Ouça agora este podcast! “082 Será que é seguro investir em CDBs de bancos menores?”

Conforme aprendemos no podcast anterior, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um produto financeiro de crédito privado. É uma das formas pelo qual os bancos captam recurso financeiro através dos poupadores em troca do pagamento de uma taxa, fazendo com que eles tenham a possibilidade de desempenhar a sua principal (e mais lucrativa) atividade: pegar dinheiro emprestado para emprestar. Os bancos podem emprestar boa parte do dinheiro que depositamos à vista ou a prazo. Depósito à vista é o montante que deixamos em nossa conta corrente. Existe uma limitação para o banco emprestar esse dinheiro, mas, em compensação, ele não nos remunera por isso. Já nos depósitos a prazo (que são os CDBs), cedemos determinado montante para o banco por um prazo previamente acordado e ele nos devolve esse montante acrescido de uma taxa de juros (pré ou pós fixada, assim como no Tesouro Direto). De forma simplificada é assim que funcionam os CDBs. Se você quiser mais detalhes escute o podcast anterior (nº 81) em que trato de forma bem esmiuçada como funcionam os CDBs.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas, informações e orientações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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Legislação

O CDB foi regulamentado pelo artigo 30 da Lei Nº 4.728, de 14 de julho de 1965 (Lei do Mercado de Capitais), mas os bancos só foram autorizados a emiti-los em 1966, através do Decreto-lei Nº 14, de 29 de julho de 1966. Diante disso, todos os bancos, independentemente do tamanho, podem emitir CDBs. E o investimento em CDBs em bancos menores será nosso tema de discussão nesse podcast.

Uma das coisas mais importantes e fundamentais que todo investidor inteligente deve se lembrar constantemente é que não existe retorno sem risco, ou seja, é o típico jargão-clichê que com certeza você já escutou: quanto maior o risco de um determinado investimento, maior o retorno esperado – sendo que o inverso também é verdade: quanto menor o risco de um determinado investimento, menor o retorno esperado. E vou mais além: o retorno, dependendo do ativo que se está operando pode ser positivo ou negativo. Jamais perca esses conceitos de vista.

O problema é que, apesar de muitos entenderem a relação risco e retorno, boa parte dos investidores não leva em consideração o risco do investimento no momento de decidir onde aplicar seu dinheiro. E aí você já viu: acabam assumindo um grau de risco maior do que aquele que gostariam ou poderiam assumir.

Por que investir em CDB de bancos menores é mais arriscado?

Vamos pensar sobre a resposta dessa pergunta com outra questão: por exemplo, se o Banco do Brasil e o nosso hipotético Banco XYZ oferecessem um CDB com a mesma rentabilidade, em qual você investiria?

Com certeza você já deve ter a resposta em mente. Não tem muito o que pensar: CDB do Banco do Brasil. Até porque não faz sentido investir num CDB de um banco “desconhecido” se existe um banco de grande porte que oferece a mesma rentabilidade. Bem simples, certo?

Com esse exemplo já ilustramos o primeiro problema dos bancos menores: para conseguir captar recursos, essas instituições precisam oferecem CDBs com rentabilidade superior aos CDBs dos bancos maiores, para compensar esse risco para o investidor. E a situação fica mais delicada e se agrava em momentos de crise financeira. Com medo da crise, a maioria dos investidores resgata seu dinheiro das aplicações mais arriscadas (dentre elas, CDBs de bancos menores) e os bancos pequenos, para continuar captando recursos, têm que oferecer rentabilidades ainda maiores que o habitual.

E aí surge outro problema dos bancos menores: em plena crise financeira, eles têm que pagar ainda mais caro para captar recursos. E essa bola de neve pode levar até à quebra da instituição, fazendo com que o investidor que ainda estiver com dinheiro aplicado tenha a possibilidade de perder bastante dinheiro.

