Ouça agora este podcast!“073 Será que vale a pena fazer day-trade com pouco dinheiro?”

Quando falamos de operações em bolsa, para muita gente ainda vem a imagem de um trader que fica comprando e vendendo ações, lucrando ou perdendo milhões em operações arrojadas. Essa imagem meio que ainda está no senso comum. E, para quem já teve algum contato, sabe que não é bem assim.

Apesar disso, muitos investidores iniciantes são atraídos por esse glamour, essa adrenalina, de ser trader, no caso, day-trader. E muita gente ainda não tem a devida experiência com esse tipo de operação (em que a escola mais tradicional é a Análise Técnica), mas mesmo assim acha que consegue fazer com uma grande taxa de sucesso.

Nem sempre é assim, especialmente se tiver pouco capital; vamos pensar em alguns porquês.

Eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas e semanalmente trago aqui neste podcast, várias dicas, informações e orientações para ajudar a fazer com que você use bem o seu dinheiro para construir seus resultados de forma financeiramente saudável com foco em qualidade de vida, aproveitando o presente e cuidando do futuro, transformando-se em um investidor inteligente.

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Antes de qualquer coisa vamos entender o que é day-trade. Day-trade, dentro do ambiente de bolsa de valores, é realizar operações de compra e venda dentro do mesmo dia, seja comprando e vendendo ou, ao contrário, vendendo e comprando. São operações em que ambas transações são realizadas e concluídas dentro do mesmo dia: ou seja, você não fica com os ativos para o dia seguinte. Isso permite que você seja apenas um intermediário entre um vendedor e um comprador que também podem ser day-traders ou alguém que tenha uma filosofia de investimento diferente ou pode ser um fundo ou instituição financeira – simplesmente não tem como saber.

Quem compra quer comprar mais barato, quem vende quer vender mais caro – e assim poder lucrar mais. Então, dentro de uma operação day-trade, se você realiza uma operação de compra primeiro, a sua expectativa é que o ativo suba para que, dentro de alguns minutos ou horas você possa realizar a venda e lucrar com a operação. O raciocínio vale de maneira inversa: você pode realizar a venda de um ativo esperando que ocorra um movimento de baixa dos preços nos próximos minutos ou horas e, diante disso, realizar a operação de compra para liquidar a operação, obtendo lucro. Essa operação de vender primeiro para depois comprar costuma dar um nó na cabeça de quem não está acostumado. Vamos colocar números para ilustrar ambos exemplos para deixar ainda mais claro.

Operação de compra – expectativa: alta no preço do ativo. Compro um ativo ao preço de R$ 10, o ativo SOBE e vendo posteriormente por R$ 11 – tive lucro na operação.

Operação de compra – expectativa: alta no preço do ativo. Compro um ativo ao preço de R$ 10, o ativo CAI e vendo posteriormente por R$ 9 – tive prejuízo na operação.

Até aqui todo mundo entende. Vamos pensar no raciocínio contrário.

Operação de venda – expectativa: baixa no preço do ativo. Vendo um ativo ao preço de R$ 20, o ativo CAI e compro posteriormente por R$ 18 – tive lucro na operação.

Operação de venda – expectativa: baixa no preço do ativo. Vendo um ativo ao preço de R$ 20, o ativo SOBE e compro posteriormente por R$ 22 – tive prejuízo na operação.

 

Esses raciocínios são muito importantes para aproveitar tanto o movimento de alta quanto o movimento de baixa, qualquer que seja a operação e ainda mais nas operações day-trade. Se você não entender, recomendo que escute novamente essa parte com atenção, desenhe o que descrevi para que fique bastante transparente.

 

Geralmente, quando estamos falando de day-trade, as pessoas adotam a escola de Análise Técnica como filosofia-base para suas operações. Isso significa que esses traders procuram identificar através dos gráficos diferentes padrões de preço e movimento para poderem realizar suas operações de compra e venda, na expectativa que os preços realizem o movimento esperado. Na análise técnica, de forma supersimplificada, o trader lê os gráficos, avalia preços com base nas informações históricas, identifica regiões de suporte (onde teoricamente existe maior força compradora) e regiões de resistência (onde teoricamente existe maior força vendedora), verifica a tendência predominante, avalia o volume de cada momento no gráfico, procura identificar diversos padrões gráficos e padrões de candlesticks (que são as figuras formadas pelas barras de preço, seja individualmente ou em conjunto). Enfim: o trader usa as plataformas gráficas para ler o comportamento dos preços no mercado. E aí chegamos ao ponto em que quero tratar.

