Neste episódio quero falar sobre a obesidade, inflamação e o consumo de gorduras

A obesidade é uma doença multifatorial e a sua prevalência aumentou dramaticamente nas últimas décadas. As projeções para 2025 apontam que 25% da população brasileira e 50% da população norte-americana será obesa. Ela é responsável pelo desenvolvimento de diversas doenças crônicas.

A obesidade produz um estado inflamatório patológico e o tipo de gorduras que consumimos tem relação com a resposta inflamatória.

Eu sou Louis Marcondes, o expert em Nutrição do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar você a se alimentar melhorar, melhorando assim sua saúde, estética e bem-estar. Então para que você não perca nenhuma dica e fique atualizado com todas as informações que estarei compartilhando aqui, basta assinar o podcast e acompanhar todas as semanas o Expert em Nutrição do Dicas Curtas

Sendo assim, vamos abordar os seguintes pontos:

  • O crescimento da obesidade
  • A obesidade e o COVID 19
  • O processo inflamatório
  • O consumo de gorduras e a obesidade
  • Intervenção medicamentosa
  • Disbiose instestinal e aumento da permeabilidade intestinal

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O crescimento da obesidade

A obesidade é uma doença multifatorial e a sua prevalência aumentou dramaticamente nas últimas décadas. As projeções para 2025 apontam que 25% da população brasileira e 50% da população norte-americana será obesa. E o estabelecimento da obesidade vem acompanhado do desenvolvimento de um quadro inflamatório, além de predispor o indivíduo ao desenvolvimento de resistência à insulina, doenças cardiovasculares, hipertensão, alteração no perfil de colesterol e alguns tipos de câncer, impactando na qualidade de vida e nas taxas de mortalidade da população.

A obesidade e o COVID 19

Além da possibilidade do desenvolvimento de todas estas comorbidades, no tempo em que está ocorrendo uma pandemia de COVID-19, pessoas obesas possuem a produção prejudicada de anticorpos e a inflamação crônica favorecem a progressão de COVID-19. Além de terem uma carga viral potencialmente mais alta. Ou seja, uma carga viral mais alta significa que ela tem maior concentração de vírus no sangue. E devido a quantidade elevada do tecido adiposo, a pessoa obesa torna as citocinas inflamatórias desencadeada pelo COVID ainda mais prejudicial aos pulmões. Fora que o tecido adiposo abdominal comprime o diafragma deixando a função respiratória prejudicada.

O processo inflamatório

Em relação a inflamação, quando foi descoberto que a obesidade produz um estado inflamatório patológico despertou o interesse nos mecanismos que desencadeiam o início desta sinalização inflamatória crônica de baixo grau, que também é chamada de inflamação metabólica ou metainflamação. Aliás a obesidade é uma doença inflamatória que não se limita ao tecido adiposo branco, mas também inclui órgãos ativos metabolicamente, como fígado, músculos esqueléticos, pâncreas e trato gastrointestinal. É importante falar que o tecido adiposo não é um tecido que apenas armazena a gordura como fonte de energia, o tecido adiposo tem uma função endócrina, ou seja, libera agentes que possuem ação inflamatória.

O consumo de gorduras e a obesidade

E o tipo de gorduras que consumimos tem relação com a resposta inflamatória, e o consumo das gorduras insaturadas e a diminuição das gorduras saturadas é fundamental.

Vou falar um pouco sobre as gorduras, a insaturadas são divididas em monoinsaturadas e poliinsaturadas. As gorduras poliinsaturadas estão presentes nos peixes (como ômega-3 e ômega-6) e nos óleos de soja, milho e girassol. As monoinsaturadas estão nos óleos de canola e azeite e na castanha de caju.

Mais curiosamente, o estado inflamatório promovido pela dieta também tem consequências para a manutenção e progressão do ganho de peso. Os roedores que sofrem obesidade induzida por meio de dietas ricas em gordura são caracterizados pelo desenvolvimento de inflamação em uma região do cérebro denominada hipotálamo, gerando lesão neuronal e até mesmo morte de neurônios

Intervenção medicamentosa

Compreender melhor os mecanismos que ligam a inflamação ao conteúdo da dieta e a qualidade é necessária pois intervenções como a cirurgia bariátrica, 25-30% dos pacientes submetidos a cirurgia têm um resposta de peso considerada inadequada e/ou não resolve suas comorbidades. Além disso, é essencial estabelecer as bases para a continuidade da pesquisa de novos medicamentos. Dados recentes sugerem que uma terapia à base de peptídeo 1 semelhante ao glucagon, o GLP-1, atua no sistema nervoso central e periferia melhorando os marcadores inflamatórios hipotalâmicos e sistêmicos e anormalidades metabólicas induzidas pela dieta.

Outro mecanismo  de tratamento da obesidade é modular a expressão do receptor Toll-like 4 (TLR4). O TLR4 é uma proteína que desempenha um papel essencial na promoção da expansão da resposta inflamatória induzida pela obesidade. O TLR4 do ponto de vista da dieta, é ativado pelo consumo de gorduras saturadas. A gordura saturada pode ser encontrada, especialmente, nos alimentos de origem animal, como carnes gordurosas, manteiga e laticínios, mas também está presente no óleo e derivados de coco e óleo de dendê, assim como em diversos produtos industrializados. Em geral, esse tipo de gordura fica dura à temperatura ambiente.

Disbiose instestinal e aumento da permeabilidade intestinal

Além disso, a ingestão contínua de gordura saturada induz disbiose intestinal e aumenta a permeabilidade epitelial do intestino delgado.

Confuso né? Vou explicando cada ponto que citei, o primeiro é a disbiose intestinal. Disbiose é um desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que reduz a capacidade de absorção dos nutrientes e causa carência de vitaminas. Este desequilíbrio é causado pela diminuição do número de bactérias boas do intestino e aumento das bactérias capazes de causar doença.

A permeabilidade epitelial do intestino delgado supõe um aumento da passagem de substâncias não desejadas ao fluxo sanguíneo, podendo originar alterações inflamatórias e imunológicas crônicas, tanto a nível local como sistêmico. Esta alteração é conhecida como síndrome do “intestino furado” (ou leaky gut em inglês).

Espero que os profissionais de saúde que cuidam de pacientes com obesidade percebam mais uma vez que uma das abordagens terapêuticas mais eficazes contra esta doença e suas comorbidades é uma dieta saudável com baixo teor de gorduras saturadas.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do <Nome do Expert>! Até a próxima semana.

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