Ouça agora este podcast! “135 Personalidades da Análise Fundamentalista – Parte 1”

Tão importante quanto estudarmos a teoria é analisarmos casos de sucesso, pessoas que tiveram bons resultados aplicando a análise fundamentalista. Mais que isso, vamos tentar entender as estratégias dos precursores e grandes ícones desse tipo de análise.

No podcast de hoje falaremos sobre 3 grandes ícones estrangeiros e no próximo podcast falaremos um pouco sobre o maior ícone da análise fundamentalista do Brasil!

Eu sou Phillip Souza e todas as semanas apresento o Investidor Inteligente, que é o podcast sobre Finanças e Investimentos do Dicas Curtas que te traz informações diferenciadas, orientações e estratégias valiosas que podem te auxiliar e dar o clique necessário para você usar bem o seu dinheiro, seja para resolver algum problema financeiro ou mesmo potencializar sua vida financeira, sempre buscando um bom balanço entre o presente e o futuro, de modo que você possa construir seus resultados e ter mais qualidade de vida e aos poucos amadurecendo nas finanças, se tornando um investidor ainda mais inteligente.

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Comecemos com a história do “Pai da Análise Financeira Moderna”: Benjamin Graham.

Benjamin Graham (08/05/1894 – 21/09/1976)

Graham nasceu em Londres e mudou-se para Nova Iorque com sua família quando tinha um ano de idade. De origem judaica, seus pais mudaram o nome de família durante a Primeira Guerra Mundial, quando os alemães colocaram diversos nomes sob suspeita.

Após a morte de seu pai e após experimentar a humilhação da pobreza, transformou-se em um bom estudante, graduando-se na Universidade de Columbia aos 20 anos. Recebeu um convite para trabalhar como instrutor de inglês, matemática e filosofia, mas escolheu um trabalho em Wall Street, iniciando a parceria na empresa Graham-Newman.

Graham se tornou um economista influente e investidor profissional e é hoje chamado o “Pai da Análise Financeira Moderna” pelas frequentes referências que lhe são feitas por Warren Buffett, que foi um estudante de Graham na Universidade de Columbia. Ele é considerado o primeiro proponente de investir pelo valor e considerado o pai da escola do Value Investing (Investimento em Valor).

Ele é também considerado o precursor da estratégia buy and hold de investimentos em ações, também adotada por seu seguidor Warren Buffett. O foco desta estratégia é comprar ações de empresas sólidas e mantê-las no portfólio de investimentos por um longo período, objetivando, desta forma, a maximização dos lucros, eliminando custos excessivos de transações e imposto de renda. Por isso, o nome buy and hold, ou seja, “comprar e segurar” (tradução literal).

Estratégias de Benjamin Graham

Graham investia utilizando um método puramente quantitativo ao alcance de qualquer um, empregando informações de domínio público. Focava-se em comprar “pechinchas”: companhias vendidas por menos que o seu capital circulante líquido. Em linhas gerais, podemos resumir sua estratégia a dois pontos fundamentais:

  • Filtros quantitativos sem se preocupar com coisas, como aspectos sociais, perspectivas futuras da companhia e produtos.
  • Diversificação.Todos nós cometemos erros: a única forma de estar seguro é dividir as suas apostas de maneira a permitir que as leis das médias possam funcionar”.

Em sua empresa, a Graham-Newman, ele usava seis técnicas mais específicas para compras de ações desde 1936:

  1. Comprar ações a 2/3 (67%) ou menos do que o seu capital circulante líquido;
  2. Comprar companhias que estejam para ser liquidadas;
  3. Arbitragem de risco;
  4. Títulos conversíveis em ações, como debêntures, por exemplo;
  5. Participar do controle de companhias;
  6. Realizar operações casadas do tipo long&short, ou seja, comprando um ativo e vendendo outro.

Graham era contra a aquisição de companhias públicas novas (IPO) e outras formas de investimentos exóticas. De acordo com ele, existiam seis coisas a serem observadas no processo de avaliação de uma ação:

  1. Os lucros estimados futuros;
  2. As perspectivas de crescimento a longo-prazo;
  3. A administração;
  4. A saúde financeira e a estrutura de capital;
  5. O histórico de dividendos;
  6. O dividend yield.

