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“115 ETF (Fundos de Índice) de Renda Fixa”

Os ETFs são exemplo de uma história de rápido sucesso internacional. Desde que o primeiro fundo autorizado surgiu no Canadá, em 1990, esse produto foi se desenvolvendo consideravelmente, em especial, nos Estados Unidos, onde o primeiro fundo foi autorizado a operar pela Security Exchange Comission (SEC), em 1993. Por volta do ano 2000, a ideia se internacionalizou definitivamente e surgiram ETFs em mercados asiáticos e europeus, como Hong Kong e na Alemanha.

Hoje, são uma realidade nas principais bolsas de todo mundo, como Japão, Espanha, Cingapura e mercados emergentes, como o México – e, claro, também no Brasil.

Se você quiser saber mais detalhes sobre os os ETFs de Renda Variável, consulte o episódio anterior, o episódio #114 em que falamos especificamente sobre esse tipo de ETF.

Nesse podcast vamos tratar de um tipo de ETF que ainda é novidade no Brasil: o ETF de Renda Fixa.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento o Investidor Inteligente, o podcast que te traz informações relevantes, orientações e estratégias valiosas que podem te ajudar a usar bem o seu dinheiro, seja para solucionar problemas financeiros ou potencializar sua vida financeira, de modo que você possa construir seus resultados com foco em qualidade de vida, aproveitando bem o presente e sempre cuidando do futuro, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Quem se interessa pelo mercado de ETFs ganhou recentemente uma nova alternativa: o ETF de renda fixa.

A sigla ETF vem do inglês e significa Exchange Traded Fund: fundo negociado em bolsa de valores. Conforme você deve saber, falamos no episódio anterior sobre os ETFs de renda variável; contudo, o grande diferencial de um ETF de renda fixa é que ele se trata de um investimento seguro, comprado e vendido por meio da bolsa de valores.

Esse é um ativo muito novo no mercado brasileiro, sendo que o primeiro fundo de índice de renda fixa estreou em setembro de 2018: a gestora coreana Mirae Asset, estruturou o ETF FIXA11, com taxa de administração de 0,30% ao ano. Pouco mais de 6 meses após a estreia do FIXA11, o ETF IMAB11 foi estruturado pela Itaú Asset Management em parceria com o Tesouro Direto, e começou a ser negociado em maio de 2019, sendo considerado o ETF oficial dos títulos públicos, com taxa de administração de 0,25% ao ano, igual à taxa de custódia cobrada anualmente pelo Tesouro Direto através da B3. Existem outros ETFs de renda fixa e você pode consulta-los no site da B3 ou através do link na transcrição desse episódio.

Esses ETFs de renda fixa prometem ser alternativas bastante atraentes para o pequeno investidor, pois eles são mais simples em comparação a fundos de investimento tradicionais e têm taxas mais baixas. Para termos uma noção, cerca de 65% do patrimônio da indústria de fundos brasileira está atrelada à renda fixa. Atualmente, um fundo de renda fixa de um grande banco cobra, em média, 1% ao ano de taxa de administração, o que já pode ser comprometedor se o fundo não tem ou não demonstrar um bom desempenho, diante do cenário de baixas taxas de juros.

Sabendo da existência desse tipo de fundo com menor custo que replica índices da renda fixa (que são referências para os fundos de renda fixa tradicionais), será que vale a pena investir em um ETF de renda fixa? É isso o que vamos saber a partir de agora!

O que é um ETF?

Como já foi dito, um ETF é um tipo de fundo de investimento. Só que, diferente dos fundos tradicionais, ele replica a composição de algum índice de mercado, daí o nome fundo de índice. Por exemplo, conforme vimos no podcast anterior, o BOVA11 é um ETF que tem como referência o Índice Bovespa; lembrando que existem vários outros ETFs de renda variável tanto de índices quanto de índices setoriais, como: BRAX11, SMAL11, IVVB11, PIBB11, DIVO11, ECOO11, GOVE11, ISUS11 e tantos outros.

Assim, um ETF é uma cesta de ativos. Em um só produto é oferecida uma diversificação dos investimentos, uma das ferramentas mais importantes para proteger o seu patrimônio e, ao mesmo, trazer mais consistência para a rentabilidade das suas aplicações financeiras.

Por exemplo, uma pessoa que adquire cotas do fundo BRAX11, terá como referência o IBrX-100, índice que replica o retorno de uma carteira teórica composta pelas 100 ações mais negociadas na bolsa de valores; diante disso o investidor tem seu recurso diversificado em 100 diferentes ações por um custo muito menor do que comprar cada ação de forma direta.

