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No podcast de hoje vamos tratar sobre um produto de renda fixa que ainda não foi abordado no Investidor Inteligente. E para falar desse assunto, Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos vai nos dar uma aula sobre o assunto.

Fique ligado na entrevista sobre esse assunto super interessante!

Eu sou Phillip Souza, palestrante e consultor especialista em finanças pessoais e desenvolvimento humano, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e todas as semanas apresento o Investidor Inteligente, o podcast que te traz informações relevantes, orientações e estratégias valiosas que podem te ajudar a usar bem o seu dinheiro, seja para solucionar problemas financeiros ou potencializar sua vida financeira, de modo que você possa construir seus resultados com foco em qualidade de vida, aproveitando bem o presente e sempre cuidando do futuro, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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PHILLIP SOUZA: Hoje faremos um podcast diferente. Entrevistaremos Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos que é uma gestora de recursos independente especializada em Renda Fixa Crédito Privado, FIDCs, Imobiliário e Participações.

Em nome do Dicas Curtas e de todos os ouvintes, seja muito bem-vindo ao podcast do Investidor Inteligente, Daniel!

DANIEL PEGORINI: Muito obrigado, Phillip! Prazer estar aqui conversando com vocês. É sempre bom essas oportunidades que temos de conversar com as pessoas diretamente.

PS: Hoje vamos falar um pouco sobre crédito privado que é um tema que ainda não foi abordado no Investidor Inteligente e que pode ser mais uma alternativa de investimento para diferentes tipos de investidores.

E só para entendermos, queria que você desse uma abordagem rápida para que o ouvinte possa se situar, Daniel.

O que são créditos privados?

DP: Vamos lá, Phillip, como você mesmo falou, crédito privado é um tipo de investimento relativamente recente na vida do investidor brasileiro, em relação a uma série de conceitos anteriores nossos em relação ao Governo Federal, aos nossos problemas fiscais, etc, e o crédito privado começou a ter relevância no mercado de investimentos a partir dos últimos 2 ou 3 anos, aproximadamente.

 Como você falou, o que são créditos privados? Créditos privados são investimentos em que, basicamente, você empresta dinheiro para empresas e essas empresas, então, usam o seu dinheiro como forma de capital de giro, para fazer seus negócios, para crescer, para estoques, para fazer o financiamento de seus clientes, etc. Basicamente é o formato de investimento em que o investidor empresta o dinheiro para as empresas e as empresas fazem o uso desse dinheiro nas suas operações e depois devolve o dinheiro ao investidor corrigido por algum tipo de indexador.

PS: Diante do cenário de pandemia, como fica o retorno para o investidor de fundos de crédito privado? Quais os reflexos da atual crise? Há setores mais impactados do que outros? E quais as expectativas para recuperação?

DP: Vamos lá, Phillip: eu acho que de modo geral, o mercado acabou se mostrando bem resiliente ao investidor. Óbvio que você teve um primeiro momento, ali, principalmente, nos meses de março e abril onde o mercado de crédito privado teve um pouquinho de turbulência, mas nem um pouco comparável que foi a turbulência como nos mercados de ações. Os grandes fundos de renda fixa crédito privado acabaram até rendendo negativo nos meses de março e abril, algo como 2%, 1,5% negativo naqueles meses, mas nem perto dos 30% a 40% da desvalorização das ações, por exemplo.

 Essa reviravolta foi sim motivada pelo processo da pandemia, mas muito menos pelo problema que as pessoas acham, que é o problema de risco de crédito, ou seja, emprestar dinheiro para uma empresa e ela não me devolver aquele dinheiro do que pela questão de liquidez dos fundos.

 O que aconteceu lá no início foi que os investidores ficaram muito preocupados em não receber seus recursos, sacaram dinheiro dos fundos de renda fixa crédito privado, principalmente com prazos de resgate muito baixo (tipo D+0, D+1) e dentro desse contexto o gestor teve que produzir liquidez para pagar os resgates muito rapidamente e isso casou um aumento dos preços dos ativos. Quando o preço do ativo aumenta, isso faz um fenômeno nos fundos chamado marcação da carteira a mercado e acaba que o fundo pode render negativo. Isso não quer dizer, e acho que é muito importante esse conceito, um fundo de renda fixa dar negativo não quer dizer que o investidor perdeu dinheiro e sim que a partir daquele momento o dinheiro vai render mais até o momento do vencimento. Ele só perde dinheiro se ele saca o fundo, obviamente isso dentro do contexto de não ter um problema de crédito no mercado.

