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Open Banking: o termo em inglês faz referência a “Sistema Financeiro Aberto”, em que os dados de clientes são padronizados e compartilhados para que os produtos e serviços bancários atendam às necessidades do público de forma personalizada.

Porém, tudo deve ser feito com autorização expressa do cliente, que decide quais dados serão compartilhados, com quem e por quanto tempo. Nesse podcast meu convidado, Marcelo Feltrin vai detalhar mais sobre esse sistema integrado de compartilhamento de dados financeiros que promete tornar produtos e serviços bancários mais competitivos.

O Investidor Inteligente é o podcast sobre Finanças e Investimentos apresentado todas as semanas com um propósito muito especial: te ajudar a desenvolver uma visão mais elaborada em relação às suas finanças e te oferecer informações relevantes de qualidade sobre dinheiro, além de orientações e estratégias valorosas que podem te dar o clique necessário para você usar bem seus recursos financeiros seja para solucionar seus desafios, seja para alcançar seus mais ambiciosos objetivos.

Eu sou Phillip Souza, consultor em finanças e terapeuta financeiro, mentor em educação psicofinanceira especialista em inteligência financeira, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr e também no meu canal no YouTube, Phillip Souza.

E qual o meu propósito com o podcast? Meu propósito é destravar a sua mentalidade e te ajudar a entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! Assim você poderá aprender a evoluir e a se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

Esse e os outros podcasts do Dicas Curtas são gratuitos. Portanto, você pode acompanhar e assinar agora o Investidor Inteligente nas diferentes plataformas de podcast seja através do seu dispositivo Apple ou Android, sendo que você também pode encontrar o Investidor Inteligente pelos apps Spotify ou Deezer. Siga agora para não perder nenhuma dica, ficar por dentro com todas as informações e acompanhar todas as semanas os novos episódios para poder alcançar um bom balanço na sua vida financeira tanto hoje quanto no futuro!

Ouça “207 O que o Open Banking pode fazer por você – entrevista com Marcelo Feltrin, da Opus Software” no Spreaker.

PHILLIP SOUZA: Você já deve ter visto nos apps dos seus bancos ou no internet banking algo como “Open Banking”. Mas o que é isso, como funciona, para que isso existe agora?

Nesse podcast estou trazendo Marcelo Feltrin, Head de Desenvolvimento de Negócios da OPUS Software que vai detalhar e esclarecer muitas coisas tanto sobre o Open Banking quanto Open Finance, Open Investment, Open Insurance.

Seja muito bem-vindo ao podcast do Investidor Inteligente, Marcelo!

MARCELO FELTRIN: Phillip, muito obrigado! Obrigado pelo convite! É um prazer tá aqui para poder falar com o teu público desse assunto que está tão em voga, né? Muito obrigado!

PHILLIP SOUZA: Vamos direto ao ponto para conceituar o assunto para o ouvinte do podcast: o que é e como funciona o Open Banking?

MARCELO FELTRIN: Olha, o Open Banking, acho que a melhor maneira de a gente descrever o Open Banking é como um ecossistema. E que quem que faz parte desse ecossistema? São instituições financeiras, bancos, cooperativas de crédito, financeiras, as fintechs, por exemplo, as IPs (instituições de pagamento) ou SCDs (sociedade de crédito direto), de empréstimo entre pessoas, ou seja, são entidades que já fazem parte do sistema financeiro.

E por que que elas participam desse ecossistema? Elas participam para compartilhar informações, dados, compartilhar dados e também serviços – talvez seja um pouco estranho, mas eu creio que vai ficar mais claro em breve essa ideia de compartilhar serviços. E o Open Banking ele parte do princípio de que os dados são seus: você correntista, você investidor. Então esse ele é um ecossistema com esses diversos participantes trocando, compartilhando informações.

Um aspecto muito importante do Open Banking é que essas informações são compartilhadas naquele que a gente chama de “mar aberto”, ou seja, via internet. Então possivelmente se você já estudou sobre esse assunto, já leu alguma coisa sobre isso, talvez você tenha encontrado o termo das APIs que são a maneira como esses diferentes participantes trocam as informações entre si. Então basicamente é isso: ele é um grande de um ecossistema.

