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“112 Taxa Selic: mínima histórica”

 

Mais uma vez o COPOM cortou a Taxa Selic em 0,50 ponto percentual, renovando a mínima histórica da taxa básica de juros, que agora está a 5,00% ao ano. É o terceiro corte seguido: no início de agosto teve um; em meados de setembro mais um e no final de outubro outro corte.

O que isso significa? Muitas coisas. Dentre elas: 1) o custo do dinheiro na economia fica ainda mais barato e 2) os investimentos em renda fixa tendem a render ainda menos. Isso é bom. Como a inflação, até então, está muito bem controlada não justifica ter Taxa Selic elevada.

Mas por que entender sobre esses movimentos é importante? Porque isso tudo traz implicações para o seu bolso: seja você que está endividado, seja você que é investidor.

Esse é o podcast do Investidor Inteligente e eu sou Phillip Souza, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas que todas as semanas traz para você respostas sobre a vida financeira, informações diferenciadas e didáticas, orientações e estratégias valiosas que podem te ajudar na importante tarefa de cuidar bem do seu dinheiro, seja para sair das dívidas, seja para investir, seja para aprender sobre como organizar suas finanças, de modo que você possa usufruir e aprender com o seu presente e construir e cuidar do seu futuro, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

 

Esse podcast é gratuito e, portanto, você pode assiná-lo para não perder nenhuma dica, ficar por dentro com todas as informações e acompanhar todas as semanas o Investidor Inteligente do Dicas Curtas.

Apesar que existem várias vozes no mercado (a minha é só uma delas) dizendo várias coisas, as mudanças que a economia brasileira vem experimentando no curtíssimo prazo trazem impacto significativo no seu bolso.

Em cerca de 90 dias a Taxa Selic saiu do patamar de 6,50% aa para 5,00%: nas últimas três reuniões do Comitê de Política Monetária (COPOM) aconteceram cortes de 0,50% em cada reunião. O efeito desses cortes na economia real não costuma ser sentido de imediato. Talvez experimentemos isso daqui uns 2 ou 3 meses quando o custo do dinheiro passa pela cadeia produtiva até, talvez, chegar ao consumidor. Porém, em outras áreas do mercado o reflexo é quase que imediato: principalmente em relação aos investimentos. Mas vamos por parte.

Por que essa diminuição da Taxa Selic é tão importante e o que muda na sua vida? Depende do que você está fazendo: se está resolvendo problemas financeiros ou se está construindo patrimônio. Se você não sabe bem o que é Taxa Selic, aconselho você ir lá no episódio #92 e escutar; lá apresento de forma mais didática e detalhada o que se trata essa taxa tão importante na economia brasileira.

Para estruturar nosso raciocínio, vamos dividir o pensamento em 3 possíveis situações: pessoa endividada; pessoa em formação de reserva de emergência; pessoa que já tem reserva formada e está investindo para alcançar outros objetivos.

 

O que a diminuição da Taxa Selic muda para uma pessoa que está endividada?

Quem tem dívidas sabe que está sendo cobrado juros em cada parcela paga de um empréstimo ou financiamento. E dependendo do tipo da dívida, isso pode significar dinheiro jogado no lixo. Mas, independentemente disso, é uma situação que precisa ser resolvida. De forma bastante simplificada, quando a Taxa Selic cai, é muito provável que as taxas de juros (para o consumidor) também vão baixar, o que estimula as pessoas a comprarem mais e a comprar a prazo, o que aumenta o consumo. Por outro lado, ao aumentar a taxa de juros, o Governo inibe o consumo das pessoas.

Na teoria, a taxa básica de juros vai servir de referência para os juros cobrados pelas instituições financeiras. Assim, com uma taxa Selic a 5% ao ano, em sua mínima histórica, as instituições financeiras tendem a diminuir as outras taxas de vários outros tipos de empréstimos e financiamentos. Há uma tendência de os bancos reduzirem os juros do cheque especial, por exemplo, mas não na mesma proporção.

As taxas mais relacionadas com a Taxa Selic no Brasil são de capital de giro, empréstimo para pessoa física e cartão de crédito. As menos relacionadas são as de mais longo prazo, como financiamento imobiliário.

