A única certeza que podemos ter em nossas vidas é que ela vai mudar. Mudança é uma constante na vida e, muitas vezes, mudanças têm a ver com imprevistos. Alguns imprevistos têm o potencial de trazer grandes problemas, enquanto outros podem proporcionar grandes vantagens. Daí surge, também, a ideia das reservas.

Sabia que existem alguns tipos de reservas para nossas vidas, sendo que algumas delas são obrigatórias enquanto outras são opcionais, mas podem ser estratégicas? No primeiro caso, encontramos o conceito e ideia da Reserva de Segurança; no segundo caso, encontramos as ideias relacionadas a Reserva de Oportunidades. Mas como podemos construir tanto uma quanto outra e estarmos devidamente preparados para imprevistos ruins e bons?

Esse é o podcast do Investidor Inteligente que todas as semanas traz para você informações valiosas sobre sua vida financeira, respostas sobre como usar melhor o seu dinheiro de maneira mais harmônica, procurando te ajudar na importante tarefa de se tornar mais sensível à sua vida financeira para cuidar bem do seu dinheiro.

Eu sou Phillip Souza, planejador financeiro pessoal e terapeuta financeiro, treinador, palestrante e educador financeiro especialista em inteligência financeira, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr.

Tenho o nobre e ousado objetivo de te auxiliar a destravar a sua mentalidade e te ajudar a entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! E, dessa forma, poderá se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Sendo assim, vamos abordar os seguintes pontos:

  • Introdução
  • Reserva de Segurança
  • Reserva Imediata
  • Reserva de Oportunidade
  • Caso prático

Ouça “183 Imprevistos: como se preparar para os momentos ruins e para os bons” no Spreaker.

Alguns questionamentos feitos a mim tanto pelos clientes que atendo e já atendi, quanto por você, ouvinte do podcast dO Investidor Inteligente, quando decide interagir apresentando seus desafios e suas dúvidas através das redes sociais ou por e-mail (por mais simples que possam parecer) faz com que certas distinções refinadas e valiosas surjam. E essa é mais uma delas.

Muito se fala da formação da Reserva de Segurança – ou, como já chamei e muitas pessoas ainda chamam de Reserva de Emergência: não dou mais esse nome porque a nossa mente cria, sem querer, uma relação, uma associação de perigo que gera ansiedade com aquele dinheiro que está sendo separado, poupado e investido com o propósito de te oferecer uma segurança financeira mínima em caso de situações de imprevistos realmente relevantes e que precisam ser solucionados para ontem.

Reserva de Segurança

E é natural, vez ou outra revisitarmos esse tema, da Reserva de Segurança. E para colocarmos pano de fundo ao nosso raciocínio quero relembrar algumas coisas. A Reserva de Segurança deve ser o primeiro investimento que todo e qualquer investidor deve ter em mente quando começa a juntar dinheiro. Não é para render rios de dinheiro. Você não vai ficar rico poupando e investindo sua Reserva de Segurança. A Reserva de Segurança serve única e exclusivamente para te dar mais conforto psicológico e emocional em relação à sua vida financeira, principalmente quando os tempos forem ruins e você já tiver avançado para investimentos mais arrojados que precisam de tempo para maturarem e idealmente não mexer com esse recurso, destinado a objetivos maiores e futuros.

Vale a pena ter seguros para cobrir situações de risco em sua vida financeira? Claro que sim. Sua Reserva de Segurança é para solucionar situações financeiras por um período muito curto, que varia de 3 meses a 18 meses, dependendo da sua necessidade e do seu risco profissional. Um seguro geralmente cobre situações muito mais graves: incapacidade de trabalhar (temporária ou permanente); situações de doenças (como câncer); danos materiais e pessoais em relação a algum bem (como um carro ou uma motocicleta); e, como você sabe, um valor financeiro expressivo para os beneficiários caso o titular da apólice venha a falecer.

Só que seguro deve ser considerado como despesa (anual ou mensal, dependendo de como você prefere pagar) e não como investimento ou reserva. Já diz o antigo ditado: “o seguro morreu de velho”. E se, durante toda sua vida, você puder não usar o seguro, certamente você não teve imprevistos sérios com sua saúde, seus bens e com sua vida. É um custo baixo, diante de uma situação realmente grave.

