Ouça agora este podcast!“059 Pós-Eleições 2018: qual o provável cenário para os investimentos?”

No dia 28 de outubro, a partir da votação de segundo turno das eleições presidenciais de 2018, Jair Bolsonaro foi eleito o novo presidente do Brasil. Diante desse fato, quais são os cenários que podem se desenhar em termos de economia, finanças e investimentos? O que você, investidor inteligente, pode esperar do mercado de capitais brasileiro?

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas e informações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente.

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É sempre bom reforçar que quando estamos falando sobre futuro, estamos falando de expectativas. E as expectativas podem ou não se confirmar – só teremos certeza quando as coisas forem acontecendo – ou não. Então, diante disso, muito do que vai ser abordado nesse podcast pode não acontecer – ou sim.

 

Jair Bolsonaro, o novo Presidente do Brasil

Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República e ele já tem vários grandes desafios e a execução das reformas será crucial para o futuro da economia e a sustentabilidade de um ambiente econômico mais positivo. Paulo Guedes, indicado como futuro Ministro da Fazenda de Bolsonaro, ressalta propostas liberais, com viés reformista. Por outro lado, o agora Presidente Eleito Jair Bolsonaro ainda não deixou claro quais propostas vai priorizar em seu governo.

O mercado como um todo deve dar o benefício da dúvida para Jair Bolsonaro, antecipando um governo reformista e liberal, o que, de acordo com alguns economistas, poderia levar o principal índice da bolsa, o Ibovespa, a 90-100 mil pontos até o final desse ano de 2018; a taxa Selic pode ficar entre 7,5% a 8,5% em 2020; e em relação ao dólar, ele pode cair para o nível de R$ 3,50 a R$ 3,60 no curto prazo. Mas isso tudo depende da evolução das reformas propostas. Caso as reformas se concretizem ao longo do próximo ano, a bolsa brasileira poderia buscar os 125 mil pontos até o final do ano de 2019 – o que seria uma subida substancial visto que o índice Bovespa está no patamar de 85 mil pontos atualmente.

O ano de 2019, com uma mudança drástica e dramática de governo, deve ser de transformações no Brasil, com movimentações políticas importantes, que dirão mais sobre os próximos 10 anos do que os últimos 10 anos. E isso pode acontecer com certa agilidade, pois o Presidente da República deve conseguir uma frente de apoio no Congresso, permitindo avanço nas tão requisitadas (e necessárias) reformas – isso é, se ele conseguir articular as alianças políticas necessárias tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.

O processo eleitoral foi marcado pelo ato violento contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), pela influência das redes sociais e WhatsApp no contato com o eleitorado e pelas idas e vindas do PT quanto a Lula. Também cabe registro do quanto o PSDB sai diminuído da disputa. Derrotado eleitoralmente para a Presidência da República, teve sua bancada federal reduzida e politicamente viu setores, da sociedade e da política, que tradicionalmente se organizavam no partido ou no entorno de suas lideranças, embarcarem progressivamente na campanha de Jair Bolsonaro.

As forças de esquerda saem do processo eleitoral com sua sobrevivência garantida, dado o número de votos que tiveram no primeiro turno, mas é nítido o esgotamento das lideranças do campo vermelho da política brasileira. Sem uma reinvenção, o PT e o PDT, partidos que comandarão a esquerda brasileira a partir destas eleições, estarão sujeitos à agenda econômica e política dos seus adversários.

Jair Bolsonaro, que hoje lidera um movimento político, é o vitorioso incontestável dessas eleições. Elegendo bancada numerosa, que deve aumentar com adesões de deputados eleitos por partidos que não atingiram a cláusula de barreira, é fato que Bolsonaro terá força no Congresso Nacional e na sociedade nos seus primeiros meses de mandato – ou seja, o capital político dele, até então, é muito alto.

Definitivamente, um dos resultados mais evidentes dessas eleições é que o Brasil passa a ter uma organização política conservadora, que para chegar ao poder tratou de fazer uma aliança com o liberalismo econômico.

 

Momento de reformas

A maior dúvida do mercado diz respeito à priorização ou não da Reforma da Previdência. Mas nós só vamos conseguir saber mais sobre isso na transição de fato, que ocorre em janeiro de 2019. A não priorização das reformas, ou propostas mais complexas de difícil aprovação, traria risco e volatilidade aos mercados, especialmente na bolsa de valores.

