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“134 O que é a Análise Fundamentalista?”.

Investimento em ações é sempre um tema controverso e que gera uma grande quantidade de dúvidas. Muitas pessoas preferem simplesmente abstrair e não buscar o conhecimento por supor que sua obtenção é difícil ou mesmo imaginar que sua compreensão é ainda mais desafiadora, e, por conta disso, deixando de aproveitar excelentes oportunidades que o mercado de capitais pode lhes proporcionar.

Entretanto, a educação financeira é a chave para o sucesso no mercado de capitais. Assim como os investidores possuem diversos perfis dentro de uma escala de maior ou menor aversão ao risco, o mercado também nos proporciona um vasto número de possibilidades de investimentos e operações. Uma destas é a análise fundamentalista.

Como forma de apresentação clara e objetiva do tema, podemos classificar a análise fundamentalista como um tipo de análise que nos fornece ferramentas para analisar e escolher empresas, partindo do pressuposto que quem investe naquilo que conhece, investe com maior qualidade. Aqui vamos deixar de lado questões acadêmicas referentes a pressupostos de assimetria de informações e eficiência de mercados, pois o foco é um ensino prático de conceitos úteis à tomada de decisão por parte de qualquer investidor. No entanto, assume-se como pressuposto a premissa de que é possível auferir ganhos extraordinários e superiores à média do mercado a partir do estudo das empresas nas quais investimos.

Nesse podcast vamos apresentar o que é análise fundamentalista, seus principais pilares e as formas mais básicas de começar uma avaliação das empresas

Esse é o podcast do Investidor Inteligente e eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas que todas as semanas traz para você respostas sobre a vida financeira, informações diferenciadas e didáticas, orientações e estratégias valiosas que podem te ajudar na importante tarefa de cuidar bem do seu dinheiro, seja para sair das dívidas, seja para investir, seja para aprender sobre como organizar suas finanças, de modo que você possa usufruir e aprender com o seu presente e construir e cuidar do seu futuro, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

Esse podcast é gratuito e, portanto, você pode assiná-lo para não perder nenhuma dica, ficar por dentro com todas as informações e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente do Dicas Curtas.

 

O que é a Análise Fundamentalista

Em poucas palavras, pode-se resumir análise fundamentalista como o estudo da situação financeira de uma empresa e de suas perspectivas futuras buscando avaliar as diferentes alternativas de investimento a partir do conhecimento daquilo em que pretendemos investir. Sendo assim, fica claro que o foco de análise são os fundamentos da empresa ou do negócio a ser analisado. Ou seja, procura-se entender o negócio da empresa, olhando suas perspectivas para o médio e o longo prazos procurando identificar o potencial de crescimento de lucros futuros, pois, caso isso aconteça, acredita-se que as ações desta empresa também se valorizarão.

O fundamento teórico desta escola repousa na tese de que existe uma correlação lógica entre o valor intrínseco de uma ação e seu preço de mercado. Estudar os fundamentos da empresa ajuda a compreender as possibilidades de crescimento ou decrescimento de seus ativos. A ideia central é a de que os preços das ações no mercado devem refletir o valor real da empresa, o qual pode ser determinado através de projeções e das perspectivas para empresa. O objetivo é fugir de momentos de exagero do mercado e ter com o foco o valor intrínseco (o valor verdadeiro) do ativo em questão.

 

Mas qual a ideia de valor?

Imagine que você esteja no deserto caminhando sem parar há horas. Tem muita claridade, areia na sua frente, atrás, dos lados. Não tem uma nuvem no céu, só o sol iluminando tudo – a única sombra que tem é a sua em relação ao sol. O ar está seco, fazendo com que sua respiração fique seca, a garganta secando. E você está cansado e com muita, MUITA sede! Você possui R$50 em seu bolso. Em um cenário desses, quanto você estaria disposto a pagar por uma garrafa de 500ml de água? Provavelmente você pagaria com o que tivesse (os R$50), correto?

Agora, imagine que você estivesse em um bar; cheio de bebidas, fresco, aconchegante; com algum barulho ou música ao fundo. Quanto você pagaria por essa mesma garrafa de água? Provavelmente, você não iria se dispor a pagar os mesmos R$50.

O valor real (intrínseco) da água não se alterou, o que mudou foi a nossa percepção em função do ambiente (mercado). Esse é o objetivo da análise fundamentalista: busca-se encontrar o valor real dos ativos, independentemente dos momentos de mercado.

 

Fundamentalistas e Técnicos

Outros pontos importantes a serem esclarecidos antes de aprofundar nos estudo da análise fundamentalista são suas diferenças em relação à análise técnica de ações. É muito corriqueiro ouvir críticas de ambos os lados acerca das análises dos dois grupos. Entretanto, na medida em que vai estudando e lidando com o mercado, fica fácil perceber que ambas as análises podem se complementar e que existe espaço para os dois tipos.