Por outro lado, uma Reserva de Segurança pode te dar um pouco mais de paz e tranquilidade porque, caso você tenha seguros, até os trâmites burocráticos se desenrolarem, você tem recursos para manter sua vida financeira funcionando.

E qual o montante que a gente deve estruturar essa reserva? Isso tudo depende, primeiro, da sua necessidade e, segundo, do seu risco profissional. Eu não tenho como te dar um parâmetro sobre a sua necessidade porque tem que ser considerado suas expectativas em relação à sua vida financeira – e isso é extremamente pessoal. Agora, para termos uma referência de Reserva de Segurança em relação ao seu risco profissional é fácil:

  • Se você é funcionário público, sua Reserva de Segurança deve ter, no mínimo, 3 meses dos valores que você GASTA habitualmente – mas o ideal é que essa reserva seja de pelo menos 6 meses;
  • Se você é funcionário de empresa privada, seu risco de perda de emprego e, consequentemente, perda de renda é maior comparado à um funcionário público concursado; e isso faz com que sua Reserva de Segurança tenha que ser um pouco maior: deve ter, no mínimo, 6 meses dos valores que você GASTA habitualmente – mas o ideal é que essa reserva seja de pelo menos 10 meses;
  • Se você é empresário ou profissional liberal, em que sua renda é extremamente variável e que não existe previsibilidade alguma de recebimento se não houverem negócios, sua Reserva de Segurança deve ser bem maior: deve ter, no mínimo, 10 meses dos valores que você GASTA habitualmente – mas o ideal é que essa reserva seja de pelo menos 18 meses.

É claro que isso são apenas referências. Você pode adaptar os valores ao seu caso, mas atente-se para sua segurança. Não seja ousado demais em fazer reservas baixas para não ficar frustrado e em uma situação de risco pessoal e familiar elevados caso aconteça uma situação realmente problemática no futuro. O ano de 2020 demonstrou que essa recomendação e que essas palavras são reais. Foi um verdadeiro Cisne Negro, conforme disse Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “A Lógica do Cisne Negro” – foi um imprevisto de escala global e catastrófica. E assim, vão existir outros cisnes negros: só não sabemos exatamente quando e nem como, mas vão existir. Desde que o mundo é mundo tem crise: inocente e negligente é aquele que acha que não vai ter.

A partir dessa ideia de Reserva de Segurança nascem dois conceitos diferentes e complementares que quero refinar para você: a Reserva Imediata e a Reserva de Oportunidade.

Reserva Imediata

Os recursos poupados, separados e posteriormente investidos para a formação da sua Reserva de Segurança devem privilegiar dois dos três pilares de qualquer investimento: segurança e liquidez. Você não pode ter o risco de perder esse dinheiro de jeito nenhum, assim como tem que ter esse recurso disponível o mais rápido possível se tiver necessidade de usá-lo.

A rentabilidade, que é o terceiro pilar, deve ser considerada por último – e nesse caso se os investimentos estiverem no mesmo nível que o CDI já está excelente! Provavelmente seus recursos não perderão poder de compra para a inflação e, se em algum momento a inflação for superior ao CDI, no longo prazo isso se ajusta.

Dependendo do tamanho da reserva você pode diversifica-la (não muito, talvez 2 ou 3 ativos mais seguros e líquidos); contudo, tem uma parte que deve ser colocada e mantida como ultraconservadora: liquidez imediata, sem nenhum risco de perda e, se possível, no mínimo 100% do CDI – mas se isso não for possível, pelo menos alocada na Caderneta de Poupança. Essa deve ser sua Reserva Imediata.

A Reserva Imediata faz parte da Reserva de Segurança. E, mais uma vez, você pode definir qual o montante para esse recurso, mas sugiro o valor de 1 mês de seus gastos para Reserva Imediata. Independente do seu risco profissional, esse deve ser seu primeiro objetivo: juntar dinheiro referente a 1 mês de seus gastos que vai se tratar do primeiro degrau para o restante da sua Reserva de Segurança.

