fbpx

Já parou para pensar que o padrão alimentar pode desencadear processos inflamatórios? E que a perpetuação deste padrão pode levar a obesidade e a obesidade a diversas outras doenças?

Pois então, neste episódio irei abordar sobre como a alimentação e o consumo de determinados alimentos pioram a inflamação e como reduzi-la.

Eu sou Louis Marcondes, o expert em Nutrição do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar você a se alimentar melhorar, melhorando assim sua saúde, estética e bem-estar. Então para que você não perca nenhuma dica e fique atualizado com todas as informações que estarei compartilhando aqui, basta assinar o podcast e acompanhar todas as semanas o Expert em Nutrição do Dicas Curtas.

Sendo assim, vamos abordar os seguintes pontos:

  • A obesidade, a doença inflamatória
  • A alimentação moderna e inflamação
  • Sinalização inflamatória após se alimentar
  • Ômega 3 a diminuição da inflamação

Ouça agora este podcast!

Ouça “021 A obesidade, inflamação e o consumo de gorduras” no Spreaker.

A obesidade, a doença inflamatória

Falar sobre obesidade é uma urgência, já estamos entre os países com o maior número de obesos. A obesidade não é uma característica pessoal, mas sim uma doença multifatorial e a sua prevalência aumentou dramaticamente nas últimas décadas, o que impulsionou o risco de uma variedade de comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no perfil de colesterol e apneia obstrutiva do sono. É comum pessoas obesas terem dificuldades para dormir e apresentarem estas comorbidades que citei, com certeza alguém na família está passando por isto ou você mesmo esteja.

A obesidade é perigosa pois ela produz um estado inflamatório patológico, colocando a pessoa obesa sob um quadro de inflamação crônica de baixo grau, que também é chamada de inflamação metabólica ou metainflamação. É importante citar isto, para que não haja uma romantização da obesidade, a obesidade é uma doença e não apenas uma característica. Pessoas obesas devem ser respeitadas, mas nunca encorajadas a aceitarem a situação em que estão.

Esta doença inflamatória é um estado que não se limita ao tecido adiposo branco, a gordura, mas também inclui metabolicamente órgãos ativos, como fígado, músculos esqueléticos, pâncreas e trato gastrointestinal.

A alimentação moderna e inflamação

E este quadro todo tem correlação direta com os padrões modernos de alimentação, o qual tem um papel fundamental no início da resposta inflamatória. Estes padrões são compostos de um aumento significativo na ingestão de gorduras saturadas, ácidos graxos trans e ômega 6.

Bem como um pequeno aumento na ingestão de ácidos graxos ômega-3; enquanto isso, a ingestão de vitaminas C e E diminuiu. Tais mudanças são particularmente relevantes se levarmos em consideração a participação desses nutrientes na resposta inflamatória.

Resumindo, consumir muitas gorduras saturadas, gorduras trans e ômega-6 é onde a inflamação começa.

Curiosamente, o estado inflamatório promovido pela dieta também tem consequências para a manutenção e progressão do ganho de peso. Os roedores que sofrem obesidade induzida por meio de dietas ricas em gordura são caracterizados pelo desenvolvimento de inflamação em alguns territórios no cérebro como o hipotálamo, lesão neuronal e  gliose reativa. Caso não saiba, a gliose é um evento no sistema nervoso central depois de um dano de qualquer tipo.

Em humanos o aumento da sinalização da gliose é detectado por imagem de ressonância magnética e está significativamente aumentado em pessoas obesas em comparação com jovens magros e está positivamente correlacionado com o IMC, mas não sexo ou idade.

Sinalização inflamatória após se alimentar

Você sabia que determinados alimentos imediatamente após o consumo desencadeiam uma sinalização inflamatória? Pois então, a ingestão de uma única refeição rica em gorduras saturadas está correlacionada com a inflamação pós-prandial e a expressão de TLR4 em células mononucleares do sangue. Mas o que é este tal de TLR-4? O  TLR4 é uma proteína transmembrana que desempenha um papel essencial na promoção da expansão de resposta inflamatória induzida pela obesidade. O TLR4 reconhece a gordura saturada e não reconhece ácidos monoinsaturados e poliinsaturados, ligando uma dieta ocidental à perpetuação de comorbidades geradas pela obesidade.

