Você faz uma compra parcelada no cartão de crédito. Existem parcelas que serão pagas nas faturas futuras, certo? Uma empresa faz uma compra de insumos e essas duplicatas possuem prazos de pagamento no futuro, que podem ser também parcelas.

Você sabia que esses direitos de receber (ou “recebíveis”) podem ser transformados em produtos financeiros e podem trazer retorno para seus investidores?

É sobre isso que esse podcast vai tratar: sobre os fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs. Trouxe um especialista no assunto para nos dar uma grande aula sobre esse tema que pode ser mais uma opção para você, investidor inteligente, compor e diversificar em sua carteira.

Ouça agora este podcast!

Ouça “174 Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) – entrevista com Leonardo Calixto, da Empírica Investimentos” no Spreaker.

PHILLIP SOUZA: Hoje vamos trazer Leonardo Calixto, sócio e CEO da Empírica Investimentos e nós vamos falar sobre um assunto que é novidade no podcast do investidor inteligente: vamos falar sobre FIDC – Fundo de Investimento em Direito Creditório.

Seja muito bem-vindo ao podcast do Investidor Inteligente, Leonardo!

LEONARDO CALIXTO: Obrigado Phillip! É um prazer estar aqui com vocês hoje. Vou complementar um pouco me apresentando e falar um pouco da Empírica: eu sou um dos sócios-fundadores da Empírica Investimentos; a gente tá fazendo quase 12 anos de história em que os sócios fundadores e eu, todos atuantes no HSBC por muitos anos, com uma larga experiência no mercado financeiro e de capitais, e a gente pode dizer sem muita dificuldade que a gente praticamente nasceu com a regulamentação e o mercado de FIDC.

Para quem não está acostumado, ambientado, FIDC significa fundo de investimentos em direitos creditórios; eles surgiram no finalzinho de 2001/2002 saindo a primeira resolução do Banco Central e logo em seguida a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários; é uma norma regulamentação bem específica para este tipo de produto, assim como existe uma norma específica para fundo imobiliário, para fundo de investimento em participações.

E assim: a gente desde o início participou desse processo, desde os primeiros FIDCs que surgiram no mercado ainda na outra instituição. A gente foi um player bastante atuante fazendo estruturação, fazendo gestão e também investindo em fundos de recebíveis ou FIDCs – vou falar fundos de recebíveis que é um termo até mais fácil de linkar com o próprio conceito do produto.

Vou explicar um pouquinho de como é que surgiu a Empírica Investimentos: então vem muito em função dessa nossa experiência que a gente absorveu aí nessa outra instituição: foram quase 10 anos atuando não só esse tipo de fundo de investimento, mas com outros vários. Aí a gente identificou realmente que era uma oportunidade por escassez de empresas focadas na estruturação e gestão desse tipo de produto. E é um produto hoje que está inserido basicamente no que a gente pode chamar de mercado de securitização de crédito.

Basicamente o significado de “securitização de crédito” é quando o detentor de uma carteira de crédito quaisquer – pode ser até uma carteira de cartão de crédito de recebíveis, por exemplo. As pessoas quando usam o seu cartão de crédito: alguém tem direito a receber aquele valor que você vai pagar em algum momento no futuro na sua fatura, então isso é uma carteira de recebíveis que esse detentor pode vender para uma outra empresa ou no caso para um fundo de investimento. Um outro exemplo de recebível que seria, por exemplo, uma indústria que tá vendendo o seu produto para os seus clientes e ela naturalmente emite uma duplicata quando faz aquela venda e cria uma carteira de contas a receber (que é o recebível dele) em que os clientes têm a pagar no momento futuro.

Nessa carteira de recebíveis ele naturalmente como ter data que ele irá receber no futuro, caso ele tenha necessidade, por exemplo, aquela indústria antecipar esse recurso para poder pagar a folha de pagamento, para fazer alguma outra despesa caso ele não tem dinheiro, ele pode ceder, ele pode vender aquela carteira de recebíveis com o valor com um desconto e aquela outra pessoa que compra passa a ser o detentor daquele direito de receber o pagamento daquele cliente ou da fatura do cartão de crédito, da duplicata.

