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Qual deve ser a primeira pergunta a ser feita antes de investir?

Muitas pessoas quando pensam em investir perguntam: qual é o melhor investimento? Esse não é o questionamento mais adequado. Qual a pergunta devemos fazer?

Qual é a cifra que quero ou preciso acumular ?

Nosso objetivo é ajudar a fazer com que você se transforme em um investidor inteligente que usa bem o dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida. Semanalmente compartilhamos dicas para construirmos caminhos que levam à conquista de objetivos e à independência financeira. Para ter acesso à essas dicas é bem simples: basta assinar ao podcast e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente.

Muitas pessoas quando pensam em investir acham que a principal pergunta que devem encontrar resposta é: qual é o melhor investimento? As perguntas costumam ser o direcionamento do nosso foco de atenção e da conversa interna que temos. Depois que esse questionamento é feito, as pessoas ficam procurando entre diversas aplicações, das mais simples às mais complexas, aquelas que trouxeram a melhor rentabilidade no ano ou em algum período anterior. Às vezes, diante dos números, ignoram os riscos e ficam se inundando de informações, o que tende a levar a pessoa a se dispersar e, por fim, a não investir. Então qual deve ser a pergunta mais importante ANTES de realizarmos qualquer investimento?

Quando decidimos investir, temos que ter um propósito. O dinheiro existe para nos servir e não ao contrário: ou ele serve para o consumo imediato ou de curto prazo ou ele é utilizado como reserva de valor para o uso no médio ou no longo prazo (pensando em algum investimento para a aquisição de um bem ou no investimento para a construção de alguma grande reserva). Portanto, a principal pergunta a ser feita antes de realizar qualquer investimento não é “qual o melhor investimento”. A primeira e mais importante pergunta é: qual é o seu objetivo? Você já parou para pensar nisso? Tem uma ideia bem esmiuçada, bem elaborada sobre qual é o seu objetivo?

A partir do momento em que começamos pensar sobre o que queremos com aquele recurso poupado, outras perguntas costumam surgir e algumas ideias estratégicas começam a aparecer. Qual é o montante daquilo que eu quero comprar, constituir ou construir? Primeiro nós devemos considerar se já temos algum dinheiro. Se sim, esse montante já pode fazer parte do objetivo final de acumulação. Se não, temos de considerar o valor integral daquilo que nós queremos.

Se é um carro, qual é o valor dele, à vista? Se a ideia não é comprar à vista, qual é o montante que eu pretendo acumular para poder dar uma entrada mais expressiva? Se é uma casa, qual é o montante que eu quero juntar para poder amortizar boa parte da aquisição, diminuindo o gasto com juros no financiamento? Ou se é uma aquisição à vista, qual que é a cifra? E se é aquela viagem com a família: quanto que tem que ser poupado para fazê-la? Ou então aquela graduação ou pós-graduação? Ou o seu objetivo é o fundo de emergência? Ou a sua aposentadoria? Você já entendeu: qual é a cifra que quero ou preciso acumular?

Qual é sua capacidade e tempo ?

A partir dessa ideia de alvo de investimento, do montante, nós já começamos a conceber uma segunda pergunta: quanto que eu posso poupar por mês? Saber com precisão qual é a sua capacidade de esforço de poupança é crucial para determinar os outros passos na definição do seu objetivo. E para saber o quanto você consegue poupar é essencial que você tenha um controle financeiro adequado de suas finanças, além de um monitoramento regular sobre como você está gastando seu dinheiro. A diferença entre realizar seus objetivos e não realizar está entre o que você faz ou deixa de fazer com seu dinheiro.

Sabendo portanto o tamanho do alvo, qual a sua capacidade atual de poupança (porque ela pode mudar), nós conseguimos ter uma noção de quanto tempo temos que nos esforçar para alcançar aquilo que estamos nos propondo a fazer. Um exemplo simples para a gente ilustrar: se hoje uma pessoa tem rendimentos de 3 mil reais líquidos e todos seus gastos regulares são de 2 mil reais, conseguimos saber que ela tem potencial de poupança de 1 mil reais. Porque eu falo “potencial”? Porque pode ser que a pessoa se esforce mais para poupar ou, dependendo do que ela fizer na vida financeira dela (talvez tenha alguma festa, talvez ceda algum apelo de consumo, etc), esse potencial pode ser diminuído em determinados meses. Se essa pessoa tem o objetivo de adquirir à vista um carro que custe 20 mil reais, sem pensar em matemática financeira, sem pensar em juros compostos, chegamos à conclusão que ela precisará poupar 1 mil reais mensais durante 20 meses – ou seja, pouco mais de 1 ano e meio.