Ou seja, após comer alimentos ricos em gorduras saturadas como costela, carnes gordas, pizza quatro queijos, temos uma sinalização inflamatória. Além disso, a ingestão contínua de ácidos graxos saturados induz a disbiose intestinal (que é um desbalanço entre bactérias benéficas e maléficas no intestino), aumenta a permeabilidade epitelial do intestino delgado e maior translocação de componentes bacterianos (frequentemente chamados de endotoxinas bacterianas ou lipopolissacarídeos, LPS) do intestino lúmen para a circulação sanguínea e tecidos periféricos. Se considerarmos que os ácidos graxos saturados também são um componente essencial das endotoxinas bacterianas, esta endotoxemia metabólica funciona em conjunto com dietas não saudáveis para promover a perpetuação da cascata pró-inflamatória via ativação de TLR4.

Vou complicar um pouco, a sinalização induzida pelo receptor TLR4 ativa o fator de transcrição NFκB, aumentando a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL-1 e IL-6. Essas citocinas, por sua vez, aumentam a síntese hepática de PCR, que é o clássico reagente de fase aguda positiva e o biomarcador inflamatório mais estudado e aceito.

Ou seja, quando nos seus exames de laboratório tiver o PCR, e ele estiver aumentado, possivelmente é decorrente de um quadro inflamatório

A via de sinalização TLR4 foi reconhecida como um dos principais gatilhos no aumento da resposta inflamatória induzida pela obesidade, o qual é diferente do processo inflamatório clássico. Este processo inflamatório se manifesta de forma sistêmica e é caracterizado por uma reação crônica de baixa intensidade.

Sabemos também que a  inflamação induzida pelo tecido adiposo aumenta a resistência à insulina, sendo que o excesso do consumo de gordura saturada ao se ligar ao receptor TLR-4 desencadeia a ativação de vias inflamatórias que vão interferir na captação de glicose pela sinalização da insulina.

Ômega 3 a diminuição da inflamação

Sendo assim, o excesso de gordura saturada pode auxiliar no desenvolvimento da diabetes.

No entanto, em relação à ativação da via de sinalização TLR4, estudos indicam que os ácidos graxos ômega-3, ou seja, EPA e DHA, têm um efeito anti inflamatório, que envolve atenuando a ativação desta via. Isso tem implicações relevantes para reduzir a meta inflamação e, consequentemente, a resistência à ação da insulina e o risco de diabetes tipo II e doenças cardiovasculares em indivíduos obesos. Os ácidos graxos ômega-3 podem se opor à ação de ambos agonistas clássicos de TLR (por exemplo, LPS) e ácidos graxos saturados a esse respeito.

Este ômega-3 pode ser suplementado ou consumido via alimentação com sardinhas e outros peixes do mar e de águas profundas.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

Se você gostou curta, comente e compartilhe o Dicas Curtas em suas redes sociais. E caso fique com alguma dúvida, me procura lá no grupo do Super Nutricionista no Facebook, pois estarei à disposição para esclarecer todas elas. Assine e acompanhe esse podcast através do seu dispositivo Apple ou Android, sendo que você também pode encontrar o <Nome do Expert> no Spotify e no Deezer.

Sabia que a partir de agora você também pode ajudar o Dicas Curtas a crescer ainda mais fazendo parte do grupo de apoiadores?

Com incentivos a partir de 1 real por mês, você ajudará o Dicas Curtas a alcançar mais pessoas, incluir novos experts, e claro, ter acesso ao grupo de apoiadores no Facebook para receber conteúdos especiais e ter acesso a lives exclusivas para poder tirar suas dúvidas ao vivo com o expert de sua preferência.

Para ser um apoiador basta acessar o site: apoia.se/dicascurtas.

O link vai estar disponível na descrição do episódio!

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Super Nutricionista do Dicas Curtas! Até a próxima semana.

Pin It on Pinterest

Share This