Assim, então é um mercado muito interessante: você fala de antecipação para pessoa física, por exemplo, tem um produto que a antecipação que é o direito de receber um reembolso de Imposto de Renda, por exemplo. Trazendo para pessoa física isso é um caso real. Imagina que você tá precisando de liquidez hoje, você tem uma expectativa de receber nos próximos cinco a sete meses, por exemplo, reembolso da Receita Federal, mas você precisa do dinheiro hoje. Então você vai no banco, negocia receber aquele valor, atualmente um valor menor hoje, porque o banco que vai assumir não só o risco de receber aquele dinheiro (receber ele vai), mas de quando ele vai receber aquele dinheiro. Então é isso que significa o mercado de securitização.

As instituições financeiras elas têm uma regulamentação bastante rígida perante o Banco Central e até os Bancos Centrais do mundo inteiro que é o nível de empréstimo, de volume de empréstimos, que ele pode fazer em função do seu próprio patrimônio líquido do banco. Você tem regras: se eu tenho um patrimônio de 100, eu teoricamente poderia emprestar 1.100. Então você dá uma alavancagem de 11 vezes o patrimônio.

Então quando os bancos estão na fase de crescimento aonde os limites já alcançaram, por exemplo, seus empréstimos é muito comum, principalmente nos mercados mais desenvolvidos, vender essa carteira de crédito e aí automaticamente ele reduz o volume que ele tem de crédito (que ele vendeu uma parte para uma outra instituição, para um banco, para um fundo, para quem seja) e ele consegue fazer novos empréstimos e ele vai girando. Como no mercado brasileiro os bancos são bastante líquidos então a gente ver pouco fazendo isso ainda, mas as expectativas são de que esses volumes aumentem

Bom, então assim, de uma forma geral, o mercado de securitização é isso: uma compra e venda entre detentores de uma carteira de recebíveis vendendo para um outro que tem interesse em comprar aquela carteira.

E a gente tem alguns veículos no mercado brasileiro que permitem isso. Um dos mais conhecidos, famosos, os CRIs ou os CRAs. O CRI é um instrumento de securitização muito focado 100% em operação Imobiliária; enquanto que o CRA está relacionado ao agronegócio. O FIDC é um veículo de securitização muito mais flexível: porque ele pode trabalhar com qualquer tipo de recebível.

Eu sempre gosto de usar um exemplo de um recebível que um FIDC poderia fazer. Por exemplo: o estado do Rio de Janeiro tem direito a receber royalties em função de exploração dos Campos de petróleo no estado. Aquele é um direito que o Estado tem de receber e até alguns anos atrás, há bons anos atrás, ele tentou estruturar um FIDC para poder ceder esses royalties para o FIDC e ele antecipar esse recurso para poder cobrir as necessidades dele.

Então você vê que o nível de versatilidade: posso fazer uma operação com royalties, eu posso fazer uma operação de comprar uma carteira de uma grande Incorporadora que vendeu na planta, por exemplo, para vários outros interessados em comprar um apartamento, o fundo pode comprar aquela carteira e a Incorporadora fica focada naquilo que é o objetivo dela, que é levantar o empreendimento e não ficar gerenciando carteira de recebíveis.

PHILLIP: Então nós poderíamos dizer que o CRI é o certificado de recebíveis voltado somente para o mercado imobiliário enquanto o CRA é para o agronegócio e o FIDC é o “primo torto” de todo mundo que é extremamente versátil que pode abarcar qualquer tipo de negócio, tipo isso?

LEONARDO: Perfeitamente! A grande vantagem do FIDC é essa. Naturalmente que o CRI e CRA traz uma componente que é o incentivo fiscal que oferece um benefício para o investidor pessoa física. Então quem compra o CRI, assim como o fundo imobiliário também seguindo algumas regras, tem esse benefício fiscal.

