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O indivíduo que sofre de oniomania é incapaz de lidar com os próprios impulsos – mesmo quando está cheio de dívidas.

É um transtorno delicado e pouco entendido e que a maioria das pessoas entendem como falta de responsabilidade financeira e até falta de vergonha na cara. Mas o transtorno é algo mais sério com diferentes implicações. Entenda nesse podcast o que se trata esse transtorno.

O Investidor Inteligente é o podcast sobre Finanças e Investimentos apresentado todas as semanas com um propósito muito especial: te ajudar a desenvolver uma visão mais elaborada em relação às suas finanças e te oferecer informações relevantes de qualidade sobre dinheiro, além de orientações e estratégias valorosas que podem te dar o clique necessário para você usar bem seus recursos financeiros seja para solucionar seus desafios, seja alcançar seus mais ambiciosos objetivos.

Eu sou Phillip Souza, consultor em finanças e psicoterapeuta financeiro, mentor em educação psicofinanceira especialista em inteligência financeira, o expert em Finanças e Investimentos do Dicas Curtas. Você me encontra nas diferentes redes sociais através do @phillipsouzabr e também no meu canal no YouTube, Phillip Souza.

Meu propósito é destravar a sua mentalidade e te ajudar a entender que a prosperidade também é para sua vida: ao usar bem o seu dinheiro você pode desfrutar de qualidade de vida, fazer com que ele sobre e investi-lo para realizar seus sonhos e objetivos! Assim você poderá aprender a evoluir e se comportar de forma mais sábia e próspera em relação às suas finanças, transformando-se em um investidor ainda mais inteligente.

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Ouça “202 Será que você sofre de ONIOMANIA?” no Spreaker.

Finalmente, ele está lá. E é todo meu. Completamente meu. Posso fazer com ele o que eu quiser, já que lutei por isso. Durante dias e dias da minha vida sonhei e, vejam só, agora ele é meu. Meu precioso…”, pensou ele, sorrindo. Os olhos brilhavam. Sentia-se maduro e via um horizonte repleto de oportunidades. De repente, o mundo se expandia, a mente alcançava possibilidades jamais atingidas. Ele era capaz de absolutamente tudo. O mundo era dele. Seu primeiro salário tinha acabado de cair na conta, que se sentia completo.

Os problemas começaram justamente com aquela primeira recompensa: o dinheiro não sobreviveu por muito tempo na conta bancária. Os gastos cresceram de forma irresponsável e sem filtro de julgamento. O tempo foi um potencializador das dívidas que, descontroladas, se multiplicavam. Assim, a sensação de liberdade e as possibilidades vistas naquele primeiro momento se transformaram em uma verdadeira prisão. Ele já não via mais saída e não tinha conhecimento sobre como liquidar todas as dívidas.

Perdeu a conta de quanto precisava pagar, perdeu a confiança dos amigos, dos familiares. E nessa situação, ficou bravo, com raiva, desesperado, sentiu vergonha e medo. Parecia estar no fundo do poço. Tempos depois descobriu que sofria de oniomania – ou a compulsão por compras.

Essa é uma história fictícia que pode refletir a realidade de muitas pessoas que sofrem do vício em compras. O primeiro sinal do transtorno é a impulsividade – e é claro que isso também vale para outros vícios: o momento crítico é aquele em que a pessoa não consegue resistir a um determinado estímulo. Em segundo lugar, como um segundo estímulo, surge a compulsividade. Essa compulsividade pode ser exemplificada com a ideia de que a pessoa enquanto trabalha, namora, estuda, ela permanece pensando em fazer compras. Depois, esse vício começa a gerar prejuízos financeiros, sociais, afetivos, profissionais e, por fim, cria um estreitamento de repertório. Pensando nesse sentido, a vida bem vivida é formada por diferentes prazeres e estímulos: um oniomaníaco só consegue olhar para um desses estímulos, que é realizar compras.

Como pode começar a oniomania?

Quando estamos falando de qualquer transtorno psicológico raramente ou talvez nunca conseguimos precisar, dizer exatamente que tem uma causa maior e definida. Há várias razões para o desencadeamento de um vício em compras assim como qualquer outro transtorno. De uma perspectiva genérica, a oniomania ocorre por conta de algo relacionado à um mecanismo de compensação. A compra é usada como mecanismo para que a pessoa fique feliz quando não está. É como um anestésico para evitar que se sinta dor em relação à algum aspecto da própria vida que não está resolvida ou, como é muito comum, alguma ferida traumática não curada.

