Ouça agora este podcast! “015 O dinheiro e os sentimentos que podem acabar com ele”

Neste podcast vamos ajudar  você a trilhar o caminho da liberdade financeira. É claro que esse caminho tem algumas etapas que precisam ser vencidas. E uma atitude prática e importante para trilhar esse caminho, é a da construção de renda passiva. No episódio anterior ressaltei que é necessário construir uma coluna de ativos que gerem renda passiva suficiente para bancar todos as nossas saídas de caixa para que nós mesmos não tenhamos que pagar essas contas. Quem deve pagar nossas contas é a nossa coluna de ativos.

A essa altura, você pode me dizer: Ok, Eduardo. Eu ouvi os episódios anteriores e, por causa deles, já comecei a dar uma solução para a situação com minhas dívidas para começar a investir e em breve eu acho que já terei condições de começar meus investimentos. Por onde começar? Qual o melhor investimento?

Essa talvez seja a pergunta que mais escuto. Acontece que ela não tem uma resposta tão simples, pois o melhor investimento depende do seu nível de conhecimento, dos seus objetivos e dos riscos que você esteja disposto a correr. Acrescento que para cada nível de conhecimento, para cada tipo de objetivo e para cada perfil de risco de investidor existe um investimento adequado. Ou seja, assim como cada investidor é único, para cada um deles existe uma combinação de investimentos única. Por isso é importante buscar o conhecimento sobre investimentos e, ao mesmo tempo, entender o próprio perfil de investidor.

O que posso dizer é que, com toda certeza, o melhor investimento que você pode fazer é o investimento de tempo para se dedicar a conhecer o mundo dos investimentos.

Por isso, no episódio de hoje vou falar sobre alguns conceitos básicos que valem para qualquer tipo de investimento e servem para que você possa começar a avaliar os investimentos de acordo com alguns critérios.

O VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO E TAXA DE JUROS

O primeiro ponto fundamental é o valor do dinheiro no tempo. O investidor dever saber que R$ 1.000 na data de hoje não são iguais R$ 1.000 daqui a 1 mês. Para exemplificar, imagine que você tenha esse dinheiro em mãos nesta data e que eu, Eduardo, tenha uma necessidade de consumo nesse mesmo valor, R$1.000, e peço emprestado pra você. Você pode tomar duas decisões: Decisão A) Consumir, comprando algo de seu interesse; Decisão B)Emprestar para mim. Ao disponibilizar esse dinheiro para mim, você concorda que estará adiando a sua possibilidade de consumo para o mês que vem? Essa decisão de adiar o seu consumo, somente pode fazer sentido, do ponto de vista prático financeiro, se você receber um prêmio por isso, pois de outro modo, você não teria nenhum incentivo para deixar de consumir imediatamente.

O nome que damos a esse prêmio é Juro. Os juros, portanto, podem ser entendidos como o prêmio pago a quem aceita adiar o seu consumo para um período futuro ao disponibilizar sua sobra de dinheiro a outras pessoas, que por sua vez pagarão esse prêmio. Chamamos de Taxa de Juros, os juros convertidos num valor percentual.

Entretanto, além da taxa de juros real, que é o prêmio justo para quem aceita adiar seu consumo, existe ainda uma variação de preços de bens e serviços. Vamos pensar no poder de compra dos mesmos R$ 1.000, sabemos que ele pode mudar de acordo com fatores de mercado. Ou seja, a quantidade de bens que você consegue adquirir hoje com R$ 1.000 tende a ser maior que a quantidade de bens que você conseguirá adquirir daqui a 1 mês, pois os preços geralmente sobem. Isso quer dizer que para manter o mesmo poder de compra desses R$1.000 é preciso aplicar sobre ele uma taxa de variação de preços a que chamamos de taxa de inflação.

Exemplificando, um bem que custa R$1.000 hoje pode custar R$1.050,00 daqui a 1 ano se a inflação for de 5% nesse mesmo período.

Tomando novamente o primeiro exemplo, Isso significa dizer que se você tiver R$1.000 e decidir adiar seu consumo, disponibilizando seu dinheiro para outra pessoa, você deve ter em mente que além do prêmio pelo adiamento do seu consumo (taxa de juros real) você precisará atualizar o poder de compra do seu dinheiro aplicando a taxa de inflação.

Com esse raciocínio, concluímos que a taxa total a ser cobrada é a soma da taxa de juros real com a taxa de inflação. A essa soma chamamos de taxa de juros nominal.

TAXA NOMINAL = TAXA DE JUROS REAL + TAXA DE INFLAÇÃO[1]

No mundo dos investimentos, a taxa utilizada para divulgação dos resultados é taxa nominal. Por isso, o investidor deve dominar este conceito para saber que o seu ganho (prêmio) não é essa taxa completa. O investidor deve saber que da taxa divulgada ele deve descontar a taxa de inflação do período em que o dinheiro permaneceu investido, pois o seu prêmio real é a taxa de juros nominal subtraída da taxa de inflação.

Fazendo uma conta simples, sem a preocupação da exatidão matemática, se você aplicou em um determinado ativo que rendeu 10% em 1 ano, mas a inflação do período foi de 6%, isso significa que você obteve um ganho real de aproximadamente 4%.

RENTABILIDADE

Outro conceito importante é o conceito de rentabilidade.

Quando realizamos investimentos, o fazemos para alcançar um resultado financeiro positivo. Ninguém investe dinheiro em ativos para no final do período do investimento retirar uma quantia de dinheiro igual ou menor do que a investida. Todos buscam obter algum ganho com os investimentos, pois de outro modo não faria sentido realizar investimentos.

Ao ganho obtido em um investimento chamamos de rentabilidade. A rentabilidade pode ser expressa em um valor absoluto (em reais) ou na forma de uma taxa. Se você investe R$100 e ao final de um determinado período pode sacar este investimento com o valor de R$120, significa que você obteve uma rentabilidade de R$20 ou de 20%.

É importante ressaltar que as rentabilidades divulgadas pelo mercado financeiro em fundos de investimento, em CDB’s, em ações e etc são rentabilidades brutas. Dessas taxas brutas devem ainda ser descontadas os impostos para se chegar à rentabilidade líquida.

Juntando os conceitos de taxa de juros nominal e real e o de rentabilidade podemos tirar algumas conclusões para não nos iludirmos com os resultados dos nossos investimentos.

Retomando o exemplo de realizar um investimento que rendeu 10%  em 1 ano. Digamos que este investimento esteja sujeito a uma alíquota de imposto de renda de 15%, o seu rendimento líquido será de 8,5%. Desses 8,5% você ainda precisa descontar a inflação de 6% que havia no exemplo. Sem mais uma vez nos preocuparmos com a exatidão matemática, numa conta simples, o seu rendimento real líquido seria de 2,5% e não de 10% como divulgado pelo mercado.

O investidor inteligente deve ter ciência desses conceitos para não errar na mensuração dos resultados dos seus investimentos, pois do contrário, correrá o risco de colocar todo o seu plano de liberdade financeira por água abaixo por supervalorizar seus resultados e realizar gastos maiores que seus ganhos reais líquidos.

 

[1] A soma de taxas não é uma adição simples. Mas aqui consideramos dessa maneira para simplificação do raciocínio. As taxas de juros são somadas da seguinte maneira: [(1+i’)x(1+i”)-1]*100

 

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

Pin It on Pinterest

Share This