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“007 Obesidade e síndrome metabólica na infância e adolescência”

Neste episódio quero abordar sobre a obesidade na infância e adolescência.  A obesidade vem apresentando um rápido aumento e muitas doenças comuns na vida adulta já começam a ocorrer em crianças, uma delas é a diabetes tipo II.

A obesidade é doença e consta na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), pelo código: E66.0 – Obesidade devida a excesso de calorias. Portanto não podemos romantizar a obesidade, muitas crianças ditas gordinhas, muitas vezes não estão apenas com um leve sobrepeso, mas já estão doentes, pois a obesidade é uma doença inflamatória.

Este episódio será útil para ajudá-lo a ter consciência sobre a importância de cuidar da alimentação das crianças, e que embora as políticas públicas sejam importantes, a responsabilidade é dos pais.

Eu sou Louis Marcondes, o Super Nutricionista do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar você a se alimentar melhorar, melhorando assim sua saúde, estética e bem-estar.

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O crescimento da obesidade

Com certeza você já conheceu alguma criança ou adolescente em um quadro de obesidade. Infelizmente a obesidade vem apresentando um rápido aumento em sua prevalência nas últimas décadas, tanto em países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, e está relacionada com uma alta taxa de morbidade e mortalidade.

Em relação a obesidade infantil, os pais são o ponto central de referência na vida do filho durante boa parte da vida, até o momento em que a pessoa tem capacidade para tomar suas próprias decisões e pensar por si própria. Sendo assim todo alimento e quantidade consumida pela criança é ofertada e controlada pelos pais. O que faz dos pais responsáveis pela promoção da saúde ou da doença em seus filhos.

Preciso pontuar algo muito importante, obesidade é doença e consta na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), pelo código: E66.0 – Obesidade devida a excesso de calorias. Portanto não podemos romantizar a obesidade, muitas crianças ditas gordinhas, muitas vezes não estão apenas com um leve sobrepeso, mas já estão doentes, pois a obesidade é uma doença inflamatória.

A obesidade tem causa multifatoriais

Claro que os fatores que levam a obesidade são multifatoriais, mas alguns dos problemas que percebo é:

Pais usarem comida como mecanismo de calarem as crianças e não suprirem suas necessidade através de diálogo e tempo de qualidade com seus filhos

Outro ponto, o exemplo para os filhos não são necessariamente as coisas que os pais dizem para os filhos, mas sim as coisas que eles fazem na frente dos filhos e o modo em que encaram certas circunstâncias na vida. Sendo assim, pais que tem maus hábitos alimentares não podem esperar que seus filhos tenham bons hábitos alimentares.

Outro ponto, muitas vezes dizemos que crianças obesas são obesas devido a carga genética dos pais, sendo que na verdade são obesas pois replicam o comportamentos dos seus pais.

Por fim, o exercício da paternidade e maternidade demanda autocorreção quanto a comportamentos que podem ser nocivos para seus filhos. Pais não tem o direito de possuírem uma conduta que seja um mau exemplo para seus filhos.

Grave esta frase: O exemplo dos pais é a escola que irá pavimentar a estrada dos filhos pra vida adulta.

Conscientizar os pais em relação aos cuidados alimentares com seus filhos é importante pois estudos epidemiológicos vêm mostrando uma associação do crescimento expressivo na incidência de doenças crônicas, como o diabetes melito tipo 2 e as doenças relacionadas ao coração, à medida que ocorre um aumento do IMC das crianças.

Já que citei o IMC, o índice de massa corporal, para saber se uma criança já está obesa, basta dividir o peso dela pela altura ao quadrado. Se o valor der mais que 30, esta criança é obesa.

 

Por exemplo, vamos supor que uma criança de 5 anos tenha 35 Kilos e 1,10m de estatura, basta dividir 35 por 1,21, que é 1,1 vezes 1,1.

Neste caso o valor encontrado é 31,8, portanto esta criança é obesa.

A obesidade e doenças cardiovasculares

É importante que a criança não se torne obesa, pois deve ser levado em consideração a presença de lesões precoces de aterosclerose já nas primeiras décadas de vida, sim, crianças podem ter sinais de lesões nas artérias. A presença de alterações metabólicas como resistência à insulina, dislipidemia (que são alterações de colesterol), hipertensão, na infância e adolescência pode contribuir para o desenvolvimento deste processo, já que estudos longitudinais clássicos mostram uma forte associação entre o excesso de peso nas primeiras décadas de vida e a alta taxa de morbimortalidade na vida adulta por doenças cardiovasculares.