Suas estratégias deram bons resultados fazendo com que Graham atingisse cerca de 21% de retorno ao ano, durante 20 anos. Seu livro, Security Analysis, com David Dodd, foi publicado em 1934 e considerado a bíblia dos investidores desde então. Outro livro muito conhecido de Graham é The Intelligent Investor, O Investidor Inteligente (que também é o nome desse podcast!), no qual Buffett diz ter aberto sua mente para os investimentos em ações. Seu lema era:

“Comprar uma nota de um dólar por cinquenta cêntimos.”

Benjamin Graham

Warren Edward Buffett (30/08/1930)

Warren Buffet nasceu em Omaha, Nebraska, é filho de Howard Buffet, que foi um corretor e membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Buffet Iniciou sua vida acadêmica universitária dentro da Universidade de Pensilvânia, posteriormente, transferiu seus estudos para a Universidade do Nebraska, e fez um mestrado em economia na Escola de Negócios de Colúmbia, sendo aluno de Benjamin Graham. Por volta de 1950, leu pela primeira vez o livro de Graham, The Intelligent Investor, acabado de publicar. A propósito desta leitura viria a referir anos depois:

Não sei nada agora que não sabia aos 19 anos quando li esse livro. Nos oito anos anteriores, analisava gráficos. Adorava tudo isso. Eu tinha gráficos saindo pelos meus ouvidos. Então, de repente, um colega me explica que você não precisa de tudo isso, basta comprar algo por menos do que vale.”

Warren Buffett

Buffett encerrou seu mestrado em Economia em 1951, recebendo a única nota A+ que Graham atribuiu a alunos do curso Security Analysis que lecionava.

Trabalhou com Graham, onde seguiu as regras de investimento de seu mestre. Voltou a Omaha em 1956 sem nenhum plano em mente, até que alguém lhe pediu que cuidasse de seus investimentos.

Em 1956, Buffett criou a Buffett Associates, Ltda., a sua primeira sociedade de investimento, com natureza limitada. A sociedade foi financiada com US$100 de Buffett, o seu diretor-geral, e US$105.000 vindos de sete sócios que eram seus familiares e amigos. Outros sócios o procuraram: um deles foi Homer Dodge, um antigo cliente da sociedade de Graham entretanto dissolvida, que percorreu 2.400 quilômetros até Omaha na esperança de que Buffett gerisse os seus fundos. “Homer me disse: ‘Gostaria que gerisse o meu dinheiro’. Eu disse, ‘A única coisa que estou fazendo é uma sociedade com a minha família’. Ele disse, ‘Bem, gostaria de ter uma (sociedade) contigo’. Então criei uma sociedade com Homer, a mulher, os filhos e os netos”. A família Dodge investiu US$100.000 com Buffett. Quando Homer Dodge faleceu em 1983, este montante tinha sido multiplicado para dezenas de milhões de dólares.

Os lucros da sociedade foram impressionantes. À medida que estes eram conhecidos, novos sócios se juntavam. Nos seis anos seguintes fundou mais nove sociedades de investimento para gerir o dinheiro de terceiros: a Ann Investments, Ltda., a Buffett Fund, Ltda., a Buffett-Holand, Ltda., a Buffett-TD, Ltda., a Dacee, Ltda., a Endee, Ltda., a Gaenoff, Ltda., a Mo-Buff, Ltda., e a Underwood Partnership, Ltda. Nestas sociedades Buffett recebia 20% de toda a rentabilidade que excedesse os 6%, segundo o próprio Buffett.

Em 1962, todas as sociedades de investimento foram consolidadas na Buffett Partnership, Ltda. que, por essa altura, reunia 98 sócios e US$10,5 milhões em capital. Nesta sociedade, Buffett recebia 25% dos lucros acima dos 6%. Se não excedesse, não ganharia nada. Adicionalmente, pagaria qualquer perda num dado ano com os lucros do ano anterior, o que não chegou a ser necessário.

