Ouça agora este podcast! “032 O que é e como funciona o consórcio?”

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site DicasCurtas.com.br. Meu objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos, à superação de desafios e também à independência financeira. Para ter acesso à essas dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

Muitas pessoas são ensinadas que consórcio é um tipo de investimento. Não é. Talvez o entendimento mais suave que podemos dar para o consórcio é uma forma de poupança forçada em grupo objetivando a aquisição de algum bem ou serviço, e que se paga uma pequena taxa em cada parcela para alguém realizar a administração dos recursos do grupo. E é sobre isso que vamos falar hoje: o que é e como funciona o consórcio?

Arte de poupar em grupo

O consórcio é considerado por alguns como “a arte de poupar em grupo”, pois tem-se como premissa a união de pessoas, físicas ou jurídicas, que formam uma poupança comum, destinada para a aquisição de bens móveis, imóveis e serviços, por meio de um autofinanciamento.  Reunidos em um grupo, os consorciados – ou seja, os participantes do consórcio – passam a contribuir, por prazo determinado, com uma parcela destinada à formação desse fundo.

A partir do momento em que a administradora é autorizada a funcionar pelo Banco Central, ela começa a reunir grupos de pessoas interessadas em comprar determinados bens, que podem ser, por exemplo:

  • um carro zero;
  • um carro seminovo;
  • um terreno;
  • um imóvel;
  • uma moto;
  • algum tipo de serviço.

O primeiro consórcio surgiu no Brasil em 1962 e seu objetivo foi a aquisição de veículos, sendo constituído por funcionários do Banco do Brasil. Acompanhando o crescimento da indústria automobilística, o sistema foi se multiplicando com a denominação de “consórcio de veículos”, através de entidades e/ou associações de classe. Após estes anos o sistema evoluiu muito, e hoje podemos adquirir cotas de consórcio de vários tipos de bens, tais como: motocicletas, imóveis, aparelhos eletrônicos, tratores, máquinas, automóveis, caminhões, serviços diversos, etc.

Todos os participantes do grupo de consorciados têm o direito de utilizar parte do fundo comum, após serem contemplados por sorteio ou por lance. Todo mês é realizada uma assembleia que reúne todos os participantes do grupo de consorciados. Nessa ocasião, dependendo da disponibilidade do caixa, um ou mais participantes do grupo são sorteados para receber sua carta de crédito, no valor do plano a que aderiu, independentemente do número de prestações que tenha pagado, recebendo uma carta de crédito correspondente ao valor estabelecido em contrato. O sorteio, portanto, define a ordem de recebimento do crédito, uma vez que todos os participantes do grupo receberão suas cartas de crédito até o final do plano.

A outra forma de contemplação é através do lance, que propicia ao consorciado concorrer à contemplação mediante antecipação de parcelas. Digamos, por exemplo, que você esteja participando de um consórcio de um veículo no valor de R$ 50.000 e que você de reserva própria, o valor de R$ 10.000. Você pode oferecer a cada reunião os R$ 10.000 e, dependendo da disponibilidade do caixa, será contemplado quem tiver o maior lance, de acordo com as regras que foram estabelecidas em contrato. Se o seu lance for o maior, você consegue a carta de crédito sem precisar contar com o sorteio, que a contemplação é aleatória.

Taxas

Os consórcios tem diversas taxas que compõem o valor da parcela a ser paga. Basicamente são 4 taxas, que são aplicadas sempre sobre o valor total do bem ou do serviço que se espera adquirir quando for contemplado:

  • Taxa de administração: que contempla a remuneração da administradora pela prestação de serviços ao formar e gerir o grupo, sendo que ela varia de acordo com cada administradora
  • Fundo comum: que é a maior parte da parcela e sua contribuição serve para criar o fundo que será usado para que os consorciados comprem o seu bem ou serviço pretendido, quando forem contemplados.
  • Fundo de reserva: que como o nome sugere, é criado um fundo para que possa suprir necessidades do grupo e seu bom funcionamento em casos adversos, como a inadimplência dos consorciados. É uma taxa que só é devida caso a administradora já tenha definido em contrato. No fim do grupo, caso ainda haja recursos no fundo de reserva, ele deve ser dividido proporcionalmente para cada consorciado.
  • Seguro: em que pode haver pagamento de seguro dependendo do que estiver previsto no contrato da administradora. Existem vários tipos de seguro, mas os mais comuns são o seguro de desemprego, seguro de vida e seguro de quebra de garantia.

Esses quatro itens compõem o valor da parcela a ser paga em um consórcio.

O que tem que prestar atenção para saber se você deve contratar ou não um consórcio? Primeiro ponto é saber qual o seu objetivo. Se é juntar dinheiro, pura e simplesmente, consórcio não é uma boa opção, porque, como vimos, implica em pagamento de taxas. E é nesse ponto que me baseio na premissa de que não é um investimento: você está pagando uma taxa, está tenho custo, para juntar dinheiro. É preferível você colocar seu dinheiro na Caderneta de Poupança, em um fundo de investimento ou em algum produto do Tesouro Direto (isso tudo, lógico, dependendo do montante e do prazo das aplicações) se o propósito for simplesmente poupar, juntar dinheiro.