Hoje o Brasil se encontra em uma situação em que as contas públicas estão pressionadas e existe pouca flexibilidade para corte de gastos. A Previdência é a principal despesa do governo: representa cerca de 60% do orçamento federal, e é o gasto que mais cresce por conta do rápido envelhecimento populacional. Por isso também que eu insisto que você, investidor inteligente, ajuste sua vida financeira, resolva suas dívidas, controle bem suas finanças, se eduque e invista bem o seu dinheiro, pois com governo ou sem governo temos que estar prontos para bancar nosso futuro. Se nada for feito, em 2030 (que nem é tanto tempo assim) a despesa com previdência pode chegar a 70% do orçamento federal, o que é insustentável. Assim como acontece em alguns estados, poderá faltar dinheiro para serviços básicos, haveria queda na confiança, no investimento e aumento do desemprego. Ou seja: pode dar problema.

 

Cenário para os investimentos

Essa configuração política aponta para uma economia mais liberal, o que provavelmente mostra aos investidores que, para conseguirem melhores rendimentos em seus investimentos, é necessário correr mais riscos. Traduzindo: se quiser ter retornos melhores do que as prováveis futuras baixas taxas de juros da economia, é necessário aprender a ser mais arrojado. O mercado muda e nós temos que nos adaptar a ele ou, se escolhermos não nos adaptar, arcar com as consequências de ter uma remuneração menor nos investimentos.

Isso não significa que devemos abandonar os produtos de renda fixa e alocar tudo em renda variável. Não é por aí. Todos os produtos de investimento devem ter um propósito definido ao realizar as aplicações. Como disse lá no episódio 21 (confere lá depois): a primeira pergunta que você deve fazer não é “qual o melhor investimento?”; a primeira pergunta que deve ser feita é “qual é o seu objetivo?”. Se é reserva de emergência, ou investimentos para curto prazo (menos de 2 anos), temos que ficar de olho sim e procurar os melhores produtos de renda fixa disponíveis no momento do investimento: sejam CDBs, Tesouro, LCIs, LCAs, fundos de renda fixa ou outras oportunidades com risco mais baixo. Porém, pensando em um prazo maior, com objetivos de mais longo prazo, com uma expectativa de uma economia mais estável e economicamente mais liberal, temos que aprender a usar a renda variável. E sim, aqui também estou falando de bolsa de valores.

Como disse antes, de acordo com alguns economistas, o mercado pode antever o governo de Bolsonaro e já levar a bolsa ao patamar de 90-100 mil pontos até o final de 2018. Pensando em um cenário com um pouco mais de tempo e sendo otimista, talvez em 2019 a bolsa possa atingir os 125 mil pontos, mas isso depende da evolução da agenda reformista já que é condição necessária para que este cenário seja pavimentado. Do contrário, em um cenário pessimista, a bolsa deve ficar em um patamar próximo ao atual, nos 80 a 85 mil pontos.

Essa possível valorização (tanto os 100 mil pontos quanto os 125 mil pontos) pode vir por meio de:

1)  revisão positiva de estimativas para 2019-2020;

2)  redução da taxa de desconto (diminuição da percepção de risco);

3)  entrada de capital estrangeiro; e

4)  gradual aumento da alocação para bolsa no Brasil, com cenário de juros baixos por mais tempo.

 

Vale ressaltar que o que o Presidente Eleito disser ao longo das próximas semanas antes da posse o mercado costuma não relevar mais, reagindo às declarações realizadas; ainda não existem muitos detalhes do que vai ser proposto e sobre as condições políticas para uma rápida aprovação da Reforma da Previdência, que tem o potencial de fazer com que as contas do governo aliviem dramaticamente sem flexibilizar a regra do Teto de Gastos Públicos (dentre outros detalhes basicamente os gastos púbicos não podem crescer mais do que a inflação; e saúde e educação devem crescer pelo menos o equivalente à inflação ou mais). Portanto temos que ficar atentos aos desdobramentos das propostas da equipe de Jair Bolsonaro nos próximos meses.

Nos próximos podcasts eu vou tratar dos conceitos essenciais de bolsa de valores e de renda variável para podermos tratar com mais liberdade e com mais flexibilidade assuntos sobre investimentos de renda variável. Continue acompanhando.

Espero que tenha gostado do episódio de hoje!

 

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Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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