Ouça agora este pocast!“049 Será que existe investimento de 1,5% garantido em renda fixa?”

Eu sou Phillip Souza, consultor financeiro, coach em finanças pessoais e terapeuta financeiro e meu objetivo é ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para alcançar seus objetivos de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida transformando-se em um investidor inteligente!

Todas as semanas estarei aqui com vocês compartilhando dicas, orientações, conversando sobre diferentes estratégias para construirmos caminhos que te levem a conquistar seus objetivos, a superar seus desafios e também a construir a sua independência financeira. Assinando ao podcast do Investidor Inteligente você pode acompanhar gratuitamente essas dicas que têm o poder de mudar a sua relação com o seu dinheiro.

Um ouvinte dos podcasts do Investidor Inteligente me enviou uma reportagem com o seguinte título “Investimento em renda fixa que promete 1,5% ao mês? Existe!”. Antes de começarmos a falar sobre o que se trata, vamos pensar sobre essa chamada. Primeiro: promessa de retorno já é um sinal de alerta para qualquer investidor, pois isso te induz a pensar em garantia e você pode, mesmo sem querer, se induzir a criar justificativas que deem embasamento a essa ideia, mesmo que elas não existam. Segundo: renda fixa com 1,5% garantido é meio complicado, pois pensa: se você investisse R$ 100.000 nessa aplicação teórica, todos os meses você teria R$ 1.500 garantidos. “Quando a promessa é muita, o santo desconfia”.

Já feito pelo menos essas duas ponderações, fui analisar o que se tratava. O artigo foi construído de forma a induzir ao leitor a sensação de “negócio do momento”, “muito bom mesmo” e “se você não está dentro, está perdendo” e coisas do tipo. Só fala do que se trata após de simular potenciais ganhos com esses percentuais “você prefere ter R$ 70 mil ou R$ 106 mil daqui cinco anos”? É um tipo de pergunta ousada e bastante provocativa, quando comparam o investimento em Tesouro Selic com essa aplicação. É óbvio que qualquer pessoa prefere R$ 106 mil daqui a cinco anos: mas a que preço? A que risco? Renda fixa presume-se ter baixo risco, concorda? Mas existem riscos, mesmo que seja na Caderneta de Poupança ou em um CDB Pré-fixado que você já sabe quanto que vai receber. Porém, com o termo “garantido” no título do artigo, presume-se que vai conseguir esse percentual independente do que aconteça: e pode não ser bem por aí.

O que é o negócio?

Depois de mostrar esse contraste de retornos e empolgar o leitor, apresenta-se o negócio: trata-se de uma forma de investimento chamada P2P lending (peer to peer lending) que, em uma tradução livre, significa algo como “empréstimo direto entre pares”. Basicamente você, investidor, empresta dinheiro diretamente para uma empresa de pequeno ou médio porte. Tradicionalmente você pode emprestar seu dinheiro para empresas tendo o banco como intermediário, através dos CDBs.

Porém o banco ganha bastante com essa intermediação, já que ele assume praticamente todos os riscos, especialmente o risco de inadimplência. Então, por exemplo, você coloca seu dinheiro no banco investindo através de um CDB e é combinado uma remuneração de 7% ao ano. O banco pega seu dinheiro e empresta ao mercado (empresa ou pessoa) e cobra juros de 70% ao ano. Fica nítido o spread entre o que você recebe e o que o banco ganha – porém, o risco, se der alguma coisa errada nessa operação, é do banco e ele tem que te remunerar de qualquer jeito mesmo se não tiver recebido o recurso do dinheiro que foi emprestado devido à uma potencial inadimplência, certo?

Qual é a proposta?

A proposta no P2P lending é melhorar a taxa para os dois lados. Para a empresa diminuir a cobrança de juros pago na contratação do empréstimo; para o investidor aumentar a remuneração dos juros pagos por emprestar o dinheiro. Em um exemplo hipotético, ao invés de pagar 70% ao ano, a empresa pagaria 60% e o investidor, ao invés de receber 7% receberia 15% – lembrando, isso é só uma ilustração. Daí vem a partezinha que ficou clara no artigo, mas é só uma partezinha que faz toda diferença: “se você investir na modalidade P2P o que pode acontecer de pior é você levar calote e nunca mais ver a cor do dinheiro”. Não era “garantido”? Não, não é garantido. Diferente de CDB, LCI, LCA que são produtos essencialmente bancários essa modalidade de investimento não tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. O risco é do investidor. Se você emprestar seu dinheiro para uma empresa e ela não pagar você perde o dinheiro e não tem ninguém para te reembolsar. Simples assim.

E como funciona?

Você entra em contato com uma empresa que faz esse tipo de intermediação, se cadastra e começa a escolher as propostas de investimento. A ideia é que essas empresas sejam intermediárias, aproximando o emprestador do tomador de recursos: por um lado selecionam empresas que buscam crédito, do outro buscam clientes que estejam interessados em emprestar a elas. Mas, diferente de um banco, essas empresas são apenas intermediadoras –  não contam com toda garantia do mercado bancário brasileiro e do Fundo Garantidor de Crédito, principalmente ao que tange aos produtos que realmente são considerados renda fixa.

Vale ou não vale a pena investir nessa modalidade?

Quem faz a seleção das empresas tomadoras de crédito são as empresas intermediadoras. Não tem como o investidor realizar essa seleção, como seria, por exemplo, no mercado de ações. O investidor seleciona o que já foi selecionado. Então, você teria que confiar no processo de análise das empresas intermediadoras. E segundo ponto: você tem que ter consciência que se levar calote seu dinheiro já era. Pode que você leve o caso para a Justiça e pode ser que você nunca receba seu dinheiro. Sim, sem firula: o risco é alto e o retorno não é garantido.

As empresas que fazem a intermediação desse tipo de negócio são muito novas, em média 2 anos de atuação. Isso é outro sinal de alerta. Poucos empréstimos foram realizados nessas operações, tanto por falta de conhecimento do público e, talvez, devido ao risco e dificuldade em analisar.

Resumindo: esse tipo de negócio, até então, não é renda fixa, não tem garantia e tem alto potencial de retorno negativo, ou seja, você pode levar calote e ficar no prejuízo.

Se você entende de investimentos e tem recurso para arriscar, vá devagar: é melhor manter a consistência nos investimentos sendo prudente em um caminho que tem menos buracos do que cair em uma ribanceira, se machucar todinho e só depois de ter perdido bastante tempo e dinheiro, recomeçar. Se você está pensando em investir e ainda não sabe analisar as informações, procure assessoria especializada. Você pode entrar em contato comigo através do meu site www.PhillipSouza.com.br e, pelo menos, realizar uma consulta pontual para traçar uma estratégia adequada para você, investidor inteligente! Avalie e cuide bem do seu bolso, ok?!

Espero que tenha gostado dessas informações.

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Ficamos por aqui e até a próxima semana com aquela dica do Investidor Inteligente!


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