Ouça agora este podcast!“060 Os índices da Bolsa de Valores”

Você chega em casa, liga a TV e está passando o jornal da noite. E o apresentador fala que o índice da bolsa de São Paulo, o Ibovespa, teve, naquele dia, valorização de 2%. O que isso significa exatamente? Nesse podcast será apresentado como funcionam os índices da bolsa de valores.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para te ajudar a usar bem o seu dinheiro de modo que ele possa ser direcionado para que você alcance seus objetivos e que tenha mais qualidade de vida a partir de um desenvolvimento financeiro saudável, transformando-se em um investidor inteligente.

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E hoje vamos falar sobre os índices da bolsa de valores!

 

Índice Ibovespa

Às vezes, quando você chega à noite em casa e vai assistir ao jornal, se depara com o jornalista falando sobre o mercado financeiro, especificamente sobre a valorização ou desvalorização do índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa. Algumas vezes é dito que o índice teve forte valorização; ou teve alguma desvalorização ou mesmo se manteve praticamente estável. Para quem entende muito superficialmente como funciona o mercado de ações, essa informação traz a impressão que todas as empresas que têm ações na bolsa de valores subiram ou caíram aquele percentual mencionado. Não é bem assim que funciona.

O principal índice que é mencionado e que a maioria das pessoas conhece é o índice Bovespa ou Ibovespa. Ele é o principal índice do mercado de ações, foi criado em 1968 e, ao longo desses 50 anos, consolidou-se como referência para investidores ao redor do mundo.

O curioso é que há muito tempo a Bovespa não tem esse nome. Desde 2008, o nome da bolsa de valores de São Paulo é BM&FBovespa. Desde meados de 2017, passou a se chamar B3 (Brasil Bolsa Balcão). Porém a marca é tão forte que o principal Índice da B3, o Ibovespa ou Índice Bovespa, continua a estar atrelado a uma marca que desde 2008 não é oficialmente usada.

Vamos começar a tentar definir o Índice Bovespa (Ibovespa) com as palavras que encontramos no próprio site da B3 (www.b3.com.br):

O Ibovespa é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada de acordo com os critérios estabelecidos em sua metodologia. (…) O objetivo do Ibovespa é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro”.

Ou seja: a ideia do Ibovespa é trazer um panorama geral do que está ocorrendo com o mercado brasileiro de ações no que se refere às ações consideradas mais importantes e relevantes da bolsa.

 

Como funciona Índice Bovespa (Ibovespa)?

Imagina que alguém tivesse montado uma carteira de ações, selecionando somente as ações das principais empresas da bolsa de valores. Quais ações? Sem entrar em detalhes metodológicos (senão o podcast ficaria gigantesco e maçante), as ações escolhidas para essa carteira são aquelas mais negociadas na bolsa.

Portanto, as ações que fazem parte do Índice Bovespa (Ibovespa), são aquelas que, juntas, são responsáveis por cerca de 80% dos negócios com ações que acontecem na bolsa de valores todos os dias.

A bolsa de valores de São Paulo tem quase 400 empresas listadas, sendo negociadas ativamente, e cerca de 60 (esse número varia de tempos em tempos) representam 80% dos negócios. Podemos concluir que qualquer ação que faça parte do Índice Bovespa tem sua visibilidade aumentada e, diante disso, tem gente interessada em comprar e a vender a qualquer instante no pregão.

 

Para uma ação estar no Ibovespa é importante preencher uma série de requisitos descritos na metodologia de cálculo do índice. De forma resumida é o seguinte:

  1. Estar entre os ativos elegíveis para o índice na vigência das últimas 3 carteiras teóricas do índice (ou seja: não podem entrar na composição do índice, as BDRs – Brazilian Depositary Receipts (que são certificado de depósito de valores mobiliários que representam ações de empresas estrangeiras que podem ser compradas no Brasil) – e ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção ou que sejam negociados em qualquer outra situação especial de listagem) – se as ações não estiverem nessas situações, o ativo pode se tornar elegível para participar do Ibovespa;
  2. A ação tem que ser negociada em 95% dos pregões no período das 3 últimas carteiras teóricas;
  3. Ter um volume financeiro igual ou superior a 0,1% no mercado à vista (que grosso modo, é a ideia de compra e venda de ações de forma tradicional);
  4. Não ser classificada como “penny stock” (ações de valor unitário muito baixo, geralmente menor que R$ 1,00).

 

Tem vários outros detalhes técnicos que podem ser consultados no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices, mas basicamente é isso.

Ou seja: para uma ação ser listada no Ibovespa ela teve que ser muito negociada e provavelmente ter um bom desempenho por pelo menos 12 meses, já que a carteira teórica do Ibovespa é rebalanceada a cada 4 meses, 3 vezes por ano (em janeiro, em maio e em setembro), de acordo com esses critérios. Se a ação deixar de respeitar dois ou mais desses critérios ela pode ser excluída do Ibovespa no próximo rebalanceamento da carteira teórica.