A compulsão pode começar pelo distúrbio dos gastos excessivos. Nesse caso, o uso do dinheiro vai além do que é necessário procurando obter conforto, segurança, afeição, completude gastando em excesso. É um entendimento inconsciente em que as atitudes de dar e receber (alguma coisa que foi comprada) significa a construção de um relacionamento entre as pessoas.

O foco da pessoa fica concentrado em comprar; e isso vai ficando cada vez mais intensificado, transformando-se em uma compulsão: vira uma espécie de obsessão, uma preocupação excessiva em relação ao ato de comprar. E quando a pessoa fica impedida de realizar uma compra por qualquer que seja o motivo, seja ele por restrição financeira, seja por indisponibilidade do meio (por exemplo, estar sem internet ou esquecer a carteira com dinheiro e cartões) sente uma inquietação avassaladora, que, para alguns pode se assemelhar à ansiedade – e pode até ser, mas não necessariamente.

Muitas podem ser as origens desse tipo de distúrbio sendo que as mais comuns são as privações crônicas no passado, episódios que tenham gerado vergonha, ou mesmo situações que tenha envolvido algum tipo de agressão… gerando crenças fundamentais de que “dinheiro não tem importância”.

Eu lembro de uma vez que atendi uma pessoa em que estava comprando tudo o que via pela frente, de forma aparentemente compulsiva, e, ao mesmo tempo, ela queria realizar alguns sonhos importantes: naquele caso, além de organizar a vida financeira e ter recursos disponíveis para prioridades importantes (como a Reserva de Segurança), o sonho maior era levar a filha à Disney, enquanto a menina ainda era criança.

Em uma das práticas terapêuticas, fizemos um exercício de visualização bem simples em que fomos investigar um pouco melhor a origem daquele comportamento. Não foi a única intervenção, mas eu lembro que uma das maiores dores (tanto que ela chorou bastante) estava relacionada à privação alimentar que experimentou na infância. Ela me descreveu que a filha dela estava em pé ao seu lado, pedindo uma uva e que ela não tinha dinheiro para comprar a uva – e isso despertou uma série de emoções muito intensas que a levou aos prantos.

Esse foi o princípio para que ela começasse a entender a causa, pois a partir dessa pista chegamos a histórias muito antigas de que ela tinha passado restrição quanto a alimentação na sua própria infância (seus pais não geriam bem os recursos que dispunham, além de ser um tempo difícil, economicamente falando) e esse era o trauma: o medo de não ter dinheiro nem para comprar comida para a própria filha. Pasme: ela recebia muito bem, estava progredindo profissionalmente e era a gerente de projetos de uma empresa de médio porte. Recebia algo em torno de uns R$9.000: mas não sobrava nada porque ela consumia muito sem necessidade. É claro que não teve só esse contexto para ser resolvido, mas foi um dos principais que estava fazendo com que ela comprasse muitas coisas sem necessidade e de forma descontrolada.

Portanto, a ênfase está no gastar: as pessoas com que sofrem de oniomania compram para se sentirem conectadas tanto ao outro quanto conectadas a si mesmas. Precisam, de alguma forma, se sentirem importantes e amadas e acabam encontrando essas sensações nas compras que fazem.

É muito comum existir todo um ritual para se fazer as compras (hora, local, pessoas específicas, roupa específica, etc) e esse transtorno trata-se de uma fuga temporária do passado traumático, fuga de uma depressão, insatisfação com seus relacionamentos ou com a vida, muitas vezes gerando o sentimento de vazio que é suprido temporariamente pela satisfação de comprar, de gastar dinheiro com aquilo que é objetivo de obsessão.

O gasto excessivo de tempo para comprar

Assim como qualquer transtorno psicológico não tratado e, nesse caso, também um distúrbio financeiro grave, a oniomania (ou seja, a compulsão por compras) provoca sofrimento – e, como qualquer coisa na vida, o impacto não é só financeiro: os prejuízos e sofrimentos também acabam sendo sentidos pelas pessoas ao redor, principalmente os mais próximos, bem como no desenvolvimento do trabalho e na relação com os amigos.

Um possível traço de compulsão por compras pode estar relacionado não ao ato em si de gastar o dinheiro, mas no gastar excessivo de tempo com avaliação de algo que nunca vai comprar.

Como praticamente a maioria das coisas que fazemos está conectada com a internet, é muito fácil de se perder e gastar horas e horas navegando em sites de compras (sem as grandes lojas ou lojas pequenas) e, no final das contas, acabar por não comprando aquilo que foi pesquisado, desejado. É como se o processo de compra fosse o ápice do prazer, não necessariamente a compra de fato. E é claro, isso traz os prejuízos sociais, familiares e profissionais: pois imagina só fazer isso todos os dias durante as horas de trabalho? Mais cedo ou mais tarde essa pessoa vai ser demitida, tendo prejuízos profissionais e financeiros, no mínimo.

