Ouça agora este podcast!“053 O que é e como funciona a Marcação a Mercado?”

Você já deve ter ouvido esse nome: Marcação a Mercado. Muita gente fica confusa sobre esse conceito e, por achar que é um financês complicado, deixa para lá. Hoje você vai aprender o que é Marcação a Mercado e como que funciona, na prática.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente.

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Marcação a mercado é a atualização, normalmente diária, do preço de um ativo de renda fixa ou da cota de um fundo de investimento. Se você aplica em fundos, talvez já tenha percebido essa variação diária nos preços das cotas.

Grosso modo, a marcação a mercado permite que você saiba quanto receberia hoje se vendesse aquele título ou aquela cota. Ou ainda, no caso de um fundo, por quanto seria possível vender, hoje, todos os investimentos que compõem sua carteira.

Compreender o conceito de marcação a mercado é importante porque o comportamento dos preços e das cotas de certos fundos de investimento e títulos de renda fixa pode ser difícil de entender.

 

Falando de Marcação a Mercado de uma carteira de títulos de renda fixa

Quem compra um título de renda fixa público ou privado receberá uma rentabilidade já definida no ato do investimento. No caso dos pós-fixados, será a variação de uma taxa de juros (Selic/CDI); nos prefixados, um percentual determinado; e nos títulos atrelados à inflação, uma taxa prefixada mais a variação de um índice de preços.

Porém, se você já investiu em renda fixa, talvez já tenha notado que a quantia aplicada muda diariamente. E as variações nem sempre parecem condizentes com a rentabilidade contratada. Isso ocorre porque o preço de mercado de cada título varia diariamente. Consequentemente, o valor que você investiu em cada título também é atualizado.

Todos os dias, investidores negociam títulos públicos e privados. Também apostam na alta ou na queda da taxa DI no mercado futuro de juros. Essas negociações cristalizam as expectativas do mercado em relação às taxas básicas de juros (Selic/CDI), com base nas perspectivas para a economia, e contribuem para a formação dos preços dos títulos de renda fixa. Com isso, os títulos de renda fixa que você tem na sua carteira são marcados a mercado. Isto é, o valor que você investiu neles é atualizado conforme o preço do título a cada dia.

As regras de precificação dos títulos de renda fixa não são muito intuitivas, e basicamente, títulos pós-fixados têm seu preço de mercado corrigido diariamente conforme a variação da taxa de juros que serve de referência para a sua remuneração, seja a Selic ou o DI. Já os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação variam conforme as expectativas do mercado para a taxa básica de juros (CDI/Selic) até a data de vencimento do título.

Quando o mercado espera aumento dos juros, a remuneração do título (o percentual) sobe e seu preço (expresso em reais) tende a cair; quando uma queda de juros é esperada ocorre o inverso: a remuneração do papel (o percentual) cai e o preço sobe. No caso dos títulos atrelados à inflação, também ocorre uma correção calculada com base na variação da inflação.

Portanto, a taxa de juros e o preço de mercado de cada título de renda fixa mudam a cada dia. Mas isso não quer dizer que a rentabilidade esperada para o título que você tem na carteira também mude.

Se levar o título até o vencimento, o investidor receberá exatamente a remuneração contratada no dia em que comprou aquele papel. A rentabilidade que era prometida na data do investimento é a que conta.

As mudanças nos preços de mercado só vão afetar o investidor se ele decidir vender ou resgatar seu título antes do vencimento. Nesse caso, ele deverá vender ou resgatar o papel pelo preço de mercado, o que pode acarretar uma rentabilidade diferente da que foi contratada: para mais ou para menos.

No caso dos títulos prefixados e atrelados à inflação, os preços podem subir ou descer. A venda, portanto, pode ocorrer por um preço menor que o da compra, acarretando remuneração negativa. Isso pode ocorrer em momentos em que a perspectiva passa a ser de alta nos juros.

Em suma, sua carteira de títulos de renda fixa será marcada a mercado. Mas se sua intenção for ficar com os papéis até o vencimento, você não precisa se preocupar com isso.