 

E o que são os pontos do Índice Bovespa (Ibovespa)?

Até agora entendemos que o Índice Bovespa é uma carteira teórica formada pelas principais ações que são responsáveis por 80% dos negócios que acontecem no mercado financeiro brasileiro. Se comprássemos exatamente as mesmas ações do Índice Bovespa, no mesmo volume indicado para cada uma delas para a formação do Ibovespa, teríamos o valor, em reais, igual ao número de pontos do Índice da bolsa de valores. Se eu fizesse isso hoje, novembro de 2018, minha carteira de ações real baseada na carteira teórica do Ibovespa valeria ao todo, aproximadamente, R$ 89 mil.

 

E quanto vale cada ponto do Índice Bovespa (Ibovespa)?

Se a carteira teórica representa em pontos o valor em reais de uma carteira real que replica o Índice Bovespa, então cada ponto do Ibovespa equivale a R$ 1,00. Simples assim.

E eu falei disso no início desse podcast: se o Índice Bovespa (Ibovespa) subiu quer dizer que todas as ações do Ibovespa subiram?

A essa altura você já deve entender que não. O Índice Bovespa (Ibovespa) é uma média da movimentação dos preços das ações mais negociadas. É bem possível que uma ou mais de suas ações tenham caído bastante, mas o Índice foi puxado para cima por conta de um bom momento das ações de outras empresas, em que, na média, refletiu o percentual positivo. Lembrando que vale também o raciocínio inverso: se o índice caiu a maioria das ações também caíram, mas pode acontecer de alguma ação ter valorização, mesmo com a queda expressada pelo índice.

Como nós já entendemos, os índices funcionam como uma referência do que está acontecendo no mercado financeiro, não significando necessariamente que todas as ações subiram ou caíram ou mesmo que tenham se valorizado ou desvalorizado na intensidade expressa pelo índice.

O Ibovespa é o índice mais famoso, mas não é o único. Ele pertence à uma categoria chamada de Índice Amplo, junto com outros três índices que têm mais ou menos a mesma característica:

  • IBrX-100 (Índice Brasil 100): que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos 100 ativos de maior negociabilidade e representatividade;
  • IBrX-50 (Índice Brasil 50): que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos 50 ativos de maior negociabilidade e representatividade;
  • IBrA (Índice Brasil Amplo): que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações de todos os ativos negociados no mercado a vista (lote-padrão) da B3 que atendam a critérios mínimos de liquidez e presença em pregão, de forma a oferecer uma visão ampla do mercado acionário brasileiro.

 

Além desses índices amplos, existem outras grandes categorias de índices, como:

  • Índices de governança, representado pelo: Índice de Governança Corporativa Diferenciada (IGCX), índice de Governança Corporativa Trade (IGCT), Índice Governança Corporativa Novo Mercado (IGC-NM), Índice de ações com Tag Along Diferenciado (ITAG);
  • Índices de segmento, representado pelo: Índice Midlarge Cap (MLCX), Índice Smallcap (SMLL), Índice de Dividendos (IDIV), Índice Valor 2ª linha (IVBX2);
  • Índices de sustentabilidade, representado pelo: Índice de Carbono Eficiente (ICO2), Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE);
  • Índices setoriais, representado pelo: Índice de Utilidade Pública (UTIL), Índice de Consumo (ICON), Índice Imobiliário (IMOB), Índice Financeiro (IFNC), Índice de Energia Elétrica (IEE), Índice de Materiais Básicos (IMAT), Índice Industrial (INDX);
  • Outros índices, representado pelo: Índice de BDRs não patrocinados-Global (BDRX), Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX)

 

Ou seja: atualmente mais de 20 diferentes tipos de índices para diferentes tipos de avaliação de setores e necessidades diferentes no mercado.

E como que usa tudo isso? Depende da sua necessidade e da sua estratégia. Quando estamos falando de renda variável estamos falando de um universo de possibilidades. Alguns desses índices, por exemplo, servem de referência (benchmark) para um tipo de ativo em que é possível, a grosso modo, negociar um índice, os chamados ETFs. De forma super simplificada: se um índice sobe 2%, esse ativo, o ETF, tende a subir 2% também ou algo bem próximo disso. Mas esse é um assunto, bem interessante inclusive, para detalharmos nos próximos podcasts, em que vamos continuar falando sobre o mercado de ações.

Nós só passamos pela porta de entrada da recepção desse mundo da renda variável. Continue acompanhando.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje e que tenha ficado claro como que funcionam os índices da bolsa de valores!

 

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Muito obrigado pelo seu tempo e atenção, espero ter contribuído para a formação de seus conhecimentos. Eu fico por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

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