Em 1969, aos 39 anos, Buffett dissolveu a Buffett Partnership Ltda. quando tinha US$100 milhões sob gestão. Fez isso, essencialmente, porque a sua estratégia de investimento deixou de se aplicar aos mercados de até então. Os múltiplos de mercado estavam altíssimos, o mercado sobrevalorizado e as pechinchas que Buffett procurava simplesmente deixaram de existir. Em vez de inventar outra estratégia, fechou a loja e devolveu o dinheiro aos clientes. No período entre 1957 e 1969, tanto nos bons anos como nos maus, tinha batido os índices. Durante este período, as suas sociedades tiveram uma rentabilidade anual composta bruta de cerca de 30%, enquanto a média do mercado estava entre 7% e 11%.

Em 1962, Buffet adquiriu a Berkshire Hathaway, uma empresa têxtil, mas que também vendia seguros de New Bedford, em Massachussets. Em 1963, Buffett e os seus associados já eram acionistas maioritários. Durante o período de gestão destas sociedades de investimento, o pior investimento de Warren Buffett foi possivelmente a Berkshire Hathaway.

Buffett aumentou gradualmente a posição até 49% e usou os votos para alterar a gestão da companhia, assumindo a presidência do conselho de administração. Quando assumiu o controle da Berkshire Hathaway (NYSE:BRK.A; 1964), as ações da companhia eram negociadas por volta de US$19 cada uma. No final de 2019 uma única ação custava mais de US$340 mil (2019), uma assombrosa valorização de 1.800.000% em 55 anos. No momento da gravação desse podcast, devido a queda nos mercado de ações, globais, a ação está cotada a pouco mais de US$290 mil (com o dólar a R$5, cerca de R$7,250 milhão). Quem tivesse aplicado US$100 na firma de Buffett, em 1964, teria comprado 5 ações (US$95) e hoje teria um patrimônio de quase US$1,5 milhão, considerando a desvalorização recente devido o #Coronavirus. Os mesmos US$100 aplicados no índice Dow Jones equivaleriam a praticamente US$3.100 (com o dólar a R$5, cerca de R$15,6 mil). Esses números mostram a incrível capacidade de Buffett multiplicar o dinheiro através do mercado de ações. Buffett ganhou sua fortuna baseando seus investimentos em empresas com potencial de crescimento no longo prazo. Alguns de seus investimentos foram: American Express, Walt Disney Company, Coca-Cola Company, Gillette.

A Berkshire Hathaway é hoje a holding do império de Warren Buffett, controla dezenas de negócios diferentes, tem mais de 389.000 empregados e receita bruta de US$247,5 bilhões/ano (informações de 2018).

Até a crise mundial de 2008, Warren era considerado o homem mais rico do mundo. Em 2009, figurava como o segundo homem mais rico do mundo ficando atrás apenas de Bill Gates em função da queda das ações na crise de 2008, com a qual ele perdeu cerca de US$25 bilhões, visto que 99% de sua fortuna está em ações. Sua fortuna foi criada apenas com investimentos em ações em sua maioria cotadas na bolsa. Durante 34 anos, obteve retorno sobre seus investimentos acima da média do mercado e de forma consistente.

Apesar de sua imensa fortuna (avaliada em US$70 bilhões – informações de abr/20), Buffet é famoso por levar uma vida frugal e despretensiosa, pois continua vivendo na mesma casa, no bairro de Dundee em Omaha, comprada em 1958 por US$31,5 mil. Sobre o destino de sua fortuna, Buffett costumava dizer que deixaria para os filhos apenas o suficiente para que eles fizessem o que quisessem – e não demais, senão eles não fariam coisa alguma. O resto doaria para a caridade. Foi o que fez. Em junho de 2006, se comprometeu em doar sua fortuna para a caridade, sendo que 85% foram destinados para a Fundação Bill e Melinda Gates, fato que ganhou fama como a maior doação em dinheiro a uma instituição filantrópica da história.

Estratégias de Warren Buffet

Em linhas gerais, Buffett segue a ideia de Graham, ou a escola do Value Investing (investimento em valor). Suas análises são simples e a tônica principal é a de que quando você compra ações, você está comprando uma parte de uma empresa.

O primeiro passo seria identificar boas empresas para se comprar. Depois, calcular qual seria um bom preço para comprá-las. Só depois disso você deveria olhar para a cotação das ações para ver se as empresas estão à venda pelo preço que compraria. Se não estiverem, você deve esperar por correções ou quedas do mercado para comprar negócios sólidos a preços razoáveis, porque as quedas apresentam oportunidades de compra.

