Ouça agora este podcast! “025 Qual deve ser o tamanho do seu fundo MÍNIMO de emergência?”

Quando falamos na construção de um fundo de emergência, daquela reserva que pode nos salvar em determinadas situações de risco, nos deparamos com várias vozes com discursos diferentes. Alguns especialistas falam que nós devemos ter um fundo constituído para 3 anos de gastos; outros falam que pode ser menos tempo e um recurso menor. Eu já gosto de adotar uma premissa mais flexível e razoavelmente personalizada, além de pensar em primeiros pequenos passos para depois conseguir dar passos mais largos. Diante disso, qual seria o tamanho de um fundo de emergência mínimo, de acordo com sua situação?

 02 Princípios básicos

Sempre gosto de lembrar que quando falamos de finanças pessoais existem princípios que devem ser respeitados para que as coisas fluam razoavelmente bem. Dois princípios básicos é pagar-se primeiro e o outro (que completamos “de tabela”) é gastar menos do que se ganha. Outro princípio é que devemos procurar investir bem nossas poupanças, a fim de que cresça a partir da mágica dos juros compostos e o dinheiro trabalhe pesado por nós ao longo do tempo. Esses e outros princípios devem ser respeitados; porém as estratégias para alcança-los ou conseguir concretizá-los podem variar de pessoa para pessoa, de situação para situação.

Falando no futuro

Um dos primeiros focos de investimento que oriento é na formação do fundo de emergência. Adianta muito pouco investir dinheiro para realizar grandes sonhos sendo que você não tem o mínimo de segurança financeira para sustentar longos períodos de investimento. Todos nós podemos ter imprevistos em nossas vidas: assim como nos investimentos, existe uma parte da equação da vida da qual nós não sabemos com certeza o que vai acontecer: estamos falando do futuro.

Todos estamos sujeitos a imprevistos ou emergências de saúde: sua ou de alguém próximo; perda de emprego ou queda ne receita no desenvolvimento dos negócios; sua casa pode sofrer uma inundação ou o telhado pode ser despedaçado por uma chuva de granizo; o carro pode ter um reparo emergencial que o seguro não cubra. Espero que nada disso aconteça com você, porém várias são as situações imprevistas e extremas que podemos ficar descobertos e costuma ser necessário ter algum dinheiro para poder passar por esses momentos de turbulência com mais tranquilidade.

O que é a reserva de emergência? De forma simplificada é o recurso financeiro destinado para cobrir situações imprevisíveis, de urgência e emergência em nossas vidas. Entra aqui aquele presente que você não conseguiu comprar? Não! Aquela viagem que você quer fazer com seus amigos? Não! Aquela conta atrasada que você não pagou porque gastou mais do que devia? Não! O ideal é que não!

 

O que eu devo considerar para construir a reserva de emergência?

Basicamente eu tenho que pensar em cima de algumas perguntas:

  • Qual é a ESTIMATIVA do seu PADRÃO DE VIDA? Você sabe o quanto você gasta por mês com sua sobrevivência?
  • Se ocorresse um grande imprevisto, qual o mínimo necessário de gastos para SOBREVIVÊNCIA? (Entenda que em uma situação adversa nós costumamos enxugar algumas despesas enquanto outras podem aparecer, mesmo que temporariamente)
  • Quanto de recursos financeiros já disponho?
  • Quais são as PROTEÇÕES, os SEGUROS que são adequados à minha vida nesse momento? Seguro de vida, seguro de saúde, seguro do carro, proteções para família, proteção pessoal, proteção de bens. Esse é um tipo de despesa com proteção que, caso seja utilizado, costuma economizar MUITO dinheiro, além de diminuir a necessidade de uma reserva muito grande.

 

Como que eu monto a minha reserva de emergência? Reforçando: os seguros que você tem devem estar incluídos na estimativa de suas despesas. Então, para exemplificar: digamos que uma pessoa tenha gastos médios mensais (não tem nada a ver com recebimentos, ok?) de R$ 3.000,00. Qual deve ser o tamanho da minha reserva de emergência mínima?

