Ouça agora este podcast! “037 Os 5 Estágios das Finanças Pessoais”

Olá, sou Phillip Souza, o Investidor Inteligente, do site DicasCurtas.com.br. Meu objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos, à superação de desafios e também à independência financeira. Para ter acesso às dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

A vida é feita de fases. Existe o momento em que somos bebês e todo cuidado provém de nossos pais e parentes mais próximos. Crescemos e nos tornamos crianças: nessa tenra idade já temos contato com outras crianças, no jardim de infância. A fase escolar básica é relativamente longa (desde uns 3 ou 4 anos de idade até uns 18 anos) e se mescla com outras fases de nosso desenvolvimento, como a adolescência e com o início da fase adulta.

Assim também ocorre com as finanças pessoais: a vida financeira é feita de fases. Porém, diferentemente da escola ou da maturidade física, essas etapas não são muito claras o que faz com que a maioria das pessoas se perca e nunca saia de determinadas etapas.

Hoje vamos tratar sobre os 5 estágios das finanças pessoais.

ESTÁGIO ABAIXO DE ZERO

O primeiro estágio não é o “estágio número 1”: na verdade é uma fase que grande parte da população brasileira está inserida: o estágio abaixo de zero. Essa fase é caracterizada como uma etapa em que a pessoa não tem consciência e nem habilidade para lidar com assuntos e práticas relacionadas a dinheiro e afins. A pessoa não exercita qualquer tipo de habilidade financeira: usa-se o dinheiro sem pensar. Pessoas assim não têm consciência do que deveriam fazer: simplesmente “seguem o fluxo” quando o assunto é dinheiro.

O mais problemático numa situação dessas é que a pessoa age de forma reativa aos estímulos externos. Vê uma propaganda sobre determinado bem (“Quer pagar quanto? Agora você pode levar sua televisão de tela plana por ‘n’ vezes sem juros!”) e simplesmente compra impulsivamente, sem saber se pode, se realmente precisa daquilo que está comprando.

Apenas satisfaz seus anseios, muitas vezes momentâneos. Mesmo se fôssemos muito abastados esse ponto de inconsciência ainda seria importante, pois as necessidades seriam outras (bem mais onerosas, digamos assim) e uma coisa é fato: dinheiro tem limite – e para muita gente um limite baixo.

Infelizmente, grande parte dessas pessoas que não têm consciência e nenhuma habilidade com suas finanças pessoais encontram-se endividadas: às vezes por não saberem o que fazer, às vezes por não terem objetivos claros, às vezes por ceder ao impulso sem necessidade, endividam-se e ficam em situações nada confortáveis. Alguns até se tornam gastadores compulsivos: tudo que veem querem, tudo que veem compram. Acabam tendo uma casa cheia de coisas, bugigangas inúteis, que o dinheiro gasto poderia render melhor frutos realizando sonhos.

Mas por que será que isso acontece? Todo problema de gastos exagerados tem uma raiz emocional/afetiva e geralmente não a percebemos – a menos que paremos, reflitamos e tomemos consciência do porquê daquele comportamento: que pode estar relacionado às crenças, valores, ensinamentos de outras pessoas – pessoas de referência –, lixo midiático. A raiz do problema é afetiva e é muito particular. Você vai ter que ser um cientista de sua própria vida para resolver esse ponto: não existe outro caminho.

O interessante é que gastar mais não resolve o problema: só aumenta. Já viu aquela pessoa que tem vários cartões de crédito e que pega dinheiro emprestado com um para pagar o outro fazendo uma ciranda financeira monstruosa? Essa pessoa está numa espiral de destruição que nem ela mesmo sabe como sair. Às vezes é necessário ter ajuda de fora: terapeuta, coaching financeiro, consultor financeiro – alguém que vai dar meios para sair daquela confusão e começar a tomar consciência financeira e aprender novas habilidades.

E é aí que entra a próxima etapa: o estágio zero em que você começa a aprender a mágica das finanças.

 

ESTÁGIO ZERO

Existe um momento em que tomamos consciência do que se trata o assunto “finanças”, mas ainda temos pouca habilidade para lidar com ele.

Muitas das vezes antes das pessoas chegarem ao estágio zero não é raro que já se encontrem (muito) endividadas. Compraram um carro pensando que teriam condições de pagá-lo; logo em seguida entraram em um financiamento imobiliário, pois já está mais que na hora de ter o próprio lar; porém, muitas dessas pessoas não mudam seu padrão de vida para uma nova realidade: continuam gastando o mesmo que antes, sem medir muito as consequências. É uma situação desesperadora, de fato.

Apesar de ser um cenário muito nebuloso, existe saída, existe um caminho. Um dos caminhos menos custosos (e, muitas vezes, gratuito) é procurar informação na internet. Existem muitos sites de finanças pessoais, alguns considerados de referência, que podem te dar boas ideias para lidar com o básico, inclusive os outros podcasts aqui do Investidor Inteligente.