O FIDC, em contrapartida, não tem esse benefício. Talvez uma das grandes razões que os principais investidores no mercado de FIDC na verdade são grandes gestores de outros fundos que compram FIDC como se tivesse comprando uma debênture ou uma ação de uma empresa. Ele compra aquele produto direto para a carteira dele e ele como gestor de um fundo naturalmente tem a isenção fiscal dentro do produto.

Mas em suma: Então o FIDC é mais um veículo, um veículo mais versátil que tem; ele junto com CRI/CRA basicamente são os principais veículos com base na Comissão de Valores Mobiliários para trabalhar securitização no mercado brasileiro. E isso só tende a crescer e só vem crescendo, na verdade, nos últimos anos.

Então qual é a função do FIDC? Quer dizer: legal que ele é um veículo de securitização, e está mais ou menos claro que o objetivo dele é dar liquidez para alguém que precisa, que tem um recebível longo para receber e você vende aquilo e antecipa aquele capital.

Então se você parar para pensar no final do dia, esses veículos de securitização, onde os fundos de recebíveis que os FIDCs se encontram, eles estão desintermediando no final do dia um pouco a economia, porque aí eu tenho um investidor de um fundo de recebíveis de um FIDC e eu como gestor do FIDC eu posso comprar uma carteira de recebíveis, uma carteira de crédito, originada por um terceiro qualquer – pode ser uma factoring, pode ser uma fintech, ou uma startup que esteja oferecendo uma operação de crédito – e a gente através do FIDC consegue linkar – e essa inclusive é a grande beleza da operação e da própria Empírica Investimentos – que é você linkar o investidor ao crédito. E ele sabe exatamente a que tipo de crédito ele tá destinando aquele recurso.

Isso aqui é um ponto bastante interessante porque muitas pessoas não tem a clareza de que quando investe no CDB de um banco, ela tá emprestando o dinheiro para o banco, tanto é que ela tá correndo o risco de o banco de um dia não pagar, não honrar aquele CDB. E o que o banco faz com aquele dinheiro? Ele pega aquele dinheiro e empresta para um monte de situações, um monte de tomadores potenciais tanto empresa quando pessoa física: mas ele não sabe para onde está indo o dinheiro, para quem ele está beneficiando e etc.

No FIDC não: quando compro, quando invisto em um FIDC, 99% dos FIDCs são montados para atender um setor específico. Então eu tenho um FIDC que opera empréstimo pessoal de pessoas do segmento A, B ou C; eu tenho um FIDC que opera com financiamento imobiliário de uma incorporadora XPTO; e por aí vai. Então você tem muita clareza para onde está indo o seu dinheiro, aonde você realmente está investindo. Olha que interessante: o investidor numa ponta e na outra ponta o tomador daquele crédito. Então você tá fazendo um link na economia fantástico. Então a securitização te permite isso, os veículos, como o FIDC, permitem isso.

Falei como é que os FIDCs surgiram e de quando eles surgiram e eles surgem muito mais vindo de uma tendência Mundial, a securitização nos mercados mais desenvolvidos, já é há bastante tempo utilizado e naturalmente que em alguns momentos até de forma errada que, inclusive, levou a termos um problema na crise de 2008/2009 nos Estados Unidos, que é uma forma errada de você criar ou fazer uma securitização que aí são os exageros que alguns mercados seguem um caminho não tão adequado.

A grande vantagem do nosso mercado brasileiro, por incrível que pareça, que as pessoas sempre gostam, às vezes, de menosprezar a nossa economia, o nosso mercado, ele realmente é pequeno comparado com as principais economias, mas ele é um mercado muito bem regulamentado, mas sem com isso amarrar, deixar muito amarrado. Mas ele é regulamentado. Quer dizer: ele deixa muito claro os direitos e os deveres, o que cada produto pode fazer de fato e exige muita transparência, diferente de outros mercados que são verdadeiras caixas-pretas: você tem que acreditar no gestor, no que realmente ele está fazendo com seu dinheiro. Aqui no Brasil não: o nível de Transparência, de governança que você tem nas estruturas é muito grande. Então nesse aspecto eu posso afirmar sem o menor receio que a gente é muito mais avançado que outras economias mais avançadas. Essa é a boa notícia do nosso mercado de securitização.