Além de influenciar os juros cobrados pelos bancos, as flutuações da taxa básica têm impacto igualmente no ânimo das instituições financeiras em conceder crédito. Se a Selic sobe muito, os bancos vão ter um custo mais alto para captar recursos, caso precisem de dinheiro. Então, vão ser mais seletivos na concessão de crédito. Porém, com a taxa mais baixa, o banco terá que emprestar um volume maior de recursos a um número maior de clientes, se quiser manter a mesma rentabilidade.

Para você que está resolvendo sua situação financeira, é aqui que mora a oportunidade para ficar muito atento: se você já contratou um empréstimo ou financiamento, as flutuações da Selic não vão alterar as taxas de juros cobradas. Para contratos pré-definidos já efetuados, nada muda. Porém, se você fez um empréstimo há algum tempo e está pagando as prestações, com a Taxa Selic baixa, é interessante buscar uma portabilidade de crédito, fazer uma renegociação desses valores, podendo buscar até outra instituição. Isso vale para financiamentos de imóveis, veículos e crédito pessoal.

Pode dar um pouco de trabalho em relação a documentação, mas todo esforço em prol da diminuição do custo do empréstimo é extremamente válido. Quanto menos juros forem pagos no processo de eliminação das dívidas, mais rápido você sai dessa situação, pode se tornar investidor e mais próximo você fica dos seus tão desejados sonhos que dependem de poupança e investimento.

 

O que a diminuição da Taxa Selic muda para uma pessoa que está formando a reserva de emergência?

Para quem está em processo de formação de reserva de emergência, muda pouca coisa. Lembre-se: os recursos da reserva de emergência devem estar em aplicações financeiras que 1) sejam seguras, 2) tenham liquidez e, se possível, 3) tenham uma melhor rentabilidade. Ou seja, estamos falando basicamente de produtos de renda fixa, sejam ativos individuais ou mesmo fundos de investimento.

Muitos investimentos em renda fixa são ligados à Taxa Selic, como um dos papeis do Tesouro Direto, que é o Tesouro Selic. Além do mais, a Taxa Selic é utilizada, por exemplo, na correção do valor da restituição do imposto de renda e ela também influencia o CDI e, consequentemente, os CDBs, as LCIs e LCAs, por exemplo. Consequentemente, a diminuição da taxa Selic pode diminuir a rentabilidade dos fundos de renda fixa, principalmente os mais conservadores que costumam ter muitos desses ativos que citei em sua carteira. Não tem jeito, afeta a rentabilidade dos produtos de renda fixa sim.

E aí é que você tem que continuar firme e focado em seu propósito: formar sua reserva de emergência. Tesouro Selic, CDB 100% CDI com liquidez diária, bons fundos de investimento em renda fixa com taxa de administração o mais baixa possível com o melhor histórico de retorno possível. Dependendo do tamanho da sua reserva, depois de alocar metade ou um terço dos recursos em aplicações bastante conservadoras, TALVEZ pode-se pensar em algum fundo de inflação com as mesmas características: segurança, liquidez imediata e bom histórico de retorno com o menor custo em taxas possível – isso pode diversificar os recursos em reserva de emergência, mas depende muito do montante que precisa ser acumulado.

Deixar dinheiro na Caderneta de Poupança é errado? Depende. Se você tem muitos recursos financeiros alocados em Caderneta de Poupança, sim, é um erro – bem grande. Se não sabe o que fazer, procure os episódios do Investidor Inteligente que tratam dos produtos financeiros que citei que você terá mais clareza e vai sair da Caderneta de Poupança; se precisar de ajuda para algum planejamento nesse sentido, é só entrar em contato comigo. Porém, hoje, particularmente, eu vejo a Caderneta de Poupança como um tipo de aplicação de liquidez imediata; se for deixar algum recurso aplicado, deixe bem pouco, talvez, no máximo cerca de R$1 mil ou próximo disso. Finalidade? Liquidez imediata, especialmente aos finais de semana.

Portanto, para quem está formando reserva de emergência: mantenha o foco, continue se esforçando e investindo seu dinheiro nos ativos que tenham segurança e liquidez. Não é hora de usufruir de rentabilidade. Enquanto isso, estude. Eu deixei um PDF no grupo do Investidor Inteligente no Facebook com algumas indicações de livros que podem ser interessantes para você amadurecer sua mente como investidor. E isso tem tudo a ver com o próximo ponto.

 

O que a diminuição da Taxa Selic muda para uma pessoa que está investindo para alcançar outros objetivos?