O funcionamento dele está muito ligado à questões de tecnologia; você mesmo citou “talvez você tenha visto o nome o Open Banking” no aplicativo mobile do teu celular, do teu Internet Banking, do App do banco que você usa. Então a ideia desse ecossistema é permitir que se troque essas informações e você possa usar esses dados para diversas finalidades que imagino que a gente vai cobrir na sequência aqui do podcast.

PHILLIP SOUZA: E Marcelo, como se deu a implementação no Brasil? E quais eram os objetivos?

MARCELO FELTRIN: O Open Banking, na verdade, ele é uma tendência Mundial> Antes da gente falar do Brasil é muito importante entender que o que tá acontecendo aqui é um reflexo do que tá acontecendo no mundo inteiro.

Está muito associado com os movimentos de proteção de dados, não só proteção de dados como abertura de dados: a gente tem LGPD, por exemplo, uma lei que já tem alguns anos aqui. Mas esse movimento de Open Banking ele tem acontecido em vários países (o país que é considerado o pioneiro é o Reino Unido, onde ela começou em 2018), mas movimentos semelhantes têm acontecido em diversos outros países e regiões: na União Europeia tem diversos países onde existem esses tipos de movimento; no México já existe legislação; a Austrália é um país muito relevante nisso; China, índia, enfim.

Então o Brasil, basicamente, ele tá seguindo uma tendência mundial. E em particular nesses aspectos o Brasil sempre foi um país na dianteira: a gente tem os nossos problemas aqui, mas da perspectiva de regulação bancária nós certamente estamos entre os países mais avançados do mundo – por exemplo, se você for pensar no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) que é do início dos anos 2000, tem países que não têm isso até hoje. Mas enfim, então esse projeto do Open Banking acontecendo aqui no Brasil é basicamente a gente seguindo uma tendência mundial.

As conversas já começaram há alguns anos aqui no Brasil e em 2020 começou a acontecer, digamos assim, a concretização disso daí com a legislação. Então, por exemplo, em maio de 2020 surgiu a Resolução Conjunta nº 1 (é conjunta porque ela entre o Bacen o CMN, o Conselho Monetário Nacional) e desde então uma série de outras legislações vem acontecendo.

Agora o projeto em si do Open Banking ele começou de fato em 2021, ou seja, no começo desse ano, então ele é um projeto faseado, são quatro fases (1, 2, 3, 4); a primeira fase entrou no ar em fevereiro desse ano (2021) e a quarta fase, a característica dela é ser é um grande guarda-chuva. Então não é que termina com a fase 4: meio que abre o leque na fase quatro. E um projeto capitaneado, não diria capitaneado, mas existe um papel muito forte do Banco Central, do Bacen, meio que puxando isso daí, mas um outro aspecto muito interessante de como é que se está se dando a implementação (não terminou ainda no Brasil) é a questão da estrutura de governança.

Em outros projetos, eu falei do SPB: o SPB foi o Banco Central ditando normas e tal; o PIX foi algo parecido assim também; no caso do Open Banking a implementação do projeto está se dando de uma forma bastante colaborativa. Existe uma estrutura de governança onde tem várias cadeiras: tem gente da ABFintechs, tem gente representando bancos, financeiras, empresas de cartão de crédito, enfim tem representantes diversos. E evidentemente no que depende de regulamentação a gente tem os reguladores: Bacen, CMN, SUSEP (pensando na fase quatro do Open Insurance); então a implementação está se dando no Brasil seguindo essa tendência mundial, mas a gente tá no meio do furacão ainda.

PHILLIP SOUZA: Quais os benefícios do Open Banking, Marcelo?

MARCELO FELTRIN: O Open Banking se você pensar nos objetivos antes de falar nos benefícios, os objetivos do Open Banking estão muito associados com uma agenda do Banco Central chama BC Hashtag – então ele fala de inclusão, competitividade, transparência, educação, sustentabilidade – e então existe essa agenda maior de evolução de agendas que o Banco Central tem e o Open Banking é basicamente algo para deixar isso mais tangível.

