Ouça agora este podcast!“043 Manual para sair de casa – parte 1”

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site DicasCurtas.com.br. Meu objetivo é
ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o
dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em
qualidade de vida. Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas para
construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos, à superação de desafios e também
à independência financeira. Para ter acesso às dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e
acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

Se você mora com seus pais, seja adolescente ou adulto, em algum momento você deve ter
pensado em morar sozinho. É um ímpeto forte para qualquer pessoa, especialmente quando
se aproxima a maioridade. Alguns são forçados pela vida a assumirem responsabilidades da
vida adulta muito cedo; outros, por acomodação, se tornam adultos e vivem como
adolescentes, trabalhando, às vezes ganhando até muito bem, mas não assumindo
responsabilidade alguma dentro de casa. Estou ciente da gradação que existe entre esses
extremos. Esse podcast, contudo, é para você – seja adolescente ou um adulto-jovem ou um
adulto – que deseja estruturar uma estratégia refinada, bem pavimentada para poder
construir a oportunidade de ter o seu canto, a sua casa, a sua independência de forma
razoavelmente segura. Não prometo facilidade e nem simplicidade: talvez você as encontre,
mas não é bom ficar contando com elas.

 

Preço da independência

Sair de casa, ter seu canto, não ter que dar satisfação para ninguém, deixar sua cama
desarrumada ou fazer o que quer que seja dentro do seu cantinho… isso não tem preço, certo?
Errado: o que você chama de independência tem preço sim e pode custar bastante. Se você
deseja ter a sua casa e não sabe por onde começar, a primeira coisa a fazer é estimar quanto
que esse estilo de vida livre, leve e solto (ô dó!) vai custar. Não se iluda: se alguém não paga a
vida para você (seus pais ou responsáveis), você é quem vai ter que custeá-la.
Primeiro: para realmente considerar sobre sair de casa é fundamental que você tenha uma
remuneração estável e que tenha plena consciência de que seja capaz de se manter em sua
nova casa. Ou você acha que luz, água, IPTU, condomínio, passagem de ônibus ou combustível,
supermercado, padaria, açougue, feira, medicamentos, plano de saúde, médicos, conta de
internet, telefone, celular, roupas, calçados, cursos, faculdade, lazer são de graça? Ter
condições de arcar com moradia, transporte e alimentação é o básico do básico; e você deve
ter percebido que geralmente a lista vai além desse basicão. Como disse: se você quer ter isso,
alguém tem que pagar: e tratando-se de sua independência, você quem deve arcar com isso –
e muito mais!

Eu sei. Essas primeiras palavras já podem estar te assustando. E essa é a ideia. Não para te
desanimar, mas sim para te dar um choque de realidade, porque não existe mundo cor-de-
rosa e para enfrenta-lo da forma adequada é necessário planejamento, construção de certas
estruturas financeiras e profissionais para poder pisar em terreno firme: senão, certamente
você vai ter dificuldade em se manter de pé.
Uma falsa ideia que costumamos ter é que, ao sair da casa de nossos pais, teremos um padrão
de vida similar ao deles. Pode ser que sim, mas muito provavelmente não. Lembre-se que eles
demoraram muitos anos para chegar aonde estão e, a menos que você tenha sorte ou receba
uma significativa ajuda, é difícil manter o mesmo padrão que seus pais ou responsáveis. A
princípio seja um pouco mais realista e modesto em suas projeções e sonhos.
Beleza. Você tem seu trabalho e sua remuneração estável. E aí? Só agora é o momento de
começar a planejar. Sem recursos financeiros não existe objetivo de morar sozinho. Só sonho.
Vamos tratar ponto por ponto. Para você morar sozinho precisa de algum lugar para morar.
Diante disso, você deve começar a fazer uma pesquisa (pela internet mesmo) em relação ao
custo de moradia (deve incluir aqui: aluguel, condomínio e IPTU, luz, no mínimo). Pesquise em
diferentes sites, diferentes imóveis em diferentes regiões. Os preços costumam variar bastante
de região para região, tipo de imóvel, se direto com proprietário ou com imobiliária, tamanho,
etc. Lembre-se: procure ser mais minimalista, optar pelo mais simples (e já vou revelar o
porquê). Casas ou apartamentos que são menores costumam ser mais baratos, e esse é o
primeiro ponto. Porém, lembre-se: ninguém vai fazer as coisas por você, a menos que você
pague para que façam ou tenha algum tipo de ajuda. Quem vai lavar o banheiro? Varrer a
casa? Lavar roupa? Passar roupa? Fazer comida? Arrumar a casa? Fazer compras? É, meu
jovem… vida de independência vem junto com um monte de responsabilidades. Como diz o
pessoal aqui das terras mineiras: “rapadura é doce, mas não é mole não!”. Esse gasto com
habitação deve comprometer de 15% a 20% da sua remuneração – mais que isso começa a
ficar inviável.