Estudos longitudinais apontam que crianças obesas tendem a se manterem obesas na vida adulta. A presença de pelo menos um fator de risco para doenças cardiovasculares (hipertensão, dislipidemia ou hiperinsulinemia) tem sido observada em 60% das crianças e adolescentes com excesso de peso, sendo que 20% apresentam dois ou mais fatores de risco.

Doenças cardiovasculares já estão presentes em crianças e adolescentes obesos, sendo o início e o tempo de duração da obesidade um fator importante no desenvolvimento da aterosclerose. Deve-se ressaltar que o ritmo de progressão do desenvolvimento do processo aterosclerótico é variável, dependendo do grau de exposição a uma série de fatores de risco.

Resistência à insulina como fator desencadeante do diabetes melito tipo 2 e das alterações metabólicas associadas

Uma das doenças associadas a obesidade é a diabetes melito tipo II, doença que ocorre após a falência das células beta pancreáticas, células responsáveis pela secreção da insulina. Antes da diabetes aparecer, vem a resistência a insulina. 

A resistência à insulina ocorre quando as células do organismo não permitem que o hormônio cumpra o papel de controlar a glicose no sangue. O pâncreas começa a produzir quantidades ainda maiores para tentar suprir a nova demanda — o problema é que nem sempre isso é suficiente. A partir disso, podem surgir alguns cenários:

Um cenário é a quantidade excessiva de insulina no organismo, gerando uma hiperinsulinemia;

Outro cenário é a quantidade acentuada de glicose no organismo, o que pode levar ao surgimento da diabetes;

Outro cenário, nenhuma dessas substâncias consegue cumprir suas devidas funções no organismo.

Até alguns anos atrás, o diabetes tipo 2 era uma doença encontrada mais no adulto; no entanto, nos últimos anos tem se verificado um aumento da prevalência desta doença em crianças e adolescentes. Neste sentido, deve-se enfatizar que o diabetes tipo 2 tem contribuído com mais de 30% dos novos casos de diabetes, mostrando uma possível relação do aumento da prevalência de obesidade infantil com o desenvolvimento desta doença.

O índice de resistência à insulina é um forte preditor para a diminuição da tolerância à glicose, confirmando que na infância, a resistência à insulina associada com a hiperinsulinemia são os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento da diminuição da tolerância à glicose em crianças obesas. E pra piorar, o processo do desenvolvimento do diabetes tipo 2 na infância parece evoluir de maneira mais rápida do que nos adultos.


Alterações do perfil lipídico

Este quadro de resistência da insulina é um problema, pois em indivíduos obesos este quadro leva a frequentes alterações que ocorrem na atuação de determinadas enzimas e no metabolismo lipídico. Estas alterações no perfil lipídico levam a diminuição do HDL, o colesterol bom e o aumento do LDL, o colesterol ruim. 

Estudos apontam que quem tem resistência a insulina apresenta pelo menos duas alterações metabólicas: pressão arterial sistólica alterada ,níveis elevados de triglicérides e níveis baixos de HDL.

Alteração da pressão arterial

As alterações na insulina também tem um papel importante no desenvolvimento da hipertensão em indivíduos obesos, aproximadamente, 20% a 30% das crianças obesas têm pressão arterial elevada. Uma maior liberação de ácidos graxos livres (AGL) na veia porta, verificada em indivíduos com obesidade abdominal, parece ter também uma relação com a fisiopatologia da hipertensão

Pode-se concluir que a obesidade na infância e adolescência é um importante fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares na vida futura. O aumento da insulina plasmática pode ser considerado um sinal de alerta para o desenvolvimento do diabetes melito tipo 2 e das outras alterações metabólicas relacionadas.

Desta maneira, torna-se necessária a a intervenção e a prevenção no combate a este distúrbio nutricional em indivíduos mais jovens. Dentre os principais componentes de políticas de uma vida saudável em adolescentes, destacam-se a promoção do aumento da atividade física, a implantação de programas de exercício físico e o incentivo à aquisição de hábitos alimentares saudáveis.

Porém, embora políticas públicas ajudem, a responsabilidade é dos pais. E volto a repetir: O exemplo dos pais é a escola que irá pavimentar a estrada dos filhos pra vida adulta.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Super Nutricionista!

Até a próxima semana

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