Então falando um pouco de surgir de uma tendência, a gente vai ver o nosso mercado de crédito de forma geral no Brasil comparado, mais uma vez, as grandes economias é um mercado ainda relativamente pequeno – a gente tá falando de uma economia que roda em torno de 60% do PIB com uma carteira de crédito – e na hora que você for qualificar, inclusive, o perfil do crédito que é dado ele fica menor ainda, tem muito crédito direcionado (que são aqueles créditos que seguem exigências regulamentares do Banco Central como financiamento imobiliário tá casado com poupança, crédito agrícola tá vinculado ao depósito à vista dos bancos – então esses são os créditos direcionados) e temos créditos livres: então quando a gente qualifica muito o perfil do crédito na economia brasileira, ele é um crédito ainda, que eu diria, bastante reduzido, muito seletivo.

Aí vou entrar no próximo passo do grande valor que o FIDC vem trazendo para a economia brasileira como um todo: é que com o surgimento das startups, principalmente das fintechs, aonde que elas vem atuando e vem quebrando paradigmas?

Os bancos por longo período naturalmente como gestores de um negócio, eles conseguiram extrair bons retornos tentei que tomar muitos riscos: essa sempre foi a realidade do mercado bancário brasileiro. Então a grande massa, seja das pequenas e médias empresas ou das pessoas físicas de renda mais baixa, simplesmente não tinha acesso, como boa parte hoje não tem acesso ao crédito ainda. Ele fica limitado a um crédito de um cartão, de uma loja de varejo, mas ele até conseguiu chegar a ter uma conta de banco, mas ele não tem relacionamento bancário, ele não tem um limite de crédito concedido e muitas vezes ele não consegue.

E as fintechs vieram suprir de imediato essas necessidades. Só que as fintechs por serem empresas ainda no estágio Inicial naturalmente que elas não tenham capital, a liquidez toda, para fazer aquilo acontecer de uma forma mais robusta, como os bancos são muito capitalizados aqui no Brasil. E aí entram as estruturas de FIDC: então a Empírica Investimentos, por exemplo, participou de grandes operações de empresas que eram inexistentes, que ninguém ouvia falar há poucos anos atrás. Então a gente estruturou o primeiro FIDC de cartão de crédito para Sorocred que é uma financeira pequena de Sorocaba, e demos uma dimensão bastante interessante para eles naquele momento. Outro, o segundo passo, o Nubank que hoje todo mundo conhece, virou um unicórnio; o primeiro FIDC que foi lançado por eles mercado nós que estruturamos – e era para ser um FIDC para começar com R$8 milhões e se transformou em 12 meses em R$350 milhões; quer dizer, foi um crescimento muito forte. E outras operações: outro unicórnio recente a Creditas também, quando começamos a estruturar, fizemos o primeiro FIDC para eles e isso tem 4 anos, eles tinham 10 funcionários, hoje tem dois mil e não sei quantos funcionários, viraram unicórnio e a gente tem quatro, cinco FIDCs com eles, na verdade. Estamos fazendo agora o sexto FIDC.

Então sem essas estruturas de FIDC para essas empresas poucas que eu citei agora, que são as que ganharam mais destaque (tem outras ainda que vão se desenvolver tem a BizCapital que faz empréstimo para pequenas e médias empresas –  inclusive fomos selecionados agora para o BNDES para fazer um Fundo junto com o BNDES – temos a a55, temos a Noverde) são todas as fintechs que vem cobrindo esses enormes buracos, enormes, gigantescos, E que a expectativa de crescimento é absurda; e sem estrutura de um FIDC seria praticamente inviável. E então é um veículo hoje que é essencial para o desenvolvimento dessas fintechs. Não que não poderia atuar com as empresas mais tradicionais.

Então assim realmente o FIDC, o fundo de recebíveis, é um veículo que se tornou essencial, extremamente potente, para fazer com que as fintechs que têm surgido nos últimos anos realmente ganhem um mercado de uma forma bastante relevante e naturalmente consigam atender a demanda que é um volume ainda bastante elevado e ainda não atendido plenamente.

