que visam atender às necessidades mais básicas (como alimentação e bebidas) têm um peso maior do que itens que são considerados supérfluos (vestuário, por exemplo). Vou construir uma situação para essa ideia ficar mais clara:

São quatro tipos de feijão que entram no cálculo do IPCA. São eles: mulatinho, preto, fradinho e carioca. Em todos os casos, houve queda significativa dos preços em 2017: -44,6%, -36,1%, -32,4% e -46,1%, respectivamente. O brasileiro gasta cerca de 0,2% da renda com feijão; considerando a soma dos pesos médios, a influência sobre o IPCA dessa mercadoria foi de -0,21 pontos percentuais. No caso do botijão de gás, a alta foi de 16%, enquanto que o peso no índice foi, em média, de 1,2% em 2017. A influência, portanto, foi de 0,18 pontos percentuais. Logo, a queda do preço do feijão (-0,21) mais do que compensou a alta do botijão de gás (0,18). E isso é feito com todos os 465 itens, com seus respectivos pesos e variações. O cálculo é simples, mas é bem extenso.

 

Por que a inflação sentida pela população diverge dos índices oficiais?

Como as preferências são distintas, cada um dos 208 milhões de habitantes do Brasil percebe a inflação à sua maneira. Além da diferença relativa ao tipo de bem/serviço escolhido, a parcela da renda dedicada aos mesmos produtos ou serviços também costuma ser diferente. Só haveria igualdade entre os valores em um caso muito específico: se duas ou mais pessoas consumissem exatamente os mesmos bens, destinando proporcionalmente as mesmas frações de suas rendas. Isso é praticamente impossível.

No nosso exemplo, muitas pessoas não consomem feijão. Por isso, perceberam uma alta mais forte dos preços em comparação com o índice oficial. Já no caso da gasolina, aqueles que dependem dos veículos para se deslocar certamente sentiram mais o aumento de preços em comparação com os que usam bicicleta ou se deslocam a pé até seu trabalho. Da mesma forma, as indústrias mais intensivas no uso de energia elétrica, como as que necessitam manter os alimentos refrigerados, também sofreram com custos superiores em relação às empresas que não fazem tanto uso desse recurso. Cada pessoa, família ou empresa tem as suas necessidades e usos específicos dos recursos, e, portanto, sentem, experimentam a inflação de forma diferente do índice oficial.

Para o dia-a-dia, independente de inflação, nós precisamos de recursos financeiros para comprar as coisas que temos necessidade. Contudo, com um bom planejamento financeiro, você pode se organizar para fazer investimentos e alocar parte desses recursos em ativos financeiros que estejam protegidos da inflação, de acordo com seus objetivos. O exemplo mais simples e acessível que deve ser usado após a definição clara de seus objetivos, é o Tesouro IPCA. Esse título público tem a característica de remunerar o investidor à uma taxa pré-definida no momento da compra mais a variação da inflação no período de investimento. Volto a insistir, correndo o risco de ser redundante, que é importantíssimo organizar as contas, poupar, definir seus objetivos de investimento e só depois escolher o produto financeiro que pode ser o Tesouro IPCA (especialmente para objetivos de médio e longo prazos).

 

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