Então em termos de benefícios alguns ficam muito claros. Por exemplo: consolidar informações de contas de investimento. Hoje a gente tem vários Apps, por exemplo, que você consegue baixar e você tem conta em dois bancos; então você tem uma visão consolidada disso daí. Então você baixa um app, tem vários no mercado, mas qual que é a característica comum desses Apps? Você precisa passar para eles a senha que você tem: no banco de varejo, na Cooperativa de Crédito – ele tem um robozinho que vai lá, usa a tua senha e captura informações e consolida isso daí.

Com o Open Banking você vai poder fazer isso e tem duas grandes vantagens: primeiro, a questão da segurança – você não vai precisar passar mais essa senha para o app, você vai, no próprio ambiente do banco, um ambiente mais seguro, você dá o consentimento para o app pegar essas informações; e outro aspecto é padronização: hoje cada um desses apps tem um acordo com esses bancos – tanto que eu mesmo já usei uns dois ou três desses apps e eu sempre fico frustrado porque sempre tem alguma informação, uma conta numa corretora ou banco onde você tem relacionamento que ele não tem e ele acaba não pegando essas informações. O Open Banking vai trazer uma padronização, então vai facilitar muito a proliferação desses apps e o acesso a esses dados.

Outro benefício muito claro: análise de crédito. De novo: partindo do princípio que o dado é seu. Então você vai poder compartilhar: imagina que você vai lá fazer um financiamento de um imóvel e aí você não tem relacionamento, por exemplo, com a CAIXA que é quem está mais forte nesse setor. Então você vai ter que levar informações para CAIXA te conhecer e poder avaliar e fazer análise de crédito dela. Com o Open Banking você pode simplesmente consentir com que a CAIXA vá lá no banco ou nos bancos com que você tem relacionamento e pegar informações: não só informações cadastrais, mas informações dos seus extratos, da conta, do teu cartão de crédito e de posse dessas informações ela pode fazer uma melhor análise de crédito. Então os benefícios estão muito nessa linha: de consolidar informações, de permitir análises melhores porque se tem mais informação.

E tem vários casos, por exemplo, um que é bastante comum de você ver são imobiliárias já interessadas no que o Open Banking vai permitir. Por exemplo: imagina que você tem um filho que passou na faculdade e tá indo para outra cidade. Então ele tá indo para longe, vai precisar alugar um apartamento, uma casa lá. A imobiliária, que gerencia aquele imóvel, ela não conhece você. Aí fica aquela dor de cabeça: manda declaração de imposto de renda, arranja fiador ou seguro fiança, todas as coisas que existem hoje, mas não são muito práticas. Imagina só se você pudesse simplesmente compartilhar os teus dados: “olha Imobiliária, veja aqui o meu histórico. Eu tenho capacidade de assumir um aluguel desse tipo, eu tenho condições de pagar isso daí”. Seria muito mais fácil, muito mais elegante e certamente muito mais seguro

Uma outra linha de benefícios muito alinhada com uns tempos modernos, Phillip, por exemplo quando você faz cadastro, o processo de onboarding seja abrindo conta numa corretora, num banco digital; é aquela história: você baixa um aplicativo, você tira uma foto, mas aí você tem que mandar documento, então manda CNH, manda imposto de renda, comprovante de residência. Imagina se, ao invés de você ficar mandando todos esses documentos, você fala: “olha eu tenho um relacionamento com esse grande banco aqui; eu consinto que você vá lá – você app, você corretora – vá lá nesse banco e pegue as minhas informações cadastrais; ele tem todo meu cadastro lá”. E evidentemente vai ser um processo muito mais simples sem necessidade de passar documentos.