Então a gente tá falando basicamente de pessoas físicas, da classe C, D e E, por exemplo, que praticamente não tem acesso ao crédito e que realmente essas pessoas, essa parte da população, conseguir galgar novas etapas dentro da estrutura da folha da social, da economia, é fundamental ter acesso ao crédito: seja para fazer os seus empreendimentos nas suas atividades, muitas vezes, informais e complementa alguma outra renda são extremamente importantes como se fosse um microempreendedor; seja para investir ou para cobrir uma necessidade de uma educação para dar alguns outros passos importantes no seu desenvolvimento.

Então é muitas fintechs vem inclusive atuando uma Com uma pegada bem diferente, realmente quebrar alguns paradigmas como esse para inserir essa grande massa da população brasileira que simplesmente está à margem do crédito. E quando a gente fala isso basicamente a gente tá falando de uma população de pelo menos uns 150 milhões de brasileiros de um total de 220 milhões. Então é extremamente importante. A gente vê a cada dia novas fintechs surgindo para cobrir ‘n’ necessidades que a gente tem na economia brasileira sem desconsiderar também as pequenas e médias empresas.

então há mais ou menos um ano e meio atrás, nós lançamos um produto em parceria com a outra gestora chamada VOX Capital. O produto se chama Empírica VOX Impacto e qual é o objetivo dessa parceria? Primeiro era juntar a especialidade de cada um: a gente tinha muito objetivo de fato de ter um produto com esse viés de impacto, mas a gente não tinha e não tem as competências para poder analisar exatamente quais as operações que de fato se enquadram como Impacto social, como medir isso, como monitorar isso e como até dimensionar quanto de impacto que está sendo gerado.

O nosso negócio é estruturar operações de crédito, é isso que a gente sabe fazer. Então a gente fez uma parceria com a VOX é uma empresa que a gente já tinha relacionamento, é uma referência no mercado justamente na parte de impacto social, e tudo aquilo que a gente não sabe fazer, é o que eles sabem fazer então a gente estruturou em conjunto.

Então cada um faz a sua análise: a gente analisa a oportunidade que a gente entenda que possa ser elegível para o nosso produto (em termos de crédito, risco, retorno e etc.) e a VOX dá o parecer dela em relação ao Impacto: se for de maior impacto a gente tem permissão de alocar mais naquele produto, se for de menor Impacto a gente tem a possibilidade de investir menos e se não atender os critérios de impacto a gente não coloca naquele produto. Então é um comitê que a gente tem conjunto. Bem interessante! E aí você tem tanto aspectos de produtos de impacto financeiro – principalmente operações que você trabalha com microcrédito, microfinanças, nessas operações que nós temos algumas operando há algum tempo, bem interessante, bem legais – e outras até de impactos ambientais como por exemplo financiar a venda de placas fotovoltaicas: a gente tem uma parceria com uma fintech lá de Recife chamada Insole e a gente tem um produto bastante interessante.

PHILLIP: Até agora já entendemos uma série de informações valiosas sobre FIDCs: o que é um fundo de direito creditório (lembrando: eles são parecidos com os CRIs e CRAs, mas com muito mais flexibilidade), pertencem ao mercado de securitização, já entendemos as diversas funções do FIDC na economia, já começamos a compreender que se trata de um mercado especializado e altamente regulado e Leonardo Calixto trouxe vários exemplos de empresas e tipos de negócios (inclusive alguns casos bem famosos, como o Nubank) que começaram a ampliação de suas operações através de FIDCs.

Se você, investidor inteligente, não conhecia esse tipo de mercado, acredito que agora você tem mais uma alternativa para alocar seus preciosos recursos, correto?

E vamos lá Leonardo: como é que uma pessoa pode investir em FIDC, qual é o perfil de investidor para esse tipo de produto e quais são as normas e a legislação que circulam nesse mercado que, querendo ou não, ainda é muito recente no Brasil?

