Ouça agora este podcast!

“114 ETF (Fundos de Índice) de Renda Variável

 

Diante de tantas mudanças no mercado financeiro esse ano, é justo que comecemos a falar sobre aplicações consideradas mais arrojadas. Nesse podcast vamos tratar dos fundos de investimento em índice com cotas negociadas em bolsa: os ETFs.

Desde o início dos anos 1990, o ETF ganhou espaço no mercado, com grande impulso dos Estados Unidos, primeiramente, e depois em potências asiáticas e europeias, como Japão, Hong Kong, Alemanha, Reino Unido e Espanha.

Nos Estados Unidos, existem mais de 1.400 opções de ETFs, com uma movimentação financeira em torno de US$2 trilhões. Em todo o mundo, a estimativa é de pelo menos 4 mil ETFs diferentes espalhados por cerca de 50 países, movimentando uma soma global na casa dos US$3 trilhões.

No Brasil, o cenário ainda é modesto. O ETF aqui foi lançado em 2004. Na ocasião, um ETF gerido pelo banco Itaú foi objeto de uma oferta pública e, desde então, a modalidade tem crescido no país.

Vamos adiante para descobrir mais detalhes sobre esse tipo de investimento.

 

Esse é o podcast do Investidor Inteligente. Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento esse podcast procurando te oferecer gratuitamente informações relevantes, orientações e estratégias valiosas que podem te auxiliar na importante tarefa de usar bem o seu dinheiro, de modo que você possa usá-lo bem no presente e investir pensando no futuro, transformando-se cada vez mais em um investidor ainda mais inteligente.

Fique por dentro com todas as informações e não perca nenhuma dica: basta assinar agora gratuitamente esse podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente do Dicas Curtas.

 

Certamente você já deve ter tido a experiência de querer investir no Ibovespa. No jornal da noite o apresentador falava que o Índice da Bolsa de São Paulo subiu ou caiu tantos por cento passando a impressão que era possível comprar o Ibovespa. Eu mesmo, quando não entendia nada de mercado financeiro, achava que poderia comprar o índice do jeito que era negociado em filmes que mostrava a bolsa de valores.

No mercado brasileiro, antes de 2004, isso realmente não era possível, até que surgiram em cena os ETFs.

 

O que é ETF?

Exchange Traded Fund (ETF) é um fundo de investimento em índice, com cotas negociáveis em bolsa. O ETF busca obter desempenho semelhante ao desempenho de um determinado índice de mercado e, para tanto, sua carteira replica a composição desse índice. Ou seja: através da bolsa de valores, você compra uma cota que representa uma cópia quase perfeita do índice que você está comprando; por exemplo: hoje você pode comprar “cotas do Ibovespa”.

Até há pouco tempo, existiam apenas ETFs de renda variável. Porém, a partir de 2018 começaram a ser constituídos os ETFs de renda fixa. Para não misturarmos os conceitos vamos tratar primeiro dos ETFs de renda variável (que são os mais conhecidos e que existem há mais tempo) e no podcast seguinte vamos tratar dos ETFs de renda fixa, em que o conceito é similar, com algumas particularidades.

 

ETF de renda variável

Um ETF é um fundo, como qualquer outro fundo de investimento (escute o episódio #105 para entender detalhadamente como funcionam os fundos de investimento): tem uma carteira composta por diferentes ativos, tem um gestor, um administrador. Contudo, qualquer ETF tem o propósito de replicar, copiar, espelhar o índice a que se refere. Portanto, é um fundo de gestão passiva (o gestor apenas monta o fundo nas proporções em que o índice de referência, com carteira teórica, é composto).

Um dúvida muito comum que costuma gerar confusão é a seguinte: qual a diferença entre ETF, fundos de investimento em ações (FIA) e as ações?

As ações, pela definição da B3, são um “título de propriedade que confere a seus detentores (investidores) a participação na sociedade da empresa”. Ou seja, são emitidas por companhias com o principal objetivo de captar recursos que possibilitem investimentos e financiamentos. Podem ser ordinárias – com direito a voto – ou preferenciais – que dão prioridade no recebimento dos dividendos.

Quer mais detalhes sobre como funciona o mercado de ações? Confira a minissérie que produzi nos episódios:

 

Um ETF de renda variável é um fundo negociado em Bolsa de Valores que aplica recursos em carteiras de ações. O objetivo é buscar replicar a carteira de um índice de referência no mercado.

Para os fundos de investimento em ações, existe uma diferença conceitual clara. Enquanto os ETFs são fundos de gestão passiva, que buscam replicar um índice de referência no mercado, buscando um desempenho similar, os fundos de investimento em ações (FIA) possuem uma gestão ativa, ou seja, eles buscam um desempenho maior do que o do seu índice de referência. Em outras palavras, o investidor paga uma taxa maior e corre mais riscos em busca de uma maior rentabilidade.

