Ouça agora este podcast!“047 Guia Definitivo sobre Previdência Privada – parte 2”

Olá, você está escutando o Investidor Inteligente, podcast sobre finanças do site DicasCurtas.com.br.

Eu sou Phillip Souza, coach em finanças pessoais, consultor financeiro e terapeuta financeiro e meu objetivo é ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente!

Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas, orientações, conversando sobre diferentes estratégias para construirmos caminhos que te levem a conquistar seus objetivos, a superar seus desafios e também a construir a sua independência financeira. Assinando ao podcast do Investidor Inteligente você pode acompanhar gratuitamente essas dicas que têm o poder de mudar a sua relação com o seu dinheiro.

No podcast anterior, começamos a falar sobre Previdência Privada: o que é a previdência, como que ela funciona, em que seus recursos podem ser investidos e os tipos de previdência. Caso você não tenha acompanhado, recomendo escutar o podcast anterior para ter uma noção clara sobre o assunto, pois hoje vamos falar sobre aspectos que podem influenciar a escolha de um ou outro tipo de plano.

Quando se contrata um plano de previdência privada ou um seguro de vida, as empresas e seguradoras precisam avaliar quanto tempo de vida estimado tem o contribuinte. Essa estimativa é feita através de uma tabela chamada Tábua Atuarial, também conhecida como tábua de vida ou mortalidade.

Contudo, não existe apenas uma Tábua Atuarial. Várias delas são usadas e seus valores são recalculados de tempos em tempos à medida que a expectativa de vida da população vai mudando.

Esse é um conceito que existe desde 1980, mas que tem mudado muito graças aos avanços na medicina e na qualidade de vida das pessoas. Desde 2010, as seguradoras brasileiras resolveram criar a sua própria Tábua Atuarial. Até então, as empresas usavam Tábuas de outros países, como a AT 2000 dos Estados Unidos. Hoje as seguradoras se baseiam na Experiência do Mercado Segurador Brasileiro, ou BR-EMS. Com isso, as empresas conseguem se adequar melhor às condições e características da população brasileira, fazendo projeções da expectativa de vida que são mais realistas.

Como se dá a tributação da previdência privada?

Além da divisão entre PGBL e VGBL que detalhei no podcast anterior, outro detalhe que o contribuinte deve se atentar é a forma de tributação do Imposto de Renda na previdência. São duas opções de tributação: tabela regressiva e tabela progressiva.

A tabela regressiva é ideal para o contribuinte que tem planos de longo prazo ou pretende resgatar o dinheiro depois de pelo menos 10 anos. Quanto maior o tempo que ele permanecer no plano, menor será a alíquota do Imposto de Renda, seguindo conforme a regra a seguir:

  • Até 2 anos: 35% sobre o rendimento
  • Entre 2 e 4 anos: 30% sobre o rendimento
  • Entre 4 e 6 anos: 25% sobre o rendimento
  • Entre 6 e 8 anos: 20% sobre o rendimento
  • Entre 8 e 10 anos: 15% sobre o rendimento
  • Acima de 10 anos: 10% sobre o rendimento

Em resumo, a modalidade de tabela regressiva pune prazos muito curtos de investimento e premia longos prazos. Quem fica com o plano durante um período superior a 10 anos acaba aproveitando uma das melhores tributações do mundo dos investimentos, 10% – perdendo, é claro, para os produtos que são isentos de IR.

A tabela progressiva é bastante conhecida por quem declara IR porque é a mesma que determina a alíquota sobre o salário. Nessa modalidade, o que determina o IR recolhido é o valor a ser resgatado. Você pode conferir essa tabela no site da Receita Federal:

  • Até R$ 1.903,98 – ISENTO
  • Entre R$ 1.903,99 e R$ 2.826,65 – 7,5%
  • Entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05 – 15%
  • Entre R$ 3.751,06 e R$ 4.664,68 – 22,5%
  • Acima de R$ 4.664,68 – 27,5%

Sempre lembrando que, aqui, os resgates da previdência se “misturam” com suas demais fontes de renda. Ou seja: se você tiver uma renda tributável (digamos, referente ao aluguel de imóveis) de R$ 4.700,00 por mês e faz resgates de R$ 1.900,00 de seu VGBL, esses resgates cairão na tributação máxima da tabela de IR.

Vale ressaltar que os valores dessa tabela de IR são atualizados ao longo do tempo, mas as porcentagens das alíquotas permanecem as mesmas. Esse é mais um detalhe que pode gerar muita dúvida para os investidores. Porém, tudo poderá ser esclarecido no terceiro e último episódio dessa minissérie, no passo a passo para escolher a melhor previdência privada.

E previdência privada tem taxa?

Assim como os fundos, a previdência privada possui a cobrança de algumas taxas. Esses são os custos ao adotar essa modalidade de investimento.

  • Taxa de administração é o percentual que incide sobre o patrimônio total do fundo, pago mensalmente para remunerar o serviço de administração realizada pela empresa de previdência privada;
  • Taxa de carregamento é o percentual cobrado de cada aplicação com o objetivo de cobrir os custos da empresa que administra o fundo;
  • Taxa de saída é o percentual cobrado sobre o valor sacado antes de determinado prazo, que pode variar de dois a cinco anos.

Da mesma forma que os fundos de investimento, as taxas para diferentes planos de previdência complementar podem variar bastante. No caso da taxa de administração, é possível ter valores que variam de 0,7% a.a. a até 3% a.a. Pode parecer pouco, mas essa pequena diferença pode significar muito depois de um longo período.

A taxa de carregamento é outra que varia bastante. Algumas seguradoras, por exemplo, isentam o investidor no caso do carregamento da entrada.

Já a taxa de saída é um pouco incomum no Brasil, mas bastante presente em planos de previdência no exterior.