LEONARDO: Legal, Phillip! Bom vamos começar falando de qual é o perfil do investidor nesse tipo de produto

A Comissão de Valores Mobiliários quando ela soltou a regulamentação para esse produto, até pela sua novidade e até certa complexidade, ela limitou que quem pode investir num FIDC diretamente tem que ser um investidor no mínimo qualificado. E pela regulamentação, investidor qualificado é aquele que detém no mínimo 1 milhão de reais em aplicações financeiras – não é patrimônio, são aplicações financeiras. Quer dizer: então você limita bastante o público-alvo desse tipo de produto. A gente tem uma audiência pública de uma revisão dessa norma, já pela quarta ou quinta edição, mas parece que essa vem de uma forma mais profunda e a nossa expectativa é que vá a partir do próximo ano, início do próximo ano talvez, tenha flexibilidade para investidores em geral, sem essa restrição de 1 milhão de reais. Por enquanto, infelizmente, só os investidores qualificados

Bom, o FIDC como eu citei aqui ele tem um grau de complexidade e não é baixo; para você entender um produto de fato não é uma coisa simples e a gente, particularmente, na Empírica Investimentos sempre entendeu que não seria adequado vender cotas de um FIDC diretamente para uma pessoa física mesmo que ela seja o (investidor) qualificado, etc. Até porque não é especialidade dos investidores ficar fazendo análises, tentar compreender o que cada produto daquele faz ou deixa de fazer, entender toda a estrutura. Eles têm outras responsabilidades e funções atividades profissionais deles.

Então a gente, inclusive esse conceito a gente trouxe quando estava em outra instituição, Antes de abrir Empírica Investimentos, fundar empresa, era estruturar fundo de fundos onde nós como especialistas nesse mercado fazemos a análise, a seleção e o monitoramento dos produtos que a gente vai investir e na hora que a gente oferecer para o investidor, a gente oferece um pacote diversificado de vários tipos de crédito, vários tipos de FIDCs, com uma relação risco/retorno mais razoável, sem ele ter que se preocupar e querer analisar produto a produto. Sem contar que para você investir no produto às vezes exige investimento mínimo de R$300 mil, R$400 mil, R$500 mil, R$1 milhão um único FIDC e a gente consegue empacotar tudo e oferecer lá na ponta final para aquele investidor uma aplicação mínima de R$15 mil a R$25 mil, apesar que não é um valor muito baixo, mas é um valor bem mais atrativo e ele consegue investir ao mesmo tempo de forma indireta em 20-25 FIDCs.

Então é bem interessante a solução; é um grande sucesso, é um produto, inclusive, que está disponível em todas as plataformas, nas principais plataformas você encontra o fundo Empírica Lótus ou Empírica Lótus IPCA são dois produtos que Inclusive durante essa crise que a gente vem passando, com a pandemia, Apesar do lado do impacto na saúde das pessoas, pelo menos no lado do impacto dos investimentos delas ficou totalmente preservado. Quer dizer: nossos produtos não ofereceram (perda), não proporcionou nenhuma perda para os nossos investidores, pelo contrário, a gente manteve o mesmo nível de retorno na ponta final independente da crise.

Então são produtos bem interessantes para diversificação, eu sempre falo isso, porque, de uma forma de outra, você tem uma componente de risco embutida. Hoje nós consideramos, porque somos os gestores e a gente conhece onde a gente está alocando, nós consideramos um investimento de baixíssimo risco, mas tem uma componente de risco, inclusive de liquidez que é um fundo que exige resgate de 90 dias no Empírica Lótus e de 120 dias no Empírica Lótus IPCA. Então não é um produto para você deixar a sua reserva imediata, nada disso – mas na composição é um produto que a gente sempre entende que possa fazer parte dos investimentos

Então como eu falei assim: eu sempre, primeiro, recomendo se você tiver oportunidade de acesso de investir direto numa cota de um FIDC você tem que entender muito bem aonde você tá investindo, porque você investindo diretamente em um único produto. Então se você não entender, não tiver com esse conforto, não faça isso só em prol da rentabilidade.