Mas, além disso, é interessante que você encontre bons livros sobre o assunto para se instruir. É, é isso mesmo: é necessário dedicar algum tempo aos estudos. Feliz ou infelizmente, a cultura brasileira não ensina como lidar com dinheiro. Mais ainda: A CULTURA LATINA NÃO É POUPADORA – É CREDITÍCIA. Somos estimulados a consumir, consumir e consumir mais um pouco. E ainda temos o reforço do IMEDIATISMO: consumir para ONTEM!

O que você tem que fazer? Se instruir para começar a sair da manada. Começar a fazer diferente e melhor do que a maioria faz. Vai sofrer muita resistência no início; vai ter muita gente que vai torcer o nariz para suas novas práticas financeiras; tem gente que vai até se afastar porque você não faz mais as mesmas coisas que costumava fazer como ir à balada todo final de semana, churrasco todo final de semana ou qualquer tipo de interação social que você tenha em sua vida com frequência e que consome uma expressiva quantidade de dinheiro. A escolha é e sempre foi sua: para sair de um estágio para outro e mudar a sua vida, você tem que mudar. Você não pode se tornar aquilo que deseja a menos que deixe de ser o que é hoje – é impossível! Então, acostume-se com a mudança, pois, se ainda não percebeu, ela é a única constante da vida.

Certo, você tem que se instruir. Mas por onde começar? Existe uma ampla literatura de finanças pessoais que você pode começar. Faça uma pesquisa rápida, sonde alguns livros e escolha um ou dois. Com cerca de R$ 50,00 você já começa a ter informação para organizar a sua vida financeira. Se não tiver esse dinheiro, procure ler sobre esses livros, sobre as ideias neles expostas na internet mesmo, mas se tiver condição adquira pelo menos um.

É óbvio que você não vai se tornar um mestre das finanças da noite para o dia – não mesmo! Muitas das ideias e práticas apresentadas nos livros e pela internet não estão implantadas em seu dia a dia e precisam de algum tempo para se tornarem inconscientes.

Grande parte desse estágio zero está relacionado a aprender com os erros do passado. Não se culpe, não se condene se perceber que fez e ainda faz besteira financeira – naquele momento em que fez a dívida ou tomou determinada decisão, fez o que considerou que seria bom e proveitoso para você. Para toda situação tem solução: pode ser que seja simples ou não, mas tem como resolver – nem que seja aos poucos.

Esse estágio é muito parecido quando você está aprendendo a andar de bicicleta: algumas vezes você vai falhar e vai cair – é normal. Porém, de pouco em pouco, você vai aprendendo a se equilibrar, aprendendo a fazer as curvas, a conhecer melhor o trânsito e daí partir para manobras mais ousadas, se assim desejar.

Nesses primeiros estágios essas técnicas vão precisar de foco e energia para se tornarem hábitos. Converse com pessoas que você acredita que lidem bem com dinheiro (você avalia isso pelos resultados delas), relacione-se com outras pessoas online, participe de grupos de discussão, comente nos posts da internet em blogs e sites que acompanha ou que ache interessante – enfim: participe, envolva-se mais e mais.

ESTÁGIO UM

O estágio um trata de uma situação financeira pouco experimentada por grande parte da população brasileira, infelizmente. Lemos, vemos e ouvimos notícias de que nos últimos anos as pessoas estão muito endividadas devido a vários financiamentos contraídos nesse período. Assim como você não dorme de mal jeito e acorda com uma dívida, ou seja, ela não acontece da noite para o dia (salvo raríssimas exceções, é claro), você também pode não conseguir resolvê-la de uma só vez: o processo leva algum tempo.

Porém, depois de estancadas as dívidas e começar a poupar um dinheirinho, você pode ficar um pouco perdido: talvez até saiba a finalidade para aquele dinheiro poupado (uma viagem, algum curso que queira fazer, adquirir algum bem), mas também sabe que existem melhores opções para investir suas reservas.

Ouve-se falar de bolsa de valores e seus elevados retornos; apesar de muitos esforços para desmitificar essa impressão, o brasileiro médio ainda tem a ideia de que bolsa é cassino e que só os grandes investidores é que têm excelentes resultados; paira na cabeça de muita gente que investir é coisa de rico, de gente que é abastado financeiramente. Ledo engano. Porém, se você nunca teve contato com o mundo dos investimentos, é bom que se comece com aplicações mais simples e mais seguras. De verdade: a caderneta de poupança pode até ser a opção mais tradicional e mais conhecida do brasileiro e, apesar de ter alguns usos quando se trata de investimentos, ela não é a melhor opção.

Mas o que fazer primeiro? O primeiro investimento financeiro de qualquer pessoa deveria resumir-se a essa expressão: Reserva de Emergência. Você já passou apertos financeiros, imprevistos (carro, saúde) em que teve que pegar dinheiro emprestado com alguém exatamente porque você não tinha os recursos para usar naquela situação? Se não passou, certamente conhece alguém que já enfrentou essa tempestade. Não dá para saber de antemão o tamanho do prejuízo de um imprevisto, caso ele aconteça, mas dá para tentar diminuir o seu impacto. Então, assim que conseguir salvar dinheiro, direcione-o para a formação de sua reserva de emergência.