Para ele, uma boa empresa reúne as seguintes características:

  1. Está inserida dentro de um setor que não é de commodities, que tem boas perspectivas futuras, e a empresa não compete em termos de preço;
  2. Tem um monopólio de consumidores ou a sua marca gera lealdade;
  3. Consegue criar barreiras à entrada de novos competidores;
  4. Tem consistentemente resultados fortes e com boas margens;
  5. Tem baixo endividamento ou seus ganhos são altos proporcionalmente às sua dívida e portanto está financiada de forma conservadora;
  6. Obtém consistentemente elevada rentabilidade sobre os capitais próprios – maior que 15%;
  7. Não distribui dividendos quando pode reter os lucros e os reinveste com boas taxas de rentabilidade, desta forma capitalizando os seus resultados para o acionista;
  8. Tem poucas necessidades de capital na manutenção das operações correntes;
  9. Pode aumentar os preços para ajustá-los à inflação, sem afetar negativamente o negócio

Buffet é conhecido por ser conservador em períodos de especulação desmedida nos mercados e agressivo quando outros temem pelo seu capital. Para ele, devemos fazer nossos investimentos como um analista de negócios e não como analista de ações, procurando nos tornarmos sócios de quem não gostaríamos de ser concorrente, confiando no passado de uma empresa e sempre desconfiando de promessas e expectativas.

Peter Lynch (19/01/1944)

Peter Lynch trabalhou somente para a Fidelity, uma empresa de investimentos com sede em Boston. Ele iniciou a sua carreira como analista em 1969, foi promovido a diretor de research em 1974, e recebeu o fundo Fidelity Magellan em 1977. Naquela época, o fundo possuía US$22 milhões em ativos.

Durante 13 anos, ele foi o responsável pela administração do fundo de ações mais rentável do mundo no período, o fundo Fidelity Magellan. Entre maio de 1977 e maio de 1990, o Magellan valorizou 2.900%. O patrimônio do fundo que era de US$22 milhões pulou para US$14 bilhões tendo mais de um milhão de cotistas. Durante o seu período no Magellan, Lynch conseguiu um retorno médio composto de 29% ao longo de 13 anos, o que continua a ser um recorde para fundos deste tamanho.

Em 1990, decidiu se aposentar para ter mais tempo junto à sua família. Nenhum outro administrador na história conduziu um fundo tão grande, de forma tão eficaz, por tanto tempo. No seu livro Beating the Street (1993), Lynch lista os seus maiores sucessos; já o livro One Up on Wall Street (1989) foi o seu maior sucesso, tendo sido lido por mais de um milhão de investidores ao redor do mundo.

Estratégias de Peter Lynch

Vejamos seis dos principais pontos de sua estratégia:

  1. Pequenas companhias: Lynch adora companhias emergentes com balanços sólidos. Segundo ele: “Companhias grandes não realizam grandes movimentos. Você consegue maiores movimentos com companhias menores”;
  2. Ações de crescimento acelerado: o macete é encontrar companhias com crescimento acelerado, como a Starbucks em seus primeiros estágios de vida;
  3. Nomes tediosos, produtos tediosos, indústria sonolenta: Lynch gosta de investir em negócios que muitas vezes não estão no foco das atenções;
  4. Wall Street não se importa: companhias pequenas e menosprezadas apresentam as maiores oportunidades para os investidores de longo prazo;
  5. Olhar quem está comprando ações da empresa: Lynch aprecia companhias em que a diretoria e seus executivos investem o próprio dinheiro no local aonde trabalham. Além disso, ele chama atenção para empresas com programas de recompra de ações;
  6. Diversificação: ele utiliza a diversificação e volta sua atenção para pequenas empresas, em sua fase inicial, com excelentes lucros, balanços enxutos e que ainda não chamaram atenção de Wall Street.

Lynch criou um conhecido “mantra” para investimento em ações:

“Invista naquilo que você conhece”.

Peter Lynch

Existem outros grandes personagens na análise fundamentalista, mas esses 3 nos dão base e referência para mostrar casos de sucesso impressionantes no médio e, principalmente, no longo prazo. Espero que tenha gostado do episódio de hoje! No próximo episódio falaremos sobre o principal ícone da análise fundamentalista brasileira!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira!

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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