Ouça agora este podcast!

“090 Investimentos para Pessoa Jurídica”

Para potencializar os resultados dos investimentos financeiros e gerar mais renda ou receita, é natural que pessoas físicas e jurídicas apliquem seu dinheiro em outras fontes de renda, como títulos, imóveis, novos negócios, etc. Investir seu capital é a melhor forma de alavancar seu lucro e passar a credibilidade de um bom investidor para sócios e clientes.

A maioria dos investimentos destinados à pessoa física também podem ser utilizados pela pessoa jurídica, mas existem alguns detalhes envolvendo tributação, documentação e rendimentos que merecem nossa atenção. É sobre isso e muito mais que vamos tratar nesse podcast.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento nesse podcast, várias dicas, informações relevantes e orientações que podem te ajudar a usar bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

Para você ficar por dentro com todas as informações e não perder nenhuma dica, basta assinar gratuitamente o podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente do Dicas Curtas.

 

 

Importância dos investimentos para Pessoa Jurídica

Os investimentos para Pessoa Jurídica são fundamentais para melhorar a gestão financeira da empresa. Muitos empreendedores ainda cometem o erro de deixar parado em conta corrente seu capital de giro e até a reserva para futuras expansões.

Mas, assim como no caso da pessoa física, é necessário que o empresário faça com que o dinheiro trabalhe em favor do negócio. A sobra de recursos nunca deve ficar parada, mesmo que esteja sendo poupada para ampliar a estrutura ou pagar o 13º salário dos colaboradores no fim do ano – que são boas ideias para poupar esforço ou potencializar resultados.

Os recursos de uma empresa precisam render continuamente, em curto ou longo prazo. Ao aplicar nos produtos certos, o empresário evita a necessidade de recorrer ao crédito e passa a receber juros do banco ao invés de pagar. Para isso, existem investimentos sob medida para as necessidades da pessoa jurídica, seja qual for o perfil.

Com um bom planejamento, é possível manter as contas em dia, um colchão de segurança para possíveis emergências em investimentos de curto prazo e ainda uma parcela do capital em aplicações de prazo mais longo.

Vamos conversar sobre os principais produtos financeiros para Pessoa Jurídica.

 

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB (mais detalhes no podcast #81) é uma ótima alternativa, pois oferece diferentes prazos, liquidez e rentabilidades. É um dos mais populares investimentos tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. A segurança do investimento é alta, já que ele conta com a proteção do FGC (se você quiser mais detalhes sobre o Fundo Garantidor de Créditos, ouça o podcast #89).

Na prática, essa aplicação é um empréstimo feito ao banco, que oferece em contrapartida uma remuneração predeterminada. Esse pode ser um produto bem interessante, especialmente os CDBs de maior liquidez, visto que pessoa jurídica não pode investir em Tesouro Direto: portanto, não tem como investir em Tesouro Selic que, geralmente, costuma ser o produto mais indicado para formação de reserva de emergência.

Pensando em reservas de curto prazo, o ideal é deixar o recurso aplicado em um CDB com remuneração próxima à 100% do CDI, que vai gerar praticamente o mesmo resultado caso o investidor pessoa física invista em Tesouro Selic, por exemplo (é uma pequena diferença, mas nada tão substancial); e, como se trata de reservas de curto prazo, pode ser interessante ter liquidez que define o quão rápido o investidor pode converter seu título em dinheiro sem perda de valor.

Em relação à tributação, o formato é o mesmo que para pessoa física: Imposto de Renda Regressivo (de 22,5% dentro de 180 dias até 15% se o recurso ficar aplicado mais que 720 dias) e cobrança de IOF regressivo, caso haja resgate em períodos inferiores a 30 dias.

 

Fundos de investimentos

Os fundos de investimentos são reuniões de vários investidores (cotistas) com objetivo e perfil comum, o que gera ganhos de escala. Segundo a Anbima, a indústria de fundos iniciou 2019 com captação líquida de R$10,3 bilhões, com destaque para a classe de renda fixa. Há diferentes tipos de fundos, como renda fixa, multimercado e ações, de acordo com a natureza das aplicações.

Nos fundos de investimento, também há a cobrança de IOF, que começa em 96% do rendimento no primeiro dia e cai para 0% no 30º dia após a aplicação. Além do IOF, o Imposto de Renda também é cobrado em fundos de investimento, em alíquotas de 22,5% a 15%, dependendo do prazo e do tipo do fundo.

Para as empresas, é uma opção interessante, mas que deve ser analisada com cautela, já que há uma amplitude grande de ofertas — muitas delas de renda variável – e também há a incidência de taxa de administração, de carregamento e de performance, o que pode onerar a rentabilidade do fundo. Fundos DI, que perseguem o rendimento da taxa do CDI (semelhante à taxa Selic), podem ser usados para o caixa de curto prazo da empresa, já que oferecem liquidez diária, ou seja, podem ser resgatados a qualquer momento.