E isso que eu estou falando só do ponto de vista de dados: como eu comentei, o Open Banking abre também é possibilidade do que a gente chama de compartilhar serviços. Vou dar um exemplo, serviço de pagamento. Então imagina uma situação típica: você fez uma corrida em um desses aplicativos de táxi e chega no final da corrida você tem que pagar a corrida. Normalmente você faz isso cadastrando um cartão. Mas o Open Banking vai permitir que você faça esse pagamento sem passar pelo cartão, com dinheiro sendo transferido direto da tua conta para conta do taxista, por exemplo, via um PIX e de uma maneira totalmente automatizada, sem necessidade de você abrir aplicativo do banco, escanear QR Code, nada disso – então com muito menos fricção, com muito menos passos.

Enfim esses são alguns dos exemplos. Na verdade, Phillip, eu faço a comparação para quem viveu a internet do final dos anos 90 começo dos anos 2000 para hoje sabe que o padrão da internet era exatamente o mesmo que a gente tem hoje: TCP-IP, DNS, essas coisas. A infraestrutura essencialmente é a mesma. Hoje a gente tem muito mais banda, os dispositivos são muito mais potentes.

Então o Open Banking é muito parecido com isso; como era difícil em 1997/1998 você imaginar que se teria um Spotify, um Netflix, mas hoje a gente tem usando exatamente a mesma infraestrutura. O Open Banking é isso: hoje a gente não consegue imaginar o que em 5, 10, 15 anos vai acontecer – a gente tá na fase de construir a infraestrutura para que certamente vai ser um ponto de inflexão no sistema financeiro brasileiro.

PHILLIP SOUZA: E Marcelo, quando estamos falando de liberação de dados de uma forma tão ampla, é inevitável pensar em uma coisa: quais seriam os riscos do Open Banking?

MARCELO FELTRIN: Evidentemente tem o risco de dados de você compartilhar com quem não deve os seus dados – e até por isso o Open Banking existe uma estrutura de governança. Então só participa do Open Banking quem passa por algum crivo: quem já é instituição financeira já passa por um crivo do Banco Central, mas tem até figuras jurídicas (por exemplo, tem os iniciadores de pagamentos que é uma figura jurídica nova) que também tem que passar.

Então eu diria que a capacidade de ‘punir’ ou puxar a orelha dos participantes que fizerem coisas mal feitas está garantida por conta disso. Então existe certamente esse risco como existe hoje: você tá vendo quantas restrições estão colocando no PIX no horário noturno. Ou seja, eu não diria que foi o PIX que trouxe o problema: na verdade a nossa sociedade já tem esse problema de segurança. O PIX é uma enorme de uma conveniência. Todo mundo que pagou R$15 para fazer TED até o ano passado ficou muito feliz em poder fazer o PIX. E viabilizou um monte de coisa: hoje mandar e receber dinheiro é muito mais simples: antes era muito mais custoso. Então você não pode dizer que o PIX trouxe o problema do cara te assaltar e pegar o teu celular. A gente já tinha esse problema.

Com o Open Banking é a mesma coisa. Então evidentemente tem isso daí é até por isso que tem tanta tecnologia; inclusive alguns dos atrasos que tá acontecendo foi porque as camadas de segurança, de protocolos de comunicação, que a regulamentação tem colocado são justamente para isso para não ser nada trivial você se passar por outra pessoa, por exemplo. Então esse é um risco.

Agora tem também, para a sociedade é um grande de um benefício, mas para algum segmento pode ser um risco: porque vai mudar (eu por exemplo a possibilidade de você pagar a corrida do táxi via aplicativo sem passar pelo cartão de crédito) – evidentemente para as bandeiras de cartão isso é um risco, é um risco de perder negócio. Então aquele fee que ela cobra, então você vê todas elas já se movimentando.

Então vai ter acomodações no segmento de mercado. Você vê inclusive alguma resistência em vários nichos, em vários nichos até segmentos maiores, porque o cara tá vendo “puxa… o meu modelo de negócio vai ser alterado”. Então existisse sim um risco de pessoas ficarem para trás, mais ou menos com o que aconteceu com o alfaiate: talvez hoje em dia se você pensar em 50 anos atrás esse cara que precisava de um terno ele ia no alfaiate pedir para o cara fazer um terno. Hoje você quase que não vê alfaiates, porque o mercado mudou. E essa tecnologia traz isso: ela vai ter muita comutação. Então existe sim um risco para quem não se mexer.