A nossa sociedade é muito direcionada para o consumo – e isso, aparentemente, não é um problema. Contudo, para pessoas que têm um transtorno compulsivo, isso é um prato cheio para alimentar cada vez mais essa compulsão. Quem não consegue fazer a gestão dos seus impulsos por compra é incentivado o tempo todo a comprar, a gastar, a usar o recurso gerado a partir de suas fontes de renda e não tem os mecanismos psicológicos para se proteger.

Por um lado, algumas pessoas podem apontar a sociedade capitalista e consumista e as empresas como os culpados; só que não devemos esquecer que, nesse caso de compulsão, trata-se também de um transtorno psicológico que pode ser e pode ter uma dificuldade neuroquímica que independe das empresas ou da sociedade.

Você já deve ter ouvido falar que “toda restrição leva à compulsão”. Se, por algum motivo a pessoa faz um esforço hercúleo de conter a sua compulsão por compras e consegue, pode ser que essa compulsão se transfira para outros tipos de sintomas compulsivos. Já escutou ou viu pessoas tentando parar de fumar e conseguiram pelo esforço próprio? Não é incomum que essas pessoas transfiram a compulsão para outros comportamentos. O mais comum é transformar em uma compulsão por comida e pode acontecer uma transferência para outros tipos de compulsão.

Por isso que esses transtornos e os distúrbios financeiros que apresentei nos podcasts #176, #177 e #178 devem ser investigados e tratados na fonte, para não ocorrer transferências e acabar acontecendo outros tipos de prejuízos.

A complexidade da mente humana

A oniomania geralmente vem acompanhada de outros transtornos ou, comorbidades (que é o nome dado para essas combinações). Na maioria dos casos, as pessoas que sofrem de oniomania também costuma sofrer de ansiedade e/ou depressão. Afinal, as compras compulsivas podem gerar um desarranjo tão grande que acabam dando origem a uma disfunção, um sentimento de culpa muito grande e uma preocupação excessiva sobre como lidar com a situação. A pessoa não enxerga saída e ela reage aos gatilhos ou estímulos fazendo as compras sem que consiga se controlar.

Não é incomum que as pessoas (sejam mais próximas ou não) verem o oniomaníaco como mau caráter, uma pessoa incapaz de planejar, uma pessoa imprudente. Contudo, o papel dos familiares é ajudar nesse processo e isso pode incluir impedir que essa pessoa use o cartão de crédito, por exemplo, enquanto ela está procurando ajuda e se tratando.

Nesse contexto, ao iniciarem o tratamento, as pessoas que sofrem desse transtorno estão inseridas em um cenário de ausência de confiança. Por isso, também, deve acontecer um processo de orientação da família para entender o que está acontecendo e como devem proceder enquanto a pessoa progride no seu tratamento. Educação financeira ajuda o próprio comprador compulsivo a se conter além de também aqueles que estão no entorno; mas só informação não basta, se fosse assim bastaria ler alguns livros sobre o mesmo assunto e fazer alguns cursos relacionados e tudo estaria resolvido. Se você percebe que tem esses sintomas, que por mais que tenha informação sobre como ter boas práticas financeiras não consegue colocar em prática e que tenha assuntos mal resolvidos no seu passado que se relacionam com dinheiro, procure ajuda e tratamento para investigar a situação, procurar a origem do transtorno e ser conduzido a resolver a situação.

O podcast dO Investidor Inteligente também pode ser um pouco seu! Acesse a transcrição no blog do Dicas Curtas caso queira deixar algum comentário para esse episódio! E você também pode participar mais fazendo a mesma coisa encontrando a postagem no perfil do Dicas Curtas tanto no Instagram (siga @dicascurtas) quanto na fanpage dO Investidor Inteligente no Facebook. Aproveita para seguir o perfil, curtir a página e as postagens, marcar seus amigos e compartilhar com eles o que você está aprendendo aqui!

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Todos os links estão na transcrição no blog e na descrição dos episódios.

Pense sobre o que tratamos aqui e coloque em ação o que você aprendeu.

Lembre-se de cuidar bem de você, de sua família e de suas finanças!

Que Deus te abençoe! Aqui é Phillip Souza, e esse é o podcast dOInvestidor Inteligente!

Investidor Inteligente do Dicas Curtas

 

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