É muito mais recomendável você comprar um produto como o nosso (existem alguns outros, de alguns concorrentes), mas aonde você compra já uma seleção de FIDCs que passaram por um crivo de análise, de seleção e de monitoramento e etc.

PHILLIP: É como eu sempre digo para o investidor, Leonardo: principalmente se você não tem tempo e grande parte dos investidores tem suas atividades profissionais específicas que não tem nada a ver com investimentos, muitas vezes você delega esse tipo de análise, esse tipo de escolha para um terceiro que são os gestores dos Fundos que estão lá para trabalhar para você, para fazer uma boa gestão, para trazer resultado, para fazer com que o seu recurso possa crescer, possa desenvolver naquele produto específico.

LEONARDO: Perfeito, é o conceito, Phillip, de um Fundo de Investimento seja em um fundo de ações ou fundo de renda fixa ou fundo de FIDC que compra vários FIDCs. E as pessoas naturalmente tem que valorizar que se está pagando um especialista, uma pessoa que está lá dentro dedicada a fazer a melhor gestão com aqueles recursos.

Mas basicamente assim: hoje esse é o principal canal n de investimentos para as pessoas físicas. Por exemplo, vou pegar o caso da Empírica Investimento: hoje mais ou menos 70% (hoje a gente tem sobre gestão R$3 bilhões e alguma coisa), então 70% disso, quer dizer, dá uns R$2.100 bilhões, são de investidores que compram direto os nossos FIDCs, que nós estruturamos e nós fazemos a gestão. E esses investidores são basicamente profissionais: ou são outras gestoras de fundos, às vezes muito maiores do que a nossa, compram os nossos produtos, como também gestora de patrimônio (que são aqueles que gerem o patrimônio de pessoas de private, pessoas que têm mais recursos). Esses são os nossos investidores diretos no FIDC. E os outros 30% vem de investimento de pessoa física direto e são esses dois produtos que eu coloquei, que aí você compra em qualquer plataforma. A gente está em praticamente todas elas. E a gente sempre recomenda realmente comprar uma carteira diversificada. E aqui é uma grande oportunidade, que eu não posso deixar de ressaltar, que aquele terceiro produto que eu citei: que é o Empírica VOX Impacto. Ele é um produto que tá ainda em poucas plataformas, ele está em duas ou três plataformas, está começando a cadastrar ele nas demais. E as pessoas conhecerem como é que esse tipo de produto realmente funciona e que tipo de impacto ele gera. Tem um relatório fantástico que a VOX elabora, faz todas as medições impacto, então é bem legal.

Um exemplo de um dos produtos que eu citei muito rápido, mas é um dos produtos que faz parte dessa carteira, é um FIDC que nós temos chamado Empírica Microfinanças: a gente tem uma parceria com uma empresa chamada Empresta Capital, e qual é o foco de atuação desses créditos que é chamado de microfinanças? É para o basicamente atender funcionários de condomínios. Então a pessoa trabalha no Condomínio (é a faxineira, é o porteiro ou mesmo folguista que faz o rodízio, etc.) em geral esses profissionais, eu diria que boa parte da base da pirâmide, eles vivem de um segundo complemento de renda – até muitas vezes um terceiro complemento de renda – e esses profissionais de edifícios (a gente até brinca que são os MacGyvers) ele faz uma pintura, ele conserta e trabalha com hidráulica, quer dizer, ele acaba né sendo o auxiliar de um técnico, de um Especialista com atividade de uma casa; e muitas vezes para ele exercer essa função ele precisa comprar alguns poucos equipamentos para que ele consiga naturalmente fazer o trabalho dele; e muitas vezes comprar um carro: às vezes é um carro muito antigo que ele usa para se deslocar, para ter essa facilidade. Então esse crédito é um crédito que está muito direcionado a esse tipo de operação que a gente gosta bastante; é único fundo desse no mercado, não existe outro no mercado. Ele faz parte desse fundo Empírica VOX Impacto.