 

LCA/LCI

LCA e LCI são Letras de Crédito do Agronegócio e Letras de Crédito Imobiliário (mais detalhes no episódio #83). Assim como no CDB, a remuneração dessas aplicações pode ser prefixada ou vinculada a um índice.

Esse é um tipo de investimento que, para pessoa física tem uma vantagem tremenda: isenção da cobrança de Imposto de Renda sobre rendimentos. Mas, para pessoa jurídica não existe esse incentivo. No fim, acabam sendo tributados da mesma forma que um CDB, dependendo do tempo de aplicação. Por isso, não são tão utilizados em investimentos pessoa jurídica. Tanto LCI quanto LCA contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

 

Ações

Por fim, as empresas também podem participar da Bolsa de Valores como compradoras de ações, mas a rentabilidade variável envolve riscos moderados a altos.

Nesse caso, cabe lembrar: investimento em ações para PJ pode ser uma aplicação para o longo prazo. E longo prazo, aqui, significa que o empresário não deve precisar daquele dinheiro pelo menos nos próximos cinco anos. Porém isso vai variar de acordo com a necessidade de liquidez nos investimentos.

Por isso, vale a pena diversificar bastante o portfólio, para que a carteira tenha também aplicações em renda fixa e seja ajustada de acordo com muitas variáveis, como a previsão de contas para os próximos meses e a liquidez de todos os investimentos. É um planejamento um pouco mais complexo, mas que pode ser feito para obter ganhos financeiros com os investimentos.

 

Qual é a tributação dos investimentos para PJ?

A questão da tributação é fator crucial para escolher os investimentos para PJ, pois há diferenças importantes em relação à pessoa física.

De modo geral, conforme já entendemos, os investimentos que mantêm as mesmas regras de impostos para pessoa física e jurídica são o CDB e fundos de investimento. No caso de pessoa jurídica, LCI e LCA tem cobrança de IR, segundo as mesmas regras da tabela regressiva de Imposto de Renda, como nos CDBs e nos fundos.

Já no caso do investimento em ações, algumas coisas mudam. O Imposto de Renda sobre ações é de 15% em swing trade (quando há operação de compra em um dia e venda em outro) e de 20% para day-trade (operação de compra e venda no mesmo dia). Porém, não há a isenção para vendas abaixo de R$ 20 mil dentro do mês como ocorre com as pessoas físicas e também não há cobrança de IOF.

No caso da tributação sobre investimentos financeiros para pessoa jurídica, vale muito a pena conversar com o contador, esclarecer vários pontos antes de fazer as movimentações para que regras tributárias mais específicas fiquem bastante transparentes, pois dependendo do regime de tributação da empresa (se lucro presumido, lucro real, lucro arbitrado, se optante pelo SIMPLES Nacional) a forma de apresentar esses ganhos muda. É interessante, inclusive, estudar com calma, junto ao contador, a Instrução Normativa da RFB 1.585/2015. Ali estão presentes todas as orientações.

 

Como planejar seus investimentos na PJ

Vamos fechar esse podcast com dicas rápidas para se investir em PJ para auxiliar no planejamento:

1. Procure uma corretora independente

Para acessar os melhores investimentos para PJ, é vantajoso recorrer às corretoras independentes, que oferecem opções muito mais diversas e atrativas do que os grandes bancos. Invista em corretoras de confiança e devidamente autorizadas pelo Banco Central e pela CVM.

2. Prepare sua documentação

As operações como pessoa jurídica sempre exigem alguma burocracia, e com os investimentos não é diferente. Para começar a investir com sua empresa, você vai precisar dos seguintes documentos, pelo menos:

  • Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
  • Balanço patrimonial.
  • Declaração de faturamento dos últimos 12 meses.
  • Última alteração contratual.

3. Escolha o melhor tipo de investimento financeiro para sua empresa

Não existe o melhor investimento, e sim, aquele que melhor se ajusta a sua necessidade. Os riscos do investimento e possíveis lucros dependerão do quanto você está disposto a ganhar ou perder. Para isso é importante seguir o planejamento estratégico que foi criado como modelo, já que ele vai ditar as regras do próximo passo, ajudando a escolher o tipo de investimento que melhor atenderá a sua necessidade.

O projeto é de longo, médio ou curto prazo? Pode ser aplicado em um produto de maior risco? O retorno desse investimento atende ao planejamento do seu projeto? A aplicação que melhor responder essas perguntas será a melhor para a empresa.

4. Descubra o perfil de investidor

O perfil de investidor é classificado da mesma forma para pessoas físicas e jurídicas, de acordo com o risco e liquidez desejados.

Antes de começar a investir como pessoa jurídica, descubra qual é o perfil ideal, de forma sucinta:

  • Conservador: prioridade para segurança e baixíssimo risco, ainda que a rentabilidade seja menor;
  • Moderado: tolera alguma exposição ao risco nos investimentos em nome da rentabilidade, buscando o equilíbrio;
  • Arrojado: aceita exposição a riscos em busca de ganhos superiores em médio e longo prazo.

5. Conheça os produtos certos para a sua PJ

Conforme vimos, quase todos os produtos liberados para pessoas físicas também estão disponíveis para as jurídicas, contudo, existem diferenças nas regras de alguns produtos quando são adquiridos por uma pessoa jurídica.

