Contratos futuros são produtos com funções variadas e características bem específicas. Para alguns investidores, ele é um ilustre desconhecido. Para outros, a principal fonte de ganhos.

O mercado futuro é um tradicional aliado de hedgers e de especuladores justamente porque permite traçar estratégias de tipos variados. E você, sabe o que é o mercado futuro?

Se não, você vai aprender com mais detalhes nesse episódio!

O Investidor Inteligente é o podcast sobre Finanças e Investimentos apresentado todas as semanas com um propósito muito especial: te ajudar a desenvolver uma visão mais elaborada em relação às suas finanças e te oferecer informações relevantes de qualidade sobre dinheiro, além de orientações e estratégias valorosas que podem te dar o clique necessário para você usar bem seus recursos financeiros seja para solucionar seus desafios, seja para alcançar seus mais ambiciosos objetivos.

Eu sou Phillip Souza, consultor em finanças e terapeuta financeiro, mentor em educação psicofinanceira especialista em inteligência financeira, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr e também no meu canal no YouTube, Phillip Souza.

E qual o meu propósito com o podcast? Meu propósito é destravar a sua mentalidade e te ajudar a entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! Assim você poderá aprender a evoluir e a se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Ouça “197 Mercado Futuro: Entendendo os detalhes do seu funcionamento para começar a operar” no Spreaker.

O que é mercado futuro?

O mercado futuro é o ambiente onde são negociados contratos futuros, um tipo de derivativo (inclusive, se você quiser uma visão ampla sobre derivativos, escute o podcast anterior). Em poucas palavras, os contratos futuros representam o compromisso de comprar ou de vender uma certa quantia de um determinado bem em uma data no futuro e por um preço pré-definido.

O bem envolvido nesse compromisso – também chamado de ativo subjacente – pode tanto ser uma mercadoria quanto um ativo financeiro. Vamos exemplificar? Os contratos futuros de soja negociados na B3. Quem opera um contrato desse, no final das contas, está negociando o direito de comprar ou de vender o equivalente a 450 sacas de 60 kg de soja. O preço de cada contrato futuro se baseia na expectativa do mercado para o preço da soja na data do seu vencimento – que é no futuro.

O mercado futuro tem algumas particularidades em relação a outros tipos de derivativos. Uma delas é o fato de que todos os negócios acontecem na bolsa de valores. Por conta disso, outra característica é a homogeneidade dos produtos. E o que isso significa? Todos os contratos precisam seguir um determinado padrão, de modo que todos os investidores tenham a certeza de que estão negociando exatamente a mesma coisa e nas mesmas condições.

Voltando ao exemplo da soja, os contratos futuros negociados na B3 preveem que o grão obrigatoriamente seja de soja tipo exportação com até 14% de umidade, 1% de matérias estranhas e impurezas, 30% de quebrados, 18,5% de conteúdo de óleo, entre outras características. São muitos detalhes que especificam o tipo de soja que está sendo negociado em um contrato futuro de soja na bolsa!

Esse nível de padronização dos contratos futuros é o que permite que eles sejam negociados no pregão. Se cada investidor negociasse um tipo diferente de soja – ou de boi gordo, de café, de milho, de etanol, de ouro, de moeda ou do que quer que seja – as cotações seriam todas diferentes entre si, inviabilizando as operações devido à uma variedade muito grande.

Do jeito que o mercado funciona atualmente, todas as condições de transferência dos ativos subjacentes entre compradores e vendedores são definidas previamente pela B3 e estabelecidas nos contratos. Em cada negociação, apenas dois itens podem variar: a quantidade de contratos e o seu preço.

Já que os contratos futuros são uniformes, eles atendem uma quantidade maior de investidores – e, por isso, possuem maior liquidez do que outros tipos de derivativos que não são padronizados (geralmente realizados em mercado de balcão). A liquidez é importante porque permite que um investidor encontre contrapartes para se desfazer da sua operação antes do vencimento do contrato, caso isso seja necessário por alguma razão.

Para que serve o mercado futuro?

Se você maratona o podcast do Investidor Inteligente você já tem noção do que é um derivativo e esse entendimento, sobre mercado futuro, fica mais fácil. E você que está chegando agora, provavelmente já compreendeu um pouco sobre o que é o mercado futuro; porém, consegue dizer para que ele serve?

Existem formas diferentes de utilizar os contratos futuros, e cada uma tem um objetivo específico. Podem ser usados como uma proteção – sua função tradicional e original da sua criação – ou como uma fonte de ganho financeiro – através de especulação ou arbitragem. Vamos detalhar um pouco mais.

