Ouça agora este podcast!“040 Instalando o hábito de registro financeiro (uma abordagem neurocientífica)”

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site DicasCurtas.com.br. Meu objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos, à superação de desafios e também à independência financeira. Para ter acesso às dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

Muitas pessoas reclamam da falta de disciplina em relação ao seu controle financeiro. Até começam a usar algum aplicativo, algum programa, ou até mesmo alguma planilha para tentar controlar as despesas. Mas a reclamação consistente é que elas são indisciplinadas, não conseguem estabelecer o hábito do registro das informações independente da ferramenta. Uma compreensão mais aprofundada de como funciona o nosso cérebro pode dar a indicação do que você realmente precisa fazer para instalar esse e qualquer outro hábito em sua vida.

O nosso cérebro é um órgão extremamente poderoso. Contudo, ele tem certas limitações e, até onde se sabe, determinadas maneiras de funcionar. Nas neurociências existem diversos modelos de como funciona o nosso cérebro, portanto, são passíveis de atualização ou mesmo mudança de paradigma.

Até o presente momento, os pesquisadores concordam que o nosso cérebro tem pelo menos dois tipos de processamento cognitivo. Podemos chamá-los de processamento tipo 1 e processamento tipo 2. O processamento tipo 1 é autônomo, automático, intuitivo e não exige muitos recursos computacionais – ele opera com pouco esforço e nenhuma percepção de controle voluntário, podendo operar simultaneamente sem interferir em outros processamentos tipo 1 ou tipo 2;  por outro lado, o processamento tipo 2 não é autônomo, mas sim deliberado, consciente, reflexivo e serial, envolvendo o uso de memória de trabalho e precisa de mais recursos computacionais, já que aloca atenção às atividades mentais trabalhosas que o requisitam.

Sistemas

No campo de tomada de decisão, nosso cérebro tem mais de um sistema de seleção de ações. Alguns pesquisadores destacam pelo menos três sistemas:  o sistema pavloviano, o sistema de hábitos e o sistema deliberativo.

Pavloviano

O sistema pavloviano está ligado ao comportamento impulsivo, controlando comportamentos inatos e importantes ligados à alimentação, reprodução, aproximação ou agressividade, por exemplo. No dia-a-dia, decisões tomadas apenas com base nesse sistema podem gerar comportamentos inadequados como o excesso de alimentação, uso de drogas ou gratificação imediata – nesse último conceito, podemos incluir as compras por impulso que acabam, com o tempo, prejudicando significativamente as nossas finanças.

Hábitos

O sistema de hábitos controla as escolhas e decisões com relação aos comportamentos rotineiros: tanto as ações quanto os processos mentais. Basicamente os hábitos vão se consolidando a partir da repetição, especialmente com uma gratificação diante de uma ação; caso aconteçam penalidades, tais ações podem ser diminuídas ou mesmo extintas.

Deliberativo

Por fim, o sistema deliberativo funciona com base no modelo de mundo independente de gratificações imediatas ou experiências prévias, visto que ele consegue criar simulações de consequências das alternativas comportamentais por meio de inferências que visam escolher o que é melhor de acordo com o contexto.

À essa altura, você já deve ter associado o sistema pavloviano e o sistema de hábitos com o processamento tipo 1, enquanto o sistema deliberativo está associado ao processamento tipo 2.

Você já deve ter consciência que uma das habilidades mais importantes em relação às finanças pessoais reside no fato de registrar tanto aquilo que nós recebemos quanto aquilo que gastamos, pois só assim é possível entender para onde as nossas finanças estão caminhando, de acordo com a informação coletada e organizada, para que possamos tomar as decisões certas sejam para melhorar ou mesmo corrigir o rumo.

Mudar hábitos com ferramentas

A ferramenta nesse caso importa? Sim, é interessante que você tenha uma ferramenta que seja fácil inserir as informações, e seja fácil avaliar no dia a dia como está o progresso do uso do seu dinheiro, e que seja possível também realizar análises para que, a partir da sua interpretação, você possa decidir melhor em prol da sua qualidade de vida e da realização dos seus sonhos e objetivos. Contudo, de nada adianta você ter a melhor ferramenta do mercado, o melhor aplicativo instalado em seu smartphone, que te traz gráficos, que dispara alarmes, mil projeções, que te ajuda a estabelecer sonhos, se o instrumento fica apenas de enfeite, mais um programa no computador ou mais um aplicativo deixado de lado no seu celular. É necessário usar.