 Acho que essa pandemia acabou afetando esse mercado naqueles meses, mas os mercados já retornaram e já estão tendo um desempenho bem favorável dentro do contexto da crise.

PS: Investir em fundos de crédito privado continua sendo uma boa opção para a carteira, Daniel?

DP: Olha, Phillip, eu sou um grande defensor da dinâmica de pulverização de carteiras, ou seja, da diversificação de portfolios. O que eu vejo e sempre lembro é daquela velha regrinha que a gente ouve desde o tempo de nossas avós: “não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

 Então eu sempre sou um defensor de que as pessoas, os investidores nesse caso, tenham todos os tipos de ativos em suas carteiras, sejam fundos DI, na parte emergencial (fundo DI, tesouro direto, etc), sejam os fundos de renda fixa crédito privado, os fundos imobiliários, os multimercados e os fundos de ações.

 Eu continuo achando que a parte de renda fixa deveria ser uma parte importante na carteira da maioria dos investidores; apesar dessas turbulências eu garanto para você que os investidores perderam muito menos dinheiro na renda fixa do que na renda variável e nos multimercados ao longo dos primeiros momentos da crise. Ou seja, é uma demonstração cabal que os produtos de renda fixa crédito privado são muito resilientes às crises. Então eu continuo acreditando que o investidor deveria ter uma parcela razoável de seus portfolios em renda fixa crédito privado.

PS: Inclusive se a gente parar para pensar em termos de taxa Selic e tudo mais, o crédito privado acaba sendo uma alternativa interessante em termos de retorno.

E em relação a isso, há boas oportunidades para o investidor aproveitar nessa crise?

DP: Sem dúvida! Nessa crise a gente está vivendo uma situação muito incomum para nós, brasileiros. Pela primeira vez em uma crise você está vendo o governo brasileiro baixar as taxas de juros. Em todas as outras crises o governo brasileiro era parte do problema: quando uma crise começava ele tinha que subir as taxas de juros porque ele precisava se refinanciar e pagar taxas mais altas de remuneração.

 Nessa (crise) está acontecendo o contrário: o Tesouro tem baixa necessidade de curto prazo de financiamento e ele está baixando as taxas de juros. Dentro desse contexto, ele está empurrando os investidores para dar dinheiro para as empresas, para o mercado de crédito privado. E aí o mercado em si também está gerando boas oportunidades: hoje em dia você tem investimentos nessa linha de renda fixa crédito privado de empresas muito boas fazendo remunerações muito melhores em relação ao CDI do que estava, por exemplo, um ano atrás. Não estou falando aqui que a remuneração esteja maior nominalmente, mas em relação ao percentual do CDI essas remunerações estão bem maiores.

 Eu sempre acho que o investidor, Phillip, ele deveria ter na cabeça, na verdade perder um pouco essa memória do CDI e trabalhar com juro real. Na minha cabeça toda vez que você está fazendo um investimento em risco de crédito muito bons com uma rentabilidade próxima de 3% ao ano real, ou seja, 3% mais a inflação, já é um nível muito adequado para remuneração dos investidores sob uma perspectiva de risco de crédito muito bons.

PS: O mercado mudou bastante de um ano para cá e com essa crise essa mudança se acentuou muito. E muitos investidores do podcast do Investidor Inteligente, Daniel, são investidores iniciantes.

Então nesse contexto, como que um investidor menos experiente pode começar a investir nesses ativos? Quais os pontos de atenção?

DP: Vamos lá: eu acho que para começar, talvez você escolher fundos que tenham bastante prazo de existência; eu acredito muito em você verificar como que os fundos se comportaram durante outros momentos de crise. Se você é um investidor novato em crédito privado, procure fundos que tenham minimamente 5 anos de vida; por que que eu digo isso? Porque quando um fundo tem uns 5 anos de vida significa que aqueles gestores já trabalharam por um tempo razoável juntos, não é aquela dinâmica que eles acabaram de se juntar e, de repente, na primeira crise eles também vão se dividir. Então você olhar o prazo de vida dos fundos é uma coisa super relevante e, obviamente, como que esses fundos se comportaram em momentos de crise.

 Não quero dizer aqui que os fundos não deveriam passar incólumes pelas crises; o que eu quero dizer é que os fundos deveriam ter uma razoabilidade de retornos durante os momentos de crise. Então, por exemplo, se o fundo passou bem pelo período da greve dos caminhoneiros (maio do ano anterior, 2018), se passou bem pelo quarto trimestre de 2019 (quando se teve o primeiro problema de liquidez nos fundos de crédito), e mesmo que ela tenha tido março-abril negativo, mas ele retornou em maio a níveis razoáveis de rentabilidade, eu acho que isso são coisas muito importantes. Então a primeira coisa seria essa.