Algumas seguradoras podem cobrar taxas extras, mas as duas primeiras – taxa de administração e taxa de carregamento – são as mais comuns.

Com tudo o que foi conversado até agora, quais são as vantagens e desvantagens da previdência privada?

Assim como qualquer produto financeiro, a previdência privada possui vantagens e desvantagens.

Vamos falar das VANTAGENS

Come-cotas

Embora a previdência privada seja um investimento em formato de fundo, uma de suas grandes vantagens é a inexistência do come-cotas. Para quem não conhece, esse é um nome simpático dado a um evento nada divertido no calendário de investidores de fundos. A cada semestre – mais especificamente no último dia útil de maio e de novembro –, a Receita Federal recolhe de forma antecipada o Imposto de Renda desse tipo de aplicação. Isso não acontece com os planos de previdência, o que é uma vantagem com relação aos fundos tradicionais.

Portabilidade

Se você fez más escolhas no passado e já ficou anos contribuindo para uma previdência ruim, pode se aproveitar da portabilidade e trocar de plano. Essa é outra vantagem importante para os investidores. Os contribuintes podem fazer isso sem ter que resgatar o dinheiro e sem precisar pagar taxas ou impostos nessa mudança. Hoje, a portabilidade pode ser efetivada de forma simples e rápida. Dessa forma, os investidores ainda podem melhorar a sua previdência complementar sem jogar no lixo todo o esforço acumulado de alguns anos.

Sucessão patrimonial

Diferente de outras aplicações, os planos de previdência privada permitem que você escolha os beneficiários no caso de morte do titular. Outro ponto interessante é o fato de o benefício poder ser repassado diretamente para os beneficiários, sem necessidade de inventário e pagamento de Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), o chamado “imposto sobre heranças”. É importante ressaltar, aqui, que esse segundo benefício (isenção de pagamento de ITCMD) está sendo alvo de um debate jurídico e em alguns casos, especialmente quando falamos de planos PGBL, o investidor pode ter que arcar com esse custo. É por isso que a previdência complementar também é encarada como um investimento de sucessão patrimonial. No caso de morte do titular, a ausência de burocracia favorece o repasse do dinheiro acumulado para o beneficiário.

Incentivo à disciplina

Eu já falei diversas vezes que a previdência privada pode ser encarada como uma “poupança forçada”. Isso porque os aportes regulares são essenciais para garantir a atratividade do produto. Assim, muitos acabam aderindo a um plano como um incentivo à disciplina, forçando-se a guardar uma parcela dos ganhos para o longo prazo.

Vamos falar das DESVANTAGENS

Rentabilidade

Por conta dos custos, os planos de previdência privada acabam perdendo atratividade. Especialmente quando comparado a outros produtos financeiros ou à criação de uma carteira de investimentos por conta do próprio investidor. Porém, como foi explicado na parte em que falamos sobre as taxas, é preciso pesquisar bastante para encontrar os fundos que cobram menos de seus contribuintes. Planos com taxa de administração e carregamento altos certamente corroerão os rendimentos do dinheiro aplicado, com exceção em raros casos em que o gestor do fundo é bastante competente e talentoso.

Liquidez

A previdência privada é um investimento de longo prazo. Por isso, alguns mecanismos acabam desestimulando resgates em um período curto, geralmente inferior a 10 anos. A carga tributária é um bom exemplo. Ela é extremamente alta (na tabela regressiva) caso você venha a resgatar seu dinheiro em até 2 anos (alíquota de 35%). Se estiver pretendendo investir dentro desse prazo, outros produtos financeiros certamente são mais atrativos.

Sem garantia pelo FGC

Da mesma forma que os fundos de investimento, os planos de previdência complementar não são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Caso você não saiba, o FGC é a instituição que protege os investimentos realizados em algumas modalidades. No caso dos fundos de previdência, a garantia fica por conta da solidez da empresa/seguradora que está por trás do plano. Grandes bancos geralmente são uma boa opção, mas a rentabilidade acaba afastando os investidores, que precisam correr um pouco mais de risco ao aplicar em seguradoras menores.

“Risco do Administrador”

Existe uma diferença muito forte entre um fundo de investimento comum e um fundo de investimento de previdência. Em ambos os casos, o fundo é uma personalidade jurídica, com seu CNPJ próprio. Entretanto, quando falamos de um fundo de investimento normal (como um fundo de ações, de renda fixa ou multimercado), se o administrador do fundo ou gestor do fundo decretar falência, os ativos do fundo não se misturam ao patrimônio desses players. Nos fundos de previdência, não é isso que ocorre. Infelizmente, existe um entendimento de que, se o administrador do plano quebrar, todo o ativo de seus fundos entrarão na “massa falida” da empresa. Em resumo: se o administrador quebrar, você perde todo o seu dinheiro. E esse aqui é um grande risco que é desconhecido por muitos investidores.

No próximo episódio trataremos da parte mais objetiva desse assunto: a forma mais adequada de escolher o seu plano de previdência. Continue comigo!

Espero que tenha gostado dessas informações.

Compartilhe esse podcast com seus amigos, participe conosco através das redes sociais, enviando suas dúvidas, sugestão de temas, entrando em contato através das páginas do Facebook ou pelo site (www.PhillipSouza.com.br), e, claro, lembre-se de assinar ao podcast do Investidor Inteligente do DicasCurtas através do aplicativo de podcast de sua preferência. Dessa forma, você receberá uma notificação sempre que um novo episódio estiver disponível. Você também encontra o Investidor Inteligente no Spotify.

Aproveite também para conhecer os outros experts e suas dicas valiosas através do site www.DicasCurtas.com.br.

Ficamos por aqui e até a próxima semana com aquela dica do Investidor Inteligente

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

Pin It on Pinterest

Share This