Ouça agora este podcast! “039 JAMAIS procure o serviço de um agiota”

 

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site DicasCurtas.com.br. Meu objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos, à superação de desafios e também à independência financeira. Para ter acesso às dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

Grande parte das pessoas que se envolvem com grandes dívidas, em algum momento já podem ter considerado a chance de tomar dinheiro emprestado com algum agiota. A pessoa está com o nome sujo, não tem como conseguir dinheiro junto às instituições financeiras; ela quer limpar o nome, mas não tem a quem recorrer. E nesse momento ou surge a ideia ou surge a figura do agiota. É solicitado apenas o nome completo, o endereço e o telefone de quem solicitou o empréstimo. Muitas vezes o tomador do empréstimo nem sabe quem é o agiota, quem é a pessoa, só sabe que alguém emprestou o dinheiro, a condições irreais. E aí que começa um mundo de problemas gravíssimos.

Estar endividado sem dúvidas é uma situação preocupante. Nem sempre o endividamento ocorre porque queremos: às vezes temos de assumir uma posição devedora para ajudar pessoas queridas e com isso acabamos nos comprometendo; outras vezes podemos assumir uma posição devedora porque nossos objetivos mudaram e as estratégias para alcança-los têm que ser alteradas (por exemplo, contrair um empréstimo imobiliário, liquidando quase todos seus investimentos para a amortização do imóvel, mas ainda ficando um saldo a ser pago ao longo dos anos); mas, infelizmente, a maioria das dívidas que assumimos são relacionadas ao consumo.

É o carro que adquiri além da minha capacidade de manutenção e custeio; são as roupas, maquiagem, sapatos que comprei por impulso e acabei me embolando no cartão de crédito; são as compras de livros ou artigos diversos pela internet que realizei, acabei me embolando e nem uso aquilo que comprei. São coisas assim, das pequenas às maiores, que se não formos prudentes, deixando de pensar ANTES de realizar compras, acabamos de pouco em pouco ou de uma só vez só nos endividando.

Apesar que existem algumas pessoas se acostumam a estarem endividadas (se não tiver dívida tem coisa errada), não é um cenário agradável. Com cobranças, as limitações e restrições, o atraso na realização de sonhos, a impossibilidade de fazer agrados à si mesmo ou para alguém querido, pessoas mais sensíveis à essa condição de estresse ou até mesmo com pouco conhecimento de como funciona o mundo das dívidas, pode, em uma situação de desespero, fazer besteira, achando que estaria resolvendo a situação.

A pessoa sofre tanta restrição, está tão entranhada nessa ciranda financeira que o desespero, a ansiedade, a culpa, o desânimo, isso tudo junto toma conta e faz a pessoa tomar uma das decisões mais perigosas e um tipo de decisão que é péssima: ir atrás de dinheiro de agiota.

Essa decisão, que é muito, muito, muito séria, é uma decisão, muito, muito, muito errada, por mais complicada que esteja sua situação financeira. Eu não sei o nível de desafio que você está passando ou que tenha alguém próximo a você que esteja passando: eu só sei que tomar dinheiro emprestado de agiota é muito perigoso.

Se você acha que está lidando apenas com a questão financeira, em que os juros são altos (às vezes mais alto que das instituições financeiras, de qualquer tipo), o risco é infinitamente maior, pois você pode estar colocando a sua vida em risco, e, também as vidas das pessoas da sua família em risco. Esse é o perigo que deveria ter uma imagem, um sinal vermelho da cor e com o cheiro de sangue, para que você nem considere nem uma vez sequer, essa possibilidade na sua vida.

No meu trabalho, dependendo do que tem que ser feito, eu posso ajudar a pessoa a realizar melhores negociações de dívidas com cartões de crédito, com bancos, com financeiras – com instituições que não podem e nem vão causar um constrangimento sequer à pessoa endividada – se o fizerem estão transgredindo a lei e isso é passível de punição, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.

Por outro lado, em situações em que existe dívida com agiota, a prioridade é fazer de tudo para eliminar essa dívida o quanto antes, liquidar de vez, nem que seja tomando mais crédito (se possível) no mercado financeiro. O risco de morte é colossal e não se pode brincar com isso. “Ah, mas é meu amigo” – se fosse seu amigo talvez não te cobrasse juros e se cobrasse seria um valor bem menor do que costumamos encontrar por aí; se fosse seu amigo, talvez não te emprestasse dinheiro; se fosse seu amigo, se emprestasse, te ajudaria a começar a estruturar melhor a sua vida financeira pessoal. Se foge dessa linha de raciocínio, sinto muito, não é seu amigo. É um agiota que você entende que é seu amigo, mas de fato não é.