PHILLIP SOUZA: E quem que pode participar do Open Banking?

MARCELO FELTRIN: Muito boa pergunta! Esse é um aspecto importantíssimo. Eu comentei que essa comunicação, essa troca de dados roda em ‘mar aberto’ na internet. Agora só para quem é participante cadastrado. Existe essa estrutura de governança, existe um diretório de participantes. Então as instituições que são reguladas do Bacen elas podem participar, seja instituições financeiras diversas: bancos, cooperativas de crédito, financeiras, as fintechs reguladas, e eu comentei meio en passant: existe uma figura jurídica nova que é o tal do iniciador de pagamento. A gente teve há alguns meses, saiu na mídia o tal do “WhatsApp Pay”.

O quê que é figura do iniciador de pagamento? (O WhatsApp Pay se cadastrou como iniciador de pagamento) É uma entidade, uma empresa, uma instituição que não é uma financeira (WhatsApp, Facebook não são regulados pelo Banco Central), mas eles passam por um processo, tem um crivo, tem uma chancela do Banco Central e existem condições para isso: tem que ser uma empresa AS, tem que ter um capital mínimo de um milhão de reais –não é qualquer um que faz isso. Precisa ter alguma estrutura para isso. E são os únicos participantes do Open Banking que não são instituições financeiras, essa figura do iniciador de pagamento.

Agora sua pergunta traz um aspecto importante também: você perguntou “quem pode participar”. Tem o aspecto de quem pode e também de quem tem que participar. E aí é importante a gente entender essas fases. Ou seja, as primeiras duas fases (a fase 1 e fase 2 do Open Banking) foram centradas no compartilhamento de dados – dados cadastrais, dados transacionais – e o critério de obrigatoriedade foi o tamanho. Então você tem uma classificação que o Bacen faz das instituições financeiras (S1, S2 até S5 pelo tamanho da instituição).

Então as 13 maiores instituições são todos os bancos (são S1 e S2: se você for olhar no site do Bacen são treze instituições) essas são obrigadas a entrar na fase 1 e fase 2 – já entraram, essas fases aconteceram; então elas já estão compartilhando dados. Por isso que você certamente já viu, se você é cliente de uma dessas instituições, no app, no Internet Banking dessas instituições a gente vai ter alguma coisa porque elas foram obrigadas a entrar.

As outras entram de maneira opcional: todas as instituições financeiras podem entrar. Já a fase 3 que tá focada em compartimento de serviço, seja iniciação de pagamento ou encaminhamento de propostas de crédito (são os dois tipos de serviço) o critério de obrigatoriedade não é o tamanho, mas sim a natureza. Então todas as instituições detentoras de contas são obrigadas a entrar na fase três. A fase três em si ela é faseada: todas as instituições que tem correspondente bancário quando for chegar a vez dos serviços de encaminhamento de proposta de crédito, essas também serão obrigadas a entrar.

Então existe a questão de quem pode e quem tem que entrar. Então todo mundo, se você tem uma conta digital na instituição que tem PIX, mais cedo ou mais tarde, ela também vai estar no Open Banking e você vai poder movimentar aquele dinheiro através de uma chamada do Open Banking.

E a fase quatro, aí como eu comentei é um grande do guarda-chuva: ela começa a partir de dezembro, de novo, está bastante escalonada. Mas que contempla seguros, investimentos, aí vão entrar seguradoras, no caso de investimento, certamente vão entrar as corretoras; ainda está um pouco incipiente as regras do jogo, mas o Open Banking vai sair do âmbito de bancos e vai entrar em seguros, investimentos, câmbio e como comentei é um grande de um guarda-chuva a fase 4 que começa agora em dezembro/21.

PHILLIP SOUZA: Marcelo, em relação ao compartilhamento de dados, como o Open Banking se comporta em relação a LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados?