Proteção ou hedge

Os contratos futuros podem ser usados para diminuir o impacto de uma eventual mudança nos preços de mercado do seu ativo subjacente. Isso porque os futuros fixam hoje um preço para que esse bem ou ativo financeiro seja negociado em uma data lá na frente, não importando o quando ele efetivamente estará custando no mercado à vista.

Isso é o que se chama de hedge. Quem faz um hedge está menos preocupado em lucrar com as operações e mais interessado em evitar perdas.

As empresas brasileiras que possuem dívidas em dólar, por exemplo, estão sempre expostas ao risco do câmbio. Se, em determinado momento, a cotação da moeda sobe, essas dívidas encarecem. Nessa situação, as empresas precisam dispender mais reais para quitar os débitos.

Uma maneira de evitar situações como esta é comprar contratos futuros de dólar, com o preço da moeda predeterminado para uma data futura. Nesse caso, mesmo que a cotação suba, as empresas já adquiriram o direito de negociar dólar por um certo valor, assegurando previsibilidade para o custo das suas dívidas.

Da mesma forma, o setor agrícola também usa o mercado futuro para proteger os seus negócios. Operando contratos de commodities agrícolas, eles podem garantir os preços dos produtos que ainda estão na lavoura para o período em que poderão ser comercializados.

Eu dei um exemplo detalhado sobre dólar no podcast passado. Agora quero exemplificar com a soja. Digamos que eu seja um produtor, um fazendeiro, e que queira travar o preço da soja que vou vender no futuro. A soja ainda está maturando na fazenda, mas já quero garantir determinado preço no futuro. Daí resolvo vender uma quantidade de contratos futuros que representa toda minha plantação, ao preço de R$30 cada contrato.

Digamos que lá no futuro, em um tempo determinado, aconteça a situação de, no mercado à vista, no mercado físico, ter mais soja do que tinha anteriormente: ou seja, a oferta aumentou, baixando os preços de venda da soja no mercado à vista. Digamos que o preço, agora com a minha soja madura, pronta para venda, seja de R$25 e eu consiga vender para um comprador que adquire toda soja que foi produzida em minha fazenda.

Porém, eu fiz um hedge, certo? O contrato futuro de soja foi vendido por mim, lá atrás, por R$30, lembra? No mercado futuro nós assumimos posições (ou como comprador, esperando a alta dos preços; ou vendedor, esperando a baixa dos preços) e, nesse caso, assumi a posição de vendedor, protegendo meu preço como uma eventual queda. Então, ao finalizar a operação hoje, no presente, o contrato estará cotado em algo próximo de R$25. Ou seja, por um lado eu tive um lucro menor na venda física, à vista, mas um ganho financeiro no contrato futuro de R$5 por contrato – somando os dois (25+5) meu preço ficou travado em R$30.

E se o contrário acontecesse? Digamos que vendi os contratos futuros de soja pelos mesmos R$30, mas no momento da venda da soja física, por algum motivo (como aumento da demanda, por exemplo), o preço subiu para R$33. Nesse caso, minha venda no mercado físico foi de R$33, mas levei um prejuízo de R$3 no contrato futuro – porém, meu objetivo era garantir o preço de R$30, portanto, R$33 menos R$3 nos traz o preço de R$30, o preço protegido lá no início da operação.

Para especular

Também é possível especular com contratos futuros. Em vez de proteção, o especulador atua no mercado para lucrar. Seu objetivo é ganhar com os pequenos diferenciais de preços em cada compra e venda de um contrato. Importa menos o ativo subjacente – se é um futuro de dólar, juros, euro, café, milho, índice, boi gordo, soja ou ouro ou qualquer outro futuro que esteja disponível. O interesse está mesmo nos movimentos de curto prazo dos contratos.

É comum que os especuladores atuem no day-trade, realizando compras e vendas dos mesmos derivativos ao longo de um só dia. Ao fim do pregão, eles apuram os ganhos ou perdas pela diferença entre os preços de cada ponta das operações. Há também especuladores que ficam com posições em aberto por alguns dias para aproveitar movimentos um pouco mais longos do mercado – esses são os swing-traders e, nesse caso, é necessário oferecer garantias para manter as operações em aberto por mais de um dia.

Para fazer arbitragem

Os investidores que procuram lucrar com as discrepâncias de preços que encontram para um mesmo produto em mercados diferentes fazem o que se costuma chamar de arbitragem. Por isso, além dos próprios contratos futuros, as operações de arbitragem podem envolver outros elementos, como as mercadorias ou os ativos financeiros negociados no mercado físico.