Mas e aí, como fazer? A principal chave está em tornar o registro regular das suas informações financeiras pessoais um hábito. Essa é uma tarefa que vai demandar a sustentação da atenção, do esforço cognitivo, do foco durante algum tempo. Algumas pessoas se adaptam rapidamente, precisando de alguns dias ou algumas poucas semanas; outras pessoas precisam de mais tempo para que essa adaptação, para que esse hábito esteja consolidado, podendo inclusive, demorar de semanas à alguns meses para que isso aconteça.

É justamente nessa etapa que as pessoas costumam desistir, pois usar o sistema deliberativo, aquele que nos permite sustentar comportamentos e ações independente de gratificações, é custoso, cansativo e, para o cérebro, uma tarefa árdua. Mas ao mesmo tempo, enquanto estamos praticando, o sistema de hábitos também está ativo: e, a partir da repetição, especialmente se tiver alguma gratificação relacionada à essa pequena, mas importantíssima tarefa, a prática se torna prazerosa, facilitando o processo de instalação desse hábito crucial para suas finanças pessoais.

Não tem fórmula mágica: é necessário esforço, é necessária atenção, é necessária dedicação. Sem isso você continua tendo a mesma vida que sempre teve, colhendo os mesmos resultados que sempre colheu – o tempo vai passando, e você vai deixando de realizar tudo o que um dia almejou porque não se esforçou pelo tempo necessário para construir os hábitos exigidos para ter saúde financeira.

Observe que, apesar de estarmos falando sobre finanças, isso serve para qualquer coisa: prática de atividade física, mudança e melhor alimentação, hidratação, hábitos de sono e descanso, relacionamentos, hábitos de trabalho, hábitos emocionais e hábitos mentais, só para citar alguns exemplos. Se tem alguma coisa na sua vida que não está te agradando, especialmente em relação ao que depende apenas de você, isso vai demandar algum tempo de trabalho em cima da questão, até que ela seja mudada e posteriormente consolidada.

E em relação à gratificação, como é que isso funciona? Aguenta aí que vou te falar!

E a gratificação ? 

Nosso cérebro é um órgão exigente, ao mesmo tempo que preguiçoso em termos de raciocínio. Na maior parte do tempo, ao contrário do que imaginamos, estamos sob direcionamento do processamento tipo 1, que é intuitivo, autônomo e automático. Alguns podem falar: “eu penso o tempo todo!”. Sim, pensamos, mas não raciocinamos o tempo todo. Essa impressão de raciocínio constante é dada porque o nosso fluxo de pensamento não cessa – isso não significa que estejamos tomando decisões racionais o tempo todo, o que é altamente custoso e cansativo.

Sabendo disso, podemos pensar e criar estratégias para incentivar e influenciar nosso processamento tipo 1 a partir de gratificações relacionadas àquele hábito que queremos que se estabeleça. E essas gratificações podem ser de qualquer tipo: não precisam e, na verdade, não devem ser associadas a compras (se não acaba criando uma associação perigosa e potencialmente prejudicial). Pode ser escutar uma música ou uma playlist preferida; pode ser tomar um cafezinho; pode ser tomar um ar; pode ser caminhar por algum lugar, mudando um pouco o ambiente; pode ser parar por um momento (coisa rápida, 5 minutos) e viajar nos seus sonhos, nos seus objetivos, imaginando o quão prazeroso vai ser quando estiverem sendo realizados. O ponto é: a gratificação tem que proporcionar prazer suficiente em relação ao esforço que está sendo empregado.

Algumas pessoas podem reclamar sobre falta de motivação para realizar a tarefa de registro; isso já é outro assunto, mas você pode, basicamente, pensar de duas formas, de preferência das duas formas: o que aconteceria de muito ruim se você não construísse esse hábito de registro das suas finanças em sua vida? Para um pouquinho e imagina uma situação catastrófica. Por outro lado, o que aconteceria se você construísse e estabelecesse o hábito, quais oportunidades, vantagens e boas sensações você já pode estar experimentando agora só de imaginar esse cenário positivo? Fazer essa manipulação de suas percepções pode te ajudar a criar a motivação para registrar suas informações financeiras. Mas esse é assunto para um outro podcast.

Conforme você já deve ter imaginado, é necessário sustentar essa conexão sutil entre o hábito do registro das suas informações com a gratificação, com a boa sensação de prazer intencionalmente estabelecida. Até que, depois de algum tempo, a associação fica inconsciente, o processamento tipo 1 acolhe aquilo e vira hábito.

Talvez você já tenha pensado sobre tudo isso, mas não com tantos detalhes, afinal, essa dica de hoje tem base neurocientífica em que, mais uma vez, é passível de atualização e revisão, mas, até então, funciona muito bem no processo de instalação de hábitos, inclusive hábitos financeiros.

 

Espero que tenha gostado dessa dica.

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente.

 

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