Títulos de renda fixa normalmente não têm um risco elevado e são geralmente acobertados por algum órgão poderoso como o FGC. Para empresas, esses títulos têm alguns pontos diferentes:

  • CDB: mesmas regras para ambas as pessoas, geralmente o mais usado;
  • LCA e LCI: não há isenção de imposto de renda para pessoa jurídica;
  • Tesouro Direto: não pode ser adquirido por pessoa jurídica;
  • Fundo de Investimento: mesmas regras para PF e PJ.

Como geralmente empresas têm maior capital de giro do que pessoas físicas, elas são capazes de assumir maiores riscos e gerar maior lucro. A segurança dos títulos de renda fixa é útil para projetos de curto e médio prazo.

6. Diminua seu risco

Uma tática inteligente, principalmente para empresas, é diversificar os investimentos para o mesmo projeto que foi decidido em seu planejamento estratégico. Reúna o capital que foi separado para investir e aplique em mais de um investimento financeiro. Isso é chamado de diversificação: além de criar um cenário em que as chances de perder seu investimento diminuem, você pode alterar os prazos para que eles atendam melhor as suas necessidades.

Aplique parte do capital em investimentos de maior liquidez para um possível contratempo e outra parte em títulos de longo e médio prazo. Assim, sua rentabilidade poderá, inclusive, ser maior do que aplicando todo o recurso em apenas um lance.

7. Invista em Ações

Empresas podem participar, sim, da Bolsa de Valores como compradoras de ações assim como uma pessoa física faria. Por terem uma rentabilidade variável, apresentam um risco mais elevado, mas são capazes de alimentar grandes projetos.

No momento do cadastro com a corretora, será decidido qual dos sócios da PJ será aquele que emitirá as ordens. Caso os gestores decidam mudar o sócio emissor, deverão fazer uma procuração junto a corretora. Diferentemente da pessoa física, a empresa não está isenta de nenhum imposto nas operações comuns de ações e deve tomar cuidado para não “pagar para investir”.

Empresas investidoras geram valor aos olhos de seus stakeholders, passando uma imagem de bom estado de saúde financeira e gestão visionária. Esse tipo de benefício imaterial muitas vezes alavanca projetos futuros com investimentos externos.

8. Negocie com a sua corretora

No caminho para uma maior rentabilidade, negociar é sempre fator decisório. Como empresa, você terá maior acesso às corretoras interessadas em clientes do seu porte para criar parcerias duradouras. Aproveite essa vantagem e negocie as melhores taxas para os serviços oferecidos pelas corretoras. Uma pessoa jurídica tem formas mais interessantes de garantia e pagamento do que uma pessoa física. Procure usar isso ao seu favor!

Além disso, procure criar um vínculo com a corretora e apresente os seus projetos. Transforme-a em um importante parceiro de investimento e, dessa forma, minimize seus gastos.

9. Avalie seus rendimentos de renda variável

Esta dica é sem dúvida a mais importante! Manter vigilância sob os seus investimentos é imprescindível, principalmente aqueles de renda variável. Esteja atento para as alterações do mercado e se atenha ao seu planejamento inicial.

Caso um de seus investimentos não esteja mais atendendo suas expectativas, pode ser o momento de mudar de aplicação. Mantenha-se atualizado sobre sua carteira de aplicações com os indicadores de desempenho (benchmark).

Consulte sua corretora para debater os melhores meios de atender a sua necessidade com um novo investimento financeiro. Suas aplicações devem ser supervisionadas periodicamente, normalmente de acordo com a rentabilidade dos investimentos.

Agora que você está ciente das diversas maneiras de fazer investimentos financeiros com sua empresa, lembre-se de que, antes de tomar qualquer decisão, é importante avaliar o planejamento estratégico da empresa para minimizar equívocos e escapar das armadilhas do mercado.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

Se você gostou curta, comente e compartilhe nossas publicações do Dicas Curtas nas redes sociais. E caso fique com alguma dúvida, me procura lá no grupo do Investidor Inteligente no Facebook, pois estarei à disposição para esclarecer todas elas. Assine e acompanhe esse podcast através do seu dispositivo Apple ou Android, sendo que você também pode encontrar o Investidor Inteligente no Spotify e no Deezer.

Agora um anúncio muito importante:

Sabia que a partir de agora você também pode ajudar o Dicas Curtas a crescer ainda mais fazendo parte do grupo de Apoiadores do Dicas Curtas?

Com incentivos a partir de 1 real por mês, você ajudará o Dicas Curtas a alcançar mais pessoas, incluir novos experts, e claro, ter acesso ao grupo de apoiadores no Facebook para receber conteúdos especiais e ter acesso a lives exclusivas para poder tirar suas dúvidas ao vivo com o expert de sua preferência.

Para ser um apoiador basta acessar o site: apoia.se/dicascurtas.

O link vai estar disponível na descrição do episódio!

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

 

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

Pin It on Pinterest

Share This