A estratégia da arbitragem se baseia no fato de que o processo de formação de preços não é perfeito. Embora se espere que um ativo oscile do mesmo jeito em mercados diferentes, isso às vezes não acontece. Pense num exemplo bem simples: não é comum que um mesmo combustível seja vendido a um preço mais baixo nos postos de uma cidade e mais caro na cidade vizinha? Há inúmeras razões para isso. Se fosse permitido, uma maneira de realizar uma arbitragem seria comprar combustível na cidade com os preços mais baixos e revendê-lo naquela em que valor de mercado é mais alto.

Algo muito semelhante com isso ocorre no mercado financeiro. Se o preço do dólar em um contrato futuro em algum momento, mesmo que por pouco tempo, seguir um caminho ligeiramente diferente do mercado à vista, possivelmente existe uma chance de realizar arbitragem. Quando percebem um movimento desse tipo, os arbitradores agem rapidamente antes que o mercado “perceba” o lapso e ajuste os preços.

O lucro de cada operação de arbitragem costuma ser pequeno; portanto, o tamanho dos ganhos depende da quantidade e do volume de compras e vendas. Quanto mais volumosas e frequentes forem os negócios, maiores as chances de acumular ganhos maiores.

Principais contratos do mercado futuro

Existem contratos futuros de diversas naturezas. Eles são lançados pelas bolsas de valores conforme os investidores demonstram interesse em negociá-los. Afinal, para que sejam viáveis, os contratos futuros precisam de uma certa frequência e um volume mínimo de operações para que efetivamente tenham liquidez.

Os contratos futuros sempre apresentam alguns elementos em comum que você deve conhecer para entender melhor esse mercado. São eles:

  • Objeto de negociação: É o bem ou ativo financeiro de base do contrato. A oscilação de preços do objeto é o que está em jogo nas negociações do mercado futuro.
  • Cotação: É o valor atribuído a cada unidade do bem ou ativo financeiro em negociação. No caso dos contratos futuros de soja, por exemplo, estamos falando de reais por saca. Nos contratos futuros de dólar, são reais por dólar, e assim por diante.
  • Unidade de negociação: É o tamanho do contrato em questão. Voltando ao exemplo dos futuros de soja, cada contrato equivale a 450 sacas de 60 kg de soja.
  • Mês de vencimento: Representa o mês em que cada contrato futuro será liquidado (ou seja, encerrado)

Na B3, existe uma variedade de contratos futuros negociados. Os mais tradicionais são os de commodities agrícolas, como boi gordo, milho, café, soja, açúcar e etanol.

Mas existem também futuros de ativos financeiros: exemplos desses tipos são os contratos de moedas, como dólar, euro, libra esterlina, iene (moeda do Japão) ou iuan (moeda da China).

Há ainda contratos futuros de índices de ações, como Ibovespa e S&P500, assim como futuros de ações. Também são bastante negociados os contratos de taxas de juros, como os de DI, Selic, cupom cambial de DI ou cupom de IPCA.

Além dos contratos “cheios”, como costumam ser chamados, existem também na B3 os minicontratos futuros. Trata-se de contratos menores e mais acessíveis aos investidores.

Um contrato futuro de dólar “cheio”, por exemplo, equivale a US$50 mil, com um lote padrão de cinco contratos (ou seja, a cada negócio realizado com dólar cheio você estaria negociando US$250 mil por vez). Já um minicontrato de dólar representa US$10 mil, com um mínimo negociado de apenas um contrato. Além de dólar, outro contrato futuro mini muito comum é o de Ibovespa.

Aqui entra um aspecto muito importante dos contratos futuros: apesar de você ver uma cotação razoavelmente baixa, você sempre estará operando alavancado. Como assim? Apesar de, por exemplo, você ver a cotação da soja em R$30 a saca, lembre-se que você está negociando 450 sacas de uma vez, portanto, nesse exemplo, um volume próximo de R$13.500. Isso vale para o café arábica (que inclusive a negociação é em dólar), o boi gordo, o milho, contratos de índice, contratos de dólar, contratos de euro e qualquer outro futuro. Sempre existe alavancagem.

Mas o que isso significa? Eis a bênção e a maldição dos futuros. Vamos usar a soja novamente como exemplo. Digamos que eu compre apenas um contrato de soja por R$30 a saca e que no mesmo dia eu venda esse contrato por R$30,50 – uma operação de daytrade com variação de 1,67% no dia.

