Ouça agora este podcast! “023 Como fazer um bom gerenciamento de minhas finanças pessoais?”

Uma das maiores dificuldades das pessoas em controlar seu próprio dinheiro é que elas não têm noção de quanto e como gastam em muitas de suas despesas. E acredite: tem gente que também não tem noção de quanto recebe. Se essa situação dura muito tempo é natural que possam começar a ocorrer problemas na vida financeira pessoal. Para algumas pessoas podem acontecer endividamentos, para outras pode ocorrer de, mesmo sem dívidas, não progredirem, não realizarem seus sonhos e seus desejos. E existe também uma parcela muito pequena da população que consegue até realizar alguma poupança espontânea, mas poderia ser melhor. Daí a necessidade do mapa, para sabermos como navegar pelo seu próprio jogo do dinheiro. Mas como eu posso construir um bom mapa financeiro e navegar bem nele?

 

Primeiro vamos definir o que é o Plano de Gastos. Como o próprio nome diz, é o planejamento de como eu vou usar o meu dinheiro. O nome mais comum para Plano de Gastos é Orçamento. Então basicamente é definir os limites em relação à utilização do seu dinheiro em diferentes áreas da sua vida financeira.

E por que isso é importante? Aquele dinheiro que você não dá nome, não dá destino, ele costuma ser gasto com bobagem sendo que ele poderia ser melhor empregado na sua vida, te servindo, gerando valor e satisfação para você. Se a gente vai deixando o dinheiro solto, a gente vai gastando sem perceber até que começa a sobrar mês no fim do salário. Aí pode ser o começo de problemas mais graves.

Esses problemas podem ser desde ficar sempre no zero-a-zero e gerar aquela sensação de que você nunca sai do lugar, passando pela situação em que pode gastar além da conta, até a situação em que você pode se tornar um consumidor compulsivo, que não aguenta ficar sem fazer uma comprinha – e especialmente nesse último caso começa-se a construir fortes condicionamentos neurais e psicológicos difíceis de serem desfeitos, mas não impossíveis de serem desestimulados.

Como criar um bom Plano de Gastos?

Primeira coisa que a gente tem que ter em mente é que o plano de gastos vai se aperfeiçoando ao longo do tempo, na medida em que nós vamos conhecendo e entendendo como funciona o nossos próprio jogo do dinheiro. Não é algo totalmente fixo: é uma referência de como devemos respeitar nossos limites.

Então, em um primeiro momento, você coleta e estima suas despesas em diversas categorias e a partir disso você define a forma como precisa e gostaria de usar o seu dinheiro. Você deve pensar em despesas relacionadas à:

  • Habitação: aluguel, água, condomínio, luz, gás, IPTU, diarista, parcela do financiamento imobiliário
  • Alimentação: supermercado, padaria, açougue, feira, sacolão, lanche
  • Transporte: ônibus, combustível, alguma manutenção regular do veículo, táxi, lavagens
  • Cuidados pessoais: salão, higiene pessoal, cosméticos, depilação
  • Saúde: medicamentos, médicos e terapeutas, plano de saúde, seguro saúde, seguro de vida, dentista
  • Educação: mensalidade escolar, mensalidade da faculdade, material escolar, livraria, uniformes, papelaria, cursos diversos
  • Telecomunicação: telefone fixo, celular, internet
  • Lazer: cafés, bares, boates, cinema, teatro, eventos esportivos, viagens, passeios, restaurantes, tv por assinatura, shows
  • Vestuário: roupa masculina, roupa feminina, roupa infantil, calçado masculino, calçado feminino, calçado infantil, acessórios, lavanderia
  • Investimentos: reservas, previdência privada
  • Dívidas e despesas financeiras: prestações de bens (carro, eletrodomésticos, eletroeletrônicos), parcelamento do cartão de crédito, tarifas bancárias, anuidades
  • Outras despesas: animais de estimação, dízimos, doações, mesadas, mimos, pensão, etc.

 

Esse rastreamento inicial é importante para você ter uma noção de tudo o que você gasta e com o que tem gastado seu dinheiro. Algumas despesas acontecem esporadicamente e, dependendo do seu critério, você pode estimar um valor mensal para essa categoria de despesa ou não. Deixo você à vontade para escolher entre uma coisa e outra.

O importante nesse momento é enxergar como você está usando o dinheiro e, a partir dessas informações, definir os seus próprios limites. Aquelas despesas que são variáveis você deve procurar meios de estimar. Estamos na etapa de definir um Plano de Gastos inicial.