MARCELO FELTRIN: Excelente pergunta! A gente falou bastante de compartilhar dados e a primeira coisa que é importante a gente entender: o Open Bank é totalmente alinhado com a LGPD.

Existe no Open Banking o processo de consentimento que é quando o cliente, o dono do dado, dá o seu consentimento, ele dá sua autorização para que um dado seja aberto com outro. Por exemplo, pensando naquela naquele cenário que eu falei: você foi lá na imobiliária e quer alugar um apartamento e quer que a imobiliária tenha acesso a um dado cadastral seu, a um dado de transação. Isso só vai acontecer se você der o seu ‘Ok’ para isso usando, evidentemente, aquilo que você já tem de processo de autenticação onde estão seus dados, por exemplo, no teu no teu banco de varejo.

Até então, a LGPD, a gente pode entendê-la como precursora de todos os movimentos que estão acontecendo. Ela é basilar, ela é o fundamento, diria em cima do qual o Open Banking foi construído. Então existe uma preocupação enorme com a questão de dados, não só segurança, para não se acessar dados indevidamente, mas também para que o dono dos dados esteja de acordo com que aquele dado seja aberto.

É engraçado, eu comentei de alguns setores colocando algum tipo de resistência porque vem a possibilidade do Open Banking mexer com marketshare e por aí – e é engraçado porque alguns deles ainda se comportam como se fossem os donos dos dados: e é fato isso. Imagina uma utility ou qualquer negócio que tem um cadastro de centenas de milhares ou milhões de informações dos seus clientes. Aquilo tem um poder enorme, mas à luz da LGPD, quem é o dono do teu extrato? Ou seja: você tem extrato no banco. Quem é o dono daquela informação? É você! Então você tem o direito de compartilhar isso daí para o seu benefício; imagina você compartilhando o teu extrato, alguém que tá financiando um bem para você pode olhar e verificar que você é um bom pagador, que você tem capacidade de assumir e por conta disso te dá uma taxa ou condições de financiamento melhores. Não é bom para você? É evidente que é bom!

E a LGPD fala isso: “olha, quem é dono disso daí você; você tem o direito de compartilhar”. Então existe muita essa preocupação não só de permitir que o dono compartilhe, mas também de coibir que o uso dos dados – uma das coisas que acontecem nesse processo de consentimento do Open Banking é quando você tá compartilhando esses dados dando seu consentimento, existe um objetivo. Então nessa situação que eu falei vai ficar claro: “olha, estou compartilhando os dados para que alguém possa fazer uma análise de crédito e me propor um negócio eventualmente melhor”.

PHILLIP SOUZA: E qual o papel da OPUS Software em relação a essa situação do Open Banking?

MARCELO FELTRIN: O Open Banking, por trás dele, está essencialmente tecnologia. A gente falou aqui de app, de compartilhar dados e a tecnologia que é usada é algo extremamente avançada. Ou seja, a gente tem muitas pessoas que trabalharam no projeto do Reino Unido trabalhando no projeto aqui do Brasil e se vê eles elogiando os padrões que a gente tem adotado.

Então os dados trafegam em ‘mar aberto’ na internet, então por conta disso segurança é algo muito, muito importante. Então tem uma série de questões de tecnologia que todos esses participantes precisam implementar nos seus ambientes, nos seus servidores, nos computadores. Então aí que entra a OPUS: a gente tem uma solução que permite conectar esses participantes atendendo o regulatório e provendo a evolução desse regulatório porque certamente vai ser um ambiente muito dinâmico.

Então a OPUS é um viabilizador da participação no Open Banking dessas entidades. A gente traz como como diferencial, por conta da dos anos e anos de experiência que a gente tem, uma solução que tem uma arquitetura extremamente bem desenhada. A gente brinca que é um filho que foi bem nascido: desde o princípio, como a gente já tinha um bom entendimento de onde que se queria chegar, a gente conseguiu construir algo que é muito, muito bem desenhado.