Pesquisa de campo

Outro ponto é em relação à alimentação. Dependendo do local em que você for escolher
morar, a sua alimentação pode ficar mais em conta ou mais cara. Como saber? Pesquisa de
campo, literalmente. Escolheu mais ou menos o local? Vá ao local, vá nas padarias,
supermercados, feiras, no comércio local. Vai anotando os preços das coisas que você deve
comprar para sua alimentação, justamente para poder ter uma noção de qual deve ser o custo
dessa categoria de despesa. Se você não faz ideia do que comprar para viver sozinho ou
mesmo não sabe cozinhar te convido a começar a ajudar nas compras da casa e a fazer um
estágio (de 4 a 6 meses) na cozinha da sua casa. Você precisa aprender a cozinhar. Precisa
aprender o que vai usar no dia-a-dia. Senão, ao tomar essa decisão de sair de casa, mesmo que
esteja tudo a seu favor, você vai sair para comer, vai acabar gastando mais dinheiro e ainda
corre o risco de comer muito mal prejudicando no curto e longo prazos a sua saúde. Você não
precisa se tornar “O” chefe de cozinha dentro de 6 meses. Mas é bom aprender a fazer o
básico. O adequado é que você faça as compras de 3 em 3 dias ou, no máximo, a cada semana,
planejando o que vai fazer de comida na semana seguinte. Isso evita desperdício, e desperdício
é dinheiro jogado no lixo. Inclusive vale atentar para aprender a realizar as outras atividades
domésticas, caso você não saiba desempenhá-las: é bom saber lavar banheiro, como lavar
roupas e passa-las. Mesmo que você pague para alguém limpar sua casa, lavar e passar suas
roupas, é interessante saber o básico pois um dia você pode vir a precisar – e bem ou mal vai
sair. O custo com alimentação deve ficar em torno de 20% daquilo que você recebe de
remuneração.

Em relação a transporte vai depender que tipo de condução que você usa, especialmente para
o trabalho. Se você trabalha como funcionário, geralmente o empregador custeia ou a
condução por transporte público ou o combustível. Se você trabalha por conta própria e tem
um veículo, é necessário estimar esse custo. Tem que saber a média de consumo de
combustível e arredondar para cima, deixando margem para algum imprevisto em sua
projeção. Além do mais, também tem que colocar no planejamento os custos com impostos,
taxas (DPVAT e Licenciamento) e uma estimativa de custo de manutenção do veículo. Nesse
ponto não vou estender demais, pois entram custos que você, que já tem um veículo, já deve
saber de cor. Mantendo o tom da conversa até agora: seja minucioso e criterioso em suas
estimativas em relação a transporte.

Existe também um tipo de custo que muita gente desconsidera, especialmente se for a sua
primeira aventura fora do ninho: o custo de aquisição de mobiliário. Alguns imóveis, quando
você contrata a moradia, já vêm mobiliados. Isso é uma grande vantagem, porém o custo por
esse conforto fica incluído no valor do aluguel. Caso contrário, é interessante estimar qual
seria o custo de móveis e eletrodomésticos: cama, fogão, máquina de lavar roupa, guarda-
roupas, cômoda, armário, mesa, TV – tudo aquilo que você não pode levar de onde mora e
precisa para poder estar em casa. Algumas coisas podem ser adquiridas com o tempo,
dependendo da vida que você levar e das facilidades que conseguirá custear. Mas é bom
considerar esses e outros itens, organizando-os em ordem de importância de aquisição (se
você fizer uma lista detalhada vai ver que tem muita coisinha a ser incluída).
Você tem remuneração estável, tem noção dos custos de moradia, de alimentação, de
transporte e tem noção dos custos de aquisição das coisas de casa. Você tem noção da cifra
que custa para sobreviver. Até aqui você consegue sair de casa. E se você fez o exercício de
detalhar TUDO você tem um número-base. E é esse número que deve ser coberto pela sua
remuneração; não é o ideal, pois temos que considerar outros custos, mas sem isso você pode
ficar muito desprotegido. E se sua remuneração não cobre todas essas despesas é necessário
tomar outras medidas em relação à sua renda.

No próximo podcast continuarei tratando desse assunto, abordando outros pontos que vão
além do basicão. Continue acompanhando!

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