Sem considerar custos, qual foi o meu ganho financeiro? Não, não foi de R$0,50. Foi de R$0,50 vezes 450: ou seja, algo próximo a R$225. Um movimento muito sutil na cotação (nesse exemplo, de R$0,50, uma variação de 1,67%) proporcionou um ganho financeiro de R$225 por contrato (sem considerar custos operacionais). Maravilha, não é? Mas lembre-se que apesar de eu ter colocado um exemplo vencedor, poderia ser um exemplo perdedor. E se eu resolvesse ou precisasse fechar a operação com prejuízo, sendo que a cotação de venda fosse R$29,50? Pois é… prejuízo proporcional, de R$225. Portanto, tome muito cuidado com a negociação de contratos futuros, pois você não está negociando apenas o valor mostrado na tela. Consulte o formato da unidade negociada do contrato, pois você está negociando o volume correspondente de cada contrato, seja inteiro ou mini – e em qualquer um dos dois tipos sempre existe alavancagem!

Como funciona o mercado futuro

Mesmo para quem já fez algum investimento na bolsa de valores, o mercado futuro tem certas peculiaridades, diferentes do mercado à vista. Certos elementos não são comuns às negociações com ações, que costumam ser o primeiro passo dos investidores na B3.

Vamos entender e conhecer agora os conceitos mais importantes para quem quer operar contratos futuros.

Liquidação financeira e liquidação física

A liquidação representa o momento final de uma operação com contratos futuros, quando ocorre a transferência dos recursos e dos ativos que foram negociados. Isso acontece na Câmara de Compensação e Liquidação da B3, que tem uma estrutura de garantias para assegurar que cada parte – compradores e vendedores, também chamados de contrapartes – cumpram suas obrigações.

As operações com derivativos padronizados são liquidadas em câmaras de compensação ligadas às bolsas ou aos sistemas de negociação cuja estrutura de garantias garante o cumprimento de todas as obrigações assumidas pelas partes.

Independentemente de a operação ser padronizada ou não, há duas formas de liquidação: financeira e física.

A mais comum entre elas é a liquidação financeira. No dia do vencimento do contrato, é calculada a diferença financeira entre o valor de compra e de venda do contrato. O acerto acontece em dinheiro, sem a necessidade de que o ativo de base – seja uma commodity agrícola, uma moeda ou qualquer outro derivativo – precise ser efetivamente entregue em mãos para a outra parte.

A liquidação física é o contrário disso. Ela é mais comum nos mercados agropecuários e de energia e pressupõe a entrega física do ativo na data de vencimento do contrato. Muitas vezes, porém, esse procedimento de entrega física pode tanto ser muito custoso, e alguns casos até indesejado – quando o interesse do investidor passa longe de ter um carregamento de 450 sacas de milho em casa, por exemplo. Pode-se simplesmente deixar a liquidação física de lado e focar na liquidação financeira.

Na B3, alguns contratos admitem tanto um formato quanto outro, mas a maior parte deles prevê apenas a liquidação financeira.

Ajuste diário

Vamos relembrar mais uma vez o conceito do mercado futuro: nele, são negociados contratos que asseguram o direito de comprar ou de vender um determinado ativo ou mercadoria numa data à frente, no futuro, por um preço já definido. Ocorre que ao longo do tempo, até o vencimento, os preços de negociação podem mudar de acordo com as expectativas dos participantes e também de acordo com a oferta e a demanda dos ativos subjacentes (e dos próprios contratos).

Mesmo que um determinado futuro tenha sido negociado hoje por um certo valor, amanhã ele pode estar valendo menos, custando mais barato no mercado. Ou também pode valorizar, custando mais caro. São essas variações de preço determinam os resultados dos investidores.

Se o contrato está custando mais caro hoje do que custava quando foi comprado, a operação está registrando lucro para quem assumiu uma posição compradora. Mas o contrário também pode acontecer: se o contrato está custando mais barato hoje, a operação pode estar registrando prejuízo para quem assumiu uma posição compradora. É justamente com o propósito de evitar que perdas muito grandes se acumulem até o vencimento do contrato é que ocorrem os “ajustes diários”; se essas perdas ficassem muito grandes até o vencimento poderia causar níveis elevados de inadimplência.