Por que investir em ETF?

A diversificação com baixo custo é a principal vantagem de investir em ETF. Afinal, basta uma aplicação para investir em diferentes ativos ao mesmo tempo. Além disso, o investimento mínimo exigido é menor: boa parte dos ETFs negociados na bolsa requer uma aplicação mínima próxima de R$100.

Outro grande diferencial dos ETFs é a ausência da figura de um gestor do fundo: como essas aplicações são montadas apenas para reproduzir o comportamento de um índice (não importa se ele subir ou cair), elas eliminam a necessidade de uma pessoa tomando decisões sobre onde investir – se trata da gestão passiva, que é uma forma de investir já consolidada no mercado de investimentos no exterior. Para se ter uma ideia, as empresas americanas BlackRock e Vanguard – as maiores gestoras de recursos do mundo – gerenciam nada menos do que US$11 trilhões por meio de seus ETFs.

Como funciona um ETF de renda fixa?

Os ETFs de renda fixa funcionam de forma similar aos ETFs de renda variável. Porém, em vez de ações, eles replicam índices de investimentos de renda fixa, como títulos públicos e privados pré-fixados ou atrelados a indicadores de inflação.

  • O FIXA11, o fundo de índice da Mirae Asset, é composto por ativos referenciados na curva de juros futuros (curva de DI).
  • O IMAB11, ETF de renda fixa gerido pelo Itaú em parceria com o Tesouro, tem como referência o IMA-B (Índice de Mercado Anbima). Esse índice replica o comportamento dos títulos do Tesouro IPCA+ (antigas NTNBs).
  • O IB5M11, ETF de renda fixa gerido pelo Itaú, tem como referência o índice IMA-B5+, que é uma segmentação do subíndice IMA-B que considera somente os títulos de Tesouro IPCA (antigas NTNBs) com vencimentos a partir de 5 anos.
  • O IRFM11, ETF de renda fixa também gerido pelo Itaú, tem como referência o IRFM P2 formado por uma carteira teórica composta por Tesouro Pré (antigas LTNs) e Tesouro Pré com Juros Semestrais (antigas NTNFs).

Com certeza vão surgir outros ETFs de renda fixa além desses; afinal, são ativos que conseguem capturar o comportamento de todos os títulos relacionados ao seu índice que estão sendo negociados no mercado.

A taxa de administração varia de 0,20% aa (IRFM11) passando por 0,25% aa (IMAB11 e IB5M11) até 0,30% aa (FIXA11): todos valores muito próximos ao valor cobrado de quem investe de forma direta nos títulos do Tesouro Direto.

ETF de renda fixa: quais as vantagens?

1 – Taxa de administração mais baixa

O ETF de renda fixa tem um custo baixo (as taxas de administração não ultrapassam 0,30% ao ano). Esse valor é bem menor que os fundos de renda fixa tradicionais do mercado. Os fundos DI dos grandes bancos, por exemplo, têm taxas de administração por volta de 1% ao ano (alguns menos, outros mais).

2 – Mais diversificação

O investidor terá acesso a uma carteira de diferentes títulos públicos ou privados, podendo negociá-los em uma única operação, sem de ter de comprar ou vender cada título separadamente.

3 – Investimento mais barato

A negociação de um ETF é um investimento que exige baixo valor inicial, o que garante acesso ao pequeno investidor.

4 – Mais flexibilidade na hora de comprar e vender

O investidor não ficará preso aos títulos adquiridos, podendo comercializá-los livremente no mercado, como se fossem ações. Além disso será possível acompanhar alterações da carteira teórica sem ter que comprar ou vender os títulos.

5 – Imposto menor

O produto é isento do come-cotas (recolhimento de imposto antecipado que incide semestralmente sobre os fundos de renda fixa e multimercados) e o ETF de renda fixa é tributado de acordo com o prazo médio dos títulos em carteira: uma vez que os produtos são compostos por títulos com prazo de vencimento mais longo, a alíquota de IR que incide sobre eles é a de 15% sobre o rendimento, independente do prazo da aplicação.

Os fundos e os títulos de renda fixa, por outro lado, são tributados pela tabela regressiva do IR – as alíquotas começam em 22,5% e diminuem conforme o tempo em que o dinheiro permanece investido, chegando ao mínimo de 15% após 24 meses, caso seja um fundo de longo prazo ou um título com vencimento maior ou igual a esse prazo.