Distinção entre Financiamento x Consórcio 

Por outro lado, se o propósito for adquirir um bem (um carro, uma motocicleta, um imóvel, ou um serviço específico – que é uma modalidade de consórcio que poucas pessoas conhecem, inclusive) aí sim pode ser interessante considerar um consórcio. Nesse ponto temos que fazer uma distinção básica entre consórcio e financiamento.

  • Em um financiamento (seja de veículo ou de imóvel, por exemplo) geralmente tem-se um custo maior com juros, que já está embutido no valor da parcela; porém, em troca, você tem o bem de forma mais imediata – lembrando também, que em um financiamento de um bem de alto valor, pode ser necessário dar uma entrada correspondente à um percentual do bem pretendido: varia muito, mas em média 20% do valor do imóvel ou do veículo, por exemplo.
  • Em um consórcio, os custos (conforme nós já vimos) basicamente é da taxa de administração, do fundo de reserva (que pode voltar para o consorciado caso não seja utilizado até o final do plano) e do seguro; contudo, o participante do consórcio não tem a disponibilidade mais imediata do bem como é no caso do financiamento: tem que ser contemplado ou via sorteio ou via lance, de acordo com as regras contratuais do consórcio.

Resumindo: financiamento tem um custo mais alto com juros e a pessoa tem o bem de forma mais imediata; consórcio geralmente tem um custo mais baixo, e a pessoa tem que ser contemplada para poder ter acesso ao bem – se ela não tiver, em algum momento, recurso para oferecer como lance, ela pode ser contemplada através de sorteio logo no início do consórcio ou ser a última pessoa contemplada no plano.

Diante de tudo que foi exposto até agora, fica claro que consórcio não é investimento: paga-se taxas a cada parcela (especialmente a taxa de administração) e, portanto, o recurso poupado, não tem a capitalização composta que acontece no caso de um investimento.

 

Como faço para participar de um consórcio? O primeiro passo para adquirir uma cota é procurar uma administradora de consórcios autorizada pelo Banco Central. É possível verificar se uma administradora possui essa autorização ou pelo site do Banco Central ou consultando o site da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

Feita a apuração, você pode entrar em contato com uma empresa e verificar os planos disponíveis. Daí você pode fazer a adesão ao grupo que tiver os melhores prazos e valores para o seu bolso. Muito importante: antes de assinar o contrato, leia atentamente todas as cláusulas para conhecer seus direitos e obrigações. Se não entender, procure assessoria jurídica ou mesmo peça a cópia do contrato para poder ler com calma. Muita gente acaba fazendo besteira por não saber dos limites, direitos e obrigações presentes nos contratos.

Algumas coisas que você deve saber e ficar atento:

  • As administradoras são obrigadas pelo Banco Central a iniciarem o grupo quando este estiver com mais de 70% de pessoas;
  • As administradoras devem arcar com os prejuízos caso haja contemplações onde era sabido que não havia dinheiro suficiente em caixa para tal propósito nos grupos;
  • O consorciado tem direito a mudar o valor do bem desejado a qualquer momento e antes da sua contemplação;
  • É interessante verificar o site do PROCON para saber se a sua administradora de consórcio está envolvida com reclamações de outros consorciados. Você deve avaliar estas reclamações e pensar se essa administradora merece o seu voto de confiança;
  • Mais uma vez: deve verificar no site do Banco Central se a administradora de seu interesse está relacionada como uma administradora idônea e sem problemas judiciais que a impeçam de atuar no ramo;
  • Você deve se certificar do valor que você deseja para comprar o bem ou serviço (valor da carta de crédito);
  • Deve observar atentamente sobre os prazos de duração do grupo, percentuais de contribuições (taxa de administração e, se houver, fundo de reserva e/ou seguro), demais despesas que poderão ser cobradas e garantias que você deverá fornecer ao ser contemplado;
  • Regras de contemplação por sorteio e regras de contemplação por lance, além da forma de antecipação de pagamento de prestações.

Todas as condições prometidas pelo vendedor devem constar no contrato. Tem que estar “preto no branco”. No ato da assinatura do contrato, também é fundamental exigir uma das vias do documento de adesão e/ou cópia do regulamento do grupo, visto que o contrato cria vínculos entre os consorciados e a administradora, o que propicia a todos os clientes igual condição de acesso ao mercado de consumo de bens ou serviços.

 

Caso você queira assessoria financeira para avaliar se a parcela de um consórcio cabe ou não em seu orçamento, ou mesmo se organizar financeiramente para poder contratar um consórcio ou então poupar com o propósito definido, você pode entrar em contato comigo através do meu site (www.PhillipSouza.com.br), seja através de telefone, e-mail, WhastApp, para que eu possa te ajudar a alcançar seus sonhos com mais facilidade.

 

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