O ajuste diário é um sistema que apura as perdas e os ganhos dos investidores com os contratos futuros todos os dias. Todas as posições mantidas por eles são avaliadas a partir de um preço de referência – o preço de ajuste diário. Se o valor das posições em uma certa data está acima do preço de ajuste, significa que elas – naquele dia – tiveram ganho. Se, no dia seguinte, as posições estiverem com preço abaixo do ajuste, é sinal de que houve uma perda.

Na prática, as operações são ajustadas todos os dias de acordo com as expectativas do mercado para o preço futuro do ativo de referência do contrato. E os valores das diferenças que forem encontradas serão creditadas (se houve ganho) ou cobradas (se houver perda) diretamente na conta do investidor.

Vamos exemplificar com números para você entender melhor a ideia do ajuste diário. Digamos que eu tenha comprado um contrato de boi gordo (ou seja, assumi a posição compradora, estou esperando alta). Só para você acostumar, um contrato de boi gordo refere-se a “bovinos machos, com 16 arrobas líquidas ou mais de carcaça e idade máxima de 42 meses”; na prática, em cada contrato estou negociando 330 arrobas. Digamos que o contrato esteja cotado a R$320. Nessas condições estou negociando R$105.600 (330 arrobas x 320 reais) por contrato.

Digamos que no primeiro dia a cotação variou 0,50% positivo, fechando o dia em R$321,60. Sem considerar custos, a movimentação financeira de ajuste diário é a seguinte: entra na minha conta R$528 referente a um contrato de boi gordo. Digamos que eu mantenha a operação por mais um dia e que o contrato aumente o valor em 0,20%, saindo de R$321,60 para R$322,24. Entra na minha conta, no segundo dia, mais R$212,26. Digamos que eu mantenha o contrato por mais outro dia; mas, nesse terceiro dia, houve uma queda no preço, recuando em 0,30%: o contrato sai de R$322,24 e vai para R$321,28. No final do pregão sai da minha conta R$319,02. Digamos que eu mantenha o contrato pelo quarto dia e tem uma variação positiva de 0,10%, saindo de R$321,28 e indo para R$321,60: no final do pregão entra na minha conta R$106,02.

De forma supersimplificada essa é a dinâmica do ajuste diário: se você mantém o contrato por mais de um dia, você pode ter entradas e saídas de dinheiro em sua conta na corretora – ambos são lucro ou prejuízo potencial; trata-se de um fluxo financeiro até que se finalize a operação, seja antecipadamente, seja no vencimento do contrato.

A existência do ajuste diário diferencia os contratos futuros de outros derivativos, como os contratos a termo – em que todo o ganho ou toda a perda é calculada de uma vez na dada do vencimento. O problema, nesse caso, é o risco maior de que os investidores envolvidos não cumpram suas obrigações, já que os prejuízos podem ser grandes.

O que acontece se o investidor não pagar um ajuste diário? A primeira consequência é que ele será declarado inadimplente pela B3, a pedido da sua corretora. Seu nome será incluído em uma lista distribuída para todos os participantes do mercado, de modo a protegê-los também. Além disso, a bolsa terá de executar as garantias que o investidor tiver registrado e o proibirá de fazer novas operações até que a dívida seja saldada.

Margem de garantia

Falando em garantias, para negociar no mercado futuro, a B3 exige que os investidores deixem algumas garantias depositadas nas corretoras pelas quais operam. Na prática, a margem de garantia se parece com um depósito caução que existem em algumas negociações – como em certos contratos de aluguel.

A exigência de garantias é vista como um diferencial da bolsa, porque permite que os investidores aproveitem as oportunidades existentes em vários mercados com maior tranquilidade. Isso porque ela serve justamente para que a B3 tenha recursos à disposição para garantir o pagamento das operações em caso de inadimplência do investidor.

O valor da margem de garantia equivale a um percentual da operação com os contratos futuros. Quando os negócios são daytrades – ou seja, são iniciados e finalizados no mesmo dia – a corretora define de quanto será essa margem (geralmente é menor, mas também existe). Para contratos de mais do que um dia (que é swingtrade), a definição é feita pela própria B3, de acordo com o tipo de contrato e de operação.

As garantias não precisam ser sempre depositadas necessariamente em dinheiro. Outros ativos – como ações, títulos públicos comprados pelo Tesouro Direto ou até papéis de crédito privado – também podem ser utilizados para essa finalidade. Porém, nesses casos, costuma acontecer deságio que é um percentual de desconto de acordo com a característica do título, também definido pela B3.

Uma situação prática em que a margem de garantia pode ser acionada é o caso em que o investidor registra perdas no ajuste diário e precisa realizar um pagamento à bolsa. Caso o valor não seja entregue dentro dos prazos devidos, a B3 pode cobrir essa inadimplência executando compulsoriamente a garantia deixada por ele.