Qual é a prioridade?

Durante nossa vida temos vários e vários objetivos e talvez a maioria deles envolva algum ou muito dinheiro. Recomendo que você faça o seguinte exercício: estabeleça quais são os seus sonhos, seus objetivos, esboce o que você quer fazer com seu dinheiro. Talvez uns 4 ou 5 objetivos mais relevantes te deem uma noção de conquista e realização financeira; e a partir daí (com montante e prazos esboçados) defina qual é a ordem de prioridade. Geralmente é muito desafiador manter um grande esforço por muito tempo para vários objetivos ao mesmo tempo – por isso é fundamental priorizar. Pense em como a realização, a conquista dessa meta vai melhorar a sua qualidade de vida. Qual é a prioridade? O que deve receber o seu foco, a sua energia, o seu esforço em primeiro lugar? Será que é possível conciliar mais algum objetivo dentro da sua capacidade de poupança atual? Ou é melhor manter o foco em uma coisa só? Tome muito cuidado com esse ponto, porque é aqui que muitos de nossos objetivos costumam se perder devido à falta de foco e a dispersão do esforço financeiro.

 

Então já definimos o que queremos (talvez uns 4 ou 5 objetivos), já definimos a meta de acúmulo de recursos para cada objetivo (que é o volume financeiro), sabemos qual é a nossa capacidade de poupança que vai produzir a estimativa de tempo – em meses ou anos – que precisaremos nos esforçar para alcançar a meta ou as metas, dependendo do que estabelecermos como prioridade.

Perfil de investidor

Outro ponto importante é descobrir qual é o seu perfil de investidor. Alguns são conservadores, preferindo aplicações em renda fixa; outros moderados, mesclando renda fixa com renda variável; outros mais arrojados, preferindo mais renda variável que renda fixa. A definição do seu perfil de investidor tem a ver tanto com o conhecimento dos diferentes produtos e mercados financeiros quanto a sua tolerância a oscilações em suas aplicações e os potenciais ou reais prejuízos nos investimentos. Se você conhece pouco sobre os diferentes produtos financeiros que existem ou está iniciando sua jornada nesse novo mundo, é aconselhável que comece com produtos de renda fixa, tais como Tesouro Direto, Certificados de Depósitos Bancários (o CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), por exemplo. São aplicações mais simples e mais fáceis de compreender. Dependendo do que se trata o objetivo e também do seu prazo de aplicação, mesmo sendo um investidor com perfil mais arrojado, pode ser interessante decidir ser mais conservador (intencionalmente), procurando opções em renda fixa. Enquanto você investe, acumula capital, dedique algum tempo a aprender sobre aplicações e instrumentos mais elaborados, pois em um futuro você pode utilizá-los em alguma outra estratégia de investimento – ou não.

Qual é o melhor investimento ?

E para finalizar, resta-nos responder a pergunta final: qual é o melhor investimento? Nesse momento você poderá pesquisar entre os diferentes produtos que existem, de acordo com seu perfil e as características do seu objetivo. Talvez seja necessário adequar o seu horizonte como investidor com o horizonte do investimento. No exemplo do nosso carro, se existe uma aplicação em que seu tempo de maturação é de 24 meses, talvez seja interessante aguardar um pouco mais. Tudo vai depender da característica do investimento escolhido. Aqui também podemos realizar alguns ajustes, pois já sabemos ou pelo menos teremos a estimativa da rentabilidade do produto financeiro. Aí é necessário realizar alguns cálculos que envolvam matemática financeira: é tranquilo encontrar pela internet alguma calculadora online gratuita que realize facilmente esses cálculos. O ajuste mais provável que talvez você precise fazer seja no montante mensal a ser poupado que tende a ser menor do que foi estimado até então.

 

Resumindo:

Primeiro definimos o tamanho dos objetivos estabelecidos.

Depois definimos nossa capacidade de poupança.

Em seguida estimamos o tempo de esforço para a realização do objetivo.

Depois priorizamos nossos objetivos.

Se ainda não estiver claro, definimos nosso perfil como investidor.

E por fim, pesquisamos os diversos produtos disponíveis para escolher qual é o melhor investimento.

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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