Eu costumo relacionar o tamanho da reserva mínima com o risco profissional da pessoa. Por exemplo:

  • Se você é funcionário público, você provavelmente tem mais estabilidade e certeza de seus recebimentos, além das garantias que os órgãos públicos costumam oferecer. Seu risco é menor, comparado aos outros tipos de profissionais que vou citar. Então, a sua reserva de emergência mínima deve ser de 3 a 6 meses de gastos; no nosso exemplo, de R$ 9.000 a R$ 18.000 de reserva mínima de emergência.
  • Se você é funcionário de empresa privada, de carteira assinada, ou mesmo funcionário comissionado de alguma esfera governamental, seu risco profissional costuma ser maior, portanto sua reserva mínima também tem que ser maior. Uma reserva adequada seria algo em torno de 6 a 10 meses de despesas básicas. No nosso exemplo: de R$ 18.000 a R$ 30.000 de volume financeiro para reserva de emergência mínima.
  • Se você é um profissional liberal ou empresário o seu risco profissional é alto, portanto a sua reserva de emergência deve ser maior também, de 10 a 18 vezes o valor correspondente às suas despesas: no nosso exemplo, algo em torno de R$ 30.000 a R$ 54.000

Observe que nessa abordagem, nessa estratégia eu deixo uma margem (de tal valor a tal valor, aproximadamente), visto que ninguém melhor que você para determinar as suas próprias necessidades. E lembre-se: é apenas uma referência.

 

Estimado o volume financeiro para sua reserva financeira mínima, quais são os produtos financeiros que devo pensar em deixar esse recurso? Primeiro é importante nós pensarmos que esse recurso financeiro tem que estar disponível imediatamente em caso de necessidade. Como eu disse: estamos falando de futuro e ele é imprevisível, ou seja, é necessário que esses recursos tenham liquidez. Outro ponto a ser observado junto com a liquidez é a segurança: esses recursos não podem sofrer oscilações negativas ou ter a possibilidade de perda. Diante disso, devem sim estar em produtos de renda fixa que respeitem esses dois critérios ao mesmo tempo.

Observe que nesse ponto da estratégia já temos mensurados o volume dos recursos a serem acumulados, a sua finalidade ou propósito (reserva mínima de emergência), o perfil do investimento (baixo risco). Isso constitui um objetivo bem estruturado. Os produtos financeiros mais indicados para essa finalidade são a Caderneta de Poupança, os fundos DI e também o Tesouro Direto, mais especificamente o Tesouro Selic. Existem outros produtos, é verdade, mas isso vai depender do seu perfil como cliente em instituições bancárias e do volume financeiro disponível para investimento, tanto inicial quanto mensal.

Você deve estar pensando: poxa, usar a Caderneta de Poupança que de alguns anos pra cá não rende muita coisa? Sim, mas com discernimento. Qual que é a ideia da reserva de emergência? Ter recursos disponíveis para o uso em uma situação de imprevisto e urgência. Daquele valor que você definiu, o montante que te oriento a deixar na Caderneta de Poupança é o equivalente a um mês e meio de despesas, nada mais que isso (de preferência em uma conta separada da sua conta de movimentação principal), o que, no nosso exemplo, seria algo em torno de R$ 4.500. O restante deveria ser aplicado em Tesouro Selic ou Fundos DI, nessa ordem. Lembre-se: não estamos procurando por rentabilidade, mas sim segurança e liquidez. E quanto mais seguros e líquidos os investimentos, menos rentáveis eles são.

Contudo, no volume total temos que prestar atenção à um fator invisível, mas que corrói o poder de compra ao longo do tempo: a inflação. Por isso a estratégia de deixar POUCO dinheiro na Caderneta de Poupança e aplicar o restante em outros produtos, que, no mínimo, vão zerar o fator inflacionário – você pode até perder para a inflação com aquele dinheiro que está na Caderneta de Poupança, mas o restante dos recursos bem aplicados compensa essa perda do poder de compra. O Tesouro Selic vai seguir as variações da taxa Selic e taxa Selic nunca dá zero e costuma sempre estar acima da inflação; os fundos DI vão procurar seguir a variação do CDI que é muito, muito próxima à variação da taxa Selic. O principal ponto a ser observado em relação aos fundos DI é o custo com taxa de administração: você deve procurar fundos bem administrados (para isso consulte o histórico nas lâminas de desempenho do fundo, geralmente disponíveis nas agências bancárias e na internet) e que tenha taxas de administração de no máximo 1% ao ano.

Você pode ter uma reserva de emergência mínima maior do que esses valores de referência e as ideias transmitidas nesse episódio? Claro que sim! Isso fica de acordo com seu conforto pessoal e a segurança que precisa experimentar em sua vida financeira.

 

Gostou dessa dica? Assine o podcast do Investidor Inteligente do DicasCurtas através do aplicativo de podcast de sua preferência. Assim, você receberá uma notificação sempre que um novo episódio estiver disponível. Conheça nosso time de experts através do site www.DicasCurtas.com.br. Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

 

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

Pin It on Pinterest

Share This