 A segunda a prestar muita atenção, como as taxas de juros estão muito baixas, os fundos têm que ter custos baixos de operação. Então aquela famosa taxa de administração, a taxa de gestão e administração dos fundos, têm que ter um nível de razoabilidade interessante. Você olhar hoje fundos que têm taxas superiores a 0,80%-1,00% ao ano de renda fixa crédito privado com certeza o gestor vai ter que trabalhar com um nível de risco muito maior que deveria para ele ter retornos condizentes com esse nível de rentabilidade para entregar para o investidor.

 O outro ponto muito importante é você olhar e checar o nível de liquidez dos fundos; você consegue verificar isso através de diversas ferramentas de mercado. Os fundos que têm uma característica mais líquida (D+0, D+1) tendem a ter uma rentabilidade um pouco menor; os D+15 (como é o caso do (Valora) Absolute aqui da Valora) têm uma rentabilidade um pouco maior. Então você ter um objetivo de prazo é muito interessante. O fundo de renda fixa crédito privado ele não é interessante para aqueles momentos em que você vai deixar o dinheiro investido por 1 mês: ele normalmente é indicado se você vai deixar o dinheiro investido por mais do que 6 meses, por exemplo. E aí você poder trabalhar dando, inclusive, um pouquinho mais de prazo: ao invés de você pegar os fundos D+0, D+1 pegar os D+15, D+30 já é uma dinâmica muito mais interessante sob o ponto de vista de risco de liquidez.

 Então esses três pontos eu diria para você:

  • olhar o histórico do fundo, um fundo com 5 anos de prazo;
  • olhar o custo do fundo; e
  • você ter uma perspectiva, um objetivo de prazo de resgate condizente com sua necessidade de prazo de investimento.

PS: É como eu costumo falar tanto com os ouvintes do podcast quanto com clientes que atendo: é importante a gente observar o histórico de rentabilidade porque isso mostra como que os gestores estão desempenhando, as crises que passaram, como que eles recuperaram daquelas situações de estresse (porque é muito trabalho em situação de estresse!); e também olhar a questão das taxas porque, querendo ou não, é custo para o investidor e é necessário porque tem gente trabalhando, tem gente direcionando os seus recursos para investimentos da melhor qualidade possível; e também esse ponto: tem que dar tempo do investimento maturar – não é querer retorno dentro de um mês em que você começou a investir, pode acontecer do investidor ter a situação de ter um mês ruim, mas isso não significa que isso vai acontecer nos próximos 12 meses, por exemplo. Então precisa de dar tempo para os gestores estarem trabalhando e aí você vai vendo essa performance ao longo do tempo e, se for o caso, ajustar mais adiante. 

 

PS: Daniel, e a situação de empresas que buscam crédito no mercado? Como deve ficar o ritmo para novas captações? Como fica o risco de inadimplência das companhias?

DP: É bem notório e de conhecimento de todos que as empresas estão sofrendo com esse processo da pandemia, da quarentena, em algumas circunstâncias geográficas, inclusive, o lockdown de determinadas áreas geográficas. Obviamente isso impacta bastante as receitas das empresas e algumas mais do que outras, então, Phillip, a gente acaba tendo impacto maior em alguns segmentos econômicos como, por exemplo, a parte de viagens, empresas aéreas, essa parte de turismo; mas você tem um outro conjunto de empresas que é bastante afetado: se você pegar a parte de vestuário, por exemplo, se pegar a área se locação de automóveis, esse tipo de coisa.

 

Essas empresas fatalmente terão um trimestre e talvez um pouco mais do que um trimestre bastante prejudicado em relação às receitas, mas eu também queria fazer até uma parte para dizer que essas companhias, as empresas brasileiras vêm de um período muito bom anterior. Talvez se a gente possa enxergar alguma coisa em que essa pandemia nos pegou, é que as empresas estavam no melhor momento de suas estruturas de capitais dos últimos anos: elas tomaram recursos muito longos e muito baratos ao longo do último um ano e meio, aproximadamente, reforçando a dinâmica do caixa delas, a dinâmica da resiliência delas como companhias. Isso obviamente facilita bastante.

 

Também teve uma série de ações governamentais: a gente tem visto uma série de medidas tomadas pelo Banco Central, pelo Governo Federal aliviando, por exemplo, a retenção de impostos como o FGTS, a retenção de impostos federais e governamentais, dos governos estaduais, também dando alívio de caixa para essas empresas.