Quando um investidor abre uma plataforma gráfica, ele encontra vários tipos de gráficos, sendo que os mais comuns são os gráficos de barras ou os gráficos de candlesticks. Cada barrinha dessa representa um período de negociação. Por exemplo: se você abre o gráfico de candlesticks das ações de um banco com a periodicidade diária, isso significa que cada candle (cada vela) que você vê representa um dia de negociação. Se, nesse mesmo gráfico você aumenta a periodicidade, configurando a plataforma para mostrar um gráfico semanal, cada barra que você vê representa uma semana de negociação. E ao contrário também é verdadeiro: se você configura a plataforma para te mostrar gráficos intradiários (ou intra-day) você entra no ambiente em que as negociações day-trade costumam ser analisadas para que os investidores tomem sua decisão de especulação. Os gráficos intradiários mais comuns são os de 60 minutos (cada candle representa uma hora), 30 minutos (cada candle representa 30 minutos) ou 15 minutos (cada candle representa 15 minutos).

Com isso em mente vamos pensar no seguinte: digamos que determinado ativo tenha uma negociação média de 8.000 negócios por dia. São 8 horas de negociação por dia em um pregão. Eu sei que não é linear, mas vamos raciocinar dessa forma para facilitar o pensamento: digamos que a cada hora aconteça em média 1.000 negócios nesse ativo. A cada 30 minutos serão… 500 negócios. A cada 15 minutos serão… 250 negócios. O que é mais representativo: 8.000 negócios realizados ou 250? Com certeza 8.000 negócios.

O que quero dizer com isso: a chance de você errar em operações day-trade (e consequentemente ter prejuízos) são muito maiores do que operações com base no gráfico diário (chamadas de swing-trade) ou com base no gráfico semanal (que podem ser chamados de position-trade). Ou seja: para operar day-trade com uma boa taxa de acerto (e estou falando, se muito, algo em torno de 20% de sucesso das operações) você tem que praticar muito, ter uma habilidade técnica muito boa, e sim, isso só se consegue com a prática e com muitos prejuízos acumulados.

Segundo ponto: custo operacional. Não se opera na bolsa de graça. Você tem que pagar a taxa de corretagem para a corretora e isso representa um custo operacional que pode ser muito grande para quem quer operar day-trade com pouco capital. Isso varia muito de corretora para corretora, mas se você tiver pouco capital e fizer muitas operações e for acumulando muitos prejuízos, dentro de pouco tempo você quebra na bolsa. A corretagem costuma ser o maior custo, mas também existem outros custos como emolumentos e imposto sobre serviços que vem descritos na nota de corretagem ao final do dia. E, por fim, se você obtiver lucro no day-trade, você terá que pagar 20% de imposto de renda sobre o lucro.

Eu não sei o que você pode estar pensando como “pouco capital”, se esse montante seria R$ 1.000, R$ 5.000 ou R$ 10.000. O ponto é que, se você é iniciante (e na verdade até os veteranos), você pode errar bastante; errar muito significa ter prejuízos; ter prejuízos significa ter seu capital diminuído. Se você é iniciante na bolsa prefira começar por operações de mais longo prazo, de empresas mais reconhecidas (as chamadas bluechips) enquanto vai estudando análise técnica ou outras abordagens que permitam fazer operações no curto prazo. E sim, teste com pouco capital. Se o capital destinado a seu aprendizado virou pó, paciência: reveja seus aprendizados, avalie onde errou e também onde acertou, e continue.

Porém, se você não pode perder dinheiro assim, prefira outras formas de investir. O day-trade pode fazer com que você perca muito dinheiro se for inexperiente e se não tiver recurso financeiro e tempo para dedicar às operações e se desenvolver como day-trader.

E, claro, antes de qualquer investimento defina bem o que você quer como objetivo do investimento e o que pode fazer: se não tem reserva de emergência formada, por algum tempo esquece bolsa de valores e vai tratar de cuidar da sua segurança primeiro, enquanto estuda, namora e se inspira com o mercado de ações ou futuros.

Esse podcast termina por aqui. É claro que ele teve um tom um pouco mais técnico, mas também surgiu em resposta à um dos nossos ouvintes que deixou sua sugestão quando entrou no grupo exclusivo do Investidor Inteligente no Facebook que você também pode participar!

Responde tudo sobre esse tema? Claro que não; tem vários outros detalhes que dá para aprofundar no assunto e, em alguns deles, precisamos construir uma base mais bem fundamentada para podermos falar de operações em bolsa, das mais simples às mais arrojadas. Eu não sei se você já conferiu os episódios 60, 61, 62, 63 e 64: neles eu apresento de forma didática como que funciona o mercado de ações. Confere lá! Aproveita também para curtir a fan page do Investidor Inteligente e fique à vontade para deixar sua mensagem e seus comentários!

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Eu fico por aqui e aguardo sua participação!

Até a próxima semana com mais uma dica do Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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