Enquanto para quem está endividado com cheque especial ou compra a prazo, a Taxa Selic mais baixa é ótimo; para quem está formando sua reserva de emergência tem impacto em termos de rentabilidade, mas não em termos de propósito. Porém, para quem tem aplicações em renda fixa além da reserva de emergência, a taxa mais baixa significa menos retorno, menos rendimento nos próximos meses.

Bom, e aí? Pode ser meio redundante, mas a decisão sobre o que fazer depende do seu momento de vida, dos seus objetivos (se de curto, médio ou longo prazos) e principalmente, do seu nível atual de conhecimento e perfil de investidor, que é sua tolerância emocional às oscilações.

Se você tem objetivos de mais curto prazo (até uns 2 anos) pode ser adequado alinhar o horizonte dos investimentos e o nível de risco a esse horizonte: provavelmente estamos tratando de uma estratégia mais conservadora. Se o objetivo é de médio prazo (de 2 a 5 anos, mais ou menos), talvez possa surgir uma mescla entre ativos conservadores e mais arrojados; e se os objetivos são de mais longo ou longuíssimo prazo (acima de 5 anos, idealmente acima de 10 anos), provavelmente o recurso direcionados à essa janela de tempo podem ser mais arrojados.

Só que isso tem dois balizadores: o que você conhece em relação a investimentos e o que você tolera de risco, emocionalmente falando. Se você ainda não sabe como funcionam ativos mais arrojados e tem interesse em se desenvolver, é hora de estudar (o material que disponibilizei no grupo já te traz um bom ponta pé inicial). Todo investidor hoje precisa, no mínimo, primeiro conhecer na teoria e depois arriscar um pouco de capital para praticar, para entender como funciona, em experiência pessoal, o mercado de renda variável. Se mesmo depois de estudar não tem tanta certeza do que está fazendo, comece com pouco. Rapidinho você entende o funcionamento da operacionalização das plataformas de investimento.

Porém, mesmo depois de estudar e experimentar você pode chegar à conclusão que o sobe e desce, as oscilações dos ativos em renda variável não são para você – e, sim, você pode se contentar com o nível de risco conservador entendendo que não vai ter tanta possibilidade de crescimento patrimonial expressivo. Tem gente que opta por esse caminho e não tem nada de errado com isso.

Ou sim: o sobe e desce, as oscilações dos ativos em renda variável são para você! É claro, eu tenho pleno entendimento que o mercado de capitais, especificamente o mercado de ações, por exemplo, ainda mais aqui no Brasil, precisa desenvolver demais. É um embrião em termos de tamanho comparado a outros pares aqui mesmo na América Latina. Mas para você, individualmente, não perder dinheiro à toa, é necessário saber o que está fazendo e fazer com o mínimo de instrução e estratégia possível. Por isso que eu sempre bato na mesma tecla: quer investir em renda variável sabendo o que está fazendo? Estude.

Claro que você pode delegar essa função para um administrador de carteira credenciado pela CVM ou ter uma consultoria de valores mobiliários com um consultor cadastrado pela CVM ou mesmo seguir as recomendações dos analistas de sua corretora; mas a maioria dos investidores que atendo querem investir por conta própria sabendo o que estão fazendo. Tem perfil e gosto para todo mundo.

O ponto é: com a Taxa Selic ainda mais baixa, se quiser retorno expressivo, vai precisar migrar os recursos para ativos menos conservadores: fundos imobiliários, bons fundos de ações, fundos de índice, ações, e vários outros produtos disponíveis no mercado.

 

Espero que tenha gostado do episódio de hoje! E lembre-se:

  • Alinhe o horizonte de seus objetivos com o horizonte dos investimentos: se prazo mais curto, investimentos mais conservadores; se prazo mais longo, talvez, investimentos mais arrojados;
  • Estude, aprenda, leia, teste com pouco capital para poder sentir como que funciona aquilo que você já sabe na teoria;
  • Alinhe seus investimentos à sua tolerância emocional ao risco: se você respeitar isso, por mais que seus investimentos cresçam menos (nesse caso por opção e não por ignorância), você vai conservar sua saúde emocional e sua qualidade de vida. Ninguém precisa sofrer de insônia, depressão ou ansiedade porque investiu aquilo que não podia em ativos arrojados que não sabia e nem entendia como que funcionavam.

 

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O link vai estar disponível na descrição e na transcrição desse episódio!

 

Ficamos por aqui e até a próxima semana com mais uma dica para a sua vida financeira!

 

Aqui é Phillip Souza, o Investidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

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