Ouça agora este podcast!“045 Exame laboratorial parte 01 – Sangue: 5 dicas essenciais”

Você provavelmente já fez exame de sangue, é comum você ir ao médico ou ao dentista e o doutor solicitar o exame de sangue, mas afinal, podemos confiar no exame de sangue? Quais erros são mais comuns de acontecerem? Tem diferença de um laboratório para outro? Tem diferença de padrão de normalidade de um estado para outro?

Olá, aqui é Abílio Seronni, seu Doutor Saúde, do dicas curtas e se você se identificou com essas perguntas, hoje você vai aprender 5 erros comuns nos exames de sangue.

Então vamos lá!

O exame de sangue avalia 3 principais grupos de células: hemácias (células vermelhas que transportam o oxigênio), leucócitos (células brancas de defesa) e as plaquetas (responsável pela coagulação sanguínea). Além de dosar nível de vitaminas, sais minerais, proteínas, presença de invasores como vírus, bactérias e parasitas, nível de açúcar no sangue e hormônios esteroidais. Com esses dados, podemos avaliar possíveis inflamações, infecções, anemias, tumores, desnutrição, intolerâncias, predisposições genéticas, enfim, uma infinidade de resultados!

Agora que você aprendeu os principais possíveis diagnósticos, vamos aprender 05 erros mais comuns nos exames de sangue.

Antes de falar das dicas, eu te pergunto: você sabia que quem faz modulação hormonal com hormônio bioidentico em geral aumenta o seu metabolismo, por isso, a necessidade de suplementar iodo junto com selênio é fundamental e se você usa algum ”Puran da vida” , faz reposição com T3 e T4 sem iodo, você precisa usar iodo para prevenir um possível câncer de mama no futuro. Detalhe, quando você inicia a suplementação de iodo, nos próximos 6 meses é normal o hormônio TSH subir sua taxa para 11 a 12, mas depois o seu corpo auto-regula e você fica livre dos metais tóxicos e a temperatura corporal normaliza.

 

Agora, preste atenção nas dicas: 

Dica 01: Acurácia – essa característica do laboratório é o resultado da média entre especificidade e sensibilidade do exame, que deverá ser acima de 95% para que o resultado seja confiável, longe da realidade de muitos laboratórios no Brasil;

Dica 02: Análise clínica – geralmente é dado pelo kit do exame que o laboratório adquire para o paciente. Cada kit vem com análise diferente, por exemplo, o valor de insulina, antigamente era menor que 30, depois passou para menor que 20, agora está vindo valores abaixo de 9;

Dica 03: Região – para cada estado, existe um padrão de referência clínica, por exemplo, valores de referência para iodo na região de Centro-Oeste costuma ser mais baixo que os valores de referência em regiões litoraneas devido ao baixo consumo de crustáceos, mas nem sempre esses valores são ideais para o seu organismo;

Dica 04: Horário – existe uma variação na curva de produção por exemplo do hormônio cortisol, cada horário tem uma tendência de seguir um padrão de taxa de normalidade. Existe uma coleta específica que deve ser obedecida, exemplo: ao despertar de madrugada naturalmente, você também deveria coletar o sangue pois geralmente você consegue captar um valor de pico do cortisol que você não detecta se colocar para o relógio tocar;

Dica 05: Centrifugação – o próprio processo laboratorial de sedimentação para fazer o exame oculta resultados que você gostaria de ver, por exemplo, o hormonio testosterona desaparece do carreador SHBG durante  a centrifugação, restando em média 95% de SHBG e 5% de testosterona livre;

Dica Extra01: Fórmula – para muitos parâmetros o que se vê no sangue não é realidade e sim fórmula matemática. Exemplo: colesterol – ao avaliar o colesterol ”o bom”, chamado HDL, não é possível detectar seus valores reais, saiba que o resultado é através da relação Triglicerídeos/HDL através de uma fórmula matemática que mostra valores sugestivos. Essas fórmulas deveriam ser usadas somente em pacientes saudáveis, mas não é o que acontece na prática pois a maioria dos pacientes apresentam algum tipo de enfermidade como esteatose hepática ou até mesmo fazem suplementação que já altera o resultado;

Dica Extra02: Forma disponível – no sangue quando se avalia hormônios, não se avalia o hormônio propriamente dito e sim a proteína que transporta o hormônio chamado carreador, portanto, avalia a sua forma inativa e se você por exemplo tiver algum problema de simporter que é a porta de entrada que liga o hormônio ao carreador, você não saberá, a não ser que você faça o exame de urina junto, assim é possível sugerir o que o valor sanguíneo está mostrando. Vamos exemplificar: segundo o biólogo Lúcio Lemos de Juiz de Fora, a proporção tanto sangue-saliva, quanto saliva-urina, deve ser 1:1, logo, imagina uma grávida ou um atleta fazendo exame de cortisol e o resultado dando valores normais, mas apresentando sintomas de baixo cortisol como cansaço, fadiga, falta de apetite e dores musculares. Pelo exame você não tomará cortisol, mas se fizer o exame de urina e detectar valores altos de cortisol, isso é normal pois tanto na grávida a progesterona está alta quanto no atleta que perde sódio e não repoem, a aldosterona também está alta e ambos hormônios usam o mesmo carreador do cortisol, chamado CBG, (Globulina Carreadora de Cortisol) para transportar seus hormônios, o que faz aumentar o cortisol livre na urina e você pode achar que está intoxicado com cortisol, mas na verdade está expurgando por causa dos hormônios progesterona e aldosterona elevados que já ocuparam o mesmo lugar no simporter;

Dica Extra03: Quartil – existe uma variação muito grande no valores padrões de normalidade, portanto, a dica é usar o quartil, ou seja, reparte o valor de referência em quatro partes e utiliza o quartil mais próximo como referência para o que você está tratando. Exemplo: Quando você suplementa com iodo, imagina o valor de referência entre 200 e 450, você divide em 4 partes, terá 200 a 250, 250 a 300, 350 a 400 e 400 a 450, logo o nível ótimo para o paciente que está com hipotiroidismo será 400 a 450, assim terá melhores resultados.

Dica Final Extra04: Anamnese – muitas vezes o paciente omite ou você mesmo esquece que está passando uma pomada dermatológica ou usando um colírio, ambas podem conter corticóide e isso altera o resultado hormonal.

 

A lista dos principais erros você encontra no link da descrição.

link: http://seronni.com.br/lista-sangue

 

Resumindo, com essas dicas você vai despertar o seu senso crítico, desconfiar do resultado do exame de sangue, amenizar o seus erros, ajudar na melhor conduta e evitar prescrições errôneas. Há diagnóstico feito somente pelo sangue, isso pode dar resultados falso positivos, portanto, aconselho sempre comparar com exames salivares ou de urina para saber se está excretando ou retendo mas o exame clínico é soberano. Para superar todas essas falhas, seria necessário um exame chamado radioimunoensaio pós diálise das hemácias, mas é muito caro, leva 60 dias em média para fazer diagnóstico de apenas um marcador biológico , por isso é usado somente em laboratório de pesquisa.

Se você ainda não se atentou para as falhas do exame de sangue, comece a prestar a atenção, comece a praticar as dicas que você vai melhorar seu diagnóstico e consequentemente seu tratamento. No próximo episódio vamos falar sobre o exame de saliva, possíveis sugestões de diagnóstico e sua relação com o exame de urina.

Então, o que você achou dessas dicas, qual assunto você gostaria de saber mais a respeito?

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Continue acompanhando este podcast eu sou Abílio Seronni, O Doutor Saúde do Dicas Curtas.

Um Abraço e até a próxima semana.

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