A principal diferença entre as duas reside nas premissas que cada uma adota e no objeto de análise de cada uma: de forma simplificada, enquanto a análise fundamentalista foca na descoberta do valor real do ativo, a análise técnica se preocupa com o timing de entrada e/ou saída da operação. Para mais detalhes sobre essa discussão, sobre qual escola de investimentos é melhor, acesse o podcast #34

 

Hipótese dos Mercados Eficientes

A hipótese dos mercados eficientes foi desenvolvida pelo professor Eugene Fama, na Universidade de Chicago, e publicada na sua tese de doutorado no início dos anos 1960. A sua base foi primeiramente exposta por Louis Bachelier, um matemático francês, na sua dissertação A Teoria da Especulação, em 1900.

Segundo esta hipótese, todas as informações e expectativas se refletem corretamente e quase imediatamente nos preços dos ativos. Sendo assim, o objeto de análise deve ser o movimento de preços dos ativos como forma de verificar os efeitos causados na oferta e demanda dos ativos, decorrentes de mudanças no ambiente. Segundo esta hipótese, seria impossível obter um retorno melhor que o mercado no longo prazo, exceto em caso de sorte.

Já a análise fundamentalista refuta a ideia de que os mercados são eficientes e assume que existem imperfeições de mercado que não podem ser explicadas pelo movimento de preços. Pode-se citar algumas imperfeições, tais como: difusão da divulgação de informação, dificuldades de acesso a informação, existência de investidores individuais poucos sofisticados, investidores com informações privilegiadas, restrições de liquidez. Dado que o mercado recebe informações em momento, maneira e quantidades diferentes, os preços não refletem o seu “valor justo”. Sendo assim, o objeto da análise fundamentalista recai sobre os dados financeiros e as projeções acerca da empresa como forma de encontrar o valor dos ativos.

Como já foi dito, independentemente das premissas e do objeto de análise, ambos tipos de análises são bastante úteis e, em conjunto, ajudam o investidor no momento de tomada de decisão.

Uma das críticas que se faz ao modelo fundamentalista é a de que este é demasiadamente subjetivo, ou seja, não fornece pontos de entrada e saída de uma operação. Em complemento, a análise técnica nos ajuda exatamente nessa deficiência, fornecendo pontos de stop e de melhor compra de determinado ativo, sendo assim, potencialmente complementar. Além disso, cabe ressaltar que a análise fundamentalista possui um foco maior no médio e no longo prazos, diferindo assim da análise técnica.

Estudar os fundamentos das empresas nos ajuda a compreender as possibilidades de crescimento ou decrescimento dos seus ativos. O objetivo é tentar dar preço as coisas, achar o valor dos ativos.

Tendo isso em mente, pode-se dizer que a análise fundamentalista busca, através de projeções individuais de futuro ou comparações com os ativos já existentes, atingir um valor justo para o objeto em questão. Cabe ressaltar que tão importante quanto alcançar um preço-alvo é saber sob quais premissas esse preço encontrado foi projetado para saber se as suposições são ou não factíveis.

 

Pilares da Análise Fundamentalista

Para realizar as análises, devemos tomar como base três pilares da análise fundamentalista.

  1. Análise macroeconômica: o objetivo é ter um cenário base daquilo que se espera para os principais agregados macroeconômicos. Esse cenário tem que levar em consideração dados como: PIB, inflação, taxa de câmbio, taxa de juros, nível de renda, entre outros.
  2. Análise setorial: como o crescimento econômico normalmente não é uniforme, é importante saber quais setores podem se beneficiar mais ou menos. Além disso, questões setoriais, como incentivos governamentais, regulamentações, mudança de paradigmas setoriais afetam diretamente a análise do ativo que estiver sob análise.
  3. Análise da empresa: propriamente dita, através dos seus dados financeiros.

Existem duas formas principais de realizar essa análise: a análise Top-Down ou a análise Bottom-Up.

 

Análise Top-Down e Análise Bottom-Up

A análise Top-Down (de cima para baixo) tem como foco a observação dos aspectos macroeconômicos. Eles seriam o principal fator para determinar o desempenho de um ativo.

Por exemplo: Em momentos de elevação de taxa básica de juros, os investidores buscam proteção em ações de setores que possuam um nível de dívida baixo e concentrada no longo prazo. Sendo assim, resta saber o setor que mais se beneficia de uma notícia como essa e tanto faz a escolha do ativo, pois, em tese, todo setor se beneficiará dessa notícia.

A análise Bottom-Up (de baixo para cima) utiliza todas as informações disponíveis para calcular o valor justo de uma determinada empresa. Ou seja, ao invés de limitar-se ao cenário macro, procura, através de um modelo determinado, identificar possíveis exageros (para mais ou para menos) nos preços dos ativos. O foco é a busca do valor do ativo independentemente dos acontecimentos e potenciais diferentes cenários.

Como conclusão, pode-se dizer que ambas análises não são excludentes. Pelo contrário, pode-se dizer que uma alimenta a outra. A análise Top-Down, mesmo que muitas vezes seja subjetiva, cria o pano de fundo para que a análise Bottom-Up vasculhe o mercado buscando empresas que, através de seus ciclos, diferenças e momentos particulares, apresentem boas oportunidades. Ou seja, tanto faz o que é analisado primeiro, pois quanto maior o número de informações, maior será o embasamento de nossas decisões.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira!

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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