Onde aplicar? Já dei spoiler: pode ser em um CDB100%CDI ou na própria caderneta de poupança em seu principal banco. Toma muito cuidado com as aplicações automáticas dos bancos grandes: essas aplicações são em fundos de investimento de renda fixa ultraconservadores e as taxas de administração costumam ser muito caras. Não justifica você pagar imposto de renda e nem taxas se esse recurso serve para um socorro imediato – não justifica pagar por aquilo que você não precisa. Tem fundo desse tipo (ultraconservador na renda fixa) que cobra taxas de quase 2% ao ano – é um custo muito alto para o perfil e o propósito desse tipo de recurso. Melhor seria deixar o dinheiro parado na Caderneta de Poupança – rende pouquinho, mas ao menos você não paga nada por isso.

Primeiro degrau: Reserva Imediata (sugestão de 1 mês daquilo que você GASTA). Próximos degraus: a constituição da sua Reserva de Segurança que vai variar de acordo com suas necessidades e risco profissional, conforme já abordamos.

E a Reserva de Oportunidade?

Reserva de Oportunidade

A Reserva de Oportunidade, diferente das duas reservas que conversamos que são, inclusive, complementares, não é obrigatória.

Mas pensa comigo: você se organizou e começou a juntar dinheiro. Formou sua Reserva Imediata referente a um mês de seus gastos. Continuou poupando, investindo e também estudando e se preparando e terminou de formar sua Reserva de Segurança, qualquer que seja o tamanho dela.

E agora, com as questões relacionadas a sua segurança e de sua família resolvidas, é hora de pensar em objetivos mais arrojados, de mais prazo, talvez alguns anos à frente ou décadas adiante. Um carro novo, uma casa, uma viagem, a escola dos filhos, a compra de imóveis, a preparação para abrir seu negócio próprio ou a construção de novas fontes de renda, a poupança para a melhor idade ou mesmo a grande reserva para sua independência financeira.

Esses e outros objetivos podem ser alcançados de diferentes formas, mas, financeiramente falando, estamos tratando de poupança dos recursos produzidos com seu trabalho ou negócios: e, nesse caso, os recursos poupados e alocados para esses propósitos podem ser mais arrojados, concorda? Desde que bem escolhidos, caso tenha algum revés em termos de oscilação negativa do mercado, existe prazo para recuperar as perdas e até superar as expectativas. Ou seja, estamos falando de ativos moderados, com mais risco, e também de ativos arrojados, em renda variável, com muito mais oscilação e risco – mas também com muito mais potencial de ganhos.

Eu disse que outro cisne negro vai acontecer. Não sou profeta do Apocalipse: é só olhar para a história recente (os últimos 50 ou 100 anos) e constatar que o que estou dizendo pode ser verdade. E quando acontecer, desde que estejam em níveis adequados, a sua Reserva de Segurança (que inclui a sua Reserva Imediata) estarão lá para te dar o suporte, o apoio necessário nesses momentos tenebrosos.

Mas dentro de uma crise sempre existem excelentes oportunidades. No ano de 2020 quem estava preparado aproveitou descontos na bolsa jamais vistos (ações, fundos imobiliários, fundos de índice). Talvez o investidor mais novato, de menos de 5 anos, nunca viu tanta coisa boa e barata disponível ao mesmo tempo. Quem estava preparado usou recursos para comprar, aguardar e talvez já tenha até realizado lucros expressivos em um curto espaço de tempo – se considerarmos que a renda variável demanda paciência e foco no longo prazo.

E como eles podem ter feito isso? Eu sei que alguns desaplicaram seus recursos de suas Reservas de Segurança, na tentativa de aproveitar a oportunidade. Deram sorte porque o mercado reagiu relativamente rápido; mas essa é uma atitude de pouca prudência porque o mercado poderia estar até agora muito ruim e se acontecesse um imprevisto significativo eles estariam em uma situação muito delicada, talvez tendo que desfazer dos ativos comprados ainda sem ganhos expressivos ou até no prejuízo; isso tudo fruto da sua ganância. Então que fique de alerta: jamais use os recursos de sua reserva de segurança para alocar em ativos de renda variável, que existe possibilidade de perda seja no curto prazo ou no longo prazo.