 A nossa perspectiva aqui é que sim, você vai ter alguns segmentos mais impactados de maneira mais contundente, mas em grande parte os setores vão conseguir resistir ao problema do crédito nesse momento. Por quê? Porque você deve começar a ter o retorno de atividade dentro dos próximos meses e, obviamente, ninguém se espera que esse retorno de atividade seja aquele negócio onde você volta a 100% do que era antes da crise, mas você começa a ter um retorno. E a gente acredita que as empresas, fora alguns casos específicos, né Phillip? Vamos lá: quem já estava com problemas antes da crise só piorou, mas quem não estava com problemas, estava com uma dinâmica bem adequada de estrutura de crédito, a gente acha que vai sofrer, mas vai conseguir fazer a volta e se recuperar ao longo dos próximos anos.

 Então a gente não tem uma perspectiva de que se tenha uma onda de quebradeiras absurdas por conta disso; lembrado que quando se está em investimentos de fundo de crédito privado, esses fundos não estão dando dinheiro para pequenos restaurantes, pequenos bares, essas coisas: são companhias grandes que têm uma tradição, que têm uma linha de atuação no mercado muito importante e que estão sendo socorridas neste momento por várias entidades governamentais. Então, sob essa ótica provavelmente você não deveria ter problemas sérios na dinâmica das empresas ao longo do processo da pandemia.

PS: Como podemos avaliar as ações do Banco Central para conter a crise, com a compra de títulos privados?

DP: Essa metodologia e essa ferramenta de usar o Banco Central para atuação direta nos mercados de capitais foi uma coisa que surgiu na crise de 2008-2009, foi basicamente inventada pelo Federal Reserve, que é o banco central americano – eles que iniciaram uma dinâmica como essa – e os resultados foram muito bons: se você verificar a crise de 2008-2009 no mundo todo teria sido muito pior (e essas são as leituras que se fizeram depois com um conjunto muito grande de estudos que foi feito após a crise), se não tivesse havido aquela intervenção do Banco Central americano no mercado, inclusive, essa intervenção acabou criando uma dinâmica de intervenções nos países europeus, no próprio Japão, etc. Ele criou essa dinâmica e ela teve efeitos muito interessantes sob o ponto de vista de retomada da atividade pós-crise, aí todos os bancos centrais dos países considerados ocidentais acabaram adotando essa política na dinâmica de ser contra-cíclica da crise.

 O Banco Central brasileiro não foi diferente e, mais ainda, a grande vantagem é que o BACEN está em um momento em que tem muita capacidade de intervir, porque o governo brasileiro veio fazendo a lição de casa sob a dinâmica de não ter problema com dívida externa ao longo da última década e isso deu ao BACEN e ao Tesouro Nacional uma capacidade grande de atuação soba a lógica de intervenção para resguardar os interesses desse mercados.

 Então a gente considera que a atuação foi muito boa, foi em tempo muito bom, ou seja, em vários momentos e várias questões relacionadas à crise se precisava daquelas aprovações de Congresso, de Senado; nesse caso especificamente a atuação já estava dada, já estava expedida a não ser a atuação direta do BACEN comprando títulos privados e já foi dada também agora, mas foi muito rápido e esse é o ponto interessante porque provavelmente vai se refletir em um problema menor lá para frente para se resolver na dinâmica econômica.

PS: Qual o papel de uma gestora e como ela pode auxiliar o investidor, especialmente em momentos turbulentos como agora?

DP: Para vocês terem uma ideia, logo depois do Carnaval a gente já iniciou o processo de fazer um mapeamento, uma varredura de todas as nossas posições identificando e aí, com base no que estávamos vendo nos mercados externos, identificando setores e segmentos que seriam mais afetados. Temos por exemplo a parte de locadoras de automóvel, de turismo, mas você também tem os mercados de educação – você imagina, as pessoas perdem o emprego e você pode ter um nível de inadimplência maior nas faculdades e etc. – nos mercados de vestuário, como eu já citei.

 A gente já estava olhando isso na segunda metade de fevereiro, para você ter uma ideia… então quando as pessoas mal estavam se dando conta do tamanho do problema sob o ponto de vista sanitário, de saúde, a gente aqui como gestor já estava fazendo todo um trabalho em cima das carteiras de investimento.