Porém, por outro lado, nem tudo são flores. Os ETFs de renda fixa também apresentam desvantagens.

ETF de renda fixa: quais as desvantagens?

1 – Oscilação de preços mais aparente

Por mais que nós não acompanhemos tão de perto, os títulos públicos prefixados ou indexados à inflação mudam de preço todos os dias, mesmo aqueles negociados pela plataforma do Tesouro Direto. Quando você investe de forma direta nesses títulos, a única forma de garantir que você receberá a rentabilidade contratada é manter o investimento até o prazo de vencimento.

Só que, no caso de um ETF de renda fixa, não há como garantir essa rentabilidade que é pactuada entre o investidor e o Tesouro Direto, por exemplo. Contudo, Isso não quer dizer que o investidor vai perder dinheiro com esse investimento: significa apenas que é necessário prestar atenção na hora de resgatar o investimento para não vender por um preço menor do que o preço de compra.

2 – Não há garantia do FGC ou do Tesouro Nacional

Por não se tratarem de títulos registrados em nome de quem investe (afinal são cotas de um fundo), os ETFs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e nem com a garantira direta do Tesouro Nacional. No entanto, como se tratam de fundos que espelham uma carteira de investimentos seguros, o risco acaba sendo menor para quem investe.

3 – Imposto de Renda recolhido pela própria pessoa

Assim como acontece com qualquer outro ETF, o Imposto de Renda não é retido na fonte. Ou seja, o investidor é responsável pelo próprio recolhimento. Para ficar em dia com a Receita Federal, é necessário calcular o LUCRO obtido com a venda desses ETFs e pagar um DARF até o último dia útil do mês seguinte ao da operação e declarar no ano seguinte as movimentações. E lembre-se: caso tenha acontecido um PREJUÍZO tem que fazer no mínimo a declaração das movimentações, sendo que esse prejuízo pode ser compensado no futuro (eu dei o meu ‘tristemunho’ no podcast anterior sobre esse assunto).

Como investir em um ETF de renda fixa?

As operações de compra e venda de qualquer ETF são feitas no ambiente da bolsa de valores, a B3. Assim, é preciso abrir conta em uma corretora de valores, caso você ainda não tenha. Depois, basta escolher o ETF desejado pelo código e selecionar o valor que você deseja investir.

O lote mínimo e o lote padrão de cotas que podem ser negociadas estão disponíveis no regulamento de cada ETF. Ao adquirir cotas do ETF de renda fixa, você passa a deter todos os títulos de renda fixa da carteira do índice, sem a necessidade de comprá-los separadamente.

Vale a pena investir em ETF de renda fixa?

A espera pelo ETF de renda fixa começou em 2013, quando um memorando de entendimento foi assinado pelo governo brasileiro em parceria com o Banco Mundial. A iniciativa, chamada de ID ETF (Issue Driver ETF), tem o objetivo de ampliar a utilização desta aplicação a fim de desenvolver mercado de dívida em países emergentes. O Brasil faz parte do projeto inicial, que será seguido pelos demais países em desenvolvimento.

Grande parte dos ETFs brasileiros são de renda variável. Com patrimônio somado em mais de R$4 bilhões. Porém, com o lançamento dos ETFs de renda fixa, espera-se que esse mercado ganhe novos investidores, principalmente pessoa física, a partir de agora.

O ETF de renda fixa deve estimular o acesso de cada vez mais brasileiros ao mercado de fundos de índice; tem a promessa de ser atrativo para o pequeno investidor, principalmente do ponto de vista de diversificação, flexibilidade e custo, já que permite aplicação inicial mais baixa e menores taxas e impostos.

É um tipo de aplicação que deve tomar proporção ao longo dos próximos anos na medida em que as pessoas forem conhecendo e investindo, porém, atualmente, o maior desafio está na liquidez: ainda são poucos negócios (se compararmos aos ETFs de renda variável) o que faz com que na necessidade de um eventual resgate o investidor tenha dificuldade em converter seus ETFs de renda fixa em dinheiro por um valor que considere aceitável.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje! Em comparação com os ETFs de renda variável existe pouca coisa publicada sobre os ETFs de renda fixa. A dinâmica é parecida, a proposta é basicamente a mesma: menor custo, mais diversificação, menos volatilidade seguindo um índice de referência, porém, nesse caso, índices da renda fixa. Apesar disso, procure se inteirar mais para entender se eles fazem sentido para o seu perfil de investidor.

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira!

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

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