Sendo assim, ao investir em um ETF de renda variável você estará investindo, ao mesmo tempo, em uma carteira de ações de diferentes companhias. Por exemplo: se você compra cotas do BOVA11 estará adquirindo cotas do ETF que replica o Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores de São Paulo; se você compra o BRAX11 estará adquirindo a cota do fundo que replica o índice que reúne as ações das 100 maiores empresas brasileiras em valor de mercado (IBrX-100); se compra o SMAL11 estará adquirindo cotas do fundo que reproduz o índice das ações das companhias em ascensão e que atualmente têm baixa capitalização na bolsa (as Small Caps); se compra o IVVB11 está adquirindo cotas do fundo que reproduz o índice S&P500 aqui no Brasil mais a variação do câmbio (esse índice reúne as ações das 500 maiores empresas dos EUA – uma aplicação interessante para proteção e diversificação em empresas estrangeiras); enfim… já deve ter ficado claro a mecânica de um ETF.

Não existem apenas esses ETFs citados: existem vários outros, bastando apenas acessar o site da B3 (ou o link na transcrição desse episódio) para conferir todos os ETFs de renda variável disponíveis atualmente.

Os ETFs em geral têm boa liquidez, que é a capacidade de converter o valor investido em dinheiro, uma vez que a procura pelas ações que compõem o fundo segue um padrão similar ao encontrado na Bolsa de Valores. Mas também é possível que alguns ETFs setoriais apresentem baixa liquidez; portanto, tome cuidado com esse ponto para não pagar além do que está disposto.

Além do mais, a diversificação é uma das características mais celebradas do ETF. Na prática, ao adquirir um ETF, você “leva para casa” uma cesta de ativos que juntos reproduzem um determinado índice, diminuindo, desta forma, a probabilidade, a volatilidade e o risco de perda quando optamos por negociar apenas um ativo em especial. O investidor não está apenas comprando a ação de uma empresa e sim uma carteira com dezenas de ações, tudo de uma forma bastante simples, sem a necessidade de comprar e vender ativos individualmente (o que diminui o custo com corretagem e a gestão). Para iniciar uma aplicação em ETF, não é preciso ter uma grande quantidade de dinheiro. Comparado a outras modalidades do mercado de ações, é um investimento com aportes mínimos relativamente baixos.

Falando de custo, quando comparado a outros fundos, o ETF apresenta uma vantagem importante nesse quesito: os valores das taxas de administração costumam ser menores do que 1% aa, inferiores aos da grande maioria dos Fundos de Investimento em Ações, que podem chegar a até 3% aa.

Outro ponto muito interessante que muitos fundos de investimento em ações não têm a obrigação de fazer é sobre transparência. Por conta da ampla divulgação de informações, o ETF é considerado um fundo transparente, onde é possível acompanhar a composição do fundo e verificar a carteira online diariamente. Ou seja, o cliente sempre sabe em que está investindo. Nos fundos de ações isso nem sempre é possível saber através de seus materiais de divulgação.

Vale destacar que a rentabilidade dos ETFs de renda variável, assim como as demais modalidades no mercado acionário, é definida pela variação das ações que compõem a carteira de negócios, seja ela positiva ou negativa. Em outras palavras, não é possível fazer uma previsão de rentabilidade.

Acompanhar o mercado e tomar por base os períodos anteriores, mesmo sabendo que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, pode ajudar o investidor a conhecer cada vez mais o produto e as possíveis oscilações. Além disso, como um ETF se trata de um fundo não existe ganho com dividendos, apenas com valorização. Uma empresa que tem lucro e tem ações na bolsa é obrigada por lei a distribuir 25% do seu lucro líquido com os acionistas; apesar de o investidor aplicar em ações através de um ETF de renda variável, o investimento é feito de forma indireta; portanto, não existe ganho com dividendos nessa modalidade de investimento.

Um outro ponto bem interessante é que o investidor pode comprar ou vender seu ETF no mercado secundário, da mesma forma que faz com suas ações, ou solicitar a emissão ou o resgate de ETFs, desde que tais operações sejam feitas com os papéis que compõem a carteira teórica daquele índice ao qual o ETF é vinculado e de acordo com o regulamento específico de cada produto.

Sem dúvidas, o investimento em ETF é uma forma interessante de começar a acessar o mercado de renda variável, principalmente se você ainda está aprendendo e quer iniciar dando os primeiros passos além da renda fixa.

Outro questionamento muito comum quando se pesquisa sobre ETF é sobre a diferença entre fundos de índices, ETFs e ETFs iShare. “Fundos de índices” é a forma como os ETFs são conhecidos. Por uma questão de tradução, ainda gera confusão entre os investidores iniciantes, mas são o mesmo produto. Já os ETFs iShare são tipos específicos de ETFs geridos pela companhia BlackRock, a maior empresa de gestão de recursos do mundo com sede nos Estados Unidos, e é a responsável por cerca de 50% dos ETFs administrados em todo mercado financeiro mundial.