Essa prática é muito comum na internet. Há alguns anos procurar um agiota era algo difícil de ser realizado e era feito “na surdina”, às escondidas, por indicação de outras pessoas. Na era da internet, essa prática ficou muito mais fácil: com poucos cliques é possível encontrar pessoas que se prestam à prática, o que acaba facilitando imensamente o acesso de quem está desesperado à procura de empréstimo.

E aproveitando, deixa te contar uma coisa: agiotagem é crime. Uma pessoa emprestar dinheiro para a outra não é crime, PORÉM, se o empréstimo vem com a cobrança de juros abusivos, acima do que é cobrado por instituições financeiras, caracteriza-se como crime de usura.

No âmbito criminal, a agiotagem é considerada um crime contra a economia popular, nos termos da alínea “a” do artigo 4º da lei 1.521/51, que prevê pena de detenção de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos para aquele que “cobrar juros, comissões ou descontos percentuais, sobre dívidas em dinheiro superiores à taxa permitida por lei”.

Além disso, a agiotagem pode se configurar como um crime contra o Sistema Financeiro Nacional, pois o agiota atua no mercado sem a devida autorização do Banco Central do Brasil. Para este crime, a pena prevista pelo artigo 7º da lei 7.492/86 é de 02 (dois) a 08 (oito) anos de reclusão e multa.

Resumindo: tanto para quem toma crédito emprestado (o endividado desesperado) quanto para que realiza essa prática (o agiota) estão se arriscando imensamente. Aquele pode ter complicações e até perder a vida ou ter familiares ameaçados; esse está cometendo crime.

Nome sujo, boletos vencidos, dívidas acumuladas e uma família para sustentar: o sentimento de desamparo e desespero para tentar regularizar a vida financeira leva muita gente a cair nas mãos de agiotas, que oferecem dinheiro “fácil”, sem burocracia. De verdade: esse, definitivamente, não é um bom negócio.

Se a pessoa está com o nome sujo ela não vai conseguir dinheiro em instituições financeiras; isso acaba levando à um ciclo vicioso: ela quer limpar o nome, mas não tem a quem recorrer. Nesse momento aparece o agiota, o “amigo” e pede apenas o nome completo, o endereço e o telefone de quem solicitou o dinheiro. Pessoas que cometem o crime de usura, os agiotas, costumam também cometer outros tipos de crimes, tais como ameaça, lesão corporal, extorsão. Portanto, não procure o serviço (se é que podemos chamar assim) de agiotagem. Afaste esse problemão da sua vida e da vida daqueles que você ama – mesmo.

Mas e aí, o que devo fazer em uma situação extremamente difícil? O básico. Primeiro ponto é mais essencial, além de óbvio: trabalhar (não estou falando aqui de emprego, observe bem), ter fonte de renda para manter sua família. A partir disso, se sobrar dinheiro, começar a realizar pequenas poupanças com o intuito de acumular recursos para eventuais imprevistos. Enquanto isso, na medida do possível, procurar ou empregos ou trabalhos que te remunerem melhor. E, quando der, comece a pagar as dívidas. Você não vai morrer se estiver endividado. Você vai ter restrições, limites. E só.

Essa dica foi mais um puxão de orelha e uma chamada para algo que não é tão discutido quando falamos de finanças. Cuide para que você não tome dinheiro emprestado dessa forma e, se você pratica agiotagem, procure rever os seus empréstimos, colocando condições mais amenas – e de preferência, abandonando essa prática. Aqui no Brasil temos na nossa cultura a podre concepção que temos que levar vantagem em absolutamente tudo, senão não está bom. Temos que arrancar essa ideia da nossa sociedade e podemos começar a fazer isso reavaliando nossas atitudes, nossos negócios, nossa vida como um todo e vigiando para não levar vantagem sobre a vida de ninguém. Fica dado o recado.

Espero que tenha gostado dessa dica.

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica (ou quem sabe, um puxão de orelha) do Investidor Inteligente.

  

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