 

Falando de Marcação a Mercado nos fundos de investimento

Uma cota é a fração mínima de um fundo de investimentos. Quando você investe num fundo, você está, na realidade, comprando cotas daquele fundo. O valor da cota de um fundo resulta da divisão do seu patrimônio líquido pelo número de cotas existentes.

As cotas dos fundos de investimento são marcadas a mercado para que os cotistas recebam a remuneração correta no resgate, sem que haja transferência de lucro ou prejuízo entre eles. Ela garante que as cotas sejam sempre negociadas por seu valor de mercado.

O cálculo da cota de um fundo leva em conta o preço de mercado de cada ativo que compõe sua carteira. Somam-se os valores diários de todos os ativos da carteira e divide-se o resultado pelo número de cotas.

Os preços de mercado de alguns ativos são divulgados publicamente. Por exemplo, os preços dos títulos públicos são divulgados diariamente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), servindo como base para o cálculo dos preços das cotas dos fundos que investem nesses papéis.

Já os fundos que investem em ativos de renda variável, como as ações, calculam o preço das suas cotas com base no valor médio diário de negociação dos papéis que compõem sua carteira, conforme divulgado pela B3.

Fundos que investem em outros fundos tomam por base os preços das cotas dos fundos nos quais investem. Ativos que não sejam negociados em mercado regulado ou que não tenham liquidez devem ser precificados pelo administrador do fundo.

Assim, se os ativos que compõem a carteira de um fundo se desvalorizarem, o valor de sua cota cai e ocorre um rendimento negativo. Da mesma forma, se os ativos se valorizarem, o valor da cota sobe e o rendimento é positivo.

E isso deve ser marcado a mercado, ou seja: deve ter atualização diária dos valores.

 

Vamos ilustrar para ficar mais claro esse conceito.

Um bom exemplo de marcação a mercado, comumente utilizado no nosso dia a dia, é a tabela FIPE, que atualiza os preços dos automóveis.

Imagine que você comprou, felizão, um carro 0 km, com direção, teto solar, roda de sei lá do quê, e pagou 90 mil reais. Você sai da concessionária como se andasse em cima de ouro, com cara de tiozão de filme norte-americano, todo orgulhoso, achando que foi um excelente investimento. E na sua contabilidade pessoal, ao listar o patrimônio, logo inclui o carro com o valor pago de 90 mil reais.

O sonho é bonito, mas a realidade é dura e bem diferente.

Ao olhar a tabela FIPE, você conclui que só de tirar o carro da concessionária, já perdeu 25% do valor do bem adquirido. Ou seja, hoje você é 25% mais pobre do que antes e, a cada ano que passa, os seus 90 mil reais parecem mais distantes, pois o patrimônio vai na verdade diminuindo devido a depreciação. Quando você decide vender o carro, depois de quatro anos, percebe que ele não vale quase nada, considerando a tabela FIPE. Metade do valor, com muita sorte.

Faz sentido tentar vendê-lo por 90 mil reais? Não! Ninguém vai comprar seu carro pelo preço que você pagou. A realidade hoje é outra, e os novos preços já incluem o valor atual. Você só conseguirá vendê-lo se de fato utilizar os preços de mercado. Não tem como fugir disso.

 

Na sua contabilidade pessoal, você pode agir de duas formas:

1. Precificar todo mês o carro pelo valor da tabela FIPE, de forma a ter o valor mais acurado possível para o seu patrimônio.

2. Precificar o carro a 90 mil reais e, depois do dia da venda, reconhecer uma perda de 50% desse valor de uma vez só.

 

Na vida pessoal, a decisão vai de você. Precificar o seu patrimônio a quanto ele realmente vale é uma escolha.

No mundo dos investimentos, não é bem por aí! Conforme já detalhei, os órgãos reguladores obrigam os fundos a marcar todos os seus investimentos pelo preço que eles realmente valem.

Ou seja, se um fundo tem uma única ação, e ela sobe 1% hoje, no fim do dia a cota do fundo sobe 1%. Se ele tem um único título público prefixado, e a taxa cai, valorizando o preço do título em 5%, a cota no fim do dia estará 5% mais alta. E assim vai…

Portanto, você, investidor inteligente, não poderá nunca vender sua ação ou seu título por um preço FORA do preço de mercado.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

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Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

 

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