 

Imposto de renda

Um ponto muito importante que não posso deixar de destacar e que eu já cometi um erro que me custou uma multa: é sobre tributação. Há muitos anos atrás, quando eu não precisava fazer declaração de imposto de renda, fiz meu primeiro investimento em ETF; depois eu realizei a venda das cotas, na ocasião tive um pequeno prejuízo de quase R$150. Não declarei o prejuízo e, achando que era igual ações que não tinha que fazer nada (afinal, lucro na venda de ações têm isenção de imposto de renda com vendas abaixo de R$20 mil no mês), eu deixei quieto.

No ano seguinte, chega a notificação da Receita Federal indicando que meu CPF estava bloqueado. Indo na delegacia da Receita Federal eu descobri os motivos: quando se faz vendas de ETF, fundos imobiliários ou em vendas de ações a partir de R$20 mil, por exemplo, a Receita Federal recolhe um centavo de custo que é o chamado “dedo duro” – por causa de R$0,09 que ficaram retidos devidos as vendas e o prejuízo que não tinha sido declarado eu tive que pagar uma multa para entregar a declaração após o prazo. Como eu nunca tinha feito declaração de IR e na época não precisava fazer, eu nem me atentei para isso. Porém, serve de alerta para você não passar por isso, seja você pequeno ou grande investidor.

A incidência do Imposto de Renda nestes fundos chega a 15% sobre os ganhos, ou seja, a diferença entre o valor de compra e venda das cotas. Até aí nenhuma diferença na comparação com os demais Fundos de Investimentos em Ações. Quando as compras e vendas das cotas ocorrem no mesmo dia (daytrade), a incidência do IR chega a 20% sobre as valorizações. A diferença reside nas vendas: as ações vendidas até o volume de R$20 mil no período de um mês estão liberadas do pagamento de IR – o ETF, não: independente do volume vendido, se você tiver LUCRO tem que pagar imposto de renda através de um DARF mensal até o último dia útil do mês seguinte ao da operação e declarar no ano seguinte as movimentações, ou caso tenha acontecido um PREJUÍZO tem que fazer no mínimo a declaração das movimentações, sendo que esse prejuízo pode ser compensado no futuro.

Além do mais, diferentemente de alguns fundo de investimento tradicionais, o ETF não tem a incidência do come-cotas, aquela antecipação semestral no recolhimento do Imposto de Renda, que prejudica a rentabilidade líquida da aplicação.

 

Como investir em um ETF de renda variável?

As operações de compra e venda de qualquer ETF são feitas no ambiente da bolsa de valores, a B3. Assim, é preciso abrir conta em uma corretora de valores, caso você ainda não tenha. Depois, basta escolher o ETF desejado pelo código e selecionar o valor que você deseja investir.

O lote mínimo e o lote padrão de cotas que podem ser negociadas estão disponíveis no regulamento de cada ETF. Ao adquirir cotas do ETF de renda variável, você passa a deter todos as ações da carteira do índice, sem a necessidade de comprá-las separadamente.

 

Espero que tenha gostado do episódio de hoje! Os ETFs são bem interessantes para quem quer começar a acessar a renda variável de forma bastante diversificada com menor risco do que comprar ações individualmente ou mesmo do que acessar fundos de investimento em ações, que têm uma gestão ativa. De qualquer forma, procure se inteirar mais para entender se eles fazem sentido para o seu perfil de investidor. E no próximo podcast vamos tratar da novidade: os ETFs de renda fixa.

 

Se você gostou curta, comente e compartilhe nossas publicações do Dicas Curtas nas redes sociais. Ficou com alguma dúvida? Primeiro entre no grupo do Investidor Inteligente no Facebook e, depois, poste sua pergunta, pois estarei à disposição para esclarecer todas elas.

 

Lembre-se de assinar e acompanhar esse podcast através do seu dispositivo Apple ou Android, sendo que você também pode encontrar o Investidor Inteligente no Spotify e no Deezer.

E mais:

Sabia que agora você pode ajudar o Dicas Curtas a alcançar mais pessoas fazendo parte do grupo de apoiadores?

Com incentivos a partir de 1 real por mês, você estará contribuindo com o Dicas Curtas para alcançar mais pessoas e incluir novos experts. Talvez você conheça o Investidor Inteligente e os outros podcasts do Dicas Curtas por conta desse tipo de incentivo: e veja o quanto de informações valiosas você já tem à sua disposição de forma totalmente gratuita!?

É claro: você como apoiador terá acesso ao grupo de apoiadores no Facebook para receber conteúdos exclusivos e ter acesso a lives especiais para poder tirar aquelas dúvidas que ainda não foram respondidas ao vivo com o expert de sua preferência. Interessante, não é!?

 

Para ser um apoiador basta acessar o site: apoia.se/dicascurtas.

 

O link vai estar disponível na descrição e na transcrição desse episódio!

 

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira, falando sobre a novidade: os ETFs de renda fixa!

 

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

Pin It on Pinterest

Share This