Pessoas vegetarianas ou aquelas que por alguma razão desejam reduzir o consumo de carne tendem a ficar em dúvida se o consumo de proteínas vegetais possuem uma qualidade nutricional igual ou semelhante as carnes.

E para ajudar a esclarecer as dúvidas sobre proteínas vegetais foi publicada em 2020 na Nutrition Reviews uma revisão, na qual visou destacar a qualidade nutricional das proteínas vegetais e estratégias para utilizá-las de forma a atender as necessidades de aminoácidos, assim como avaliar os benefícios potenciais das mesmas relacionadas à função física.

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Qualidade da proteína

A qualidade de uma proteína é avaliada a partir dos aminoácidos presentes, os quais são adequados para garantir o crescimento e desenvolvimento humano e ser prontamente digerida e absorvida, como ocorre com a proteína de soja. Porém, isso não pode ser observado em todas as proteínas vegetais, podendo ser insuficientes em um ou mais aminoácidos essenciais.

Quando me refiro a aminoácidos essenciais, são aqueles aminoácidos que precisam ver da alimentação, já os não essenciais são aqueles que podem ser sintetizados pelo nosso organismo.

Apesar disso, esse fato não deve ser tido como uma preocupação se forem consumidas diversas fontes proteicas ao longo do dia, podendo assim haver a complementação dos aminoácidos presentes nos alimentos. Ainda sobre isso, o estudo evidencia que não é necessário combinar muitas fontes de proteínas complementares na mesma refeição, se o intervalo entre as refeições for curto, como algo em torno de 3h.

​Também, é importante ressaltar a importância fisiológica dos aminoácidos não essenciais e condicionalmente essenciais, muito encontrados nas proteínas vegetais. A proteína de soja é considerada de boa qualidade e, apesar de não conter tanta leucina quanto a proteína do soro do leite, contém três vezes mais arginina e de duas a três vezes mais glutamina.

Melhora de doenças crônicas

As proteínas vegetais são importantes pois foi relatado que o consumo de proteína vegetal em detrimento da animal, é capaz de reduzir os fatores de risco de doenças cardiovasculares em adultos por meio da redução de lipídios sanguíneos, tendo em vista que os alimentos fontes de proteína animal são compostos por certa quantidade de gorduras saturadas em sua composição. Ainda, pode contribuir para a saúde metabólica de adolescentes com obesidade. Apesar disso, não se deve considerar todas as proteínas animais como inferiores às vegetais para saúde cardiovascular.

Em relação à diabetes, foi concluído que o impacto total da dieta é mais importante do que a fonte proteica e, também, que a proteína animal pode ser consumida de forma equilibrada. Já a respeito do desenvolvimento de câncer, alguns estudos apontam que o consumo de carne está associado ao risco elevado de câncer colorretal decorrente de polimorfismos genéticos. Portanto, a substituição da proteína animal seria uma boa estratégia para reduzir esse risco em indivíduos com determinadas variantes genéticas. Apesar disso, os autores consideraram as evidências limitadas para confirmar os benefícios da proteína vegetal acima da proteína animal.

Cuidados nutricionais extras

Quando analisada em relação à propriedade funcional, foi sugerido que novos estudos fossem realizados com alimentos inteiros no lugar de proteínas isoladas, já que os alimentos vegetais possuem diversos compostos bioativos, como carotenóides e flavonóides, que conferem benefícios à saúde.

A substituição das proteínas animais por vegetais foi apoiada em termos de longevidade e foi encontrado efeito protetor renal quando consumido alimentos vegetais, o que pode ser justificado pelo efeito sinérgico das proteínas vegetais e seus compostos associados. Foi demonstrado que é possível sintetizar massa muscular consumindo proteínas vegetais de maneira equivalente às proteínas animais. Porém, a ingestão proteica deve ser aumentada para suprir a quantidade de aminoácidos necessários, principalmente de leucina. Esse consumo se torna mais fácil devido à grande disponibilidade de concentrados e isolados de proteína vegetal no mercado. Como proteínas em pó a base de ervilha e arroz.

Os antinutrientes

Um problema associado ao aumento da ingestão de proteínas vegetais é a presença de antinutrientes nos alimentos vegetais, que podem gerar efeitos prejudiciais, como intestino solto e efeitos autoimunes. Esses podem ser contribuintes da possível má digestão proteica (inibidores de tripsina e protease), má digestão de carboidratos (inibidores de alfa-amilase), má absorção de minerais (fitatos, taninos e oxalatos), além da interferência com captação de iodo pela tireóide (goitrogênicos), disfunção intestinal, inflamação e efeitos comportamentais (conversão de gliadinas de cereais em exorfinas).

Apesar disso, os antinutrientes também podem  proporcionar efeitos positivos. Quando presentes em baixos níveis, podem ajudar a reduzir a glicose sanguínea e o colesterol e triglicerídeos no plasma. As saponinas podem contribuir com a função hepática e reduzir a aglutinação plaquetária, além de reduzir o risco de câncer, enquanto os taninos parecem ter efeito antimicrobiano. Ademais, existem formas de redução da concentração desses antinutrientes em proteínas vegetais, incluindo imersão, fermentação, brotação, aquecimento, irradiação gama e tecnologias genômicas. Além disso, o processamento de alimentos também realiza esse processo, melhorando a digestibilidade da proteína.

Soja e a segurança quanto a alteração de padrões hormonais

O consumo de soja também é motivo de preocupação para algumas pessoas devido à presença de isoflavonas, compostos que possuem elementos de sua estrutura química semelhante ao estrogênio, podendo se ligar fracamente aos receptores de estrogênio. Essa preocupação gira em torno de impactos endócrinos e reprodutivos, porém essas teorias não possuem respaldo científico. O consumo de soja é considerado seguro e pode até mesmo ser considerado como fator de proteção ao câncer de mama. Porém, deve ser evitado em indivíduos com hipotireoidismo, pois a soja pode interferir na absorção de levotiroxina.

Por fim, o aumento do consumo de proteínas vegetais aumentou não somente em adultos, mas também em crianças, devido a tendência do aumento do movimento de adeptos ao veganismo e vegetarismo e saber destas informações são importantes, caso tenha o desejo de de aderir a estes movimentos ou apenas reduzir o consumo de proteínas de origem animal.

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