No exemplo que dei do boi gordo agora há pouco, se no dia de ajuste negativo eu não tivesse os R$319 para pagar à B3 ela teria autorização de executar minhas garantias para que a outra parte (que é um vendedor) pudesse ter o seu ajuste diário positivo garantido. Esse tipo de evento é chamado de liquidação compulsória.

Liquidação por inadimplência

Quando o investidor deixa de realizar um pagamento de ajuste diário, além de recorrer à margem e executar as garantias para quitar o prejuízo, a bolsa encerra compulsoriamente a posição que ficou inadimplente. Assim, se o investidor tinha comprado contratos futuros, eles serão vendidos e o negócio, finalizado – o contrário também é verdadeiro: se o investidor está em uma posição vendida, o contrato é recomprado para finalizar a operação. O objetivo é evitar o risco de que novas perdas acabem se acumulando e colocando a segurança do mercado inteiro em risco.

No caso de liquidação compulsória por inadimplência, outras garantias também podem ser acionadas pela B3, além da prestada pelo investidor. Nesse caso as garantias exigidas podem vir das garantias depositadas pela própria corretora através da qual ele operou e ainda pelo membro da compensação que faz a liquidação para essa corretora. Caso as garantias sejam insuficientes, outras maneiras de assegurar a estabilidade do mercado são acionar o patrimônio do fundo especial dos membros de compensação da bolsa, do fundo de liquidação de operações e da própria B3.

Ou seja, tem garantia da garantia da garantia, isso tudo para proporcionar estabilidade e confiança no mercado futuro. Mas é bom não precisar delas, pois, se isso acontece, no final das contas quem vai ficar com a dívida é o próprio investidor.

Como negociar no mercado futuro

E agora, qual é o passo a passo básico para começar a negociar seus próprios contratos futuros?

Qual é seu perfil de investidor?

Primeira coisa: qual é o seu perfil de investidor? Esta é a primeira pergunta que você deve fazer para si mesmo antes de tomar qualquer decisão de investimento. Como acha que se comportaria em diferentes cenários de mercado, ganhando ou perdendo? Qual seria sua reação diante de uma perda? Ou sua reação diante de um ganho? Quanto está disposto a estudar sobre o assunto?

Isso vai te ajudar a entender se o mercado futuro – que envolve um pouco mais de complexidade do que outros tipos de investimentos – é uma alternativa interessante para seu portfólio.

Como escolher uma corretora para operar?

Para negociar no mercado futuro, é preciso ter conta em uma corretora de valores. Ela que realizará a intermediação das operações no pregão da B3.

Para escolher a corretora mais adequada, comece verificando as taxas de negociação que são cobradas. É comum que as operações com futuros sejam de valores baixos, mas muito frequentes. Uma taxa elevada pode acabar reduzindo os ganhos, apesar do potencial de ganho alavancado.

Considere ainda aspectos como os sistemas de análise e negociação disponibilizados pela corretora no home broker, além das exigências de depósitos de margem que ela estabelece. Confira as condições para todos esses serviços antes de fazer suas operações.

Qual será sua estratégia no mercado futuro?

E, por fim, qual será sua estratégia no mercado futuro? Vai atuar como hedger, especulador ou arbitrador? Procure estudar as possibilidades e definir uma estratégia de investimento para você mesmo. Quando sua estratégia estiver bem clara, busque fazer análises ou ler análises sobre os contratos que chamam sua atenção.

Lembre-se de contar com a ajuda da sua corretora e também de casas de análise nessa tarefa, pois elas costumam disponibilizar relatórios orientando os investidores a respeito das vantagens e desvantagens de cada contrato futuro e de cada estratégia. E, como sempre reforço: comece com pouco capital, comece pequeno. Você precisa experimentar a profundidade da operação com a ponta do dedo antes de pular de cabeça. Se você for com afobação pode ser que dê super certo na primeira vez; mas se der errado pode te trazer um prejuízo inesquecível. Vá devagar!

Você sabia que o podcast dO Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu? Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage dO Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

Participe comigo através das minhas redes sociais (basta buscar o perfil @phillipsouzabr) e também no YouTube no meu canal Phillip Souza. Será uma honra ter contato mais próximo com você!

Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Pense sobre o que tratamos aqui e coloque em ação o que você aprendeu, pois sem prática é só informação na sua cabeça.

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, e esse é o podcast dOInvestidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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