Porém, outros investidores ainda mais preparados, usaram sua Reserva de Oportunidade. Eles sabem que crises vêm e vão e quando elas vêm é o momento de olhar a vitrine com mais atenção e critério, avaliar o que está com preços realmente baixos e ir às compras e aproveitar as liquidações sem comprometer a sua própria segurança e de sua família.

É para isso que serve a Reserva de Oportunidade: recurso disponível para aproveitar situações no mercado em que você pode multiplicar mais forte e rapidamente seu capital, pois se percebe uma discrepância muito grande entre o preço atual e o que o ativo realmente vale. E isso não serve só para bolsa de valores: isso serve para o mercado imobiliário bem como para uma oportunidade de negócios que são ouro destilado se apresentando diante de você – desde que você realmente conheça do negócio, para não enfiar os pés pelas mãos.

E qual deve ser o tamanho da Reserva de Oportunidade? Isso é muito relativo, muito mesmo. Porque o ideal é que essa reserva seja um volume razoável, que tenha liquidez e que também esteja razoavelmente segura (pode até estar em ativos conservadores-moderados, por exemplo). Mas não precisa, necessariamente ser gigante.

Um volume-referência poderia ser algo em torno de 3 a 6 vezes aquilo que você GANHA habitualmente (preste atenção: nas Reservas Imediata e de Segurança a referência era o quanto você GASTA; aqui estou propondo como referência o quanto você GANHA). E porquê disso? Para que nesses momentos catastróficos você possa se beneficiar e correr o risco de multiplicar mais rapidamente seu patrimônio.

Essa Reserva de Oportunidade não precisa ser o próximo passo após a construção da Reserva de Emergência: pode ser feita junto com outros objetivos, desde que caibam no orçamento. É uma proposta de aguardar a próxima crise e se beneficiar com a queda dos mercados ou com oportunidades de aumentar seu patrimônio mais rapidamente.

Caso prático

Vamos à um caso hipotético simples e prático para ilustrar tudo o que foi falado aqui.

Digamos que uma família não tenha dívidas, poupa parte daquilo que recebe e, portanto, gasta menos do que aquilo que ganha. E que sua renda habitual seja de R$6.000 (marido produz metade, a mulher produz metade desse valor), enquanto seus gastos são de R$4.000. O marido é profissional liberal (risco alto) e a mulher trabalha em empresa privada (risco intermediário).

O nível ideal de reserva dessa família deveria ser algo em torno de 10 vezes aquilo que gastam, mas poderiam, se assim achassem prudente, considerar o montante de 6 vezes. A Reserva Imediata dessa família deveria ser de, no mínimo, R$4.000, enquanto a Reserva de Segurança algo próximo de, no mínimo, R$24.000 podendo chegar idealmente a R$40.000.

Digamos que eles considerassem o volume de R$24.000 para Reserva de Segurança adequado nesse momento. Desse valor, R$4.000 é Reserva Imediata (ultraconservador, liquidez imediata, totalmente seguro) e o restante de R$20.000 é a complementaridade da Reserva de Segurança (em ativos conservadores, líquidos e seguros também, podendo diversificar em 2 ou 3 ativos com essas características).

Se eles quiserem, se eles acharem interessante e couber no orçamento deles, depois de formada a Reserva de Segurança (os R$24.000), podem formar ao mesmo tempo uma Reserva de Oportunidade junto com as poupanças para os próximos objetivos. O montante para esse tipo de reserva é livre e não-obrigatório, mas, como sugestão, no caso dessa família, poderia ser entre R$18.000 a R$36.000 para aproveitar aqueles momentos estratégicos para crescimento mais robusto do patrimônio ao longo da jornada da vida financeira em circunstâncias de crise e de oportunidade.

Existem muitas variáveis para definir o que fazer, conforme já ressaltei, mas o raciocínio-base você já tem. Agora é com você. Me conta nas redes sociais o que você achou dessa estratégia e se isso faz sentido para você. Me procura lá no Instagram ou Facebook através do @phillipsouzabr, beleza?

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Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, e esse é o podcast do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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