Definido tudo, cada real com seu destino, qual é a próxima etapa? Rastrear minuciosamente TODOS os seus gastos. Para isso você vai precisar de uma ferramenta que te dê a capacidade e a facilidade de registro das informações, além do fácil manuseio das mesmas. Hoje é muito comum o uso de aplicativos e também de planilhas financeiras – existem várias. Você deve, contudo, experimentar e pensar naquela ferramenta que te dá agilidade (facilidade em registrar as informações) bem como na possibilidade de manusear seus registros. O tradicional caderninho, por exemplo, pode te ajudar no registro, mas a parte de análise fica muito prejudicada. As planilhas podem precisar ser aperfeiçoadas para que a análise seja bem feita, além de poderem ter limitações técnicas em relação às fórmulas; já os aplicativos costumam ser a melhor opção, porém deve-se observar o que eles oferecem em termos de análise além do registro.

Sem o bom controle, gerenciamento e análise regular sobre como está usando seu dinheiro muito provavelmente você vai furar seu Plano de Gastos: vai estourar o orçamento. Sem essa engrenagem a máquina desarranja.

E aí é fazer virar rotina: todos os dias em algum momento específico realizar o registro das informações; se a ferramenta escolhida for um aplicativo, realizar o registro na hora da despesa. E se concentrar em fazer virar hábito.

Plano de Gastos inicial definido, ferramenta escolhida, foco na rotina do registro das informações.

O próximo passo é monitorar

Monitorar significa verificar, de tempos em tempos, para onde o dinheiro está indo, de preferência, em tempo real. Nesse ponto o caderninho deixa muito a desejar e se a planilha não estiver bem feita, essa etapa fica fortemente prejudicada. O monitoramento das informações é importante para ajustarmos algum possível desvio diante daquilo que estabelecemos previamente, antes que aconteçam grandes desarranjos. É bom que se dê uma olhada pelo menos no meio da semana (tipo quarta-feira) e ao final da semana (no sábado) para saber se pode fazer alguma coisa que envolva o uso de dinheiro.

Ao final ou ao início de cada mês é importantíssimo parar, ver tudo o que foi registrado, analisar, refletir sobre o que foi feito, o que deveria ser feito e o que não teve jeito, teve que fazer… prestar atenção especialmente aos gastos desnecessários. E a partir dessa análise e reflexão, corrigir os desvios e ajustar o Plano De Gastos, especialmente nos três primeiros meses de coleta, em que você ainda está aprendendo sobre como funciona seu jogo financeiro e realizando os ajustes no orçamento.

Até aqui é o procedimento padrão que você deve repetir para todo sempre: registro, monitoramento e correções. Lembre-se: nossa vida assim como nossa vida financeira é dinâmica e também por isso ajustes podem acontecer de tempos em tempos.

Existem despesas que acontecem em momentos específicos ao longo do ano e que costumam ser o que chamo de Grandes Gastos. São gastos anuais, semestrais ou trimestrais, dependendo do que você faz. Geralmente são despesas relacionadas por você usufruir ou ter um bem ou exercer uma profissão: IPVA, IPTU, taxas ou registros profissionais. Levantar essas informações com suas estimativas são fundamentais para o próximo passo.

O próximo passo é o que a maioria das pessoas não consegue fazer: projetar seu Plano de Gastos, poupança e contingências futuras. O momento ideal de se fazer a projeção é quando você já tem mais ou menos um padrão de como funciona seu jogo financeiro, com uns 3 ou 4 meses de registro e controle. Consegue-se perceber com bastante clareza padrões de gastos. Costumo dizer que a projeção deve ser feita à lápis, porque na medida em que vamos construindo vamos realizando vários ajustes. De posse dessas informações devemos projetar o Plano de Gastos para os próximos 12 meses, considerando e procurando ajustar os grandes gastos nessa projeção. Nessa etapa você pode considerar estimar despesas com presentes e datas comemorativas além de impostos e outras despesas.

Se o fluxo de caixa futuro, ou seja, a diferença entre o que se recebe e o que provavelmente vai ser gasto deu negativo nesse período projetado, quais são as medidas que devem ser tomadas para corrigir esse desvio? Será que tem que diminuir despesas? Será que tem que aumentar receitas? Será que nesse mês a poupança vai ficar mais magrinha? Será que tenho que fazer uma reserva diferenciada para tais despesas? Eu não sei. E como estamos falando de futuro cabe aqui pensar em alternativas para antecipar quaisquer dificuldades ou problemas.

 

Com um esforço consciente em registrar suas despesas, monitorar e analisar, corrigir e projetar suas finanças, com o tempo isso tudo vai ficando automático. E no momento em que fica automático, aconteceu o aprendizado real. É necessário resiliência e determinação, é verdade. Existem aspectos de mentalidade (crenças e até prioridades comportamentais inconscientes) que podem interferir. Porém, se você se esforçar e focar, você vence e instala esse hábito em sua vida. Continue continuando!

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Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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