Vale atentar que na mudança de estágio (de endividado [abaixo de zero) para sem dívidas [zero]) você possa experimentar viver uma vida barata, com baixíssimo custo. Construir uma vida frugal, cada vez menos dependente de dinheiro. Não significa que você deva se privar de prazeres que o dinheiro pode te proporcionar. Você deve encontrar um equilíbrio, um meio termo.

O próximo passo, portanto, é o estágio dois: aquele em que vamos tratar de continuar no caminho para o sucesso financeiro.

ESTÁGIO DOIS

No estágio zero aprende-se as bases das finanças pessoais: muito estudo, mudanças de hábito e de mentalidade, a busca de um estilo de vida menos dependente de dinheiro. No estágio um a proposta é a formação de segurança. Mas qual seria o tema do estágio dois? É bem simples: fazer mais do mesmo. E só. Talvez esse possa ser o estágio mais longo das finanças pessoais, já que atingir a independência financeira consiste em ter poupado e investido o suficiente para que o jogo do dinheiro seja vencido: assim você poderá parar (de preferência para sempre) de pensar em dinheiro e seguir com mais liberdade na realização de seus sonhos. Se quiser, poderá até parar de trabalhar. Realmente é outro nível e falaremos dele daqui a pouco.

“Ficar no estágio DOIS deve ser chato”, algumas pessoas devem pensar. Depende. Aí que entra “o pulo do gato”. Concorda comigo que, se você chegou numa situação dessas – não tem dívidas, domina o básico necessário sobre finanças pessoais e investimentos, tem uma reserva de emergência bem definida, seus bens e sua família estão protegidos caso ocorra um imprevisto negativo, continua aprendendo e estudando sobre o assunto – para chegar ao próximo estágio é só uma questão de tempo? Se você não tem um estilo de vida muito esbanjador ou se aproveita uma vida frugal isso pode acontecer bem antes do que você supõe.

Mas qual é o “pulo do gato”? Divirta-se! Aproveite a vida enquanto você constrói a sua independência financeira.

O próximo e último passo, portanto, é o estágio três: a independência financeira.

 

ESTÁGIO TRÊS

A caminhada é longa, mas tende a ser compensadora. Para chegar à independência financeira temos que nos tornarmos melhores do que jamais fomos: e esse processo resulta em uma espiral de auto aperfeiçoamento constante, não só no que se refere às finanças pessoais.

Falando de finanças pessoais, muito provavelmente a independência financeira é a meta final. É o estágio em que você venceu o jogo do dinheiro, não há mais a necessidade de se preocupar com ele e pode usar seu recurso mais valioso como bem desejar: o tempo.

Mas o que significa independência financeira, exatamente? É um conceito muito particular já que diferentes conceitos trabalham de maneira distinta para pessoas diferentes. Uma das definições tradicionais é: “nenhuma pessoa é livre, no sentido econômico, a menos que tenha renda proveniente de investimentos independente de trabalho direto”. Descomplicando o economês: Independência Financeira é quando uma pessoa tem meios financeiros suficientes para manter o estilo de vida que deseja sem trabalhar.

Você se torna independente financeiramente quando está acima da névoa, dos medos, do fanatismo em relação ao dinheiro que nos aflige durante a vida. É parar de se preocupar com dinheiro. O jogo foi vencido. Acabou. Muitas vezes esse momento se traduz como um estado de paz, de tranquilidade.

“Mas quando vou saber se atingi minha independência financeira?” Simples. Quando o dinheiro acumulado for o bastante. Nós temos que quebrar a antiga crença que devemos ser ricos (financeiramente falando) para sempre. O bastante é o que importa. Se você quiser fazer de meta “tornar-se milionário” não tem problema. Mas bem antes de se tornar milionário o jogo pode ser vencido: vai depender do seu estilo de vida.

Por outro lado, Independência Financeira é somente um outro nome para aposentadoria (não gosto muito disso, me faz sentir velho [risos]). Infelizmente, aqui no Brasil são poucas pessoas que aos 60 ou 65 anos podem declarar independência financeira. Muitos ainda têm que continuar trabalhando para se manterem. Então, quem ainda não chegou lá (especialmente para aqueles que ainda têm 15-20 anos ou mais de trabalho ativo) trate de arregaçar as mangas e construir seu futuro financeiro: querendo ou não, estamos diante de avanços cada vez mais expressivos na medicina e na tecnologia e eles contribuirão para que se tenham cada vez mais centenários.

Curtiu essa dica?! Você pode assinar ao podcast do Investidor Inteligente do Dicas Curtas e acessar aos outros podcasts disponíveis através do aplicativo de podcast de sua preferência. Assim, você receberá uma notificação sempre que um novo episódio estiver disponível. Conheça nosso time de experts através do site www.DicasCurtas.com.br.

Aproveite para participar conosco nas diversas redes sociais, curtindo a fan page do Investidor Inteligente bem como participando do grupo da página no Facebook e realizando seus comentários, enviando dúvidas e sugestões. O Investidor Inteligente agora está no Spotify, confere lá!

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Pin It on Pinterest

Share This