Casos de quebras e aquisições

Uma das mais famosas grandes “quebras” de banco brasileiro foi o Banco Santos. O banco sofreu intervenção do Banco Central em novembro de 2004, por um suposto “rombo” de R$ 700 milhões, e teve sua falência decretada em 20 de setembro de 2005. Após a intervenção, o débito do banco foi recalculado e o Banco Central descobriu que o rombo, na verdade, era superior a R$ 2,2 bilhões.

Mas se engana quem pensa que essa situação foi um caso isolado e que “faz muito tempo que um banco não sofre alguma forma de intervenção”. Dentre os casos mais recentes, certamente o do Banco PanAmericano deve ser o mais conhecido.

A quebra mais recente foi a do banco Cruzeiro do Sul em que o rombo identificado foi de R$ 3,8 bilhões. No caso desse banco o Banco Central interviu após uma fiscalização constatar irregularidades nas contas do banco, como a existência de pelo menos 300.000 empréstimos fictícios, segundo jornais noticiaram na época. Com o avanço das investigações, os interventores constataram outras irregularidades. De acordo com uma reportagem da época, o Banco Central chegou a classificar o Cruzeiro de Sul de ser “uma grande lavanderia”.

Além desses, pelo menos três outros casos merecem destaque: bancos Morada, Matone, Schahin.

O Banco Morada foi o primeiro banco a ter liquidação decretada pelo Bando Central desde o Banco Santos. E isso ocorreu em outubro de 2011.

Já no caso do Banco Matone, que foi noticiado em março de 2011 como uma “fusão” entre ele e o Banco JBS, o que ocorreu na verdade foi um resgate, para que o banco não quebrasse. O FGC emprestou cerca de R$ 850 milhões, o equivalente ao rombo encontrado nas contas do Matone, e o JBS capitalizou o banco com R$ 1 bilhão, para fazer o novo banco funcionar.

Por fim, o Banco Schahin foi comprado pelo Banco BMG por R$ 230 milhões. Mas, na verdade, o banco mineiro BMG foi capitalizado em R$ 1,5 bilhão, principalmente para cobrir o rombo do Banco Schahin, comprado em abril de 2010.

Garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC)

Você já deve ter escutado sobre o FGC, o Fundo Garantidor de Crédito. Em poucas palavras, o FGC garante que, se um determinado banco quebrar, cada cliente receberá o dinheiro que estiver na conta corrente, poupança ou CDB (entre outros) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira; sendo que o teto de R$ 1 milhão para garantias pagas à mesma pessoa física ou jurídica em um período de quatro anos. Caso o cliente tenha um valor acima desse montante, ele é perdido; entra na falência do banco.

No entanto, para não ter que salvar uma grande quantidade de clientes em caso de quebras, o FGC tem optado por salvar os bancos, oferecendo crédito para que outros bancos comprem instituições financeiras insolventes. Então, muito provavelmente, se um banco pequeno vir a quebrar, outra instituição (geralmente grandes bancos) costuma entrar nas operações e adquirir o banco pequeno.

Para você ter noção do tamanho da proteção do fundo, de acordo com o último balanço do fundo em junho de 2018, 99,67% dos investidores estão cobertos pela garantia ordinária (até 250 mil por CPF), sendo que o montante provisionado é de mais de R$ 1 trilhão. É muito dinheiro.

Conclusão

É preciso analisar com calma, avaliar os riscos e ter muita cautela ao optar por investir em CDBs (ou qualquer outra aplicação) de bancos menores. O risco desse investimento é muito maior que investir em títulos públicos ou em CDBs de grandes bancos, por exemplo.

E, se após uma avaliação, você optar por investir nesses CDBs, atente-se ao limite de R$ 250 mil. É importante lembrar que esse limite é por CPF e por instituição financeira. Isso significa que se você investir R$ 250 mil no Banco A + R$ 250 mil no Banco B + R$ 250 mil no Banco C, terá R$ 750 mil garantidos pelo FGC.

Use essa garantia a seu favor.

O nosso podcast termina aqui; é claro que existem várias histórias e detalhes sobre os bancos menores, quebras, aquisições, aportes do FGC, processos, todo um “juridiquês” que vai além desse podcast.

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

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