 E eu acho que é exatamente isso, Phillip, que o gestor de renda fixa crédito privado pode ajudar muito: a maior parte das pessoas não vive diretamente de fazer investimento. Você não está ali 100% do seu dia olhando carteiras; normalmente você está com um portfolio de investimento e você acaba se preocupando com sua vida profissional, não com aquela carteira; você vê ela de vez em quando, não sempre direto. Nós aqui fazemos isso 100% do tempo. Para você ter uma ideia, nós saímos de várias posições no mês de fevereiro e ainda no início de março exatamente porque a gente tinha uma leitura de que aqueles setores seriam mais afetados pelo processo de progressão da crise que já sabia que viria.

 Para você ver que a gente basicamente estava basicamente pensado nisso tranquilamente com 2 meses de antecedência em relação ao investidor pessoa física e direto. E essa é a diferença que, no contexto como esse, a gente está 100% do tempo pensando e olhando para frente nas carteiras e imaginando o que pode acontecer. E aí é onde funciona muito bem o processo de gestão de um fundo porque a gente está 100% do tempo olhando essas dinâmicas.

PS: É isso mesmo! E para finalizarmos, Daniel, o que você poderia falar para o investidor iniciante, quais são as perspectivas, enfim, falar um pouquinho também do seu trabalho e o trabalho da sua equipe na Valora.

DP: Para começar, eu queria falar para vocês que estou no mercado financeiro desde 1995, 25 anos de mercado financeiro. Comecei minha vida profissional na Price e depois minha vida profissional e minha formação profissional foi no Banco Garantia e depois na Valora Investimentos, sou sócio da Valora Investimentos e sou o CEO da gestora desde o início.

 E nesses 25 anos de mercado foram 12 crises de tamanho grande. Então o que eu queria dizer para as pessoas que às vezes estão no mercado financeiro mais recentemente é dar um alento dizendo que essas coisas passam e que via de regra o mercado volta forte depois. O mundo não acaba, a gente sempre aprende muito com isso e usa muito dessa experiências das crises anteriores em situações como essa, mas essa experiência dá tranquilidade de olhar o mercado e também não ficar e não entrar em pânico, porque a gente sabe que os desdobramentos das crises entram em uma determinada racionalidade.

 E o que quero dizer às pessoas, o meu conselho para todo mundo é que não fique nesse momento pingando muito de lugar em lugar: sabe aquele negócio da dança das cadeiras? Me lembra muito das pessoas que ficam trocando de faixa no trânsito para aproveitar que está andando um pouquinho mais do outro lado. O que eu diria para as pessoas é: tentem não fazer isso muito e tentem estabelecer uma determinada linha de pulverização de suas carteiras, de seus portfolios, uma diversificação de seus portfolios e não ficar refazendo e desfazendo isso toda hora. Permaneçam onde estão por um prazo de 3 meses, 6 meses, reavaliando isso. Porque quando você fica mudando toda hora de faixa, você vai ver e você está atrás do cara que estava em sua frente em momentos anteriores. Por que? Porque os mercados financeiros eles basicamente são vasos-comunicantes: o que vai acontecer com um e com o outro acaba acompanhando com um certo atraso de um em relação ao outro, mas eles acabam se estabilizando e se compensando. Se determinados mercados ficaram para trás em determinado período, depois os outros vão andar mais devagar e esse vai andar mais rápido, é isso que quero dizer.

 Então um conselho que daria para um investidor que é novato é: não fique muito desesperado e com aquele medo de “não estou participando da retomada da bolsa” ou “não estou participando da retomada”: mantenha sua pulverização de carteira, mantenha sua diversificação nessas 4-5 classes de ativos que falamos anteriormente, porque isso é a melhor forma de você no médio-longo prazo você conseguir ganhar em todos esses mercados.

PHILLIP SOUZA: Bom, agradeço muito a sua participação no podcast do Investidor Inteligente! Foi um prazer estar conversando contigo, Daniel! Espero te receber em outras oportunidades e acredito que também que tudo o que a gente conversou aqui vai ser de grande valia para o investidor: um assunto novo no podcast do Investidor Inteligente e é mais uma visão de um outro especialista, com muito tempo de casa, com muita caminhada com 25 anos de carreira que pode estar contribuindo bastante para quem está dando os primeiros passos agora ou para quem já tem um tempinho trabalhando com investimento, investindo, construindo sua carteira. Te agradeço bastante a sua participação!

DANIEL PEGORINI: Nós é que agradecemos, eu, Daniel, e a Valora como gestora! Obrigado pela oportunidade de falar do nosso trabalho e eu realmente acho excelente ter esse espaço que, como você falou renda fixa de crédito privado é um assunto relativamente novo nesse mundo e para mim não é novo; então fico muito feliz que esteja sendo trazido aos holofotes e a tônica nesses períodos. Obrigado, Phillip, agradeço bastante pela atenção!

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira!

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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