E além disso um grande domínio: nós desenvolvemos do zero, a gente tem uma baixíssima dependência de players externos. Então esses são os dois principais diferenciais. Mas nós somos essencialmente um grande acelerador para aquelas instituições que desejam entrar no Open Banking.

PHILLIP SOUZA: O Open Banking deu início a novas integrações financeiras como o Open Finance, Open Insurance e Open Investment. Quais os diferentes perfis de usuários que esses serviços alcançam?

MARCELO FELTRIN: Ótimo, porque você me dá uma oportunidade de tentar conceituar alguns desses termos. A gente falou bastante agora de Open Banking, a gente falou de dados bancários, dados cadastrais, transação, então quando a gente tá falando em compartilhamento Open Banking a gente tá falando muito disso: seja que eu vou compartilhar o meu cadastro em uma instituição financeira, o extrato do meu cartão de crédito ou da minha conta corrente, ou financiamentos, limites de crédito, ou pensando nos serviços, a gente tá falando de serviço de pagamento, aquele exemplo que eu deu de você fazer um PIX que é originado via Open Banking ou você fazer o encaminhamento de uma proposta de crédito. Mas enfim, então isso está dentro do relacionamento teu com um banco, com uma financeira.

A fase quatro, como eu comentei, ela é um grande de um guarda-chuva. Então na fase quatro passam a fazer parte desse ambiente outro tipo de entidade: a gente falando de seguros, de investimentos, de câmbio e, portanto, foi necessário adaptar esse nome. Então o passou-se a ser usado o termo de “Open Finance” porque é um termo mais aberto. Então eu diria que o Open Finance é como se você pensasse como a junção do Open Banking, do Open Investment, o Open Insurance. E todos esses são projetos que estão caminhando em paralelo.

Por exemplo, no Open Insurance, que envolve seguradoras, no âmbito de SUSEP, de CNseg, você tem os GTs (os grupos de trabalho) já trabalhando bem forte; agora em 15 de dezembro começam as primeiras fases do Open Insurance.

Evidentemente ele é muito baseado em tudo aquilo que o Open Banking já definiu, mas são coisas distintas. Existe a interoperabilidade entre eles, então vai haver troca de informações entre o Open Insurance e o Open Banking: então você vai ver, por exemplo, uma seguradora indo consultar um banco e vice-versa. Mas são coisas que caminham em paralelo. Então o Open Finance seria, digamos assim, você abriu um pouco o escopo desses dados que passam a ser compartilhados. É como se você tivesse dois ecossistemas diferentes que juntos formam um ecossistema maior ainda.

PHILLIP SOUZA: Marcelo, vamos chegando ao final do podcast dO Investidor Inteligente e desde já agradeço imensamente a sua contribuição e a sua participação trazendo todas essas informações tão valiosas para nossos ouvintes. Como que o Investidor inteligente que nos escuta pode encontrar a OPUS Software?

MARCELO FELTRIN: Phillip, obrigado de novo pela chance de estar aqui, foi um prazer te conhecer. Quem está nos ouvindo e tem potencial de ser um participante, se você entrar www.opus-software.com.br ou der um Google só “OPUS SOFTWARE”, OPUS “OPEN BANKING”, certamente vai encontrar nosso site e lá tem bastante informação sobre a empresa, sobre a nossa oferta de Open Banking, de Open Insurance, Open Investment. Agora, independente se você tem potencial de ser participante: quem quer conhecer o assunto, nós também bastante material, temos um blog, temos vários posts que falam sobre esse assunto, sobre diversas óticas; então convido todo mundo a dar uma olhada no nosso site que todos vão se beneficiar em conhecer mais sobre esse assunto que, como você comentou, é algo que vai tocar a vida de todo mundo.

Você sabia que o podcast dO Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu? Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage dO Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

Participe comigo através das minhas redes sociais (basta buscar o perfil @phillipsouzabr) e também no YouTube no meu canal Phillip Souza. Será uma honra ter contato mais próximo com você!

Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Pense sobre o que tratamos aqui e coloque em ação o que você aprendeu, pois sem prática é só informação na sua cabeça.

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, e esse é o podcast dOInvestidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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