PHILLIP: Nós vimos que o assunto FIDC é complexo, tratamos sobre diversos tipos de direitos creditórios que tem uma flexibilidade muito, muito grande e que geralmente esse tipo de investimento, principalmente para o pequeno investidor, tende a ser realizado de forma indireta através de fundos de investimento porque a complexidade é muito grande. E geralmente precisamos de especialistas na área para que possam fazer esse trabalho de análise, seleção e monitoramento por nós.

Agradeço a sua participação no podcast do Investidor Inteligente, Leonardo e, na verdade, por sua grande aula sobre esse assunto que muita gente nem sabe que existe!

LEONARDO: Obrigado, é sempre importante a gente ter essas oportunidades de poder falar um pouco sobre esse tipo de produto até para as pessoas cada vez mais se familiarizarem e naturalmente sentirem mais confortáveis.

Eu acho que a primeira grande mensagem é reforçar que, apesar de todos os males da pandemia, é um produto que se mostrou vencedor, extremamente vencedor. Eu não entrei em muitos detalhes de estruturação desse tipo de produto, porque aí também entra em um nível de complexidade que não faria muito sentido, mas a gente tá falando de operação de crédito estruturado quando a gente fala de FIDC. E crédito estruturado tem aquele benefício de você construir estruturas de forma que quando ele depara com um risco acima do esperado para aquele tipo de crédito, ele tenha a gatilhos de formas de se auto-organizar de forma a proteger o investidor e não gerar nenhum tipo de perda para ele, apesar de uma componente de risco maior.

Então quando a gente fala que o produto não sofreu, que as carteiras não sofreram nenhum tipo de perda durante a crise, você fala assim “pô, mas a inadimplência não aumentou de uma forma geral?”. Sim, aumentou muito! Mas o produto ele foi constituído e estruturado de uma forma tal que ele suporte nível de perdas acima ou bem acima do que as condições normais. Essa é a grande beleza desse tipo de produto: por isso que a gente fala crédito estruturado.

Quando você compra uma debênture, você tá correndo risco daquela empresa que você comprou a debenture. Se aquela empresa passa por dificuldade ela deixa de pagar sua debenture. na hora que você compra cotas de um FIDC ou cotas do Empírica Lótus que investe em vários FIDCs: na verdade, só para ter uma ideia, o Empírica Lótus hoje deve ter algo em torno de 300.000 devedores dentro de todas as carteiras dos Fundos.

Então todo dia tem devedor que tá atrasando, tá passando dificuldade, tem gente que não vai pagar realmente por mais que você cobre, faz parte da dinâmica: todo dia você tá recuperando, tá negociando com os devedores. Então é essa dinâmica, como se fosse o banco, uma carteira bancária.

Mas pela estrutura do produto, o investidor do FIDC está comprando uma cota especial que tá protegida de tudo isso que está acontecendo no dia a dia tá. Então eu deixei isso aqui mais para o final para justamente deixar aquela grande dúvida: “como que um produto desse passa por uma crise de uma forma assim tão tranquila, né?” Por causa disso, é justamente por causa dessas estruturas

Então assim é muito importante que as pessoas realmente comecem a entender um pouco mais que realmente é um produto que tem muito valor para trazer Como investimento de uma forma geral. Não é à toa que os nossos grandes investidores são outras gestoras, isso só mostra, na verdade, o quanto que o produto é interessante na sua relação risco/retorno.

Então agradeço, caso queiram buscar informações, como eu falei, o fundo Empírica Lótus, Empírica Lótus IPCA estão em todas as plataformas no mercado, então essa é a forma mais fácil de você conhecer os nossos produto em detalhes, mas também vocês podem entrar no site da www.empiricainvestimentos.com.br e lá a gente tem uns canais apropriados para dar qualquer suporte adicional, esclarecimentos, dúvidas e etc. Obrigado pela oportunidade mais uma vez e até uma próxima: é só me chamar que eu estou à disposição!

O podcast dO Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu! Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage dO Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

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Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Coloque em prática, na ação e na mente, sobre aquilo que você entendeu e já refletiu que vai fazer a diferença em sua vida. Só assim você alcançar aquilo que realmente deseja construir, ok?!

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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